27 dezembro 2010

1/3 de homem






E o ano parece não querer chegar ao fim.
Quanto mais eu ando, lá está ele, parado feito poça d’água.
De queixo caído, ele zomba de mim.






Sérios problemas causam sérios males. Por isso sempre ando protegido. Figa, arruda, pé de coelho e ainda me pego rezando por tudo quanto que é canto. Louco? Não. Não sou. Sou homem. Posso dizer que eu seja um pouco lunático, mas, por via de minhas razões, me defendo dizendo que estou sempre ocupado. Ocupado e completo o gentil mentiroso. Faço o que quero. Vou à lua, volto pra casa, como com as duas mãos e vou à missa ereto pelas meninas que cabulam suas perninhas por baixo de suas saias. Homem é assim. Minha mulher diz que não. Minha mulher nunca tem razão. Aliás, nem mulher eu tenho. Por que devo seguir padrões? Nunca me casei. Vejo hoje meus amigos casados e infelizes. Engraçado é que também sou infeliz. Mas não sou casado. Fato que me salva. E o que me salva também me condena. Por que devo querer salvação se nada fiz? E hoje penso nos planos. Os tais falecidos, natimortos, esquecidos planos. Eu tenho vergonha de lembrar que não realizei metade da parafernália que prometi cumprir. E, como sou meu próprio ditador, comigo o sistema funciona assim: Finjo para não ter de responder questões e reinvento situações para soar melhor meu contralto digno de desafino. E quer saber mais? Sei que você também sente vergonha. Chora sozinho? Sente calafrio? Anda na ponta dos pés quando todo mundo dorme e só você fica acordado esperando esmolas da noite que sempre chega ao fim? Somos pele da mesma estirpe, rua de calçamento trapaceando o caminhar dos mitos e digo mais outra coisa que talvez doa aos ouvidos: somos pólvora do mesmo cano e nossas ameaças de guerra não saem do engano. E, agora que nos tornamos íntimos, não vejo motivos para mentir. Ditadores de regra falhos, luz queimada na hora do salto e um bando de abutres mandando a sorte sumir. Somos todos covardes sabotados em festim.

















Image by Federica

7 comentários:

Ana Claudia disse...

E agora que nos tornamos íntimos... rs. Isso convida o leitor/ouvinte a participar da miserinha. Tô aqui.

Sinto falta do "Lírica subversiva"...
Beijo

Ana SS disse...

uau, que harmonia entre as palavras!

Fred Caju disse...

Letícia,

Feliz Natal atrasado e feliz 2011 antecipado!

Gostaria de ter mais tempo para me perder/encontrar nas postagens daqui, mas por hora passo 'apenas' para lhe desejar felicidades. Depois volto como leitor faminto.

Abraços,
Caju.

Zélia disse...

Eu estou na fase contrária a desse 1/3 de homem. Talvez, eu esteja nadando contra a maré. :O

O ano, para mim, segue desembestado como um ônibus sem freio. E a música em destaque segue bem o meu rítmo.

E a caravana segue, sim! ;)

NDORETTO disse...

Metaforando,ensaiamos felicidade todos os dias e na estréia erramos o texto.Mas viver é um show, sem reprise...portanto.... rsrsrsr..... Escritora, muita saúde e sorte no ano novo!!!E enredos. E roteiros. E caneta e papel. E livros. E viagens. E grana!E vida!E.........


Beijos, Neusa

Folhetim Cultural disse...

Olá parabéns pelo trabalho e pelo blog. Gostaria que visitasse meu blog que é este: informativofolhetimcultural.blogspot.com
nos siga abraços
Ass: Magno Oliveira

Paulo Tamburro disse...

OLÁ LETICIA.

FELIZ 2011

BEM, DEPOIS DO NATAL E ANTES QUE 2011 CHEGUE, ESTOU CONVIDANDO VOCÊ PARA UMA REFLEXÃO NO MEU BLOG DE HUMOR : “HUMOR EM TEXTO”

A NOVA CRÔNICA DE HUMOR DESTA SEMANA É : “TIRIRICA R$26.000,00. APOSENTADOS, R$ TITICA,00.”

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