27 janeiro 2017

horas pálidas








Homem, eu te escrevo. E não espero retorno do que direi. Me largo em folha de véspera tempestade que devasta a casa, o piso e a margem de meus rios de prosa. Em ti eu teria feito o poema perfeito, exato como o tempo, e seu declarar de vivências. Amei em um único fôlego, nunca amiúde, pois de tal forma não me daria ao prazer do sentimento que afago, tão somente meu e de meus agrados. Não posso te escrever, homem. Não ostento o desejo de invadir tua vida e causar danos ao teu lar de mãe e filho que vivem sorridentes ao teu redor. Não é minha intenção penetrar em cômodos que não habito. Não é minha intenção alardear o que sinto. Contudo, homem, o que devo fazer de mim agora que o sentimento invade minhas horas pálidas de espera e agonia? Ouso emancipar-me. Preciso te esquecer, sentimento náufrago, antes que de ti me construa a própria face. De renovada esperança, em passo firme e sem constrangimento, de ti me aparto. E te desejo o remorso indecente dos que desistem de meus laços.









2 comentários:

Luis Eme disse...

O amor é uma coisa estranha e meio selvagem, Letícia.

Letícia Palmeira disse...

Verdade, Luís. Irracional talvez.