09 janeiro 2010

fábricas




Nuvens fabricando estrelas e há de merecê-las quem dos céus as vê. Sólidas matérias lúdicas encantam sempre nuas os olhos de quem passa, de quem se atrasa e do homem que vigia da praça as casas, preguiçosas e atrevidas, ao silêncio das galerias, a espera de um outro sol que vive por nascer. E o homem que caminha lento em seu passar avisa que há de velar o sono das bocas entorpecidas e das crianças adormecidas que cálidas repousam sem saber que fabricam as nuvens as estrelas e entre gametas surgem novas crias e o mundo dá partida ao trem que é vida e, da noite ao dia, diversificados em vastas categorias, solitários tomam-se por dois em binárias e perfeitas multiplicações.





8 comentários:

amanda lima disse...

Adoro teu estilo de escrita. :)
Encontrei o blog por um acaso, mas, já tornei-me assídua em sua leitura.

Pois um beeijo.

Zélia disse...

Eu amo olhar as estrelas. Não sei se esse amor nasceu, quando criança, olhava incansavelmente as estrelas das areias de Camboinha ou quando, ainda criança, as olhava no terraço da fazenda onde passava férias também. De lugares assim elas sempre ficam mais perto de vc e eu, criança, esticava as mãos e as alcançava. Foi nesse meio tempo que li "O Pequeno Príncipe" e fica confuso pensar em como comecei a chegar tão perto de estrelas. O fato é que elas passaram a ser minhas e me levam para perto de quem me dá saudades...

Vou deixar o trecho de "O Pequeno Príncipe" em que o Principezinho conversa com o aviador sobre elas:


"- Tu olharás, de noite, as estrelas. Onde eu moro é muito pequeno, para que eu possa te mostrar onde se encontra a minha. É melhor assim, Minha estrela será então qualquer das estrelas. Gostarás de olhar todas elas… Serão, todas, tuas amigas. E depois, eu vou fazer-te um presente…

Ele riu outra vez.

- Ah! meu pedacinho de gente, meu amor, como eu gosto de ouvir esse riso!
- Pois é ele o meu presente… será como a água…
- Que queres dizer?
- As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém…
- Que queres dizer?
- Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!

E ele riu mais uma vez.

- E quando te houveres consolado (a gente sempre se consola), tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás às vezes a janela à toa, por gosto… E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: “Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!” E eles te julgarão maluco. Será uma peça que te prego…
E riu de novo.

- Será como se eu te houvesse dado, em vez de estrelas, montões de guizos que riem…"


Antoine de Saint Exupéry em: O Pequeno Príncipe - cáp. XXVI

.Leonardo B. disse...

[escuras as letras, escura a manta onde se deitam as estrelas e com elas a luz suficiente; rendo-me!]

um imenso abraço, Letícia

Leonardo B.

|essa coisa que vamos chamando coincidência é um caso para o Tio Sherlock: acabei de postar no Impressoes Digitais, o clip do Little Star, da Stina Nordenstam]

Thomaz Ribeiro disse...

Seu texto vai nos mostrando que, invariavelmente, a vida segue seu fluxo.

Tete disse...

Parabéns! Passei por acaso e fiquei porque gostei. Desejo registrar que me encantou a qualidade da poesia dos textos. Um pouco além disso, quero elogiar o cuidado com a obra alheia. Nem todo escritor manifesta o devido respeito pelos autores das imagens que são postadas. Parabéns também por isso!

Mariah disse...

E RODA A RODA...A RODA DA VIDA.
ILUSTRAÇÕES BELÍSSIMAS...VOU CONSULTAR A ARTISTA...

Germano Xavier disse...

São pequenas pérolas, petardos conscientes e de autoria acalorada estes mini-alguma-coisa que você é especialista em escrever, Letícia. Você inventou de falar na cadeia da vida e não precisou falar em Mendel nem no bum-baque do universo. Falou apenas de um trem e tudo se deu no ar das linhas. É impactante.

VELOSO disse...

OI...Estou caminhando por seu blog!