18 agosto 2012

noturna ambrosia











Daredevil by Fiona Apple on Grooveshark





eva urbana



Caminhões e seus arranques em Serras de Botucatu me roubaram a quietude de andar pelas ruas, de ser alaúde do sorriso aos pés. Homens, capitães, velhos padres em sermões. Todos eles me roubaram a inocência de estar no mundo e nada entender de nada com nada. E agora cresço violada. A criatura eva do paraíso castrada. E sofro inebriada a febre das eras passadas. E, desta vez, tenho um trato com o diabo que me carregue e, de rarefeito, nem de amor quero viver. Anuncio em voz velada: ao inferno todos vocês.





cardíaca impulsiva



Sou tímida. Ora disposta. Ora adormecida. Meu coração tem vida própria. Auto funcional a equilibrar-se em corda bamba. E torna-me cativa quando a mim registra e me faz desabar. Sou vítima de mim. Mulher legítima sem porte de defesa. Agulha fervorosa em imenso jardim. Propensa à queda. Disposta a vitória. O luto nunca me castiga. Tampouco amarga minha língua. Sou era de viver diversas rapsódias múltiplas e enfrento o rosto ao espelho e carrego apenas uma culpa:

Esta.





nota



Meus amigos todos julgam me conhecer.
Eu não sei de mim.
E quem é você?

3 comentários:

Erica de Paula disse...

Nossa, os três são lindos!

Me identifiquei com o "Cardíaca Impulsiva."

Bjos!

Ediney disse...

" luto nunca me castiga. Tampouco amarga minha língua. Sou era de viver diversas rapsódias múltiplas e enfrento o rosto ao espelho e carrego apenas uma culpa:
" que assim também seja meu sangue delicado

Marcelo R. Rezende disse...

Não se deixe engolir, não arraste. Seja a dominatrix que toda fêmea tem dentro de si. Volta pra fora.

Beijo.