09 abril 2012

a dose do excesso













Amor romântico
De plumas celestes
Por onde andastes?
Matando horas?
E que cheiro é este em tuas vestes?






O amor romântico atinge o alvo de meus rabiscos evolutivos. Eu, a fêmea esfomeada, ando declarada a rogar pragas a minha peste. Em qualquer lugar declaro amor. Me entrego sem controvérsias, me rasgo sem retórica e desfeita está a inércia. Amor é amor e nada de mar raso ou riso escondido. Já me basta a chuva dosada, a porta trancada e o mundo girando lento. Estou farta de punir de fome minha sede de alimento. Amo grande com minhas tropas de invadir suas moradas. Amo pior que Afrodite. Invejosa e arrogante, eu faço feitiços e abro benefícios aos que conseguem me ouvir. Falo alto, boca cheia, faço atalho dentro dos caminhos que já eram curtos. Eu os faço imensos. Eu amo trombótica, patológica e não há remédio que sustente. Amo a cavalo e forte. Pior que dor dente. Amo de trazer o céu e dormir entre constelações. Resiliente? Eu amo clássica de uma vanguarda e só me repriso uma vez que se prolifera sempre. Amo de amor de filho, de índio, asiático. Amor de fã que morre de idolatria. Amor de viver só de amor e ainda sobreviver. Sem cortes, sem proibição, sem correção. Amor pela metade eu já tomei em outras tardes. Mas adoeci de excesso e agora amo maior que o grito de quem se afoga em busca de socorro. Amo quase sem ar e respiro lento até que você aceite este amor que assumo e que invade os poros da intimidade e transforma em força a fragilidade de um corpo em outro corpo devorados por inteiro.











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12 comentários:

NDORETTO disse...

Maravilhosooooooooooooo

Amor faminto, de verdade,que derruba tudo pra existir!
Adoreeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiii

Mil Beijos, escritora!!!!!

Bruno Oliveira disse...

Nossa! É Amor e amores demais. Cadê a PAIXÃO?!?

Germano Xavier disse...

Escolher a barca que nos levará ao inferno, eis a primeva e única condição humana. O fim é o mesmo. O meio não, o meio se escolhe. Dante sem Virgílio ou Dante com Virgílio.

Anônimo disse...

uau! há muito tempo eu não lia texto tão bão! Isso é literatura da boa!


Valeu, Letíia.

n.

Anônimo disse...

c




n.

Pedra do Sertão disse...

Tão bom amar...misto de confusão, decisão, repetição, disfunção, perdição...

Gostei de passar por aqui...

Abraço do Pedra do Sertão

castanhamecanica disse...

Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

Que toda poesia seja livre!
Fred Caju

A Escafandrista disse...

Eu me sinto exatamente assim agora.

Marcelo R. Rezende disse...

Porque quando a gente se joga é tão melhor né?

Mai disse...

"Me entrego sem controvérsias, me rasgo sem retórica e desfeita está a inércia"

Amar assim é quase uma questão de fé, Letícia, porque vc dá ao outro poder sobre você, e precisa acreditar que, por causa deste amor, o outro não irá te destruir.

Lindo!
(e fiquei com a impressão de já ter lido este texto)

Gi disse...

Maravilha de texto amiga!

Avassaladora...

Marcelo Novaes disse...

Letícia,



Essa Pomba-Gira há de cavalgar as cachoeiras, a se julgar pelo correr do barco. Ou pelo andar da carruagem, sendo ela Dama Ancestral.










Um beijo, querida.