29 novembro 2011

anseio filosófico












Eu queria muito ser comum. Comum feito gente que come maçã. Gente que anda a pé, que odeia domingo, que sente depressão, que mata barata, que lê jornal, que assiste televisão, que paga conta, que deixa cair xícara, que ri dos outros, que vai à missa, que sente vergonha, que usa roupa do avesso, que gosta de aniversário de criança, que viaja de mala e cuia, que gosta de laranja, que conversa na calçada, que mal enxerga e, quando vê, quase nada. Gente que compra bicicleta, que faz dieta, que fecha porta e abre janela, que faz comida, que toma café, que fica doente, que acha graça, que não vê tristeza na miséria, que guarda garrafa de vinho e enche de água pra enfeitar geladeira. Eu queria guardar rancor. Queria caminhar pelo centro da cidade, visitar amigo durante o dia, cuspir no chão, brigar no trânsito, achar que poesia é bobagem e, livros, simples pesos de papel. Queria não sentir rubor. Eu só queria seguir a regra. Ser gente feita de perfeita matéria e homem feliz com a vida milimetrado feito régua. E, se possível, saber exatamente o que sou.








Image by WaldekBorowski

23 novembro 2011

mestiço











Sinceridade te basta?
Ando precisando de uma dose de grosseria,
(com todo o prazer do palavrão).








A buganvília morreu. Ressecou o tronco, as folhas começaram a desaparecer e acabou. A buganvília morreu. Como não entendo nada de botânica, larguei-me a pesquisar o nome exato da planta. Entre trepadeiras, flores rosadas, roxas e o escambau, encontrei definição de porte científico:

Bougainvillea Spectabilis.

Então a bougainvillea spectabilis morreu. O muro agora está sem proteção. Porque os galhos eram cheios de espinhos e ninguém tentaria invadir a casa tendo tantos espinhos pela frente. E você me liga no meio de minhas abstrações para dizer que está tentando se equilibrar. Que está tentando, com todo esforço, ser feliz não sendo. Porque, segundo você, a felicidade interrompe nosso fluxo de conflitos, nos deixa patéticos, cegos, esquisitos. Você me disse que deseja apenas segurar a onda. Eu ri. Educada por fora, eufórica por dentro, molhada nas bordas. Senti vontade de dizer palavrão. Um palavrão bem grande de porte popular. Você me ligou para dizer que sua vida é pesada em fardo, mas, que você, expert em autodestruição, está sendo sensato e praticando exercícios, sorrindo quando acredita ser preciso e se alimentando de forma saudável. E disse também que muita coisa dói: obrigação, amigos, família, contas a pagar. Muita coisa dói. Eu sei tudo a respeito disso e concordei com a voz forçadamente calma e fisicamente rouca. Aí você veio perguntar se estou bem, me aconselhou a ir devagar, disse coisas harmonicamente combinadas com seu riso de mestiço. Mas a verdade é sempre outra. Você perdeu a direção. E agora me liga dizendo coisas. Coisas que você precisa dizer para si mesmo porque está aflito tentando acreditar em tudo que diz. Então liga (vez ou outra) para me dizer que está errando seus alvos de propósito. Diz que passa o dia tentando se certificar se é mesmo prova de insanidade tudo o que você pensa. Você tem medo de enlouquecer, de se deixar, de saltar sem rede de proteção. Mas o incêndio se alastrou. É isso. Crianças, quando saem para brincar, quase sempre voltam feridas para casa. E você está ferido, sozinho (e ainda diz que sente alívio), fuma seus cigarrinhos, frequenta festinhas e, durante a semana, quando a sede cansa, me liga dizendo que está foda levar adiante. Que mais eu posso dizer senão phoda-se (com ph ácido de raiva). Eu não me importo com a solidão dos outros. A não ser quando ela me atinge. E a sua solidão me aflige porque é detestável ver você caindo em más línguas, irradiando vaidade após sexo de mão única, quando, na verdade, seu caminho é dúbio. Desliguei o telefone com a boca cheia de vontade de dizer a verdade: A buganvília morreu. E meus espinhos ferem tanto quanto os seus.





Napoleon by Ani DiFranco on Grooveshark





Image by TESS.

20 novembro 2011

entre jabutis e pererecas








O aspirante a escritor decide se expor. Cria um blogue e passa a escrever sua ficção (em prosa ou poesia). Recebe meia dúzia de elogios por dia porque seu trabalho é admiravelmente bom. Logo surge o conselho: publique. O blogueiro, aspirante a escritor, percebe que pode publicar. Há editoras que irão aceitar seu trabalho. Ou então, busca, incansavelmente, algum patrocínio para publicar seu primeiro livro. Ou banca a publicação de seu próprio bolso. E consegue. De livro publicado, o blogueiro torna-se escritor. Passa a ser visto de forma diferente: já não é apenas um blogueiro. É alguém que possui prefácio e ficha catalográfica. E, deste ponto em diante, surgem convites para eventos literários (saraus, palestras, chatices e tolices que em nada resultam). Mas é literatura, todos creem. O blogueiro escritor fica de igual para igual sentado à mesa ao lado de escritores de renome (reconhecidos por pares, ímpares, jabutis, pererecas e acadêmicas teses inclinadas à bajulação). Mas o blogueiro escritor percebe que há olhares de fajuta aceitação. Nunca será aceito entre os grandes, médios e pequenos autores que rezam suas barrigas cheias de genialidade e talento. O blogueiro corre contra o tempo e busca portais literários para que seu trabalho cresça e apareça. E chove publicação. Então o blogueiro começa a se sentir profissional. Já não pode mais exibir seu trabalho em um simples blogue perdido entre milhares de outros blogues. Agora é escritor de boca cheia. E precisa ser visto. Então seu blogue torna-se uma vitrine de seu trabalho: fotos em eventos, banners de vários sites voltados à literatura, muitas resenhas críticas a respeito de muitos livros. E assim o blogueiro torna-se, assumidamente, um escritor de peso (talvez pena ─ talvez pesado). Reconhecido e canonizado. Amém.

Não.

Isto não ocorre. É ilusão.

Publicar livros é parte do trabalho de quem escreve. Ter opinião crítica acerca de outros autores é parte do trabalho de quem escreve. Publicar um livro não eleva o escritor. Publicar mais de um livro também não. Ser citado em sites e periódicos literários é apenas reconhecimento ou febre do momento. Perdoem-me aqueles que talvez sintam-se tocados pelo que estou dizendo. Mas ando angustiada com o que vejo ao meu redor. Sempre li e acolhi blogues como se fossem minhas leituras diárias. Eu buscava ficção, novidade, palavras. Buscava poesia. Agora meus blogues favoritos parecem mais propaganda eleitoral. Acesso o blogue e vejo apenas uma enxurrada de links que, pomposamente, publicaram os blogueiros/escritores que eu costumava ler. Fico feliz que tenham sido reconhecidos. Eu os lia com o mesmo respeito e afinco que leio Machado de Assis ou qualquer um de igual tamanho. Eram escritores aqueles blogueiros que eu costumava ler. Mas acontece a fama (esta coisa pequenina que muda algumas vidas e morre seca com o passar dos dias). E o blogueiro torna-se profissional e não pode mais se rebaixar ao nível de publicar sua obra em blogues porque todos negam dizer, mas dizem aos cochichos: blogue não é literatura. Esta teria sido minha resposta a um professor que me ligou para saber mais a respeito da literatura virtual. Sim, ela existe. Foi o que respondi. Mas o meu pensamento era outro. Eu menti porque sinto muito quando vejo autores de blogues agindo da mesma forma elitista que agem muitos membros da academia. Altivos, cheios de grifos e tragicamente esnobes. Afinal de contas, escritor de verdade não perde tempo com blogues. O escritor de verdade escreve livros. E publica crônicas e resenhas em jornais. E recebe prêmios, dorme de bruços, arrota aforismos, autografa aos rabiscos e esquece a arte. Espero que voltemos ao tempo em que escrever era o primordial.









Image by Alex Clark

15 novembro 2011

areia e tempo









Eram felizes juntos. Em uma pequena casa no campo. Não havia cercas ao redor de nada. Tampouco bichinhos ou paisagem bucólica. Era apenas uma casa cercada de areia e tempo. Nunca reclamavam ou brigavam ou discutiam. Não havia motivo. Faziam amor e sentiam-se contentes. Juntos estavam completos. Mas, ao chegar o asfalto e outras casas maiores e mais reluzentes, perceberam que não eram felizes. Sentiram-se incompletos. Ao chegar o asfalto e a cidade cheia de suas novidades, pereceram infelizes e civilizadamente doentes. E tornaram-se, com o passar dos dias, invejosos.








Augusto chegou às nove. Abri o portão. Eu o recebi timidamente. Não houve abraço. Apenas um sorriso de pertencimento. Percebi que ele havia engordado. Não comentei. Sou elegante e discreta: gato com rato escondido entre os lábios. Augusto entrou em minha casa. Percebi que ele estava sem jeito. Tentei fazer com que se sentisse bem. Livre, talvez. Tomamos café juntos. Sentados à mesa, conversamos amenidades. Ele deve ter notado diferenças em mim. No entanto, também não comentou. Augusto é quieto: leão com a presa entre os dentes. Ele trouxe apenas uma mala com poucas roupas. Eu realmente não esperava que ele passasse mais que o suficiente para termos de nós o que o corpo necessita. Augusto guardou suas coisas em meu guarda-roupa. Arrumei um quarto para que Augusto dormisse sem que as horas o incomodassem. Será que Augusto percebeu o quanto tentei ser gentil? Minha gentileza: lebre fugindo da seca. Chegou a noite e Augusto adormeceu. Encolhia-se de medo como criança sem mãe ou apego. Dormi ao seu lado. Encolhi-me obediente: cubo de gelo que não derrete ao sol. No dia seguinte, Augusto saiu. Augusto saiu por dias seguidos e retornava à noite. Era preciso que ele saísse para que ninguém o visse em minhas salas. Aproveitei o tempo e arrumei a casa. À espera de Augusto, arrumei a morada. E, quando ele voltava, era o soldado derrotado que eu recebia. Eu o acolhi em meus braços, em meus beijos, em meu afeto: serpente protegendo seus genes. Dormimos e acordamos unidos e separados por pensamentos. Percebi outras mudanças em Augusto. Seu corpo não era mais tão preciso quanto em outros tempos nossos. Ele estava cansado, triste, morto de olhar vivo: caçador vítima de seu próprio extermínio. Em nossos corpos, outras marcas. Em nossas bocas, outras falas. O tempo fora imenso entre nós desde nosso último encontro: mutantes silenciados por outros seres. Foram quatro dias de muito tempo. Tomei de Augusto um pouco de seu ar, de suas vidas, de seus azares. Ouvi suas histórias como ouve o sermão a mulher que deseja o perdão. Segui seu sorriso pelos poros de seu rosto inconfundivelmente mudado. Bebi de suas águas, deixei que ele tocasse meus segredos, meus cabelos, meus receios de ser vista: era lebre o gato comovido ao ver a beleza do leão de faro extinto pelo exagerado uso de seus instintos. Augusto partiu em um domingo. Após um beijo, de nosso amor gasto pelo tempo, Augusto partiu para viver seus recreios. Hoje ele é poeta. E eu escrevo em prosa. Não há mais drama em nossa tragédia. E todo verso chega ao fim.











Image by raphael perez

13 novembro 2011

alto teor erótico










Por que a Gente É Assim? by Barão Vermelho on Grooveshark






Meu amor achou pouco o que eu havia lhe dado: muita promessa de te amar somente. Então me pediu fotos. Meu rosto? Cabelos cobrindo os olhos? Não, ele respondeu. Quero fotos suas, nua, maliciosa em múltipla pose erótica. Após negar ao pedido uma vez, cedi. Afinal, quem nunca tirou fotos assim, explícitas, que atire a primeira pedra (nossa! quanta pedra!). Take One : sala de estar. Vestida para matar, dou um click. Olho a foto abismada: Eu sou assim? Gostei de mim. Outro click. Desta vez, fiz cara e boca. Mas não estou fazendo o suficiente. Preciso ir mais longe. Visto lingerie pinicante desconfortável que entra na bunda (bunda é uma palavra feia). Preparo a câmera: click – click – click – click – click. Olho as fotos. Morta de vergonha por me ver nua, de bunda pra cima, despudorada. Mas a vergonha desaparece quando percebo: sou gostosa. Quase berro. Agora entendo as falas dos caras quando passo de cabeça baixa pelas construções. Homens nem sempre estão errados. Um risinho me explode de satisfação. Meu coração palpita pedinte: + fotos + fotos + fotos + fotos. Estou muito puritana. Assumo a cara Kátia Flávia impávida Leila Diniz. Take Two: quarto. Cama forrada por colcha de retalhos. Posiciono a câmera. Agora mostro tudo. Pernas abertas e a vagina se expõe (vagina é um termo tão científico). Como devo chamá-la? Penso em mil nomes. Decido esquecer os nomes. Uma sequência de fotos em pose equina. Agora o falsete de menina. Mais cara e muita boca. Sem roupa. Loucura sem plateia. Olho as fotos e já me amo mais. Outras fotos e mais amor. Agora de ɐçǝqɐɔ ɐɹd oxıɐq. Meu corpo se contorce entre os clicks surdos, mudos, erotizados, pornográficos. Mais fotos, mais fotos, mais fotos. E que se dane o receio. Talvez um vídeo seja melhor. Luz, câmera, ação. Dedos não servem apenas para apontar falhas alheias. Veja o que faço com os meus. Fundo, raso, profundo, afundo, filmando, afoita, liberada, filmando, gostando, amando?, seios, dedos, mãos, eu... orgasmo? Tão rápido? Exterminada de amor, permaneço deitada na cama. A câmera continua filmando. Respiro fundo. Revejo as fotos: uma a uma. Assisto ao vídeo. Esquisito me ver assim (vadia?) pausando para rever o gozo. Então é isto o tal autoconhecimento? Email – Photo – Upload. Meu amor vai saber o quanto posso ser maliciosa, carnuda (babaca?). Envio as fotos. Sem photoshop: no cru. E o vídeo vai em anexo. Tudojunto. No email, uma dedicatória dramatizada romântica, piegas, clichê: uma letra do Cazuza. Coro ao saber que ele me verá tão aberta, tão outra, não eu. Ou eu serei mesmo assim? Outro risinho me assola. Agora ele me tem inteira. Dias passam e, para minha surpresa, outro pedido: quero mais fotos. Tantas e mais explícitas. Pasmei. Como poderei ser mais explícita? Como poderá ser? E a fome terá fim? E o amor segue virtual: sem toque, sem gosto, sem razão, despudoradamente amante ausente em alta resolução.













Image by Sara

01 novembro 2011

jornal roubado
















Hoje fui à Pasárgada. Mesmo sem ter amigo algum (que dirá um rei), estive em Pasárgada. Vi o que não se deve ver. Eu não me vendo. Estou sempre de olhos nus. E encontrei coisas indizíveis. Um homem esperando ônibus, uma menina pedalando sua bicicleta e um engraxate. Decidi não falar com ninguém. Eu apenas queria estar em outro lugar. E estive. Vi o mundo comum dos vadios e pessoas que vivem contentes. Vi os loucos e dezenas de carros parados porque não havia pressa. Eu estive em Pasárgada. Fumei, bebi, não fiz amor porque não quis (ah, que bom ter liberdade) e agora estou aqui. De volta a minha casa. De volta ao mundo prático. Outro dia voltarei à Pasárgada. Porque, uma vez estando fora de si, difícil é aceitar a vida como fim. O melhor é viver de descobrimentos.








Dois passos curtos e alastrou-se diante de mim a Avenida Pedro II. Gosto de ruas com seus nomes imponentes. Parecem mais fortes. Caminhei rápido antes de pegar a chuva. Cheguei ao consultório. Abri a porta e me deparei com a longa fila de pessoas que seriam atendidas antes de mim. Nunca me adaptei a médicos por ordem de chegada. Eu gostava da hora marcada, porque, dessa forma, ninguém se perdia. Mas o homem reinventa tudo e retira a ordem das coisas. Por isso me tornei paciente. Não que eu viva em consultórios. Mas, de vez em quando, vou ao médico. A recepcionista me atendeu como se estivesse cansada. A mulher usava camisa azul, uniforme azul, sapato azul e batom vermelho. Muito gentilmente, assinei meu nome em uma ficha e encontrei um lugar agradável para me sentar. Era preciso, já que a tarde seria longa. Após me sentir confortavelmente sentada, bolsa no colo e pernas cruzadas, dei uma olhada nas pessoas que estavam no consultório. Uma mulher e um velho, outra mulher e uma menina adolescente, um homem e uma mulher calçando tamancos e um representante de medicamentos. Ninguém conversava. Todos olhavam a tevê. Mas era um olhar perdido na cara de todo mundo porque estavam esperando e isto causa ansiedade. Não há tempo para tevê. Colhi uma revista que estava no sofá ao meu lado e passei a folhear. Atriz, modelo, Madonna, atriz, ator, cantora, política e horóscopo. Li. Engraçado é que meu signo diz muito de mim. É uma grande coincidência. Logo eu, que em pouca coisa acredito, tenho um signo que me revela. E o tempo foi passando. Decidi fazer palavras cruzadas. Saquei uma caneta da bolsa e comecei a rabiscar a revista do consultório. Pensei nas mãos que haviam tocado aquela revista. Pensei nos olhos que por ela haviam se largado. Pensei em sexo. Intrusivamente me veio este pensamento. Sexo + sexo + sexo = pernas doídas e dor nas costas e sorriso de fazer gosto brilhando no espelho. Ou nem sempre isso. Muitas vezes o sorriso é fingido, o orgasmo é tímido e o gemido não desemboca em combustão. Rabisco espirais na revista. Largo a revista. Alcanço folhas de jornal. Caderno Literário. Agora sim eu estava em casa. Li crítica, poesia lambuzada de chatice, escritor ralhando sobre si e decidi roubar o caderno literário. Meti na bolsa o jornal. Ninguém viu. E, se viu, que mal tem roubar jornal? Conheço gente que rouba vida, rouba amor, rouba tempo. Eu roubei apenas este jornal. Apenas este caderno de um vasto jornal cheio de notícia de hoje cedo, de morte, de atropelamento, de medo, de gente acontecendo. Apenas um caderno. Sorri por roubar. E logo chegou minha vez de ser atendida (estou correndo contra a narrativa). Entrei no consultório, respondi algumas perguntas, disse sim para ganhar tempo e saí de mãos dadas com a consciência limpa por ter ido ao médico, por ter sido discreta, por ter conseguido a receita para permanecer quieta. Andei pela Avenida Pedro II olhando o sol se pôr. Eu e meu jornal roubado. Mal nenhum.







Image by pedraxas