26 outubro 2013

belas garotas em calcinhas de renda















A liberdade está de óculos escuros para não tomar susto ao perceber que tudo está despido. A laranja sem casca, o homem sem casa e o tempo entregue ao deus dará. Há dias sinto dores no peito. Penso que devo estar infartando. Morrendo para viver de novo. Mas será que alguém infarta por dias? Será que a coisa não pode acontecer veloz, assim, num piscar dos olhos que exibem a retina? Boa tarde, então. Ou boa noite. Ele diz boa noite ao telefone e sai para comer garotas rotas e burras que vestem calcinhas de renda. Bukowski que não me ouça. E não há por onde começar. Porque não há muito a se dizer. Ou haverá? O mal da gente é achar que outra gente está sempre falando da gente quando, na verdade, tudo é nada com nada. Ouço conversas direcionadas a mim e percebo que, embora algo esteja sendo dito, o interlocutor não está falando comigo. Ele sempre fala para si mesmo. O interlocutor conversa comigo, mas não conversa para mim. Eu escuto porque sou boa ouvinte. Aprendi, aos tempos de silêncio, que ficar de boca fechada é proteção maior do que andar armada. Mãos ao alto e permanecerá intacta a veste do orgulho maior. Orgulho besta de mula rastejar. Ontem, no salão de beleza, que exibe a feiura terna das mulheres burras, percebi que os aparelhos de celular mudaram. E isto já faz séculos. Mas apenas ontem percebi. No início eles eram enormes, depois se tornaram minúsculos, agora cresceram e logo tudo mais explodirá. Será que alguém pode pressionar o botão Stop? Porque esta evolução atrasada me irrita mais do que ouvir vibrato de cantor que tenta se americanizar. Evoluímos no Brasil. Mas onde? Um italiano com quem trabalho me disse perceber que o Brasil o faz lembrar algum país comunista. Ele disse perceber isto ao ver um homem vendendo gelo em uma padaria. Na Europa, há tempos, (50 anos atrás) já havia máquinas de gelo em estabelecimentos comerciais. Aqui, nas terras do pau que nos pariu, gelo em cubos é coisa para ricos que compram geladeiras imensas que passam dias vazias. Veja nossa evolução raquítica. E logo você se arruma, sai, perambula, toma uma ou duas doses de álcool e esquece que terá de voltar para o seu lar doce lar, retumbante e triunfante, o quadrúpede que vive atrasado em séculos de um tempo que nada nos traz de singular. 













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06 outubro 2013

cena de teatro







Engraçado é notar que a gente nunca imagina aonde vai dar nossa loucura que pode ser literatura ou arte e que anda pelo mundo. Eu já participei de peças de teatro. E faz tempo. Aos 16 anos. Nunca fui boa atriz. Lembro que escrevi uma ou duas peças em parceria com Fábio Cardoso (amigo de escola). E o tempo passou e eu parei de fazer teatro e comecei a escrever algumas coisas. Aí comecei a estudar Letras e vi: sim, literatura é o meu campo. No entanto, eu nem sabia o que eu iria plantar. Mas daí eu passei a escrever mais e mais, publiquei livros (metida a besta?). E é isto. Sigo escrevendo.







Um dia, um amigo que adoro e admiro e rasgo seda, o Eder Asa, me disse que havia escrito algo para um espetáculo de teatro (ou cena de teatro) e que havia usado alguns textos meus. Fiquei pasma. Como assim? Teatro? Eder é ator e escritor (embora insista em dizer que não). Ele e uma amiga, Maria Luz, criaram o espetáculo A Vida é tão Outra Coisa. Fiquei feliz e super ‘não sei nem o que dizer’ porque a surpresa foi enorme. Hoje, 6 de outubro de 2013, Eder me escreveu (lindamente) e me enviou a sinopse do espetáculo (que participou do 6º Festival de Cenas Curtas de Uberlândia que ocorreu no mês de setembro) e ele também me enviou fotos e uma entrevista a respeito do espetáculo. Infelizmente não pude estar lá para ver o Eder e a Maria fazer vida do que escrevo. Mas li a sinopse, vi as fotos e decidi compartilhar com os leitores do afeto literário. Porque escrevo para todos e com todos. E há carinho em tudo que mostro. E fé na arte que ferve as plateias que a aplaudem.


Segue a sinopse.
Salve Eder. Salve Maria.
Vocês me deram vida.
Eu agradeço e aplaudo.







A Vida é tão Outra Coisa

SINOPSE

Permeados por uma densa atmosfera de tédio e conflito, um relacionamento desgastado, um casal que não se comunica e um ambiente de difícil convivência. Assim, inicia A Vida é tão Outra Coisa, que já na primeira cena traz o existencialismo de Sartre e a existência da mulher que não quer saber de livros. Silêncio. A cena trata de questões humanas e sensórias, vai de encontro ao mais cruel realismo e, em sua pouca duração de cena-espetáculo, soma-se às doses necessárias de lirismo cotidiano. Traz a estética da web-literatura, seus diálogos rápidos e sua verdade crua. Ainda há amor? Falar em amor não é exagero? Você já reparou que todo mundo anda exagerado? Qual é o teu exagero?


A partir de textos e do universo lírico de Letícia Palmeira.

(Sinopse: Eder Asa e Maria Luz)















Enfim.
A vida segue.
E, em tudo, há espetáculo.  








(Todas as imagens foram cedidas por Eder Asa)