06 novembro 2009

napoleão



E cora o tempo a declarar satisfações. Pardos homens e mulheres se confundem entre braços enquanto dialogam o tempo e a imensa população. É o mundo criando fatos e há quem diga que o fim reside na esquina. Mas não dou ouvidos. Ignoro vozes que oram insípidas por atenção. E o que tenho que tanto sofro que me adormece o corpo e não fecho os olhos para o noturno repouso? Dizem ser loucura. Ou medo. Ou doença. Ou vadiagem que é o resultado de quem resolve cruzar os braços enquanto redige o tempo outras orações. Pois digo e escuta. Abre bem teus ouvidos porque minha língua é feito gente sem educação. Falo alto, idolatro santo falso e ainda construo ilusões. Odeio linha reta, dialética e geléia em pão dormido. Aborrece-me tudo que é bonito, belo, estético, político e certeiro. Ainda vivo a montar cavalarias, assassinar flores coloridas, perfumadas, repetitivas que tanto exalam vida e causo loucura em todos os que me guardam cheios de fé. Puritano sou de engano porque minha face é duplo escárnio de todas as dúvidas e me alegra a visão do espaço aéreo. Digam aos homens que existo, sinistro, engolindo todos sem permissão. Sou a voz que amedronta durante a noite e, ao violentar dos dias, cativo olhares que me alvejam através do retrovisor.




Image by Slawek Gruca

8 comentários:

Leo Mandoki, Jr. disse...

não sei exactamente o porquê, mas as vzs sinto q te perco
e eu não sou o Napoleão

Beto Canales disse...

hummm

Biba disse...

Bonito, rascante. Adoro tudo o que você escreve. Sou suspeita...

Beijo e afeto
Carpe Diem!!

Zélia disse...

Antes de ler o texto:

Bonaparte. Eu tenho que dizer! É assim. Toda vez que leio uma linha sequer me vez na garganta um grito. Solto tudo. Não corro perigo de morrer entalada...

Depois de ler o texto:

Napoleão é Dom Quixote! Pronto! E, mais uma vez, você sabe como dizer o que quer e diz mais.

Voltei a estudar Cervantes e o seu "lunático" cavaleiro andante em "Cultura Brasileira". Me surpreendeu a relação deste cavaleiro com o nordestino pé-de-chinelo. Mas não me surpreende a forma como a obra do escritor espanhol (ainda) está presente em nossas vidas.

Na aula de ontem, fiquei pensando no escritor como alguém capaz de criar ilusões mas, também, como um "buscador" de elementos em seu baú de pensamentos. Por vezes muitas, sem tencionar determinado alvo.

Dom Quixote é Napoleão! Assim se faz Escrita.

;)

Germano Xavier disse...

Para quem pensava que esta coisa de "corar" tempos era mania fantástica de J.J.Veiga em seu mundo de Platiplanto, viu aqui que a história é outra. Cora-se o tempo e não é a mãe que morre no final, mas o que vive no final o mais importante. Visão napoleônica.

Fernanda Luz disse...

Adorei esse texto!! Muitas partes achei levemente parecidas com minha humilde personalidade...hehehe.
Abraços.

suecosta disse...

Pelo jeito todos temos um pouco de Hitler, Jesus e Napoleão dentro de nós...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Abraços e obrigada por escrever

Fernanda Luz disse...

Olá..eu novamente oferecendo um selinho a você no meu novo post...

Abraços carinhosos...