pó de estante
Parei de comprar livros. Por enquanto. Eu costumava comprar muitos livros e olhá-los, capa por capa, edição por edição, consumindo-os pela espessura e pela impressão das páginas. Tornou-se um vício comprar livros. Sempre que eu entrava em uma livraria, eu comprava um livro. SEMPRE. Até o dia em que percebi que, da estante de minha casa, embora muito modesta na quantidade de autores, estava se tornando um lugar de acúmulo de poeira e vozes. Porque os livros falam. Às vezes, até gritam. Os meus berravam. Estavam berrando por leitura. Eles precisavam de alguém que os conhecesse. Livros são como pessoas que não podem permanecer nas sobras do inédito. Que não podem permanecer no anonimato. Então, passei a ler em um ritmo frenético. Um livro após o outro. Eu já havia lido Lavoura Arcaica, do Raduan Nassar. Mas reli. Algumas vezes, quando sozinha em casa, li em voz alta. E, assim como perfume, que às vezes nos remete a outra época de nossas vidas, livros também o fazem. Lavoura A...