09 fevereiro 2014

engenho de lírios









As horas 
que são rubras




Tempos arredios. O vento açoita plantações pelo caminho e meu corpo se ergue em vasto patamar de amores que crio por estar convencida da púrpura enguia devoradora de cavalos marinhos que sou. Urbana minha cidade se anuncia. Devasto meu casto andar de mulher moderna e estou tal qual menina que inveja a coragem de suas amigas. Todas famintas. Não posso me anular. Vejo, em dezenas de alguns beijos, o pleno voo de algo que nunca saberá voar. Por não estar pronto. Por não querer estar. Psique me acorda atordoada com os ruídos vizinhos. Minha cama é vaga de mim porque nunca estou comigo. Agora batalho para me despedir de mágoas que trago desde a primeira idade. Estas que escoam em páginas, em bilhetes escritos, em dramas de princípios duvidosos que elaboro com meus olhos de catar lágrimas. Não as quero, eu insisto. Pois estou para a vida por ser vício aprender o mau ofício de ser a criatura que se prende por vontade própria ao seu engenho de lírios.












Um comentário:

Luis Eme disse...

mas não deixa de ser bonito o engenho dos lirios.