29 junho 2011

trapezistas







Pássaros alinhados em fios de alta tensão. São trapezistas. Malabaristas. Belos artistas. E tão serenos. E como caçoam de nós humanos que mal andamos de tão pesados que estamos cheios de nós mesmos. Um dos pássaros caça com os olhos sua presa e voa em adágios o pássaro liberto. Asas tão abertas quanto as asas das naves que criamos e caem em oceanos e levam tantos de nós. Pássaros não morrem artificiais. Outro se ergue e declina em voo rasante e toca o chão e volta ao céu sem que nada o faça olhar para trás. Nós humanos andamos ciclopes e enxergamos apenas um caminho quando tudo deveria ser amplo. Sofremos tanto e mal sabemos o motivo. Eram cinco pássaros alinhados em fios de eletricidade. A matemática que calcula nosso tempo não é usada por estes seres livres que não sentem pena porque não há motivos para compaixão entre eles. Não sofrem os pássaros alinhados nos fios de alta tensão. Mas sofrem os homens que andam em círculos com o pé no chão freando toda bruta essência e vivendo como se o dia de hoje fosse apenas o limo da estação. O tempo é mais espaço onde voam pássaros e não matemática de subtração. E mais pássaros voam. Quando voaremos nós?










Image by deeterhi

8 comentários:

Felipe disse...

Lindo, Lê! Lindo!

Don Mattos disse...

Só quem mamou até os oito, nove anos de idade nas tetas grandes e gordas do talento para fazer da prosa poesia.

Não tens vegonha nessa cara despudorada, por teres ficado tanto tempo mamando?

Eder Asa disse...

Passaros só voam porque cantam. Essa falta de medo do fio que é elétrico mas não choca mais que a vida, do voo rasante que é profundo e doído, essa falta de medo dos passáros vem do velho ditado, "quem canta, seus males espanta".

Quando voaremos nós? Quando aprendermos a cantar.

Beijo, Letícia!

Nathacha disse...

Seguindo daqui! :)


Visite-me www.medicinepractises.blogspot.com

Um beijo!


Nathacha Phatcholly

Zélia disse...

Voaremos quando tivemos coragem para tal...

Adoro a imagem de pássaros em fios de alta tenção. Quando os vejo das janelas de minha casa, fico por horas observando-os. Minutos, talvez, mas, quando isso acontece, o meu tempo perde a noção. Hoje, ao ler Song of myself de Whitman, parei nos versos em que eles diz que poderia/preferia viver como os animais porque eles são muito mais simples que nós, humanos.

Bela representação da vida!

Carlos Leite disse...

O seu blog é fantástico! Ainda não consegui formar uma opinião completa sobre si... Ainda não li tudo, mas do que li, está óptimo!!! Muitos parabéns e, obrigado por partilhar connosco a sua arte!
Atenciosamente,
Carlos Leite, http://opintordesonhos.blogspot.com

claudio rodrigues disse...

Nossa, Letícia. Esse texto dialoga com o meu, alado desejo. tudo subtração, matéria humana.

Léiah Valquíria Laverny disse...

Nossa, encontrei seu blog por acaso, feliz acaso!!! Amei tudo por aqui, os textos são de uma qualidade maravilhosa!!!!