29 fevereiro 2012

quando peixes engole netuno








Aos que ainda leem Caio Fernando Abreu





Deprimido. Cheio de conflito plebeu. Debruçado sobre a mesa pesquisando capa de livro. Tenta, mas não demonstra interesse algum. Ele fica olhando capa de livro e lendo títulos. E pega o telefone e finge estar muito preocupado com seus contatos deletados. Eu só queria que entendesse que não quero saber de livros. Eu não quero saber de livros, entende? Eu estou cheia de tudo isso. Eu não quero que leia trechos para mim. Eu não quero seus conselhos. Cale a boca, meu. E esta gíria não combina comigo. Preciso beber.


Mulherzinha pá virada domesticada. Não sabe de nada. Tão coisinha em seu pijama. Já contei até cinqüenta e ela ainda está escovando os dentes. Passou fio dental até na alma. Por que se cuida tanto? Estamos todos morrendo, sabia? Você fuma demais e já deve estar doente por dentro. E por fora também. Eu queria muito salvar você. Eu queria muito ajudar. Mas você não para. Você não senta um segundo sequer. Meu deus. Ela agora vai beber. Abriu a geladeira e encheu uma taça com o vinho aberto desde sábado. Ela vai acabar se tornando alcoólatra.


Seus olhos estão marejados. Eu odeio usar palavras antigas. Mas por que será que fica tão emotivo? Eu deveria estar emotiva. Você, não. Porque você me fere. Ou me feriu. Eu tentei conversar com você e dizer que essa porra toda está pesando em mim. Você não é o único a ter problemas. Eu tenho muitos problemas. E eu não queria sua caridade. Eu odiei quando me disse que tudo que fazia por mim era por SOLIDARIEDADE. Foda-se. Desde quando você é humanitário? Desde quando largou seu egoísmo para ajudar o próximo? Você só pensa em si. E em sexo. E em suas taras.


(o vinho passou da data)


Eu gosto do cabelo dela assim, desarranjado. Gosto mesmo. Mas eu não posso dizer que gosto porque esta mulher tende a levar tudo que digo tão a sério. Eu só queria dizer que gosto dela, do cabelo. Do corpo também gosto. Mas eu não posso dizer isso porque ela vai entender errado. Ou será que estou sentindo coisa errada? O que é errado? O que é certo? Ainda tem vinho? Ela sorriu e disse que sim. Há vinho.


(duas taças cheias)


Ele enche a taça e engole um bom trago de vinho. Ela mexe nos cabelos. O sol está se pondo e eles sabem que a noite traz vontade de vadiar e esquecer problemas.

― O vinho está bom.


― Está.


― Quer ouvir música?


― Pode ser.


― Quer conversar? Sinto que precisa conversar.


― Este é o seu problema. Você sente demais. Deixa quieto.


― Você não sabe enfrentar nada.


― E quem sabe? A barra tá pesada pra mim. Mas eu não quero falar sobre isso.


― A barra tá pesada pra todo mundo. Você pensa que tudo é com você, que só você tem essas dores. Puro egocentrismo.


(vinho e silêncio)


Eu não vou discutir com ela porque ela vai vencer. Vai falar demais e eu vou ficar com raiva e acabo dando na cara dela. Eu não gosto de violência. Eu jamais vou bater em você. Mas será que você consegue ficar de boca fechada? É tão difícil assim? Eu só queria que entendesse que eu só fiz aquilo pra ajudar. Eu estava me ajudando também. Eu estava matando minha fome também. Eu queria ouvir todas as palavras que você diz. Mas de outra boca, entende? Não quero que seja você. Ou talvez eu queira.


Eu não vou discutir com ele porque estou cansada. Sabe aquele cansaço de tudo? Já sentiu vontade de se deixar em silêncio? Eu sinto. O tempo todo eu tento ficar em silêncio. Mas também preciso falar. Eu não estou nem aí pras tuas dores. Elas são ridículas. E você é feio. Um bonito muito feito. Alma feia. É isso. Sua alma é horrível.


Pen drive cheio de música que embriaga ouvidos. Estão sentados. Sentem medo. Ela olha os quadros na parede. Muito atenta. E fuma. Ele está impaciente porque sabe que precisam sair dali, daquele espaço. Precisam respirar. Ele precisa ver caras. Precisa se afirmar. Ela precisa de tequila e risada. E também precisa ver caras. Na terceira música já estão de pé se vestindo pra sair. Ninguém diz uma palavra. O vinho acabou. Precisam de algo que acalme e traga graça. Tudo ao mesmo tempo. Estão prontos. São seis e meia. Estão bonitos. As almas estão muito feias. Mas estão bonitos. Ele pega as chaves do carro, olha o rosto dela como se precisasse pedir perdão. Ela quer ser perdoada. Os dois se esbarram no olhar e largam um sorriso. Estão iguais. Feios e iguais. E saem juntos. Cheios de nada. Cada um em sua própria direção.













Image by novac

28 fevereiro 2012

cântico das indecências











Somente com os teus olhos contemplarás
e verás a recompensa dos ímpios.

(Salmo 91)





São duas e quarenta da tarde e você vem me falar em sexo? Em fotos? De que mundo você veio? E quem lhe deu o direito de sentir coisas por mim? Eu nunca permiti que você sentisse nada por mim. Nem tesão, nem raiva, nem sede. Eu não sou cobaia. Não faça sujeiras pensando em mim. Tire minhas mãos de seus anseios. Tire minha boca de seus beijos. Eu não sou como você. Sou bem pior. Eu não preciso verbalizar para sentir. Eu não preciso de fotos. Eu não espero respostas para golpear o que desejo. Eu visto roupas do avesso e não me cansa passar horas liquidificando meu ventre com minhas próprias mãos. Eu me viro sozinha. E isto não faz de mim mulher feminista. Sou apenas selvagem, grossa, rude, esquisita. Eu deito ao lado dos bêbados e sorrio da desgraça alheia. Eu já corrompi homens, mulheres, famílias inteiras. Eu não sou pornográfica. E não sou erótica. Eu sou a peste. A perniciosa. Andrômeda traidora de Perseu. A flecha que flutua durante o dia e durante a noite e revolve o mundo em caos e adoro observar a destruição. Muitos temem minha essência. Muitos fogem. Muitos se acorrentam. Outros sofrem violentos ataques de consciência. Alguns traem suas mulheres. Outros traem seus homens. E por mim, que sou a besta que fere inocências, que se aventura, que se violenta, que se entrega ao sacrifício do perdão, muitos ainda viverão suas indecências.










Image by Carissa Rose

26 fevereiro 2012

quadrinhos










Amor a tempo


Ludmila acordou cedo e me olhou com seus olhos carentes. Parecia uma menina contando sonhos.

― Vamos ao cinema? Vamos ao museu? Que tal passear pelas ruas? Eu preparo seu café.

Respirei fundo comprimindo ares em meus pulmões. Olhei dentro dos olhos de Ludmila e apenas consegui dizer que já era tarde. E Ludmila apenas sorriu como se concordasse.





O jogador


Eu não sei por que sinto tanta ânsia. Tenho tantas vontades. Faço até planos. Penso em comprar uma bicicleta, viajar de trem, assistir partidas de futebol e ler muitos livros e conhecer muita gente. Faço todos os planos e sorrio ao fazê-los. Mas quando chega o tempo de cometê-los, eu me canso e os esqueço.





Toda em palavra


Ela vestia uma camiseta branca e havia uma estampa de slogan engajado. Não li o que diziam as palavras. Eu só conseguia dar atenção ao formato de seus seios. E eles, sim, me diziam todas as coisas.





A visita


Certa vez visitei um amigo que há muito não via. Marquei de almoçar em sua casa. Conheci sua família, sua mulher e seus filhos crescidos. Todos foram muitos gentis comigo. Após a refeição, meu amigo e eu tomamos café na varanda e fumamos alguns cigarros. Conversamos muito a respeito de nossas vidas. Ao fim da tarde nos despedimos e prometi voltar em breve. Mas isto não iria acontecer. Aquele encontro foi doloroso o bastante para que eu percebesse o quanto é ruim saber que meu amigo não passa de uma pessoa que consegue vencer.





Egípcios


Ele dorme ao meu lado. Ronca e se movimenta. A cama de casal tornou-se minúscula. O ventilador vai e vem com suas pás empoeiradas. Eu estou coberta por um belo lençol azul de puro algodão egípcio em diversos fios. E, sob tudo isto, meu corpo nu permanece frio.





Congênitos


Passei o dia na companhia de um homem. Um distinto poeta. Bebemos e fizemos amor (ou terá sido sexo?). O homem encharcou-se de mim. Não considero que tenha sido uma orgia. Foi um encontro entre iguais. Conversamos sobre nossas vidas. Segredos foram revelados, dores, amores. E também vivemos o espanto que revela o coito. Deitamos lado a lado e nos olhamos. Eu estava nua e não me incomodei por me deixar ser vista. Ouvimos música e ficamos em silêncio. Abraçados por nossa dor congênita. E, através da janela da noite, azuladas nos observavam as estrelas.









Image by morganpenn

14 fevereiro 2012

mangai















Ain't Got No / I Got Life [Take 3] by Nina Simone on Grooveshark











A mulher abre alas, abre malas e se esquece de desligar o despertador. É preciso acordar um dia. Coloca os pés no chão e dá de cara com um estranho deitado em sua cama.

― Quem é você?

― Faz diferença?

Pensou duas vezes e respondeu:

― Sinceramente? Não.

Estou muito envolvida com um novo projeto: colocar em ordem alfabética os livros que comprei. Talvez eu mude os móveis de lugar. Talvez eu me esqueça de molhar as plantas. Talvez eu não me importe. Já pensou se eu realmente deixar de me importar? O que você vai fazer? Que ladainhas irá cantar? Quem você irá usar?

A propósito, recebi um telegrama pela manhã.

Dizia:

"Por que você mudou? E de forma tão brusca?"

Pensei:

― Mudei?

― Eu não mudei.

― Aceito. Mudei. De humor, de pele, de bando. Um camaleão trocando cores. Fêmea apartada procriando. A petulância perpetuada de sensível ângulo.

Meio trôpega, mas estou me desapegando. E você botou suas mãos sujas onde não devia. Você deveria saber que minha coleção de vinil é o que mais prezo na vida. Agora eu sou a distinta senhora que evita o vendedor de enciclopédias. A senhora que espera que o homem venha, que toque a campainha e eu sairei maquiada e ereta só para dizer que não estou interessada. Direi: ― Venha outro dia. E ele virá cheio de si esperando que a senhora compre as enciclopédias. E direi novamente: ― Ainda não tenho interesse. Mesmo louca para comprar as tais enciclopédias, a mulher diz não ao homem só para que ele volte. A senhora sorri e sabe que ele irá voltar. E, caso não volte, não se importa. O mundo está cheio de vendedores mambembes.










Image by Patryk

07 fevereiro 2012

cabra cega











Somos autodestrutivos
E orgasmo ainda é um pseudo-ataque cardíaco.






Um dia de cada vez e um beijo no elevador. Um dia você escolhe tomar outro rumo, escreve bilhete dizendo adeus. É outro dia, outro abuso, gim com tônica e nada embriaga mais que a fome. Chamadas ao telefone e rompe ao claro dia o estrondo da manhã. E tudo é repetitivo. Ouvido vazio de som (de domingo a domingo). Não para pra atravessar a rua. Pede licença, caminha na ponta dos pés, leva o que é teu e deixa para trás o monogâmico politeísmo dos casais. E amor, cabra cega, chega sempre na hora exata. Nunca seria tarde demais. Mas confesso que sabia, desde o início, que você não passava de um sonho que agradava demais (Ou de menos. Excesso de sofrimento). E por isso eu dormia tanto. Era pra sonhar com você de outra forma. Da forma como eu acreditava que você poderia ser, ou fosse, ou me desagradaria a tagarelice se realmente encontrasse em você o exato abismo, minha cólera, ódio de me sentir úmida, céu e precipício. E odeio me saber errada. Abro cortina, quebro vidraça e vejo que você não era nada do que eu esperava. Então se entrega e você vai rever o grande torvelinho de amargas emancipações, de passados antecipados por processo de envelhecimento e de um futuro cordial que combine com a discreta seda em estampa das roupinhas elegantes de sua mulher ingênua angelical mediana. E sempre cede do lado avesso a corda de quem fala e sente desespero na língua da boca que sofre por alcançar o beijo de quem obviamente cala.







Lovers Spit by Broken Social Scene on Grooveshark







Image by icynra

04 fevereiro 2012

gioconda














Que horas são? 9:15. Meu Deus! Vou me atrasar. Não posso perder a consulta com minha ginecologista. Olha de novo o relógio. 9:16. Suspira tão alto que chama a atenção de uma mulher sentada a frente de uma grande mesa esverdeada compenetrada em seu computador. Mulher abusada, pensa Gioconda. Trabalha sentada e ainda tem coragem de ficar de cara feia. Muita petulância. Eu bem queria estar no lugar dela. Trabalhar sentada e ser servidora pública. Gioconda dá risinhos como se estivesse vencendo guerras. Ah, eu seria uma ótima funcionária. Seria amiga de todos. Eu estaria sempre sorrindo e traria potinhos de biscoitos para distribuir entre amigos. "Olha o que a Gioconda trouxe hoje: biscoito de polvilho!" Eu seria assim. Atenderia todo mundo. Não deixaria ninguém mofando em uma cadeira. E faria bolo de chocolate quando fosse aniversário de algum colega de trabalho. Cantaríamos os parabéns. Pare Gioconda, dizia a mulher para si mesma. Pare de sonhar. Você sempre acaba se ferindo. Sonha tão alto... Mas Gioconda não conseguia parar de imaginar sua vida como servidora pública. Eu não seria como esta mulher. Eu sorriria. Ou talvez me tornasse ranzinza. Imagine só se eu me tornasse a típica funcionária antipática. E se isso acontecesse? Todos me odiariam. Falariam mal de mim. Ou me respeitariam. E eu ficaria sempre de cara azeda e boca franzida. Não teria amigas. Não conversaria bobagens com ninguém. Ou até poderia ser o tipo bonitona que a todos encanta. Gioconda sorri maliciosa. Eu teria muitos amantes. Faria sexo inapropriado. Gioconda ergue a voz e pergunta à mulher sentada à mesa:

― Moça, aqui tem almoxarifado?

A mulher diz que sim e se volta ao computador. Tão indiferente. Mas Gioconda está feliz. Eu sempre quis fazer sexo em um almoxarifado. É tão sexy. E tão romântico. E todas as mulheres teriam inveja de mim embora me expusessem a má fama. Eu não me importaria. Mas e se eu me tornasse extremamente gorda? Eu ficaria entediada com minha vida de funcionária e engordaria comendo escondido doces e outras porcarias que eu cuidadosamente guardaria na gaveta de minha mesa. E todos sentiriam pena de mim por estar gorda e solitária. Muitos dariam conselhos e muito iriam me ridicularizar. E eu choraria escondida no banheiro.

― Moça, onde fica o banheiro feminino?

A mulher aponta para a direita e se volta para o computador. Gioconda não queria mais pensar. A ideia de estar sozinha chorando em um banheiro a deixou triste e estranhamente preocupada. Gioconda respirou fundo e tentou não pensar mais. Que horas são? 9:20. Se demorar mais 10 minutos vou ter que adiar a consulta com a ginecologista. De repente Gioconda é chamada e convidada a entrar em uma sala muito aconchegante. Senta-se. Percebe que há porta-retratos sobre a mesa meticulosamente organizada e limpa. Ouve a porta se abrir por sobre seus ombros e se depara com uma figura de rosto amável e sorriso gentil. Uma mulher alta, vestida de forma elegante, de cabelos grisalhos e bem penteados e a mulher exalava um aroma em fragrância floral. Gioconda sente-se atordoada, não sabe o que dizer, não pensa de forma coerente, se interroga, seu coração acelera, seus lábios tremem sem que saia deles uma palavra. A mulher então cumprimenta Gioconda e senta-se a sua frente. Gioconda, de olhos escancarados, não entende o que está havendo ali. O tempo para e Gioconda percebe que estava sentada diante de si.









Image by GloriaSw7

01 fevereiro 2012

servos iguais













Trombas de elefantes, cargas d’água e objeto-me a traduzir o que diz a formiga que passeia elegantemente ao redor da xícara. Estará pensando em mim? Tantas suaves passadas em círculo e sigo, de olhos bem abertos, o inseto que invade meu espaço sem ao menos dizer de sua existência. Formigas precisam saber das leis, dos eventos, precisam saber da humanidade e da matemática que rege o tempo. Não me venha, inseto traiçoeiro, dizer que não enxerga que o vejo. Estou atento. Dois minutos e caminha arrastando consigo restos de comida e a densa uniformidade da grama que acoberta os pecados do jardim. Em suas patas há mais histórias que em minhas mãos. Confronto o ser diminuto. Admito-me pequeno, insustentável, admito-me inconformado, e, muito embora me aborreça a lentidão das coisas, não abandono a criatura preguiçosa que há em mim. Foram anos até chegar ao tempo em que estou. Não fora fácil construir-me, iludir-me, atraiçoar a mim mesmo. Eu queria servir de cobaia aos meus inventos. Eu quis tudo o que me atingiu. A sova do vento, o indiscreto passar dos anos fazendo curvar minha estatura, meu ereto servir às criaturas, meu sorriso sedento de aplauso e, das vezes que fui ao chão, era tudo o que eu queria. Chamar sem voz a atenção de quem me visse e tanto engoli poeira de tantos chãos e estraguei-me de orgulho e devorei a sorte imbecil de quem acredita que a única chance é a vida e não a partida para outro lugar distante deste aqui. Eu me dou de aplauso. Eu acalento meu fracasso por estar prestes a cometer o início de um novo ciclo de desaventuras. O homem que acordava ao celeste estrondo da manhã, agora desfruta de uma xícara de café, atormentando o silêncio de meus pensamentos com esta caótica misericórdia tardia. Elevo a xícara à altura dos olhos e vejo, claramente, que não somos tão diferentes. A formiga e eu. Vejo que vivemos da mesma afasia. A formiga faminta de açúcar caminha absoluta e eu sei que também invado espaços, pois nunca na vida indaguei minha existência e nunca soube se deus me desejava nascido ou fora eu um erro aborrecido que viera ao mundo desviado de outro caminho. Tenho tanto por dizer. Mas o tempo cala minha boca que fala e não há mesmo diferença entre o inseto na xícara e o homem à vida. Somos todos matéria ígnea que à natureza retornará. E não me incomoda mais o inseto. Não me incomoda mais meu similar que agora escapa de meu campo de visão e cai ao chão e caminha pelo piso e retorna ao jardim. Saberá a formiga o quanto a vivi? Terá o pequeno ser memórias deste instante? Não me atrevo a buscar respostas. Não me atrevo a sair de mim. E perde o homem outra chance de se iludir.







Image by Carl Spartz