22 junho 2011

pluviométricos







canto de afeto



Ontem percebi o amor. Sentimento que se ergue diante de todas as coisas e nos transforma em tolos papéis vulgares. Era cama e descobri, no compasso de um timbre, uma felicidade que anseia o infinito. Sempre me disseram do amor como açoite que fere e nos envolve em vaidade. Mas não fora esta a sensação que me acometeu em descobertas. Recebi algo puro em castidade. Estava completa minha esfera de flor. O amor estava nos olhos e na voz de ontem que me disse de forma suave: Mãe, cante uma música para eu dormir. E nunca meu canto fora tão completo. Nunca fora tão vasta minha lágrima de afeto.





casa de sol e pedra



Meu sonho é bem simples se comparado à vastidão do mundo. Queria apenas encontrá-la, sentar-me ao seu lado e tocar suas mãos. Queria apenas ouvir seu riso irônico e talvez ela me contasse de Túlio que habita seus poemas. Talvez ela me permitisse saber de seu segredo. Ela fumaria seus cigarros, falaria mística de suas vidas e eu apenas ouviria atenta cada parte de um novelo que leio todo dia. Queria poder encontrá-la e dizer de meu entendimento. Talvez a poesia me surgisse. Meu sonho é mais simples que a vastidão do mundo. Encontrar Hilda Hilst em sua casa de sol e pedra e seríamos duas a contar histórias. Mas Hilda é partida e eu ainda fabrico vida e recordo meus sonhos pela manhã.





desatentos



Ainda vejo gente se enganando, caçando lebre de vulgar tamanho, engolindo vento, mordendo a língua e morrendo de fome. Quando irá o tempo saciar a vontade dos desatentos que incorporam ansiedades? Quando nos calaremos à fortuna de nossa felicidade? Onde mais nos habitamos senão dentro de nós mesmos? A luz do dia responde minha queixa quando passa pela rua um menino de pouca idade buscando pedras para munir seu estilingue e com ele derrubar pássaros.









Image by sonny

13 comentários:

Ana C. disse...

bom os momentos que me dedico lendo um pouquinho aqui do seu blog
belo,sempre
beijos e flores
bom feriado

A Escafandrista disse...

É sempre bom voltar aqui. Bjs.

Usui de Itamaracá disse...

Ei, então quer dizer que com o primeiro texto, vc vai quebrar a sua corrente pessoal de descrédito amoroso, sempre presente nos seus textos?
Adoro sua abordagem, mesmo quando muda de perspectiva! rsrsrsr
(até mesmo o terceiro texto parece amis otimista!)

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

encontrar o amor nos olhos de um filho é ter com alegria o amor não bola de sabão, encontrar Hilda em sua Casa do Sol com sua poesias e seus cachorros e por fim ter a certeza de que nada vale viver em urgências, três elementos que se desnudam para formar um viver que talvez não finde com tolas ansiedades

Eder Asa disse...

É um bom sonho, e sonho é a palavra certa. Eu também quero Hilda Hilst.

Letícia, mulher sisuda, que guarda poemas no soutien. Beijo!

Felipe disse...

Lê, FODAAAAAA!

Sonhadora disse...

Mesmo que mãe de gatas,
mesmo com pretensões menores,
minha pergunta é só se a vida pode ser bonita enquanto prática...

e acho que só.

Belos textos, coolmadre. Ou seriam um?

=)

Leandro Neres disse...

Você fez propaganda no facebook e sabe como é, não resisti!
Belas as palavras, Let, deliciosas de se ler, sério mesmo!

Letícia Palmeira disse...

Acho que é uma história que leva outras na bagagem, coolmadre.


E ver você aqui, Coltrane, é saber que final feliz existe. Bom te ver sempre. =)

Beijos para todos.

NDORETTO disse...

Nossa, que lindo isso tudo que li! DO filho pedindo a canção, do desejo de ter estado com Hilda e do desejo do mundo. Arrasou, matou a pau,textos lindos, você é foda,sempre.

Admiração e amizade,querida
Neusa

Amanda Lemos disse...

Gostei bastante do Blog.
Muito interessante !

É bom ver a cada dia que passa mais originalidade nessa "blogosfera". :)

Deixo o meu aqui caso queira dar uma olhada, seguir..;
http://bolgdoano.blogspot.com/

Muito Obrigada, desde já !

Van disse...

É tudo tão lindo aqui ! Por isso que vou , mas sempre volto e em cada volta ganho uma surpresa !

www.vidainversoepoesia.blogspot.com

Zélia disse...

Acredito que escrever textos curtos seja tão "trabalhoso" quanto escrever textos longos. Para não dizer mais "trabalhoso". O cuidado e a habilidade com as palavras deve ser grande para se dizer tanto em tão poucas linhas.

Congrats! ;)