03 agosto 2011

amor de entusiasta







Escrevo poema feito estouro de manada
Meus poemas falam de amor e mais nada.





Gargalhadas entusiastas e eu no meio, querendo ser vergonha, querendo esmola e brota de minha cara amarela de mestiça esbranquiçada a tríplica sorte dos mendigos. Porque poderíamos morrer, de imediato, de asma, de querências. Mas não morremos. E somos felizes. Do contrário, acredite, já teríamos partido. E partir não tem graça. O bom é ficar. Fincar os pés e as memórias e enfrentar o tempo que é injusto, mas é pleno e já dizia que é infinito. Então nós temos tempo. Não este tempo quadrado do relógio. Falo do tempo do beijo, tempo das passeatas estudantis e da fumacinha engraçada que nos fazia rir. E você não riu. Problema seu porque eu me diverti e nem disse adeus e de que me adianta dizer adeus se ainda estou aqui, dentro da casa, aninhada em seus caminhos, parte da linha que envolve seus botões? E sou desarticulada e falo um monte de palavra e vou dar com a fé barata de quem rasteja. E você me deixou e não ouvi lamento. Lembro que voltou e eu achei bonita a vingança. Vamos abrir mão das mesmices. Vingança é a melhor coisa que existe e não o amor como dizia o poeta compositor. Melhor coisa é tripudiar, esticar meu corpo sobre o seu, deixar você comandar e fingir que sou a isca, quando, na verdade, você é a vítima. E ajo meu amor e arco a flecha em outra direção. E serei bem sincera. Vou amar você até morrer histérica tateando por sexo e faminta por sua confusão. E dizem que todos os homens são iguais. Duvido. Tenho o meu comigo. Longe de mim, mas dentro. Pontilhado desenho cubista que se arrisca a me abandonar. Deixa não, amor da minha vida. Segue comigo que eu sigo o sentido da malícia de meu riso de agora. Sou toda amor e desatino. Vivo às margens da antítese. E o amor existe distraído e cresce à voz dos sentidos. Um gigante estrondo de notas musicais. Amor que nasce, cresce, adormece, acorda e retorna e eu larguei a mania de acenar no cais. Hoje digo adeus ao telefone. Me consome, mas faço como de costume. Se há fogo, eu desmantelo tudo e deixo queimar. E a vingança de hoje é ver você me mastigar. Lento e belo caramujo perdido em algas de outro mar. 






Image by Karolina

3 comentários:

Aparecida Ramos disse...

"Meus poemas falam de amor e mais nada..." E isso é pouco?... É simplesmente sensacional!A gente se vê e se sente dentro das tuas poesias que tem vida, por isso são belíssimas e deliciosas a cada "ingestão"... Boa tarde!!!

Cyelle Carmem disse...

Estou sem ar... que coisa belíssima!!! Bela vingança, bela sabedoria, ser superior.

A Escafandrista disse...

E a vingança pode ser prato que se come quente ainda... Quente ou frio, a gente lambe os dedos. Beijos, Lê!