15 janeiro 2010

revelia





Um poema por dia. Calendário gregoriano sutil egípcio.
Vapor das ferrovias e cria da fértil imaginação fugidia.
Dama da noite por dias
Jasmim roubado,
Violado — violada,
Por ágil e evolutiva invenção feminina.



Minha revelia é azul, púrpura em diversos trajes colorida. De fina estampa estendida em toda esquina e vendida por ninharias e tanto me contentaria em ser contraste entre musas e ave-marias. Há muito venho errante, rosa vermelha embebida em champagne, e anuncio culpa aos gratos erros que me levam pelas mãos que não me temo por ser predador e, sendo mulher de minhas paisagens, de boca aberta cheia de palavras, vivo de falar mal em revoltas gargalhadas. Choro por nada, por violento apego, e não me eximo do desterro que ao mundo é trajeto e breve será destino. Desgarrada de meu bando, caço aos nortes e aos mares de todo o canto, meu nome, meu ego, minha desvirtuada e traiçoeira matéria, que sou feita, que sou pele, que sou muda, que sou cega, que me nomeio Panaceia e sigo outras manadas a violar estradas em próspera e desvairada epopeia.




Image by Adnil

7 comentários:

Sonhadora disse...

"Choro por nada, por violento apego..."

Tem dias que 'tudo' o que faço é chorar 'por nada'

=/

E essa imagem que você usou para ilustrar o texto...essa sou eu! Sim, eu tenho o colar e os brincos completamente iguais aos da figura!

rsrsr

Fiquei minutos contemplando, como perua de frente ao espelho antes de sair de casa.
:D

Beijo grande.

Mai disse...

Um ato de contrição, uma alma errante, uma culpa libertina que gurada moedas num cofrinho.
Beijos

Biba disse...

Ontem chorei assim, como choram as crianças, aos soluços. Leio seu texto e me sinto desgarrada a viver um pouco à revelia um pouco ao sabor do vento. Teu texto é vida incandescendo nas veias.
Beijo,
Carpe Diem!!

Zélia disse...

Todo escritor tem seus momentos de "rebeldia". Ele é humano antes de ser escritor. É assim que te vejo agora. Mas essa "rebeldia" não é sem causa. Ela expressa uso de liberdade. Não há quem seja livre antes de ter que lutar por liberdade. A rebeldia nada mas é que uma luta entre contrastes para se chegar a um ponto. Não é à toda que a sua cor preferida, aqui eu falo da Escritora, é azul. Azul é a cor da noite, da criatividade, da clareza de idéias e que propiscia uma maior conectividade com a parte feminina e intuitiva. Tendo a rebeldia de um lado e a cor azul do outro, sugiro a luta de contrastes. A busca pelo equilíbrio. Chegamos, então, a Panacea, a representação, na Mitologia Grega, da cura de todos os males. Não apenas os males físicos mas, especialmente, a cura para os males da mente e da alma. O que para os gregos era o mais importante pois eles acreditavam que só haveria cura total do corpo pela "Metánoia" que é a transformação de sentimentos. Assim, acredito eu. A cura para nossos males encontra-se na transformação total de nossos sentimentos. Para chegarmos até aí temos que seguir em uma verdadeira epopeia... ;)


Fonte de consulta:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Vol. II. 7 ed. Vozes. Petrópolis, RJ.

.Leonardo B. disse...

[para ler de um fôlego, sem respirar, sem pontuação, sem parar]

um imenso abraço, Letícia
abraçimenso

Leonardo B.

Thomaz Ribeiro disse...

Para entender uma única pessoa nem toda a sabedoria do mundo daria conta. Como é que se pode entender todas as revoluções que cabem dentro de uma única cabeça?

Germano Xavier disse...

A Zélia escreveu o necessário em seu comentário e usou até outras vozes. Completamente dispensável dizer mais alguma coisa. Eu finalizo só dizendo que sua rebeldia - ou revelia - é nos alimentar sempre de boa literatura. Continue, Branca.