01 junho 2013

memória ébria










Pensei nos Smiths, depois em uma banda de rock nacional, pensei em mim, pensei no outro. E estamos em junho. Amores vãos.







Meia-noite. Estou em casa. Penso nas ruas. E nas pessoas que estão nas ruas. E nos bares. Penso no casal que não conheço e que agora dissimula seu amor entre olhares. Penso e chego a sentir o gosto dos ébrios lábios que vociferam na noite da cidade. Desta e de outras tão diversas. Sinto na pele o frio de uma noite que não é fria, tampouco quente ou de gelo cristalizada. Penso no homem que serve mesas. Penso nas pernas que se cruzam sob as mesas e na confusão risonha nas portas dos banheiros lotados de tantos bares onde não estou. Alguém conversa entredentes. Quase ouço o que diz. Todas as conversas são iguais nas noites. São ritmadas pela mesma ilusão embriagada. São estimuladas pelos mesmos sinais que emitem os bichos quando felizes se libertam de seus predadores. Penso na noite de uma cidade e posso pensar em toda cidade. Pois a noite é baldio ébrio de amores e ilusões que se repetem em todas as vias deste mundo em extremidades.