01 abril 2011

mísero eloquente







Não sou fidalgo. Sou de outro algo. Talvez um alaúde, talvez ostentação. Plangente palhaço sem riso, sem brilho e remota cidade sem civilização. Perco o passo a saltar entre as vielas de curioso que trago entre tantas cenas o meu olhar inquisidor. O mundo não me cala e as senhoras de enormes olhares não me amedrontam. Eu as afasto com meu nobre erotismo porque de meu caminho arranco todas as culpas e fardo algum trago comigo. E todos verbalizam suas soluções como se fora eu um fantoche posto para recriação. Renego todos que me tocam porque crio minhas curas, minhas denúncias e medo só existe se houver outro ser ao meu lado porque me divirto estando só. Pescador de rede tamanha de todos os peixes e, de todos os mares, sou herói. E Helena me traiu burra menina. E de quimeras é feita a vida assim como o pedestal de onde ergo minha fonte em todo o horizonte e minhas ilhas são vistas a olho nu. Engraçado é esse traço de invenção que me fora dado. Embora fantoche me denominem as vozes humanas, liberta está minha primeira condição. Viver de cara livre e ser alegre ao modo de ser triste escrevendo lábaros livros e fazer crescente minha criação. Sem mim não há mundo e carrego entre as palavras a prova de meu talento que é único, singular e adjetivo. Vadios são os outros. Eu sou é escritor de livros e recrio o que do lixo se esvai. Na verdade, invento misérias para alegrar a triste sorte dos ingênuos e a vergonhosa malícia dos mortais. Não sou fidalgo. É fato. Sou trapo rasgado e remendado arfando vento a caçar buracos e de alma despudorada prometo causar desgraça aos que muito falam e da vida sabem nada.









Image by luisa m. kelle

3 comentários:

Zélia disse...

Saber da vida? Está aí uma questão bastante complexa. Será que alguém pode mesmo saber da vida? Preciso saber só da minha vida ou devo saber da vida do outro? Sei da minha vida o que preciso saber realmente? Ou me iludo em um saber da vida que nada diz da vida minha?

Só interrogações hoje...

Eder Asa disse...

Meus olhos de 1º de Abril insistem em dizer que é mentira, mas a realidade sempre vem e mostra: perfeição existe!
E nem é exagero... Sabe que também "vi-me, vime. Li-me, lume."?

Don disse...

Vai me dar licença mas eu também "vi-me,vime", alumiei-me, carrego-te. Posso?
Tu acerta em tudo.
Parabéns, menina.