21 fevereiro 2011

substantiva






É o belo que me substantiva. Amplas janelas, noites tranquilas e a poética verbal dos tagarelas. Espantosos homens e mulheres. Poetas de portas abertas e a noite a me equilibrar. À nascente oratória das horas floresce meu seio humano. O canto. O infinito. E de minha bélica coragem imprecisa, livre enlouquece minha outra margem de mim. Que sou eu, que ora tem sido a gentil feminina garoa que escoa dos telhados e ecoa das têmporas dos estilhaços de toda a minha bondade em ser premeditada nova ordem de me calar. É a haste que me adjetiva. O acerto digno das horas longínquas. O denso beijo que se precipita. Dos lábios. Da retina. E, ao abrir e fechar de olhos, adultos olhos do tempo, renasce a dor ausente e a extinta flor me aquece e me toma em mãos porque sou lasciva menina ingênua que chora em únicas lágrimas o poema por hora inexistente. E as tardes se estendem. E ainda falam de amor as bocas chorosas, esquecidas e sorridentes, imaculadas ao absurdo deste intervalo entre minutos de muitos nomes, de muitos verbos, em loucas vozes de todo o mundo, de toda a gente.







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9 comentários:

Letícia Palmeira disse...

Palavras envelhecem?
Texto antigo. Outra visão.

Ana SS disse...

Palavras se renovam a cada olhar.
Saindo do forno!

R.B.Côvo disse...

Gostei. Aliás, foi dos que mais gostei. Abraço.

Zélia disse...

Hoje, eu fico com os:

"Poetas de portas abertas e a noite a me equilibrar."

Equlíbrio. A chave para o sucesso. É o que dizem os especialistas neste tempo de total desequilíbrio emocional. Por que a gente se atrapalha tanto em acertar essa chave no buraco da porta do sucesso? Não sei de todos, só sei de mim. Mas tenho certeza que a nossa insistência em certas coisas atrapalham para que o nosso equilíbrio tome o seu lugar. Tomara que consigamos logo encontrar as "noites" que possam nos equilibrar.

Sempre, "muito ótimo!"

NDORETTO disse...

Quem dera fosse o som da vida apenas as loucas vozes do mundo.
Prosa de pura poesia.
Como diz a Zélia: "! muito ótimo!"

O texto tem um quê de menina-moça,procelana...

Tânia Marques disse...

Prosa poética das melhores. A intertextualidade remeteu-me a Caio Fernando Abreu e a Clarice Lispector. Parabéns pelo lindo blog e pelas deliciosas palavras. Abraço.

A Escafandrista disse...

Gosto dos teus textos antigos, a visão romântica e a tua escrita tão pessoal. Sentia falta de ler o teu antigo eu. Bjs

CARLA STOPA disse...

Tão gostoso vir aqui, amiga...

Ana Claudia disse...

O mundo não é sólido, palavras evaporam, nascem toda hora seus jeitos de olhar. pra nós e pras estrelas.