03 setembro 2010

darwinistas





My name is Luka, sou Hare Krishna Ishna Ishna, e, convertida em pára-raios, não sou moralista e que Deus salve a rainha.

Tudo depende de mim. Ou não. E hoje acordei de olhos bem abertos. A janela estava escancarada e havia cara de chuva, mas não choveu e agora faz sol, amigo meu.

Sonhei muitas coisas durante a madrugada. Fui pra cama por volta da meia-noite, assisti a um filme porcaria clichê, fumei um cigarro cantarolando baixinho a marcha do soldado desconhecido, pensei em sexo algumas vezes multiplicadas de outras vezes e decidi, no auge da sensatez, redigir uma carta. Com as mãos. Veja bem a modernidade.

Eu tenho papéis de carta. Pego de um e escrevo. Cito a cidade, dia e ano. Começo a carta. Escrever carta não é fazer uso de eu lírico. É deixar bem claro que não fora em vão a invenção da escrita. Escrevi mais que presidiário em filme estadunidense. Letras e mais letras para dizer fim. Será preciso tanto? Não podemos pegar um atalho?

E me apaixonei. Foi perfeito. Cara a cara, eu e minha sombra, minha preguiça perversa e agradei até dizer basta. Conversamos por dois minutos e eu poderia dizer "Chega! Estou convencida. Há gente demais na China e faço sexo tão lento que rasgo a roupa e te mastigo com os dentes". Desculpa. Falei em sexo novamente. Santa cabeça cheia de porcaria. Eu deveria assistir mais filmes do Gordo e do Magro. Talvez seja a cura.

Pausa para o orgasmo.

Um movimento seu e já entro em estado de nirvana ou será mesmo um pseudo-ataque cardíaco? Satisfeitos, nos deitamos um de frente para o outro e olhos mentem. Um sorriso idiota de contentamento corrompe nossas caras e, cara, repete a dose porque sou kármica e nunca me satisfaço. Água não mata minha sede. Outra vez ele se justapõe aos meus quadris, diz que diz, suspira, beija e eu penso em ursos polares, fotos em Polaroid e existe vida em Marte? Mas ele não me deixa pensar. E a gente se confunde. Dois meridianos cruzando o mesmo ponto, matéria-prima da mesma origem, santos darwinistas mordendo línguas. Outra pausa, orgasmo protegido e você têm erva daninha?

Acendemos.
Oremos.
HORA DO SERMÃO.

Falamos de amor, carros estrangeiros, poças d’água, cargas d’água e, de novo, meu corpo é seu. Não canso de me dar. É o conhecido livre arbítrio.

E agora se faz tanto barulho. A cama está rangendo e nos atiramos na superfície nivelada que nos equilibra. Em outras palavras, orgasmo no chão e ele orgasmo na cara.

Deixo o quarto tonta de querer. Porque há tréguas e uma batalha não deve ser travada de uma só vez. Abro a geladeira, penso no unicórnio que sempre atrapalhava a volta pra casa (Uni deveria morrer). Geléia, torrada, a vida de tanta gente é uma verdadeira desgraça e me sinto egoísta outra vez. Uma música, ele me persegue e voltemos ao caos de nossa espécie. Agora será a minha vez. Salto o trampolim em feminilidade, educada feito moça recatada, escandalizo os móveis de casa. Outro orgasmo gera energia e, catalisadores que somos, nos amamos e servimos a sede um do outro.

E sonhei muitas coisas durante a madrugada. Sonhei enquanto olhava sua cara amassada no travesseiro e escrevi uma carta à luz da luminária em forma de cone. Assisti filme clichê e te roubei de você. Rebelados representantes da nova era, nos beijamos sufocados e travamos outra luta que não se acaba e, a cada hora que passa, nos unimos mais. É a tendência de nossa raça.

Oremos em silêncio. Deus está em casa.




6 comentários:

Sonhadora disse...

Oh my God!

Gostei e demais! Escrever cartas pela madrugada nunca pareceu tão excitante.
E toda sexta-feira acho que não sou só eu que me animo.

B)


"...ele se justapõe aos meus quadris, diz que diz, suspira, beija e eu penso em ursos polares, fotos em Polaroid e existe vida em Marte? Mas ele não me deixa pensar..."


Pra que pensar, Letícia?
Já dizia Pessoa que pensar é estar doente dos olhos...Acrescentemos demais partes do corpo :P

Beijo.

Devir disse...

"Um sorriso idiota de contentamento corrompe nossas caras e, cara, repete a dose porque sou kármica e nunca me satisfaço"

amei isso!
uhsahusahusa
:D

Zélia disse...

Amém!

Já não há o que dizer. É desnecessário dizer que, quando em sexo, também penso se há vida em Marte (quando me deixam). Depois, travo luta e quero mais. Silencio. Grito. Morro. Vivo.

Nunca achei que Uni deveria morrer...

Felipe disse...

Minha nossa!!!
Lê, você transcendeu a teoria dos invisiveis e desaguou em algo sagrado! Sagrado!
Obra-prima, coisa de gênio, de marte, plutão e vênus!!!
Você tem minha afeição e minha idolatria, religiosamente!
Me controlo para não me estender muito e acabar chato e gasto!
Genial, Genial!

Deus está em casa.

Beijo...Fê

Renata de Aragão Lopes disse...

Li praticamente sem respirar!

Cartas
e outros prazeres
à mão...

Um beijo,
Doce de Lira

Marcelo Novaes disse...

Letícia,




Ora, ora...



O New Age não sobrepujou Darwin...






Um beijo, amiga.