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Mostrando postagens de março, 2010

o perdão

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Em tempos de crimes, o perdão. Por Juljan Palmeira Raskolnikoff, personagem do famoso "Crime e Castigo" de Dostoiévski, apresenta, em um trecho da história, uma frase que trago sempre comigo, a qual transformei em uma das minhas filosofias de vida: "Sou um homem porque erro" — diz o jovem pusilânime em um dos muitos fluxos de consciência presentes na obra. Esta é a melhor definição que se pode ter de um homem: é o erro que nos faz humanos. Por conta dessa natureza falível, deveríamos ter o perdão também como uma característica inerente à nossa condição mortal. Se erramos muito, deveríamos também perdoar em demasia. Perdi a conta de quantas vezes errei e de quantas vezes tive que me perdoar por cometer o mesmo erro. Ao reconhecer meus próprios erros e aceitá-los como parte de mim, fui capaz de perceber que todos aqueles a quem já julguei incorretos não mereciam minha condenação, mas minha compaixão e, acima de tudo, meu perdão. Muitas vezes temos o ímpe...

do preconceito da leitura

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Dia desses, resolvi fazer uma pequena arrumação em minha coleção de livros. Alguém poderia dizer biblioteca. Outro alguém diria acervo. Eu digo literatura de auto-ajuda. Leio por um instinto de curiosidade e por saber que todo o falatório de minha professora do ginásio faz sentido. Ela sempre vinha com aquela história de ler e encontrar outro mundo. Descubro isso a cada livro que leio. Mas, se pudesse ter a chance de rever minha professora de ginásio, sempre muito polida em seus atos, diria a ela que não encontro outro mundo apenas. Por vezes sim. Por vezes, é o mesmo mundo. Esse no qual existo, mudo de roupa e estabeleço prioridades, visito amigos, frequento salas de cinema, tomo café, durmo tarde e assino ponto lá onde trabalho. Mundo igual de centenas de milhares de andantes pensativos humanos carregando conceitos e opiniões enquanto a vida acontece. Ao organizar meus livros e sempre ouvindo música, cantando com minha cara de contente, lá estava ele. Muita retórica para dizer qu...

mercado de trabalho e Roger Waters

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Em meu blog estou sempre a escrever histórias que invento ou não. Ficção baseada em fatos extraordinários ou apenas ordinários. Porém, há mais o que se dizer. Falar do mundo, de acontecimentos, de livros que leio, da morte da bezerra e assim por diante. Há muito sinto vontade de ampliar esse espaço e divulgar algo mais que o meu Eu-Lírico. E decido começar hoje. Deixo, aos amigos leitores que passarem por aqui, um texto escrito por um colunista em um site que, não somente fala de política, como também de outros assuntos e fatos a respeito do mundo e da Paraíba. O colunista é meu irmão (Por coincidência). Juljan Palmeira (Nome diferente. Culpa de nosso pai) é professor de Língua Portuguesa, Mestre em Lingüística e Psicanálise pela Universidade Federal da Paraíba, cursa seu doutorado na mesma instituição, assiste televisão, fala de política e futebol, coleciona discos de vinil, é fã dos Beatles, Pink Floyd, Chico Buarque e recita Fernando Pessoa em reuniões de amigos. Uma pessoa comum. ...

recém-nascida

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Das contrações do matrimônio, nasci. Corada coroando o dia. Era cedo e caminhavam astros entre o tempo. Regente ao vapor das fábricas, Veloz ao correr dos rios. De minha mãe herdei a forma Que ainda, recém-nascida, não trajava seios. Hoje sustentam vozes, bocas e línguas. E de meu pai carrego a fome, identidades, anomalias. Conseguiria a criança entender a finalidade de tantas especiarias? E aos berros alertei Que meu gênio perigoso não se acalmaria Por saber do pó que me aguarda um dia Que não seria menina idolatrando mesas de fórmica Eu os alertei quando nasci Que seria o mundo após de mim Que amor sentiria o corpo em estado de alerta Humana meticulosa de pernas abertas. Nasci feito um desacato E renasço desobedecida, Obrigatória a contrair a vida. Image by lilach eizenberg

humanístico

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Flores de toda idade é a infância e não há, em tão breve mundo, alguém que não se lembre ou se apegue e não queira novamente o vento de uma tarde que o tempo esconde, pois a memória traz inquieta aos olhos que enxergam o passado de forma a fazer saudade de nós. Minha mãe a lavar roupas, tão atarefada franzindo o cenho e quase se esquecendo de ser bonita enquanto olhava distraída a brancura das vestes de suas crias. Varais atravessavam sua imagem e era de um olhar perdido que ela se portava e carros passavam em todas as avenidas e nós brincávamos no quintal de casa e as roupas cheiravam a sabão em pedra e minha mãe parecia máquina de afazeres enquanto manisfetava notícias nosso antigo rádio de pilha. E eu, desbravador de meu jardim, brincava com formigas. Procurava nomes, as humanizava, as colocava no caminho das hortaliças e fazia das tais pequenas criaturas, inseparáveis amigas e, quando uma delas se desfazia em minhas mãos, de tão sensível corpo minhas meninas, eu chorava descons...