31 julho 2010

o tal bilhete esquecido





Seremos sempre motivo. De beber vodca ou cair de bruços em uma tonelada de páginas de muitas palavras cegas, afiadas e diversos vocábulos indefinidos. Você não foi embora. E, se realmente foi, ainda não sinto. Parece que deixou a casa aberta, luzes acesas e, como li certa vez, deixou a geladeira cheia. Mas você não é suicida. É apenas louco. Horacio falando demais e fumando em francês. Tudo que leio existe você. Então, assumindo que livros são eternos (até os piores), deixo clara sua posição. Eternidade não é adquirida. Nascemos com ela. Você é uma das poucas pessoas que consegue existir o tempo todo. É difícil explicar. Mas, a cada olhar que desvio em qualquer direção, você existe. Até em um maldito jardim ensopado de chuva. Falei que seria incurável. Porque, uma vez atolados no mesmo espaço de ego e consternação, não se pode deixar. Podemos fazer mala e cuia. Podemos até apelar para divindades que nos ajudem. Que nos salvem. Talvez falar com um amigo ou dois e pedir conselho. O que está feito, está feito. Esquecer não depende de nós. Esquecer é bruxaria do tempo.




Image by Yi Ran

7 comentários:

Leonardo B. disse...

[cedo ou tarde, esquecimento é sempre acto inquieto, um espinho imperfeito num pé que se perde por esquecido... esquecimento é alimento requentado e cerveja quente para a alma]

um imenso abraço, Letícia

Leonardo B.

Marilena' disse...

Gostei muito *

Zélia disse...

o.O

Should I really make my comments?!

Gostei do "esquecer é bruxaria do tempo". O bom, é que as bruxas existem mesmo...

Mai disse...

Realmente, como diz o texto, não se esquece por decreto e no intervalo entre os dias são poucas as horas. Mas se não houver um basta aos ilimites da dor, ela se perpetua fazendo mortos em vida.
Teu texto é tão belo quanto triste.

fica bem!

lov u

Sonhadora disse...

Gostei do "esquecer é bruxaria do tempo" [2]

Você expressou algo com tamanha facilidade...algo que eu sinto e jamais saberia como explicar...E nem se eu copiasse tudo de você, ainda ficaria sem explicação.


Daí fico escutando e repetindo: "Don't you think we should have learned somehow?"

=}

good saturday morning

[patife] disse...

Teu espaço me surge hoje como uma bela e boa surpresa. E, que força nas letras, moça! Que belas pinceladas afetivas!

Um abraço.

P.S.: parabéns pelo blog.

Niltinho disse...

Dizer que estou sem palavras não é muito, mas é o máximo que posso fazer. O bulhete me deixou assim, atônito pois me remete a passagens e sensações que são só minhas. Talvez seja esse o papel da arte, além de eternizar breves instantes, fazer-nos lembrar do que em nós foi belo.

Até.