29 outubro 2011

do livro à prática








Hoje é dia nacional do livro. Acordei cedo, liguei a máquina de lavar, observei a chuva molhar o jardim, alimentei meu cachorro, arrumei algumas roupas, organizei contas pela data marcada nos envelopes, pensei em uma amiga que está passando por problemas financeiros, liguei o som e decidi ouvir Legião Urbana. Recebi alguns e-mails. Não li, sequer, a metade deles. Li apenas um. Li duas vezes e pensei em não responder. Abri a página do Facebook, li algumas mensagens, algumas frases e, foi então que me dei conta: hoje é dia nacional do livro. Pensei em homenagear meus escritores de cabeceira. Mas desisti. É tão clichê homenagear. Prefiro ler. Ou talvez dizer que ando lendo mais do que antes. Estou lendo Bocas do Tempo, de Eduardo Galeano. Estive ontem em uma livraria de João Pessoa e comprei este livro. E também O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse. Optei por ler Eduardo Galeano. Seu livro me chamou atenção pela força das narrativas (embora curtas). Os títulos também me causaram curiosidade. Não há nada de enfeites descolados ou metafóricos. O livro vai direto ao ponto. Narra histórias de diversos personagens de forma simples e lúcida. Há ganchos na narrativa de Eduardo Galeano que pode levar o leitor mais atento a fazer do livro Bocas do Tempo uma resposta para muitas perguntas, e, encontrar, em meio às narrativas, o belo lirismo da poesia. Bocas da Noite é um passeio por várias vidas. Um longo passeio. E o narrador não desperdiça palavras ao contar as histórias. São exatas. Uma leitura perfeita para quem busca, dentro da narrativa curta e rápida, profundidade, verossimilhança, e, não esquecendo o objetivo maior do fazer literário: encontrar a arte em forma de palavra e apreciá-la. Pois, como já cantavam os Smiths na canção Handsome Devil:


Há mais coisas na vida além dos livros, você sabe.
Mas não são muitas.


Então, hoje é dia nacional do livro. E, para este dia, eu me reservo a ler e entender que, não importa a quantidade de livros que se tenha em casa. O que importa é realmente fazer do livro um exercício. Praticar livros assim como se pratica a vida. E não somente conhecer escritores por nomes e citações. Para que possamos homenagear a literatura, precisamos ler, acima de tudo. E precisamos entender que escritor é aquele que nos leva a um domínio mais vasto que é o mundo literário. Mundo bom de se ir e se encontrar.









Fonte da Imagem: o silêncio dos livros