17 dezembro 2014

nunca estivemos tão loucos










Creio que isto não seja novidade. Na idade média, sem dúvida alguma, havia mais loucos que hoje em dia. Porém, a loucura era diferente. Não comparo. Sigo em frente. Tenho roupas para dobrar e ligações a fazer. Paro para escrever e falar do que me enlouquece. De tarja preta. De ficar besta. Hoje cedo fui ao centro. Fumantes se aglomeram e conversam como bandidos encurralados em uma cela. Na cena, uma senhora se aproxima e diz que fica puta com as coisas deste mundo. Concordo. Eu vivo puta. De ira. De ódio puro. Mas finjo sorrir para não agredir gregos, troianos e amigos mais diabólicos que o próprio diabo em carne e osso. Estamos todos loucos. Crianças se vestem como adultos. E beijam na boca. Talvez seja questão cultural. Por bem ou por mal. Senhor vendendo água para bancar natal em casa e mulheres calçam saltos altos para esbanjarem suas bundas de nenhum quilate. Perdoe meu machismo. Não era isso que eu queria dizer. De embargo, estou até o talo de minha paciência. Não fale para não incomodar. Aja de acordo. Proibido pensar. No carro, porque sou cria da classe dos idiotas que não gostam de ônibus, ouço música e observo pessoas que passam. Música bonita. Rima boa para o cenho franzido do guarda da esquina que não caça ladrão, pois o homem não corre em vão. Leio de tudo. Coleciono, em meus olhos, múltiplos outdoors que mentem. Roupas para o fim de ano. Fé para o fim do mundo. Depois das eleições, ninguém parece o mesmo. Todo mundo optou por um posicionamento. Eu não ouso. Tenho medo de absurdos e ouvidos moucos. Mas acredito que haja uma folga neste estouro de coisa ruim que nos acomete. Um sorriso verdadeiro, uma mão que afague sem engano e um beijo na boca que não seja por interesse i(mundano). Tudo irá melhorar. Com paz e ferro. Esperemos em pé para seguirmos a tropa com o nosso caminhar histérico. Não quero parecer apocalíptica. E nem sou. Sou apenas uma a mais na estatística. E pago muito caro para ser enganada pela mídia. Amém.