31 outubro 2016

fúria









Para qual batalha
me preparam os homens despojados?
Qual embate infeliz
irá manchar minhas mãos?

A solidão,
antes perversa a me espiar,
agora é meu desejo
todo feito de amor platônico.

Por que dizem me amar
estes que pretendem masculinizar-se
entre minhas pernas?
Mal sabem!
para estar comigo é preciso
Ódio e Fúria.
Oposto ao cio.

Nada quero das larvas últimas
que alimentam-se de velhas histórias.
Quero o avesso.
O jovem.
E, muito embora não me cause gestação,
é deste amor indiferente que vivo.

Das plásticas palavras
de um discurso bem tecido,
Retiro lustro.
Engulo lixo.
Faço de mim estátua célebre
para a qual deixarei
Minha sombra e memória do que me é ausente.

Pergunto novamente!

Para qual batalha
me preparam os homens despojados?
E por que está a me presentear com flores
O gigante mercenário?





3 comentários:

Luis Eme disse...

Só pode ser a batalha do "amor".

Um amor com vários significados e significandos, com diferenças de usos e abusos.

É assim que somos, Letícia.

Marcantonio disse...

Propaganda enganosa, né? Se não é poesia, do que se trata? Me parece excelente poesia.

Letícia Palmeira disse...

Obrigada pela leitura, Luis e Marcantonio. Estou me adestrando.