08 junho 2015

das horas displicentes









Laço de fita


Percebi que estava tão atenta em ser nó que cheguei a me perder. Profunda e difusa, eu nunca fui muito boa em me compreender mesmo. Sequer me espantei com a descoberta. Ao passar por uma vastidão de acontecimentos, fui me deixando ser nó. Doida que não se entende. Eu me vesti nó de marinheiro, pois não queria ser vista. Muito menos comprometida com o entendimento alheio. Respondia tudo de forma ágil ou irônica para fugir de todo questionamento. Eu quis ser difícil, complicada, inegavelmente esfinge. Porém, foi nesta tentativa de ser nó que ninguém desata, que me percebi laço. E de fita. Daquele que enfeita de forma ingênua os cabelos da menina.




Teodora


Teodora está feliz. Toquem os sinos. Teodora está sorrindo. Mesmo que seu pequeno corpo esteja rígido e sem vida, Teodora continua. Entendam. Somente agora, que não mais se move, Teodora gesticula.




Das horas displicentes


Em um pequeno saco de lixo, as cartas. Rasguei todas elas noite passada. Sexo para complementar dieta. Visão turva. Cega de luz ao dia. Deixo-me ir e vir. E sem convite, pois sou elite. Vendo-me por tão pouco. Acredite. Boca cheia de novidades simples. Sou loja e mudei a cor das vitrines. Atriz que muda o cenário para mudar amor. Camaleão de cores várias. Tão leve quanto o peso da navalha estou. O corpo ancorado ao meu. Eu não sou seu, ele diz. O brinquedo grita. O sorriso, de uma alvura malvada, me enche de pensamentos. Uma tatuagem lhe enfeita o braço. Tão belo o diabo. E muito embora isto entre nós não faça o menor sentido, ao menos poderemos dizer o quanto o desenho ficou bonito.









Um comentário:

Luis Eme disse...

Olá "Teodora", que bem te fica o nó do laço, escolhido para enfeitiçares o bonito do diabo. :)