13 julho 2010

adivinhação





Vivendo basicamente com duas pedras na mão. Uma que mira a matilha e outra que cai no chão. Despretensiosamente pedras miram minha sina de estar em todo lugar, exceto em mim mesmo. E vai pelo mundo minha hora que segue outra história e ricocheteia e serve anseios de todo altruísmo desvencilhado entre minhas teias. A vida é uma grande bobeira. Livro cheio de conselho que não ajuda. Rota falha de memória. E basta um bom motivo e o dia se desajeita e tudo sai do trilho. Me desequilibro e ferida maior é não cicatrizar. E me demoro em dizer a verdade porque é difícil deixar sair essa mudez intacta de não se ver. Que há além das janelas? Céu aberto, livro empoeirado e ancestrais acenando avisando que tudo está ao contrário. Não paro. Sigo todo e qualquer rastro e não há seta de destino dizendo qual melhor lugar para se viver e ter, de mão cheia, dia feliz e farta mesa. E eu que não caço, que não tenho cão nem gato, penso em comprar um passarinho. Que não se engane aquele que pensa que ileso escapa do abismo. A vida é de improviso. Cena feita sem ensaio. E atiro pela culatra o futuro que desejo.



Image by fabrini

4 comentários:

Deia disse...

"Cena feito sem ensaio" - assim é o que se passa conosco a cada segundo. Às vezes dá vontade de apertar o botão de stop e rever a cena, pensar na melhor forma de continuá-la. Impossível. Seguimos sem diretor nem roteiro... Beijos, Deia.

Ribeiro Pedreira disse...

não há vida com graça sem improvisos, mas as possibilidades de acerto estão nas bases dos anseios.
bjs ;)

Zélia disse...

Vou começar pelo fim:

(...) e não há seta de destino dizendo qual melhor lugar para se viver e ter, de mão cheia, dia feliz e farta mesa. E eu que não caço, que não tenho cão nem gato, penso em comprar um passarinho. Que não se engane aquele que pensa que ileso escapa dos abismos. A vida é de improviso. Cena feita sem ensaio. E atiro pela culatra o futuro que desejo. (A Autora deste blog)

Não, não existem setas. Com passarinho ou sem passarinho, não há como escapar ilesos. Somos nós que fazemos o nosso destino. O que queremos depende, em grande parte, apenas de nós.

Camilla Tebet disse...

Rápida.... certeira, como sempre escrevendo sobre a "minha" vida. Escrevendo vida, vivendo. Assim Letícia, sem pica de placas, sem porra de setas e sem grana nem pro estilingue do passarinho, assim, vc faz arte e eu sinto um prazer verdadeiro ao ler.


Ps. O design do blog está lindo. TÔ com inveja.