26 dezembro 2009

cinema mudo



Ela não seria tão discreta, comendo delicada as delícias que a noite traz. Não seria você esculpindo falsa oratória em busca de se ajustar ao meio mundo que está em todo canto e já seria absurdo o entusiasmo das meninas rebolando nas esquinas da cidade enquanto o padre novamente redige homília? Ela não seria tão drástica. Talvez uma chaminé caduca de tanto exalar o pó dos dias e fazer navegar os pássaros no céu azul com cinza de papel queimado e lixo não aproveitável. Ou seria talvez um Quem Sabe de quem deseja amar e não diz nada porque falar é pecado entre os humanos. Nada diz é o que se fala entre os olhos e ela não seria tão ruborizada, pois já nasceu esbaforida, sem vergonha na cara. E ao recomeço ela viria, dizendo malícias em todos os tempos e seria talvez um beco onde o crime reforça a estupidez ou o viaduto de novo escondendo homem e mulher ou mulher e mulher ou homem e homem se encarnando. Não importa. É tudo humano. E a saliente vontade da mulher que olha outra mulher a fazer compras. A vontade de penetrar a mulher seria contradita porque mulheres e túneis se confundem e vale o fato de não enfrentar o entender. E amo uma mulher e nada vem ao caso porque de tanto fracasso tenho dúvida se realmente causo o querer ou me deixo esquecer. E ela continua zumbindo, acontecendo, explodindo enquanto velhos morrem, homens se atormentam porque querem e não atingem o maldito ponto g que é história. Não existe. E ela dança tal feito macumba e toda outra religião santa e seu futuro é rubro e a nascente é hoje e hora de qualquer criança nascer. Não poderia ser castrada feito os anos 30. Mulheres de um lado e homens em qualquer lugar. Não seria temida tal anos 60 realizando rebeldia em vitrola que hoje não mais se vê. Não seria indigna tal como os 70, dissimulando ausências e alardeando praças. Não seria os 80 perdidos tempos de nada explode e atentados imorais. Não seria hoje nem o tudo que se move ininterrupto ao vulgar coincidir das ilusões. Nem Virginia, nem alforria, nem carta de Ana Cristina. Não seria café barato e contrapeso das medidas egoístas e ela sabe que existe individualismo em todo ato de ingênuo e belo prazer altruísta. E não seria você que chora e acorda no meio da noite e respira fraco de medo porque ela não permita que seja visto o dia de amanhã. E estamos cegos de tanto ver que só vive aquele que se permite morrer.




Image by Slawekgruca

7 comentários:

Germano Xavier disse...

"Karol, você nunca leu nada igual". Foi o que eu disse para minha prima quando emprestei o Artesã de Ilusórios para ela ler. E cada vez mais isso se afirma como verdade, Alethéia. E eu gostei da foto, sou ruim e não-civilizado.

Zélia disse...

Eu iria deixar o comentário sobre a foto para o final mas já que não sou a primeira...

Foto perfeita! Como aquelas fotos antigas que nos trazem uma saudade danada de boa mesmo quando não chegamos a conhecer as pessoas ou lugares em questão ou até mesmo quando não vivemos aquela situação. Me sinto assim com algumas fotos antigas de família. É uma saudade misturada a um sentimento de vida viva. Essa fotinho aí me fez sentir isso. Saudade do que não vivi, saudade de quem não conheço...

Já do texto, vou extrair uma foto também. Quando leio textos, vejo imagens e há sempre uma que martela mais. Aqui:

"...só vive aquele que se permite morrer." (Letícia Palmeira)

Esse foi o nosso lema do Natal. A vida é feita de renacimentos. Todos os dias é preciso que nos permitamos morrer pelas coisas mais "simples". É preciso que deixemos o velho para trás para que o novo possa chegar. Até o dia em que morreremos para a Vida maior.

;)

Elcio Tuiribepi disse...

Eita Letícia, o que mais falar sobre seus textos, a gente acaba ficando repetitivo. Assim como o Germano emprestou seu livro para uma sobrinha, ou emprestar o seu para meu irmão, ele escrve contos e crônicas e ainda faz canções que eu como irmão coruja adoro, assim como as outras pessoas.
Terminei de ler e terminei o tal poema também...rs...
Mas o que mais gosto no seu estilo é a forma despojada e sem pudoresw como trata todos os assuntos...é isso
Um abraço na alma...apareça...

Thomaz Ribeiro disse...

Todo domingo é assim, vir aqui e dar de cara com textos que vão no fundo da alma humana.

Mai disse...

De Artesã à retratista, Let e esta também é a fotografia da família moderna. E tudo se repete.
beijos, querida,
boas festas.

Renata Penzani disse...

ah, que bonito. não pude deixar de comentar. encontrei o seu blog como quem não procura nada, e achei muita coisa.

se puder, dá uma olhada no meu também, si?

um beijo.

Renata

renata penzani disse...

uma leveza esse blog, gosto muito.

aproveito para divulgar o meu também, que não faz mal :)

www.furtacores.tumblr.com