30 julho 2010

pluct plact zum

Aprendi com meu avô, que era caixeiro viajante, que a propaganda é a alma do negócio. Mentira. Meu avô não era caixeiro viajante. Porém, propaganda é alma.


Para os que se aventuram a ler minhas mal traçadas linhas,
estou no cronópios.


Clique na imagem e pluct, plact, zum.









E Andy Warhol estava completamente certo.

28 julho 2010

abracadabra





1

Narrarei com as duas mãos, e um pé na frente e outro atrás, a bruta capacidade que possuem meus pensamentos robustos e irracionais. Me fazem acreditar em tudo. Sétima arte, escada de emergência, redução de calorias à base de manobras sexuais banais e decadentes e traduzo, à fina língua, o filosófico francês do jogo da amarelinha. Comedores de meu juízo. Televisivos e virtuais, andam sempre em pares e, quando díspares, nunca os vi desiguais.



2

Estou alegremente ouvindo Fiona Apple às três da manhã. Hora macabra, abracadabra e meus amigos todos dando risada. Bando de gente errada. Não fazem ideia de quem eu sou. Sumo sacerdote fêmea. Dotada de incríveis poderes sobrenaturais que de nada valem. Mas veja minha ambiguidade. Sirvo a tantas bocas e minha mesa está sempre escassa.



2/5

Poema.
Deitado de lado de olhos fechados
Ainda será poema.
Aquele que o escreve, porém, que não sonhe
Sempre o poema muda o rumo de alguém.



Passional 3

Ana C. era passional
Marginal
Mulher viajada.
Tomava chá das cinco
E contava sua vida em meia palavra quebrada.
Eu, coitada
Sou nada.
Se confesso, vou pro inferno
Se viajo, o trem emperra
Por isso me calo quieta
E não dou uma de poeta.
Me deito quieta e peço a Deus
Que me guarde, me ilumine, me desgoverne
E que eu sobreviva intacta
Aos descompassados atritos da pele.



Beijo de amor número 4

Um casal beija
No meio da praça e a criançada corre
O beijo de amor
Engole a cena
Um balé aquático
Língua pra cá
Te amo pra lá
E, do ônibus, contaminado e urbano
O público nem repara
Amor não tem graça
No meio do cotidiano.



Inquietos (fim)

O homem de boca fechada acha que não diz nada. Mas eu ouço a voz do homem calada através do olhar. Ele diz que incerta, embora crente de seu plano, a palavra respira cheia de sentido, boceja de modo tranquilo e se estica a espera do que será dito. Feito gato observando a vida através da janela do décimo quinto andar.





Image by Linnea Strid

19 julho 2010

relógio embriagado




Amor em duas vias
Assassinadas
Esquecidas
Papel amarelado de medo
Perdido no pó da gaveta
E o jantar falho de vinho?
Na sexta-feira?
Depois do expediente
Entorpecente a língua fala
Quando deveria calar
Descobri por acaso
Tenho fraco por fracassos
Sou meu próprio anti-herói


Como se o dia ofuscasse janelas, como se deuses andassem nas ruas, como se o céu abrisse a boca em enormes clareiras, como se fosse chuva e sol, como se animais noturnos rompessem segredos, como se o medo e a devoção dos santos nos atingissem, como se o estrondo de suas mãos em minhas mãos fossem certezas, como se as ilhas solitárias do pacífico fossem nossas, invadidas e penetradas casas, como se a trajetória da queda rumo ao abismo forjasse sentido, como se não existisse você, como se não existisse eu, como se não existisse mundo nem poesia que transtorna a vida dos sentimentos escondidos dentro da voz, descobri que não somos iguais. Soldados cobertos de armais mortais. Sou traça que devora suas peças e você é a placa que sinaliza proibição. Guardo minha rebeldia quando ainda arde o dia e sente fome minha rítmica ausência de alegria. Descobri que envelheci. Sem aviso prévio, perdi a fé na velha história. Agora vivo de obrigar que se consertem as cordas e engrenagens do relógio embriagado que me pulsa e regenera. Por obrigação seguem nova ordem as linhas imaginárias da palma das mãos.


Racional é o júbilo.
Passional é a vida.
Finjo ser estátua rubra
Enquanto rugem os aviões.



16 julho 2010

reality bites







Não escreva agora o que você pode deixar para outra história. Escrever é o meu drama. Nítido e particular. Estou sempre com algumas mil palavras para colocar no papel (que nem sempre é papel). Largo tudo no Word mesmo ou, à moda antiga, tenho um diário estilo menininha e escrevo coisas quando estou por aí. E agora ando calada, acuada e castrada (adoro Ângela Rô Rô). Então estou lendo. Muitos livros. Estantes de muitos livros. Leio crítica literária, poesia, auto-ajuda e Stephenie Meyer (que é um gênio – vale salientar). Não aguentado apelos midiáticos, me intrometi a ler Amanhecer (continuação da história sobre vampiros que saem à luz do dia, têm suas imagens refletidas em espelhos e não têm medo de crucifixo e cortam até cebola). E a mulher ficou milionária escrevendo tudo isso. E, no meio de minha insônia, terminei o capítulo que é mais focado no lobisomem que não usa camiseta e tem 16 anos. E concluí que a história não é ruim. Tem lá seus altos e baixos, citações desnecessárias de Jane Austen, trechos de Shakespeare e por aí vai. Decidi, então, escrever esse treco e dizer de minha total compreensão aos escritos da autora americana que conseguiu botar Harry Potter pra tirar um cochilo. Fui ao cinema. Eu vi o filme. Conheço pessoas que nunca leram PN e agora devoram quilos de papel pra saber se Bella vai se tornar vampira ou não, se vai escolher Jacob ou Edward e etc e tal. A escritora conseguiu um grande feito. Levar gente à leitura. Para mim, já é meio caminho andado.




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