22 setembro 2013

dark blue jeans








Você já catou seu feriado hoje? E o motivo? O motivo mito para faltar ao trabalho? Já varreu seu lixo para debaixo do tapete? Já engoliu aquele sapo? Já tentou quebrar alguma coisa? Já consertou algo que não precisava de reparo? Encontrou seu amor? Mandou o mundo se danar e se arrependeu no minuto seguinte? Você já pensou em partir e deixar carta culposa? Já rastejou? Já disse sim quando a única coisa certa a fazer seria dizer não? Já deixou de se camuflar? Você já se olhou no espelho hoje? Você já reparou que se perder é o caminho para se achar? Me diga uma coisa: Você já?



(flora conduta)










Mas engraçado mesmo foi o dia em que fugi de casa. Fiz todo o plano de sumir sem deixar traço de passo algum. Rasguei documentos que pudessem servir de pista. E fotos também. Destruí, em mil pedaços, a agenda telefônica para que nada me estragasse a fuga sendo pega na casa de alguém quando estivesse no caminho de meu novo rumo. Fiz mala. Não muito pesada. Peguei somente o necessário para não morrer de frio ou de calor. E escondi dinheiro no fundo falso para não perder um tostão de minhas economias de dias para o plano não falir. Tomei banho de corpo todo, lavei bem os cabelos e me senti linda e extravagante em meu dark blue jeans. Deixei um bilhete sem muito comprometimento, ressaltando apenas algum sentimento, fechei a porta e parti. E a insanidade fez desgaste na memória de minha fêmea. Na ânsia de existir, acabei esquecendo que eu morava sozinha, a casa ainda era minha e a fuga só me levaria ao ponto do qual parti: eu não tenho do que fugir. Sou a única habitante de mim.












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