01 junho 2012

doralice















Good People by Jack Johnson on Grooveshark










Muito lindo o carinha que peguei. E eu o levei pra minha casa, viu? Lindo de tudo. Ficou sentadinho na varanda ouvindo Jack Johnson enquanto enrolava cigarrinho pra fumar e ficar solto. Cheguei perto dele e ele foi logo me enroscando pela cintura. Arrepiei toda. E a gente fumou junto. Tão romântico fumar baseado com um carinha lindo perto da gente. Compartilhar saliva, vontade, fome... Aí rolou o clima da risada. Ele ria de mim e eu ria de tudo. Tão alegrinha. E satisfeita. Sentei no colo dele e vaguei à cavalinho. Trotando em cima do carinha que ria e cantarolava em inglês "para onde foram todas as pessoas boas?". Que frio na barriga, meu deus. Eu quase não conseguia acreditar que era eu ali, depois de tempos sozinha, em tão perfeita companhia, tão preenchida. O cara era lindo mesmo. E então veio beijo. Língua com língua e larga vertigem no céu da boca. Toda dormente eu me deixei levar. Vai, carinha, deixa eu te amar pro meu corpo ficar odara. Eu cantei, não pensei, não nada. A noite foi caindo pela madrugada e eu perdida no olhar do cara que eu havia trazido pra casa. Tiro a roupa, tira você também, tira tudo, eu não tenho pudor algum, eu não sei dizer, eu acho que conheço você de outro lugar, não? Amor pra sempre? Acredito sim. Acredito em tudo. E vai e vem e sobe e não desce mais senão ele explode. O carinha me olha no olho e outro baseado baseia o ato. Tão bom olhar você. Mais e mais dentro de mim e tão forte. De onde é o barato? Ninguém mais usa essa linguagem. Não? Agora é assim. Vocabulário novo eu aprendi. Vertigem na zona periférica. Você tem vergonha se eu disser isso? Eu não. Diz. Digo. E foi dizendo uma narrativa pornô-romântica de toda categoria. Outro baseado e um gosto estranho. Ligo pra nada. Sedenta que estou faço até biquinho. Estou gemendo muito alto? Fala. Estou? Nada. Relaxa. É só na manha. Assim. Quietinha. Silêncio e beijo. A noite inteirinha de beijo e tudo. Aliás, é desta forma que eu lembro da história. "E o resto?" pergunta o delegado da 24ª D. P. E o sangue? E o corpo? E quem disparou primeiro? Eu respondi nada. Fiquei calada. O carinha ainda zoava na minha cabeça como se fosse um sonho de gente que sonha acordada.









8 comentários:

Zélia disse...

Esse tipo de sonho é o mais perigoso.

E... um dia desses me disseram: "Conheço vc de algum lugar". Vontade de rir. Eu não sei mais o que responder. kkkkkkk

Marcelo R. Rezende disse...

Que tesão de texto.

Franck disse...

Tenho esses sonhos de gente acordada!

Anônimo disse...

Muita gente sonha acordada, talvez pra fugir da dor da realidade ou pra buscar algo que já passou ou construir ou idealizar um lugarzinho cheio de conforto. Pra mim, o delegado é apenas a outra parte de Doralice dizendo: "Chega. Deixa o ideal (ou o sonho) pra cama ou pra literatura". Pode ser "doído", mas a vida exige sempre reclama olhos abertos, mesmo que esses sejam miopes...

Anônimo disse...

Ah, gostei do texto. Parabéns seu blog é massa e você escreve bem

Leandro Neres disse...

Muito bom... Por um instante bateu até uma maresia aqui :)

Malu Machado disse...

Boa narrativa. Clima na medida certa.

Marcelo Novaes disse...

Letícia,



Palavras bem colocadas.


O vocabulário novo abarca gestos novos, muito além das dúvidas-de-dizer da voz narrativa. Ou não?!





Um beijo, querida.