07 fevereiro 2012

cabra cega











Somos autodestrutivos
E orgasmo ainda é um pseudo-ataque cardíaco.






Um dia de cada vez e um beijo no elevador. Um dia você escolhe tomar outro rumo, escreve bilhete dizendo adeus. É outro dia, outro abuso, gim com tônica e nada embriaga mais que a fome. Chamadas ao telefone e rompe ao claro dia o estrondo da manhã. E tudo é repetitivo. Ouvido vazio de som (de domingo a domingo). Não para pra atravessar a rua. Pede licença, caminha na ponta dos pés, leva o que é teu e deixa para trás o monogâmico politeísmo dos casais. E amor, cabra cega, chega sempre na hora exata. Nunca seria tarde demais. Mas confesso que sabia, desde o início, que você não passava de um sonho que agradava demais (Ou de menos. Excesso de sofrimento). E por isso eu dormia tanto. Era pra sonhar com você de outra forma. Da forma como eu acreditava que você poderia ser, ou fosse, ou me desagradaria a tagarelice se realmente encontrasse em você o exato abismo, minha cólera, ódio de me sentir úmida, céu e precipício. E odeio me saber errada. Abro cortina, quebro vidraça e vejo que você não era nada do que eu esperava. Então se entrega e você vai rever o grande torvelinho de amargas emancipações, de passados antecipados por processo de envelhecimento e de um futuro cordial que combine com a discreta seda em estampa das roupinhas elegantes de sua mulher ingênua angelical mediana. E sempre cede do lado avesso a corda de quem fala e sente desespero na língua da boca que sofre por alcançar o beijo de quem obviamente cala.







Lovers Spit by Broken Social Scene on Grooveshark







Image by icynra

7 comentários:

VELOSO disse...

Curti!
Tudo de bom em tudo e sempre!

Marcelo R. Rezende disse...

E quando a gente percebe a própria cegueira no texto? Foda!

Rafaelle disse...

Gostei de reler. Sempre por aqui, bjs!!

bruniuhhh disse...

vi algo tão forte q nem esperava;
foda! (2 celo)

Zélia disse...

Lendo outra vez ou relendo o texto, paro em tudo que é repetitivo. Penso que nada é repetitivo. Tudo é "diferente" porque andamos, em sua maioria, sem olhos como os animais de cavernas mais profundas. ;)

Isa disse...

Visceral.

Parabéns :) Já estou te seguindo..

Marcelo Novaes disse...

Letícia,


É a velha história: no mais das vezes olhos vendados são olhos vendidos. A pergunta subjacente à venda [dos olhos] é: "Que moeda te compra?!"



No mais, certa amiga me disse: "Até nossos [=de todos] divertimentos são violentos, já reparou?". Ó, que coisa sanguínea! Mas tem aquela coisa dita lá atrás: até o ponto do fastio. Há grandes deleites em emoções bastante sutis, quando se descobre "tal cousa". Coisa óbvia, só depois que se descobre.


Deleites outros para além de [aquém, ou após] todas as posições do Kama Sutra.




Um beijo, amiga!