25 outubro 2013

de formigas e elefantes









Mas onde estarão os elefantes?
Estou certa de que talvez tenham perdido a memória
E caminham em filas
Refazendo histórias

(fábulas)






Desastre do dia: unha quebrada. E as formigas são muito democráticas. Elas carregam comida, dia após dia, e se enfurnam quando chove. Isto não nos ocorre. É exatamente quando chove que saímos em batalhões para cumprir o dever. Dever que não é de casa. Acabou a idade de brincar de ser menino e menina. Agora somos todos grandes. Embora alguns não tenham se tornado grandes em maturidade e caráter, não há mais crianças aqui. Não engulo a história de ser criança em espírito. Muitos dizem isto: tenho alma de criança. E eu digo: procure um médico. Ou esqueça sua crença. Busque outra. Adore outros deuses ou demônios. Se reconheça crescido e talvez estúpido ou talvez cupido. O salário cai na conta. O salário desaparece. E isto nada tem a ver com mágica. É capitalismo que não rima com igualdade ou poesia ou fim de tarde. Estamos capitalistas até em nossas vontades. Compramos o amor ao nos submeter as vontades que são alheias. Compramos amizades com pequenos afagos contrários de sinceridade. E calamos a boca quando é preciso falar que a culpa é nossa e que deus nos ajude em nossos julgamentos. É assim que vivemos. Jogo de olho por olho, um grande tabuleiro e peças que se movem justapostas ao vento.