12 outubro 2010

ponto de vista





O conto era tão ruim que ficou bom.
Aliás, era uma crônica. Entende?

Foi assim. Comecei a ler, palavras foram surgindo, um palavrão aqui, outro ali, figuras de linguagem, tipografia Garamond e não sei o quê.

Resumindo a história:

Uma menina de mais ou menos vinte e poucos anos fala de relacionamentos. Amores. E tem uma amiga da menina que é convencida de ser bonita e acha que pode ter qualquer pessoa aos pés dela (A teus pés?). Até a menina de vinte e poucos anos (Que é homossexual). Entre uma e outra citação de nome de autor clássico, cresce o texto. E o conflito da história é este: Menina que é amiga da outra menina que é homossexual joga charme pra todo lado, aparenta sentir algo pela menina de vinte e poucos anos, surgem uns caras que também se apaixonam pela menina convencida e ela quer também que a menina (De vinte poucos anos) se apaixone por ela. Aí algo acontece, ela, a convencida, recebe uma lição de moral ao "telefone?" e acabou e Fim?

Quando terminei de ler parecia que dez mil anos havia se passado e eu estava velha e caduca. Porque não vi o pingo no i.
Talvez eu esteja ficando cega.
Ou louca demais para entender.
Ou o tempo passou de mim e fiquei lá atrás largada na velha literatura sem uso. E não sou homofóbica.


Então criei uma lei. Lei Wagner Montes.

A tal lei consiste em argumentar que tudo que é ruim, tão ruim, muito ruim (Em minha opinião, é claro), vai acabar ficando bom. Terá o seguinte conceito:

Tão ruim que é bom.

Pensei nisso e fiz uma comparação entre o conto (Crônica?) que li e um filme que assisti em mais uma noite de insônia.

Resumindo o filme:

O personagem interpretado por Wagner Montes (Aquele que era jurado no show de calouros do Sílvio Santos. O da perna manca. Casado com Sônia Lima. Acho que ainda é casado). Pois bem. O personagem era um "menino do Rio calor que provoca arrepio" e se apaixona por uma mulher que tem caso com um velho rico. A interpretação de todo mundo no filme é ruim. Até do pessoal dos bastidores. Wagner Montes fala como se lesse uma cartaz (O tempo todo assim. Feito Robô). E amor vai, amor vem, cena de quase sexo vai, sacanagem vem, e o filme tem um conflito. O personagem interpretado por Wagner Montes ama tanto a tal mulher que decide assassinar o velho e ficar com a mulher que, por sua vez, já tinha outro amante e faz sacanagem com "o menino do Rio" e termina o filme assim: Wagner Montes na cadeia, a mulher morta na piscina e o outro amante foge com a grana. E o filme era ruim. Todo ruim. Mas eu precisava ir até o fim e acabei gostando.

Daí surge a lei.

O texto era ruim. Muito ruim. À moda de Wagner Montes. Mas eu precisava terminar de ler. Assim como precisei terminar de assistir ao filme. Assim como preciso entender que tudo depende do ponto de vista. E sei que falei um monte de bobagem, mas é assim que surgem as leis. Ou escritores. Ou atores. Ou tsunamis.

E meu conceito para o que acabo de dizer fica a critério da nova lei. Ou do leitor. Ou de você.

Ruim que é bom. Ou quase bom.
Ou apenas Wagner Montes de camisa regata falando palavrão.


E quem sou eu para julgar?
E quem sou eu para criar leis?
É apenas mais um dia monótono.
E escrever não passa de encenação.




Image by Jenuine

9 comentários:

Deia disse...

Tão ruim que até fica bom? Já conheci alguns desses. Ops! Estávamos falando de textos, certo? É a minha cabeça que vai longe... Beijos, Deia.

ONG ALERTA disse...

Não temos o direito de julgar ninguém, mas a vida ensina a todos, paz.

Sonhadora disse...

Conheço mais os casos (não-literários) que são tão bons que chegam a ser ruins!

rs

Estou muito nervosa, com uma coisa-que não tem nada a ver com nada disso aqui- e começo a achar que o dia de hoje é tão ruim que chega a ser bom. Muito bom! Excelente até.


=]

obrigada pela Lei, posso usá-la né? rsrs

Já vi aplicação imediata para minha semi-vida.

Beijos, Letícia. E acho que detestar algumas coisas é fundamental para aprendermos a amar as merecedoras.

Fenomenal! Sempre! =}

Ribeiro Pedreira disse...

"dura lex, sed lex"
porém, "tudo é relativo"

Espaço Aberto disse...

Então me explica porque o filme ruim ficou bom??..è porque ele fez parte da sua prosa...foi coadjuvante é claro...mas...rs
Leticia...passano e deixando um convite ok...se puder...

Convidamos a todos os amigos para a nossa 2ª Postagem Coletiva, que se realizará entre os dias 27 e 31 de maio.
O tema proposto é o seguinte: "FOTOGRAFE E CONTE SUA HISTÓRIA"
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Contamos com a sua presença! Participe!

Juan Moravagine Carneiro disse...

Eu voltei a me aventurar nas leituras de contos depois que conheci seu espaço...

Abraço!

Zélia disse...

Espera que eu diga o que?!
"É tão ruim que ficou bom"!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkk

8)

Germano Xavier disse...

Emenda número 1

Parágrafo 1.

Todo ruim é ruim porque é ruim.

Inciso 1.1

Isto basta.


Parágrafo 2.

Se bom, o ruim é ruim e meio.

Parágrafo 3.

Bom, bom, bom... não é não.

Parágrafo 4.

Eu não sei porque estou escrevendo isso.

claudio rodrigues disse...

OI, adorei seu afeto e sua visita ao meu blog e sua leitura do Iluminária no Cronópios. Letícia, o iluminária é mesmo uma reza, uma litania, mas não a um Deus e sim à luz. Adoro teu texto. Quero voltar aqui para ler mais e mais. Brigadão.