27 abril 2011

the butter flies









Escolheu uma das unhas (grandes unhas pintadas coloridas). O Rato Roeu A Roupa Do Rei De Roma. Sentimentos nem sempre são garrafais. Ou controláveis. Há sempre uma ponte envelhecida entre nossos caminhos. E, um passo em falso, há o precipício, o particípio e o passado seguido de interjeições. E ela vai ao cinema. Nada faz de grande excesso. Ela come depressa que é pra dar tempo de ter tempo sobrando. E nada sobra. Talvez, quem sabe, se tivesse algumas polegadas a mais na medida de seus quadris, cílios mais alongados ou um perfil mais adequado para vestir toda estação. Mas os quadris são estreitos, o corredor é estreito, Gibraltar é oceânico e estreito também se torna o pensamento quando trabalha, ornamenta paisagens e observa imensas manadas viverem suas vidas à margem dos rios. Pobre Joguinho de Palavras. Um parafuso remoído que olha o mundo e, o que todos veem de belo em Copacabana, ela vê através de sua pequena janela com vista para o muro da casa ao lado. Quase tudo é espetáculo quando não se espera mais que isso, que a mão fechada ou o telefone mudo em pleno domingo. O mundo não é um moinho e cartola é comida do tempo de infância. E depois de se basear em fumaça, vestiu tralha de roupa antiga, pintou a cara feito palhaço e saiu. Baseada torcendo tecido ao contrário. Querendo mais que o trocado diário dos risos poupados, dos sorrisos laqueados, estéreis e dopados em creme dental. Sorrisos de antes de ontem, do mês passado, congelados ou enlatados, empacotados e prontos para a viagem. Pano sem graça que agora serve de consolo cobrindo os móveis de casa. Vida não vivida, sonhada apenas, é, sem dúvida, tempo gasto. E que se parta a história em mil cacos ou que se torne todo evento gravura de carta de baralho. Nosso tempo enfartou de cansaço. Baseia outro baseado e vai, certa de estar quase errada, marcando passo e checando o vencimento da conta d’água. Estranha como uma borboleta que se esqueceu de usar as asas.







Image by iskren

2 comentários:

Thaís Redher disse...

Maravilha!
Como é triste verificar em que mil cacos vai se transformando as nossas vidas mesmo sem baseados,e saber que as borboletas nem são mais percebidas.Eu vim morar numa casa misteriosamente comovente.Teve gente que chorou ao me ver aqui mas eu descobri uma coisa belíssima as crisálidas e todo o processo de nascimento e morte de borboletas do meu majestoso pé de manacá.Faltam dias (cinco?) para eu ir embora de volta pra selva de pedra SAMPA,para me livrar do aluguel abusivo ,dono abusivo de uma casa que se desmancha a olhos vistos.Nada fêz ,e eu querendo fazer tanto,ao mesnos que decontassem enquanto eu estivesse fazendo algo uns 50,00 (CINEUENTA) e ouvi um NÃO,como a usura,como o mundo deles destroi caminhadas,gente infame,gente ruim,mas Deus é por mim.Você é mágia pura,a gente le e se emociona e chora e não consegue entender como existe pessoas tão escandalosamente maravilhosas!Siga meu blog também,lá só tem lamentos cansei ra da vida eu ja te sigo como fonte de sobrevivência em me alimentar do que é bom.Obrigada.

Eder Asa disse...

Sei... dessas borboletas que ainda pensam ser lagartas!
Eu gosto sempre de esperar mais da vida, ainda que quebre a cara 90% das vezes...

É incrível te ler, Letícia! Gostei mesmo desses!Beijo!