29 julho 2012

pragas e revoltas








Tenho a impressão de que o domingo é feito para adiantar ou atrasar de vez as coisas. É um divisor de águas. Um marco de um tempo que nos reduz.


(Flora Conduta)









Eu tenho revoltas cerzidas nas costas porque me é mais perceptível o que tento esconder. E ando em bandos a impura convalescente de amor ferido, de orgulho e ainda sofro da ressaca de ontem, de tempos, séculos adiante. Eu não sei me podar. Sou planta carnívora que devora a própria semente, a flor, o espinho e perfuro em cadências minha estirpe e meu rancor. Tudo em mim me consome a libido e a pavor. E nada muito me sacia. Nem a língua nem a saliva. Quero o ódio inteiro dentro de meu corpo católico que ora por minha própria combustão. Lírica ao orgasmo eu recito nomes de homens que andam de mãos dadas com suas mãezinhas coitadinhas e solitárias que se tornam virgens. Sagrado seja o nome daquele que me faz rastejar por sexo. É por ele que acordo e durmo e nunca me deixo vista porque sou esta criatura apenas quando estou sozinha deflorando a florzinha criada em escola para mocinhas. Meu passado ainda me flagela entorpecida de memórias. E, acaso você faça parte de minha história, aleluia e glórias. Rogo em pragas que esta fome que me devora violenta se perpetue religiosa a devorar você.








2 comentários:

Alicia disse...

Nhac!


quero comer as suas letras.

Thales disse...

Muito bom! Me lembrou uma poesia da Adélia Prado, chamada Moça na cama.

Quando sentimos "que nada muito me sacia" é foda...