19 janeiro 2014

entre abelhas e formigas









Ao agudo e grave
da vida






Pessoas estão sempre falando em amores que partem. Mas quase nunca falam em amores novos e sequer saem de casa para que possam ter a chance de conhecer outras pessoas. E, quando saem, estão sempre cercadas de seus amigos de sempre que, na maioria das vezes, não são amigos. São apenas companhia. Pessoas buscam a forma perfeita para viver. Pessoas fazem exercícios, comem legumes, se fartam de frutas, param de beber, compram bicicletas, andam em bandos. Pessoas realmente não querem envelhecer. Elas querem a eternidade. Porém, se esquecem de vivenciar este tempo deste relógio que anuncia que a hora é esta para fazer algo que, talvez, seja surpreendente. Pessoas não querem se ferir. Estão sempre munidas. Pessoas dizem ser necessário se afastar de pessoas negativas e sequer percebem que afastar-se de algo é uma negação, que, logo, é uma atitude negativa. Pessoas não pensam em salvar alguém. Pessoas falam mal do governo, mas viajam e elaboram sorrisos temporários porque tentam se esquecer das realidades ao se chocarem com as notícias vindas de todos os lugares. Pessoas se queixam do tráfico, mas dirigem seus carros como se fossem donas das rodovias. Pessoas compram coisas para que possam reclamar de seus bolsos vazios, que nem sempre estão vazios. Estão apenas escassos de algo que satisfaça a fome que as pessoas sentem de alguma coisa que não sabem explicar em palavras. Pessoas buscam dores que talvez não existam e sentam-se em consultórios de terapeutas que dirão coisas óbvias para que elas possam sentir algum alívio para seus temores que quase sempre são superficiais aos olhos de outras pessoas que acreditam não ter problema algum. Pessoas esboçam seus dias como se estes fossem motivo de capa de revista e buscam causar impacto ao serem vistas tão felizes. Pessoas sentem medo de morrer. Por isto não vivem logo a vida que só nos aceita uma única vez. E há pessoas que escrevem e, assim como todas as pessoas, vivem calando a pergunta que é inerente a todo ser. Por quê?






5 comentários:

Luis Eme disse...

um mar de contradições, ou seja, a natureza humana...

ediney santana disse...

"Pessoas esboçam seus dias como se estes fossem motivo de capa de revista e buscam causar impacto ao serem vistas tão felizes. " isso mesmo, Às vezes tenho vergonha de dizer que em alguns momentos não estou feliz, todo querem se não for capas de revista, ao menos fotos no face e outras coisas, felicidade chata

Germano Xavier disse...

Como se ser já não nos bastasse, procuramos piolhos para nos coçar, sempre. Eis a existência: um monte de perguntas sem resposta.

Zélia disse...

Não sei. Eu só sei de palavras meias. E voltei. Li. Me surpreendi. Não por conta do texto. Mas, do que foi dito... :D

Camilla disse...

E admitir tudo isso é muito difícil.