30 dezembro 2010

novela, novelo, todo enredo





Final de ano é igual fim de novela. Alguns morrem, outros fogem, alguns se casam e, com sorte, algumas mulheres ficam grávidas. E, entre vivos e feridos, estamos aqui, tentando continuar, tentando escrever, vencer (ainda não sei bem o quê), estocando comida para os dias de inverno e fazendo dieta para os dias de verão. A pergunta que permanece em mim sempre que um ano termina é: E aí? O que aprendi? Você já parou para pensar nas lições de casa que não fazemos? Nas quebradas de cara? Nas necessidades que nos regem e nunca nos protegem de estar, de vez em quando, meio de mal com tudo? Há lições demais e nossos cadernos não possuem tantas páginas. Penso desta forma e permaneço tentando viver um dia de cada vez. É de praxe que se escreva algo sobre o ano que está terminando, felicitando amigos pelas conquistas, desejando força, paz e saúde pra continuar. Eu não poderia deixar de escrever. Não poderia ficar de fora e silenciar. Não sei há quanto tempo o blogue afeto literário está ativo ou se sou eu quem estou na ativa. Sei que escrevi muitas coisas e pude compartilhar com pessoas de vários lugares e diversas opiniões. Ingenuidade dizer que aprendi algumas coisas? Ingenuidade dizer que faço questão de não aprender outras? Há coisas que faço questão de não aprender. Não quero me tornar certa ou exata feito relógio suíço. Não pretendo escrever centenas de livros ou passar a vida inteira trancada e lendo histórias. Quero viver. Assim como você. Assim como a mais simples pessoa que mora onde não mora ninguém. Sempre penso nestas pessoas. As esquecidas, as tristes, as envelhecidas. Que seja por sofrimento ou qualquer outro motivo. Penso nas pessoas que perderam familiares e sofreram. Pessoas que perderam suas casas ou seus motivos para continuar acreditando. Penso na senhora que viu sua neta morta em um terreno baldio (desagradável, não?). Mas é a vida. Novela a cores que não diz o lugar exato em que o raio irá cair. Mas ele cai. Com ou sem fé em Deus, estamos todos no mesmo barco. E que não sejamos náufragos de sentimentos. Que saibamos aceitar o que há de vir. Aprendi que não posso dar passos tão grandes. Aprendi também a quebrar a cara com mais elegância. Porque não deixo de ser gente e sonhar e ainda querer sentir o que nos é humano. Vou continuar errando, escrevendo, lendo, vivendo? A resposta é sim. Ou não. Porque todos nós iremos continuar. Até os que partem também continuam. Em lembrança ou memórias. Como em final de novela. A vida continua e surge a história seguinte. A gente não estanca.






Feliz Tudo.

E desejo paz de colher cheia
E toda felicidade clichê
Que é pra todo mundo saber que ser clichê é bom.


Beijo para todos.





12 dezembro 2010

libertinas são as horas da manhã





Era noite e eu precisava ler. Cato na estante o livro que me serve e o poeta zomba de mim. Eu visto cetim, largo a carapaça e detesto o mundo. Ou amo tudo. Ando varando Dias ao pé da letra. A teus pés me comporto, tenho fé em reticências e estreito ligações. Alô de boca em boca. Maligno é ser objeto indireto. Exaustão de calor profundo sou. De curto acesso. A veia salta aos trampolins. Amor não é tiro de festim. Visto prosa e acho engraçadíssimo ouvir gente falar em Érico Veríssimo. Não sofro disso. Tenho um abscesso antigo e saliente. Esta é a posse, a peça, a pedra no meio do caminho. O desconforto. Pedra que entrou de sola no sapato e me fez resistir. Escrevo e leio Cecília toda prosa atuando cantigas. Fala de bicicletas, romanceiro e flores no jardim. Mas sei da cólera que a subestima. E recorto a noite ao vapor do frio. Frio é nítido, colóquio é desafio e urgência é bandeira antiga que afunda meus navios. Bandeira gasta de traça e caça. E sou de virgem ou qualquer outro signo. Sei lá de mim. Retrato-me no espelho e versam poetas libertinos. Vaidade é a nova hora e medo é desconcerto. Se você não me entende, ao menos esteja prestes. Somos todos pestes. Repentinos e desconcertantes. Olho seu poema pela quarta vez. Ainda não sei bem o que devo saber. Terá segredo o que diz a palavra sem querer? De cetim em festim gera a vida minha voz. Volátil feito álcool que embriaga velhos iludidos às 3 da manhã. E visito de novo seu poema. Ainda sem entender. Vai ver é assim: Entender faz sumir o sentido. Então não tento. Abandono seu livro antes que ele me consuma. Em suma, sou fugaz. E não sou capaz de usar palavra simples que diga isto e mais isto com o dedo esticado na ponta do nariz. Tenho fraco por correr riscos e digo que loucura é fardo de qualquer um. Mas qualquer um não é todo mundo. Um milímetro no gatilho do tempo ou minutos de intervalo na programação. Consumindo castigos e lendo versinho de rima intercalada volto ao livro. Ao pé da letra, caducando malabares, releio humana meus escritores. Invejo suas vidas, seus amores e suas saliências verborrágicas premiadas com louvor. Invejo tanto o que leio que escrevo. Gloriosa concepção a literatura. Mente mimeticamente o belo anjo caído à vida. E tudo aquilo que criamos viciosamente nos cobiça.








Image by Trixis

06 dezembro 2010

um gato entre os pombos







Edição 43 do site escritoras suicidas.
E eu inventei de estar lá.


E, através do mundo virtual (Este que muitos falam mal, mas estão todos aí, conectados, vidrados, viciados e coisa e tal), conheci Neusa Doretto (poeta que escreve o blog Poesia Rápida). N. Doretto também tem seu espaço no escritoras suicidas. Eu recomendo.





E adoro este título (Um gato entre os pombos)
Livro de Agatha Christie.









É isso.
Um abraço para todos.
E um beijo especial para o Papa e o Rei da Noruega.
















Agradeço à Mariza Lourenço pelo convite.