02 janeiro 2014

delírio










Eu não planejo. Eu deliro. E assumo o risco de estar entregue ao que me causa cólera e esta febre que me reveste de rubor e pânico. Já nos conhecemos? Perguntarei. E tácito ele soluçará sua negativa exuberante, fazendo-me sentir apenas mais uma entre as fêmeas que suportam o frio de suas mãos de homem. Eu o venero em sua pose. Ereto que não me percebe entre os que passam. Mudo e sorridente que me comove a cor de sua face que é vista e tão notadamente admirada. Escrevo cartas exibindo o que sinto. Mando recados indiretos e indiscretos vapores me alucinam. Ouço o que dizem. O homem tem uma mulher. No entanto, eu não a percebo. Que ele a tenha, que ele a derrube, que ele a alimente com suas verdades que estarão frias após o décimo coito. Dizem que ele está mais sozinho do que antes. Que esteja em solidão, pois assim eu o desejo mais e o odeio com a mesma força com que açoito meus temores. Um dia estará o homem em minhas mãos tão preso que mal dará conta de si quando perceber o quanto eu o perverto. 





(de fome, de amor e de verso pretenso)