<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253</id><updated>2012-01-30T03:02:46.968-03:00</updated><category term='artesã de ilusórios'/><category term='variações'/><category term='diário bordô'/><category term='poética'/><category term='variedades'/><category term='prosa poética'/><category term='poesia?'/><category term='sinfônica adulterada'/><category term='parafernália'/><category term='prosa'/><category term='outras palavras'/><title type='text'>Afeto Literário</title><subtitle type='html'>Por Letícia Palmeira</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>302</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6127509402512719300</id><published>2012-01-30T02:21:00.000-03:00</published><updated>2012-01-30T03:02:46.974-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>um dia para fernando</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-h2Ds7TjI_n0/TyYn1wZFq7I/AAAAAAAABTI/AiR0J41flPc/s1600/Expansion_by_immobileFreedom.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-h2Ds7TjI_n0/TyYn1wZFq7I/AAAAAAAABTI/AiR0J41flPc/s400/Expansion_by_immobileFreedom.jpg" width="252" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje encontrarei Fernando. Preciso estar bem. Preciso demonstrar que estou bem. Afinal de contas, já não nos vemos há 12 anos. Tanto tempo... Fiquei tão eufórico quando soube que Fernando está na cidade. Recebi do porteiro o bilhete de Fernando. Dizia: Olá. Estou em São Paulo. Gostaria de vê-lo. Encontre-me no lugar onde costumávamos ir. Tenho certeza de que irá se lembrar. Carinhosamente, Fernando. Tentei não sorrir quando li o bilhete. O porteiro me olhava enquanto eu já estava sorrindo. Trêmula, minha boca soltou um pequeno som de alegria e triunfo. Eu sempre soube que Fernando voltaria um dia e, mesmo que eu não queira, sinto um doce gosto de vingança ao pensar que Fernando talvez esteja ansioso por me ver. Talvez ele esteja se arrumando, se perfumando, decorando frases tolas para me dizer. São muitos anos de distância. Eu nunca o procurei. Aliás, não o procurei mais desde que ele me pareceu bem enfático ao dizer: "minha vida agora é outra. Não preciso mais de você". Sofri muito quando Fernando me deixou. Passei dias sem comer, sem querer receber visitas e faltei tanto no trabalho que perdi o emprego. Eu não culpo Fernando. Eu fui irresponsável comigo mesmo. Fiquei desempregado, minha família se afastou de mim após minha tentativa de suicídio, e meus amigos não suportaram minhas freqüentes conversas a respeito de Fernando. Todos fugiram de mim. Fiquei sozinho. Talvez eu deva agradecê-lo por tudo, porque, de certa forma, ele me ensinou a viver e a aceitar minha solidão durante todos estes anos. Irei agradecer. Fernando irá tentar me persuadir com suas palavras doces que tanto me encantavam. E irá me olhar com seus olhos de arrependimento. Ele ainda deve estar bonito. Um pouco mais velho, mas ainda bonito. Farei a barba. E vestirei um terno. Terno é muito formal. Vestirei minha camisa listrada e assim parecerei mais magro. E calças pretas. Jeans é muito vulgar. E irei de sapatos. Usarei minhas melhores meias. Onde estão minhas meias? Faz tanto tempo que já não lembro como Fernando preferia o meu corpo. Mas lembro que ele adorava quando eu vestia jeans e camiseta branca. E ele adorava me ver de tênis. Está decidido. Jeans, camiseta branca, tênis e meias brancas. Fernando me fez sofrer e, por isso, é preciso que ele me veja bem. Estou bem, direi a Fernando. Vou sorrir e mostrar meus dentes amarelados de tantos cigarros fumados. Preciso me policiar e não sorrir escancarado. Sorrirei fechado. Da forma como ele gostava. Roupa de baixo? Mas o que deu em mim? Não posso esquecer que Fernando sempre preferiu me ver em tons mais claros. Cueca branca. Estarei como Fernando sempre me quis. Vestido para ele. Ah, como estou cheio de saudade. Como deverá estar Fernando? Embora tenhamos ficado distantes por tanto tempo, sempre arrumei formas de ficar sabendo de sua vida. Sei que ele teve um longo relacionamento com um médico. E sei que morou em Veneza. Sei também que conseguiu o emprego que tanto buscava. Fernando é jornalista. Ele sempre foi bom com as palavras, com suas falas, com suas mentiras. Ficamos juntos por dois anos e aprendi a lidar com as mentiras de Fernando. Eu simplesmente fingia que elas não me feriam. Eu o amava demais para julgar. Eu precisava tanto de Fernando que nada mais me importava. Era somente Fernando que comandava minha vida. E, depois de nossa separação, nunca mais consegui me envolver. Tive dois ou três relacionamentos. Todos forçados por minha necessidade de não me sentir só. Mas de nada serviram. Eu sempre enxergava tantos defeitos em todos que não suportava mais de 15 dias na companhia de quem quer que fosse. Passei a encontrar pessoas apenas por uma noite. Nunca telefonei de volta. Nunca quis me envolver. Fernando ainda era o único com quem eu passaria todos os dias de minha vida. Mesmo tendo sofrido, eu o aceitarei de volta. Embora o bilhete deixado na portaria tenha me parecido um tanto frio, sei o que Fernando espera de mim. Ele já deve ter decorado suas desculpas. Dirá que sentiu minha falta por todos estes anos. E dirá que estou lindo com meus cabelos grisalhos. E vai adorar me ver vestido da forma como ele sempre exigia. Ah, Fernando, não é preciso que diga muito. Basta um sorriso seu, um pedido de perdão, e eu darei tudo que tenho por você. Todo o meu sentimento. Mas o que estou dizendo? Como posso me entregar tão facilmente a um homem que me fez de tolo, que me fez sentir usado, que tanto esnobou de minha dor? Fernando, não pense que será tão fácil reconstruir tudo assim, num piscar de olhos. Não pense que me entregarei sem antes dizer tudo pelo que passei em sua ausência. Eu direi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Após perfumado e barbeado o homem sai de casa, pega um táxi e se dirige ao local marcado. Como eu poderia esquecer nosso lugar favorito em São Paulo? Desce do táxi, sequer pega o troco, caminha disfarçando sua excitação por saber que, em alguns minutos, estaria diante de Fernando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria fazer planos. Mas já estava tudo perfeitamente idealizado: palavras, perdão e um beijo de reconciliação. Ao entrar no café, fora recebido por uma elegante garçonete que o encaminhou para uma parte mais isolada do ambiente. Sim, eu lembro. Era aqui que costumávamos ficar. Estava feliz. Estava fora de si. Estava a ponto de amar Fernando cada vez mais. Entrou no segundo ambiente do café e sentou-se. Pediu um expresso. Passou a ler e reler o bilhete deixado com o porteiro. Carinhosamente, Fernando. Fora servido seu expresso, estava submerso em lembranças, sorveu o café decorando o que diria a Fernando. E falava em voz alta. Foi então que percebeu outras vozes ao seu redor. Todas as mesas estavam ocupadas. Estranhou. Eram homens e todos seguravam um bilhete azul entre as mãos. Bilhete da mesma cor que também havia recebido. E estavam todos vestidos da mesma forma. Jeans, camiseta branca e calçavam tênis. Alguns grisalhos e outros ainda muito jovens. E estavam todos com o mesmo sorriso débil de esperança. Aproximou-se de um rapaz jovem que olhava o bilhete extasiado e disse: ― Desculpe interrompê-lo, mas você se incomoda que eu lhe pergunte o que há no bilhete? O rapaz sorriu e entregou o bilhete nas mãos do homem que, aterrorizado, sentiu-se enganado, sentiu-se terrivelmente idiota, usado mais uma vez. Sentiu-se cômico, derrotado, um objeto sem valor algum ao ler uma cópia do bilhete que tanto o fez sonhar desde a hora em que o porteiro lhe havia entregado. Quase chorou. Respirou fundo e saiu perambulando feito louco tomando das mãos de todos aqueles homens seus bilhetes azulados e isto causou tamanha confusão no lugar que fora preciso que seguranças o retirassem dali. O homem estava desequilibrado. Dois homens grandes o tomaram pelos braços e o levaram para fora enquanto ele apenas dizia que não era justo e que ele não merecia ser tratado daquela forma. Chorava. E, ao ser levado à calçada, deu de cara com Fernando. Magro, em cadeira de rodas, e levado por uma enfermeira. Fernando estava sem cabelos, olhos fundos, pálido, e respirava por um tubo de oxigênio. O homem parou atônito. Perguntou à enfermeira o que havia com ele e ela respondeu friamente: "câncer. Não há mais o que se fazer". O homem olhou Fernando nos olhos, pensou em dizer algo, mas um sorriso abriu sua cara e deixou a mostra seus dentes amarelados. O homem sorria. Acendeu um cigarro e sentiu-se completo porque, finalmente, encontrara Fernando e agiu como age qualquer amante abandonado, rindo da desgraça e desejando ver o outro à beira da morte, incapaz e triste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rasgou o bilhete ainda na calçada do café e, pela primeira vez em 12 anos, sentiu-se imensamente livre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;span style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://immobilefreedom.deviantart.com/"&gt;Anastasia&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6127509402512719300?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6127509402512719300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6127509402512719300&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6127509402512719300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6127509402512719300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/um-dia-para-fernando.html' title='um dia para fernando'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-h2Ds7TjI_n0/TyYn1wZFq7I/AAAAAAAABTI/AiR0J41flPc/s72-c/Expansion_by_immobileFreedom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-8763631022238082719</id><published>2012-01-25T01:55:00.003-03:00</published><updated>2012-01-25T01:57:45.745-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>à flor de celofane</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-frb0fQc64Jk/Tx-KIroJUrI/AAAAAAAABS4/FlOLZrn5PDA/s1600/WHO___by_Rovi_Jesher.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://3.bp.blogspot.com/-frb0fQc64Jk/Tx-KIroJUrI/AAAAAAAABS4/FlOLZrn5PDA/s400/WHO___by_Rovi_Jesher.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Escrevendo à língua dos poetas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão old fashioned. Me fez chorar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestida feito senhora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo José de Alencar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não dizer amo você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E caminhar pelo parque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia dormindo, outro existindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E colhendo roupas do varal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar filme começar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E xeque-mate do destino:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois de nós consumidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dicionários, passados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E livros&lt;br /&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brando e pardo vértice do querer. Clássica fobia de meus dias. Teimo em animar-te. Teimo em queimar-te. Teimo em cercar-te, ser lácteo e dissoluto. Sofro anônimo e sofro em busca de ti, flavo almo que me faz flabelar cânticos. És vênus celeste dos assírios e árabes. És bernadices de minhas oradas. Lacrimejar e fazer artesanato do que me resta é o que me resta. Vivo de minha plangência. Desbartar tuas fonas, tuas ancas, caminho de minhas auras. Abstenho horas. Vivo de inarmonia e clades de tanto sonhar-te império frêmito, doce vorá. Almo amor que não me faz remir. Balsâmica dor em formas, és premoção dos mais altos anjos e me transforma em élates de toda a força. Não comparto consistórios. Sem vestes de meu tom eclesiástico. Não colho sedução entre vultos. Sou tua fauce em voz maior. Amo absolvido. Amo em tinir em ti, ápiro ser das colinas submersas. Amor antino. Amor veraz. Amor dos algarismos que surgem, desarrazoadamente em mim, escolástico em messe. Revés de mim e meu sorriso comovido de meus visos. Altero discrepâncias para fazer de ti cruvianas do meu elaborar. Vorá, verás que venho do absinto e conjuro em meus átomos. Sou de ti, Vorá de mim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://rovi-jesher.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Rovi-Jesher&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-8763631022238082719?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/8763631022238082719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=8763631022238082719&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8763631022238082719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8763631022238082719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/flor-de-celofane.html' title='à flor de celofane'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-frb0fQc64Jk/Tx-KIroJUrI/AAAAAAAABS4/FlOLZrn5PDA/s72-c/WHO___by_Rovi_Jesher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1351155086553976498</id><published>2012-01-22T02:37:00.000-03:00</published><updated>2012-01-22T16:26:03.322-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>decora o roteiro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DfgsJ3s3HIU/TxufltCVQJI/AAAAAAAABSw/EJr7yfEJ9eo/s1600/goodmorning_by_MisOtrasCosas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="309" src="http://1.bp.blogspot.com/-DfgsJ3s3HIU/TxufltCVQJI/AAAAAAAABSw/EJr7yfEJ9eo/s400/goodmorning_by_MisOtrasCosas.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong2626323566" name="gsSong2626323566" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=26263235&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=26263235&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;span&gt;Luz dos Olhos by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/C+ssia+Eller/136677" title="Cássia Eller"&gt;Cássia Eller&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acontece que aconteceu. E agora Inês é morta. E nós estamos vivos. E eu me encolho toda ao lembrar que não passaria de mais um dia comum se você não tivesse se metido a vir, com sua cara de perdido, amigo, soldado ferido, me visitar. Foi engraçado aquele dia. Conversamos muito até vir a noite e bater vontade de catar o mundo. Você me convidou para sair e disse que a noite seria só de nós dois. Saímos com vontade de beber. Beber e conversar. E veio riso, conversa, vinho que tirava roupa da alma e fomos para outro bar. Você, sempre com seu ar de produto fora de alcance, prateleira mais alta da estante, me olhava surpreso. Ria muito. E eu também. Lembro que nos sentamos de cara, um pro outro. Mesa perto da saída de emergência. Você disse que achava lindo algo em mim. Não retribui elogio. Escapei. Havia placas no lugar. Plaquinhas do tipo conselho avant-garde. Decidi anotar cada frase. Compartilhamos cigarro pelo estreito vão entre as vigas de madeira que cercavam o lugar. Sempre achei que aquele ato, fumar do mesmo trago, foi o início do estrago causado. Era como beijar. E veio mais riso e gente chamando para sentar à mesa e puxar conversar cheia de folga. Eu estava alta de azul e tequila. Você era homem mais que imaginava. Vamos para outro lugar que não quero cara passando a mão em você. E partimos sem companhia. Só nós dois: rindo de medo, frio na barriga, curiosidade em saber o que havia do outro lado do muro que era você, que era eu. Vai me beijar? Minha bravata caiu como luva. E veio beijo longo, completo, boca a boca para nos salvar da solidão. Minha fome era de alguém. A sua era a mesma. Mas já estávamos salvos. Beija outra vez. Agora em público. Duvido que você faça. Fez. Outro beijo. Meio inglês, tímido e educado ao demonstrar afeto. Ri ao ver você com medo de mim. Sou tão indefesa. Mais bebida porque a noite já seguia nos engolindo e a fome aumentava a cada minuto. No carro, o velho amasso desesperado de quem não come há dias. Você me escala, eu engulo você, tira o cinto com pressa, tiro tudo, a luz é forte, vamos para outro lugar. Você dirigia enquanto eu fazia o que não se diz a tantos. Chegamos. Tontos de loucura nós caímos na cama. Corpo meu no corpo seu, algumas ordens para coordenar movimentos, o clima, a fome, à beira do abismo. Mãos na cintura, eu obedeço, mãos no cabelo, eu faço por merecer o que recebo (de você). Mais e sempre a força dentro de mim. Medo e força e olhos fechados para não me ver porque era realmente uma mulher que você comia, que você invadia, que você amava. E chegamos juntos ao extremo. Tombamos na cama. Lembro do cigarro, do trago, da conversa, do silêncio no quarto, da música, um poema dito, mais beijo, tudo caindo no mesmo ritmo, tudo saindo do trilho. E veio dor de cabeça, um adeus esquisito, chá de sumiço e não se fala mais nisso. Sou boa em me calar. A história nem precisava mesmo continuar. Mas eu vou de cara, sem medo, largo na rua meu receio e digo que o seu azar começou faz tempo. Lembra de quando nos conhecemos? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://misotrascosas.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;MisOtrasCosas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1351155086553976498?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1351155086553976498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1351155086553976498&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1351155086553976498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1351155086553976498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/decora-o-roteiro.html' title='decora o roteiro'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DfgsJ3s3HIU/TxufltCVQJI/AAAAAAAABSw/EJr7yfEJ9eo/s72-c/goodmorning_by_MisOtrasCosas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5754911135861710222</id><published>2012-01-18T16:44:00.001-03:00</published><updated>2012-01-20T10:38:57.873-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>trópico explícito (dois)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JKAHb1Rtz0w/TxceuXQxOhI/AAAAAAAABR4/hf0pK4ImrLA/s1600/bed_for_love_by_RunningThroughUrVein.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" src="http://4.bp.blogspot.com/-JKAHb1Rtz0w/TxceuXQxOhI/AAAAAAAABR4/hf0pK4ImrLA/s400/bed_for_love_by_RunningThroughUrVein.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;E além de vós&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Não desejo nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Hilda Hilst)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha palavra ardida de flora feminina ousa dizer que nunca meus lábios beijaram boca tão pura quando a tua que se tornou rua de minha língua passear. De nosso beijo sem epílogo, sem parcos elogios, insiste a vontade que me faz sentir a casta sensação de beijar de novo o homem que mal conheço e me aborrece o azar de querer conhecer por completo. Quero permanecer anônima aos teus discernimentos, aos teus orgulhos, aos teus meros aborrecimentos. Nada quero saber da tua rotina, do teu dia, da tua vida de trabalho e ninharias, de foto de família ou plano feito para vingar. Que nosso vocabulário se permita calar. Calados, colados, moldados pela fome, pelo signo, em nosso trópico explícito, sejamos sempre estranhos em nossos encontros, que nossa cama nunca nos formate atônitos de matrimônio, que a mesa não seja posta, que promessa alguma venha nos encalacrar devotos de um precipício de amar até o fim o que sempre será início. Nada quero saber de teus precários eventos, de teu passado à remendo, de tuas linhas futuras em palmas da mão.  Quero apenas a língua que transpassa a outra língua e que se cruzam unidas trocando saliva em nosso cio imperfeito de amar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Por &lt;a href="http://leticiapalmeira.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Letícia Palmeira&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha palavra fria de fauna masculina ousa dizer que nunca meus lábios beijaram boca tão suja quando a tua que se tornou pia batismal de minha língua se purificar. De nosso beijo de previsível prólogo, sem extenuadas ofensas, desiste o esquecimento que me faz sentir a puta sensação de beijar uma vez que fosse a mulher que conheço melhor que o trajeto do emprego que me sustenta e me aborrece a sorte de já saber de antemão o que jamais desejei ter ideia. Quero permanecer tão exposto quanto alheio às tuas dúvidas, aos teus medos, às tuas várias alegrias. Já sei tudo do teu cotidiano, até da noite, do trabalho e algumas fortunas, algumas fotos sozinha e do amor que não vingou, mas resultou noutro que não há de se acabar.  Que nosso alfabeto ao menos se permita soar. Falados, separados, talhados pela saciedade, pelo ceticismo, em nosso típico exercício, sejamos sempre cúmplices nos desencontros, que nossas linhas descruzadas nunca nos separem satisfeitos da distância, que estejam todos os talheres à mesa, que as promessas se precipitem afoitas na agonia tão grande de fazer desnecessário o amor que será para sempre a sobra. Tudo já sei dos teus miraculosos feitos, do teu futuro brilhante, do teu passado de superação a despeito da inevitável dor marcada em calos nas palmas das mãos, ainda que invisíveis na pele, mas sensíveis à alma. Quero apenas a letra que transpassa a frase e que se cruzam unidas trocando versos em nosso poema perfeito de tanto prosear.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Por &lt;a href="http://donmattos.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Don Mattos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://runningthroughurvein.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;RunningThroughUrVein&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5754911135861710222?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5754911135861710222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5754911135861710222&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5754911135861710222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5754911135861710222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/tropico-explicito.html' title='trópico explícito (dois)'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JKAHb1Rtz0w/TxceuXQxOhI/AAAAAAAABR4/hf0pK4ImrLA/s72-c/bed_for_love_by_RunningThroughUrVein.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6336682079034794795</id><published>2012-01-12T17:53:00.000-03:00</published><updated>2012-01-18T16:45:34.964-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>o leite das pedras</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-csA_KZ0ZIxw/Tw9HbsJVzKI/AAAAAAAABRs/V712-6fIhsw/s1600/Tea_Girl_03orange.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-csA_KZ0ZIxw/Tw9HbsJVzKI/AAAAAAAABRs/V712-6fIhsw/s400/Tea_Girl_03orange.jpg" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Ouvindo Adriana Calcanhotto na sala&lt;br /&gt;Casa limpa&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Dorzinha chata de torcicolo&lt;br /&gt;Vontade de dormir&lt;br /&gt;Mas também quero viver&lt;br /&gt;Na dúvida, eu me meto a escrever&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho escrito muito ultimamente. Ando calada sem calcular os dias. Estou tão inapropriada, assim, nua, autobiográfica. Choveu muito nos últimos dias (mas não quero falar a respeito da chuva). Nem sei sobre o que quero falar. Vocês viram? Saiu no jornal: Mulher bipolar surta e arremessa cães da janela de seu apartamento. Senti pena da mulher. Será presa. Irá parar em algum sanatório e lhe darão tantos remédios que ficarão dormentes as pontas de todos os seus dedos e ela irá se esquecer de si, de tudo, da vida. Os cães estão salvos. Embora mortos, não correm o risco de serem arremessados novamente. Nem todo mal é por todo ruim. Fiquei de escrever para uma amiga que perdeu alguém que amava. Eu diria: embora você esteja triste agora, você vai ver que, em alguns dias, irá sorrir tanto que sentirá câimbras no maxilar. Mas ela não acreditaria. A gente prefere acreditar que a dor irá persistir. Então não escrevi porque de nada iria valer minha palavra. Espero que minha amiga esteja bem. Cruzes. Estou fúnebre. Deixe-me mudar o rumo do dito. Não posso falar de amor (assunto favorito porque todos querer encontrar sentido). Não falo de política. Não me atrevo. Faço algumas críticas muito tolas e prefiro guardá-las para mim. Material escolar é um bom assunto. Tesoura sem ponta, estojo com lápis grafite e borracha. Muita cola. Cadernos e mais cadernos. Eu tenho um filho. Será que já me dei conta disso? Ele me protege. Ele tem o sorriso mais belo que já vi. Ilumina o rosto, a casa, minha idade. Dia desses ficamos na cama conversando. Sem querer eu disse que estava ficando velha. E ele me perguntou se eu iria morrer. Eu disse que sim (Um dia, filho, todo mundo morre. E isto não é ruim). Ele ficou sério, pensativo e seus olhos se encheram de lágrimas. Nos abraçamos. Meu filho tem uma teoria a respeito da morte: Só morre quem já está de cabelo branco. E ele começou a examinar meus cabelos e disse: "Mamãe, você não tem cabelo branco. Não vai morrer". E sorriu aliviado. Eu também sorri, admirando sua inocente sabedoria. Este amor entre mãe e filho, que muitos tentam deixar nas mãos de Freud, vai bem além das teorias. Tenho quase certeza de que este é o amor de deus. E, talvez, todas as pessoas que partiram nos últimos dias, de fome ou de terra que sofre deslize, já estavam de cabelo branco. Um branco que não é visível aos nossos olhos por estarmos cegos de forçar a vida com o nosso vão raciocínio.  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://arwenita.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;arwenita&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6336682079034794795?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6336682079034794795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6336682079034794795&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6336682079034794795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6336682079034794795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/o-leite-das-pedras.html' title='o leite das pedras'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-csA_KZ0ZIxw/Tw9HbsJVzKI/AAAAAAAABRs/V712-6fIhsw/s72-c/Tea_Girl_03orange.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1801930633842135337</id><published>2012-01-09T00:47:00.000-03:00</published><updated>2012-01-18T16:46:47.939-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parafernália'/><title type='text'>monogamia e outras quinquilharias</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-d_Kx-m7-GGg/TwpikN6uAEI/AAAAAAAABRU/nIgOTbogPz8/s1600/Pink_Cloth_by_ARoulette.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="291" src="http://4.bp.blogspot.com/-d_Kx-m7-GGg/TwpikN6uAEI/AAAAAAAABRU/nIgOTbogPz8/s400/Pink_Cloth_by_ARoulette.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como prender em uma redoma uma planta carnívora e ainda esperar que ela sobreviva? Resposta sempre negativa. Nascemos, crescemos, reproduzimos (?) e fim. Esta é a nossa história. Talvez tenha sido assim um dia. Mas hoje, em nosso tempo, nos últimos mil anos ou mais, não vivemos desta forma. Nós queremos o prato cheio e sortido. E, mesmo que provemos todas as iguarias, nada irá nos saciar. Não nos contentamos mais com a sobra de um dia de trabalho e sexo comum 1 + 1 = 2 à luz de um abajur. João conheceu Maria, casaram-se, tiveram dois filhos, João descobriu a beleza da vizinha e Maria se apaixonou pela mulher da padaria. História confusa, não? Talvez seja confusa para uma criança. Mas não para nós, adultos, cheios de fome. Nós sabemos exatamente o que estamos fazendo. Será mesmo que sabemos? Todo mundo trai ou será fator isolado? Traição é algo que só acontece na casa ao lado? O que vejo e presencio e vivencio é uma fome de quem nunca teve na barriga um alimento sequer. É fome de amor, fome de companhia, fome de novidade, fome de alguém que nos diga coisinhas boas de ouvir, novas mãos pelo corpo porque as antigas estão calejadas e já perderam o efeito (Toda tabuada decorada se torna cansativa). O novo é sempre melhor. O outro é mais especial (e maior). E comida de casa não enche barriga. Infringir a lei é nossa atitude favorita. Pensei nisso ao ler uma publicação de uma amiga no facebook. Não pensei duas vezes: curti. É isso que fazemos nos dias de hoje para provarmos que aprovamos. A gente curte. Pensei em monogamia e lembrei de minha mãe chorando ao ler as cartas das amantes de meu pai. Uma mulher de meu tempo não choraria. Ela sairia à caça, ou pediria divórcio ou tentaria, no meio de muitas ameaças e brigas, conviver com a traição. Ninguém mais aguenta ser traído porque traição enche nossa boca de raiva e é preciso revidar. Ninguém mais suporta ficar em casa esperando o amor passar. Nós preferimos ir às ruas. Nunca vi tanta gente à caça quanto tenho visto nos últimos tempos. Eu saio (quase sempre) e vejo os olhos sedentos de todo mundo querendo comer todo mundo. Ontem estive em um bar de minha cidade e, embora avoada de bebida, percebi olhares e revides e disputa. É muita gente querendo gente. No meio de toda a confusão de vozes e música, pessoas se beijavam e depois beijavam outras pessoas e beijavam mais e se engoliam e, queira deus que tenham se comido, porque não há nada pior do que desejar e acabar de mãos vazias. Mas a questão que me faz penar em busca de uma resposta é: O que queremos de verdade? Queremos amor (que nada tem a ver com o sexo)? Queremos afeto (que nada tem a ver com amor)? Ou queremos provar que é de nossa natureza viver abocanhando uns aos outros porque a nossa liberdade nos permite? Que comportamento é este o nosso? Talvez seja tudo fruto da solidão. Talvez seja culpa da igreja católica. Talvez seja questão de tempo. Ou talvez seja pelo simples fato de sermos animais racionais, absurdamente emotivos e carnais, e nos sentimos quase sempre sozinhos mesmo em camas compartilhadas. Casamentos, divórcios e amores à parte, monogamia é questão de escolha: ou você cede e aceita caminhar a dois ou então parte pro mundo e come tudo com as mãos. Entre as duas alternativas, eu escolho a terceira: esta condição que faz de mim uma mulher que beija e acredita que uma noite de orgias não vai resolver nenhum de meus problemas. Porque o tesão passa. A febre um dia se acalma. Solidão sempre haverá mesmo que a gente se doe aos ventos. Eu apenas não quero chegar ao fim de meus dias com uma coleção de fotos de tempos remotos, de beijos falsos e sexo anestesiado de mentira. Sou mulher por outros séculos iludida. Amor de mão única não acontece somente na novela das sete. E, hora ou outra, cada um tem o amor que merece. Ou a solidão que de nós se alimenta e cresce. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://aroulette.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;ARoulette&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1801930633842135337?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1801930633842135337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1801930633842135337&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1801930633842135337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1801930633842135337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/monogamia-e-outras-quinquilharias.html' title='monogamia e outras quinquilharias'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-d_Kx-m7-GGg/TwpikN6uAEI/AAAAAAAABRU/nIgOTbogPz8/s72-c/Pink_Cloth_by_ARoulette.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5501001763896427118</id><published>2012-01-07T17:56:00.000-03:00</published><updated>2012-01-07T17:56:49.615-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>diário de ana b.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-t6FjvqTOkF4/TwiwEQffIaI/AAAAAAAABRE/_y87Qy2kA54/s1600/girl_by_maCGot.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="387" src="http://3.bp.blogspot.com/-t6FjvqTOkF4/TwiwEQffIaI/AAAAAAAABRE/_y87Qy2kA54/s400/girl_by_maCGot.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei. Cocorocó. Galo chato que não morre. Qual será a expectativa de vida de um galo? Talvez 50 anos. Talvez mais. Nada importa. O galo desperta todo mundo. Piso em falso. Ainda me sinto dormente da noite passada. Quem passou a mão em quem? Será que perdi o que já não tinha? Virgindade é mesmo um milagre. Ninguém vê. E todos dizem que existe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oops. Não me apresentei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Let me introduce myself.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou Ana B. Requintada filha da classe média, revoltada sem motivo aparente, brasileira, branca (minha certidão diz que sou parda. O que vem a ser parda?). Quero ser apenas Ana B. Sem sobrenome, sem data, sem muito compromisso e cheia de quinquilharia na cabeça. Sou pano pra manga. E haja truque para tanto tecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem saí. Resumo: comi mais que o permitido. Sou de mão única. Porém, quando meu trem sai do trilho, beijo até mendigo. E isto não é preconceito. É manutenção de meu mecanismo. Meus pais são crentes e leem a Bíblia. Não me revolto por causa deles. Tenho fome desde que nasci. Fome de mim a me ver em outros. Por isso como muito e sofro meus pesares de indigestão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Túlio provou de mim. Aberração aquele cara desbocado se pervertendo em verbos querendo me fazer vingar. Quero não, Túlio. Bebi, mas não enlouqueci. Estou lúcida feito aeronave sobrevoando ares em oceano pacífico. Me deixe. Larguei Túlio na primeira música. Fugi. Sei lá aonde fui parar. Reconheço hematomas de cerca. Pulei cerca que sou ovelha. Porém, não sigo rebanhos. Devo ter rezado missa inteira por alguém. Mas quem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Telefona toca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desculpa. Não gravei seu nome. Cinema. Vou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fomos. Estranho ver aquele cara ao meu lado. E, mais estranho, ouvir sua voz falando da noite passada. Senti vergonha de dizer: não lembro de nada. Eu ando avoada, sabe? Entende? Claro que ele não entenderia. Falei nada. Ri debochada (Atriz de novela mexicana fingindo surpresa com ponto no ouvido para não esquecer a fala). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante o filme senti vontade de morrer. Me senti enjoada. Da vida, da caça, da vontade de estar em destaque no meio de tanta gente. E aquele cara estranho ao meu lado? Alguém me explica por que me desobedeço tanto? Eu não queria estar aqui. Isso não é fim que eu mereça. Sou Ana B. Mereço fim em Capital Letter e bons créditos por saber viver muito. E, se não me lembro do que vivi, é como se não tivesse vivido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do cinema, conversa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como foi?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se divertiu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito. (menti)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ontem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostei. (menti)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você é perfeita, sabia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, você sabe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pior é que eu não sabia. E vou continuar sem saber. Saí do cinema e voltei pra casa. Tão apática minha sinfonia de querer dançar e acabar sem par algum. Deitei em minha cama. Luz do quarto apagada. Dormi e acordei. Será que alguém pode me dizer por onde andei?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus pais tomam café. Sou Ana B. Classe média. Brasileira parda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Objetivo: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que mais posso fazer além de viver?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;a href="http://macgot.deviantart.com/"&gt; &lt;span style="color: #0b5394;"&gt;maCGot&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5501001763896427118?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5501001763896427118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5501001763896427118&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5501001763896427118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5501001763896427118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/diario-de-ana-b.html' title='diário de ana b.'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-t6FjvqTOkF4/TwiwEQffIaI/AAAAAAAABRE/_y87Qy2kA54/s72-c/girl_by_maCGot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1717003496022461155</id><published>2012-01-02T00:51:00.000-03:00</published><updated>2012-01-02T00:54:15.766-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carpideira</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZWU81q2_ZSU/TwEoiTI6pNI/AAAAAAAABQ8/eK8Lpb25ZWg/s1600/nella_vasca_da_bagno___oil_by_vernice61-d380ck2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="331" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZWU81q2_ZSU/TwEoiTI6pNI/AAAAAAAABQ8/eK8Lpb25ZWg/s400/nella_vasca_da_bagno___oil_by_vernice61-d380ck2.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong389387273" name="gsSong389387273" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt; &lt;param name="wmode" value="window" /&gt; &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt; &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=3893872&amp;style=water&amp;p=0" /&gt; &lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt; &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt; &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=3893872&amp;style=water&amp;p=0" /&gt; &lt;span&gt;Nude by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Radiohead/15" title="Radiohead"&gt;Radiohead&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ao som das carpideiras que rasgaram fotografias e vidas inteiras".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Marcelo Novaes)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 1: estaca zero. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontro marcado com algum mistério íntimo. Inflado, o ego apóia-se sobre um livro. Murcho, desliga o telefone. Entre o vinho e o beijo de língua, ficou nada. A equação mais desgraçada que já fiz desde os tempos da mísera matemática de escola. Eu tenho tanto a dizer que não cabe na boca tanta palavra. Por isso desertei. Não falo. Estou escondida e tripudio multidões que sorriem gastas de alegria forjada. Eu não sou feliz. Sou algo além de mim e eu não saberia definir o que sinto. Ontem percebi que é inútil fazer canoas. É preciso aprender a nadar. Percebi também que tenho forte trato para com o outro. Às 4 da manhã presenciei acidente de moto. Eu precisava ajudar o próximo. Corri e segurei a mão de um homem que nunca vi em minha vida. Caído, em poça de sangue, o homem se preocupava com tudo: minha carteira, meu celular, eu não tenho habilitação. Eu menti dizendo ser enfermeira. Eu queria deixar um pouco de tranquilidade no ar inóspito da cena. Perguntei o nome. Alguém para quem eu possa ligar? E, de repente, um sorriso. O homem estava bem. Bebida e direção. Sexo sem proteção. HIV nunca vai sair de moda, pensei. Voltei pra casa, café-da-manhã no jardim. Bêbada do mais alegre pileque, eu sorri. Acordei fuzilada por uma ressaca que encara e diz: E aí? Que há de novo? Dormi o dia inteiro. Encolhida feito um caracol, caramujo, lesma. Arrastei-me ao banheiro, tomei o banho mais completo de uma vida inteira, pensei em sexo de forma inflamada e molhei as plantas. Não li jornal, não penso em revelar fotos, não quero mais me esquecer nos braços mortos de alguém. Quero transgredir-me. Há quem pense que transgredir é viver espalhafato, viver desvairado, vestir camisa ao contrário. Tenho dó desses parcos coitados. Transgredir é aguentar-se e só.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://vernice61.deviantart.com/art/Nella-vasca-da-bagno-oil-194851730"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;vernice61&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1717003496022461155?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1717003496022461155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1717003496022461155&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1717003496022461155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1717003496022461155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2012/01/carpideira.html' title='carpideira'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZWU81q2_ZSU/TwEoiTI6pNI/AAAAAAAABQ8/eK8Lpb25ZWg/s72-c/nella_vasca_da_bagno___oil_by_vernice61-d380ck2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5138689647998765746</id><published>2011-12-30T11:45:00.002-03:00</published><updated>2011-12-30T13:49:44.360-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>passado a limpo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2H4KcNFOjSQ/Tv1cufBhvdI/AAAAAAAABQw/AjGM9lLzMVY/s1600/Journey_by_Slawekgruca.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://3.bp.blogspot.com/-2H4KcNFOjSQ/Tv1cufBhvdI/AAAAAAAABQw/AjGM9lLzMVY/s640/Journey_by_Slawekgruca.jpg" width="416" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Não estamos alegres,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;é certo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;mas também por que razão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;haveríamos de ficar tristes?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;O mar da história&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;é agitado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;As ameaças&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;e as guerras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;havemos de atravessá-las,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;rompê-las ao meio,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;cortando-as&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;como uma quilha corta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;as ondas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Maiakóvski)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mudei? Meu endereço é o mesmo de anos atrás: rua tal, número 449, bairro e CEP. Tudo igual. Este ano renovei meu RG. A foto estava tão antiga que quase não me deixaram embarcar na última viagem que fiz. Eu ri para o cara do balcão da companhia aérea. Ri porque é assim que passo os dias: rindo. Sou a verdadeira boba alegre. O mundo inteiro entrando em combustão, e eu, bestamente, rindo. Mas eu preciso dizer que mudei. O chip de meu celular, ao menos. O número. Eu precisei mudar de número para fugir de algumas vozes que eu não precisava mais ouvir. Mas as vozes voltaram. Tolas, mentirosas, amavelmente mentirosas, elas voltaram. Mas o ano está acabando e devo mudar algo. Mas o quê? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é o ano que está acabando. Somos nós que estamos atravessando o tempo (como uma quilha corta as ondas). Sempre gostei desse trecho na voz do João Bosco. Eu costumava ouvir essa música deitada no chão de meu quarto, no escuro, olhando as estrelas pela janela. Hoje não ouço mais. Mas ainda deito no chão. Gosto de fazer as coisas mais simples do mundo: observar criança andando de bicicleta, ver meu filho assistir tevê e rir dos desenhos animados e gosto muito de ver o pôr-do-sol. Tão simples e tão belo o sol se encondendo para a chegada da noite. Gosto de ouvir música com meus headphones comprados em um supermercado em Maceió. E adoro reprisar filmes. Sou quase a mesma de antigamente. E a diferença não está em meus cabelos (lembrei de uma propaganda antiga). A mudança não está somente em mim. Vejo que mudei através das pessoas com quem convivo. Meu pai mudou. Está mais envelhecido e mais gentil. Minha mãe está cada vez mais avó (Sempre a andar com seus netos, a ir à igreja, sempre a fazer bolos). Meus irmãos agora conversam a respeito de remédios e melhores formas de investir dinheiro. Antes brincávamos soltos no quintal. Meu filho chorava em meu colo quando tinha pesadelos. Hoje ele acorda e vai sozinho à cozinha, toma seu copo d’água e volta a dormir. A rua onde moro não era pavimentada quando cheguei aqui. Mas agora há enormes paralelepípedos ao longo do caminho. E minha casa está menor. Quando me mudei eu não tinha tantos móveis. Agora que o tempo está passando, acumulo coisas. Algumas completamente inúteis. Mas é preciso ter coisas inúteis para que nossa existência tenha do que reclamar. Já imaginou fazer uma faxina de fim de ano em casa e não ter nada para jogar fora? Nem um móvel antigo para doação? Por isso nos entupimos de coisas? Para nos desfazermos delas? Antes não havia samambaia, penduricalhos, e eu não sentia medo de ladrões. Comprei cadeado e durmo trancafiada acreditando estar segura. Ainda me iludo. Quanto a isto, não mudei. E continuo me apaixonando por causas e pessoas. Neste ano que já está se despedindo de nós, ajudei pessoas, aniquilei outras e publiquei um livro. Esqueci de fazer agradecimento a quem mais merecia (sou egoísta e incrivelmente mal agradecida). Fiz festa, chorei perdas, reclamei da vida, vivi um amor às escondidas e paguei altos preços por minha débil mania de ser humana. Há que se aprender a lidar com isso. Eu preciso. Conheci pessoas. Algumas chatas, muito chatas, assumidamente achatadas. Conheci também pessoas quadradas, retangulares e arredondadas nas bordas. E, entre todas, ainda prefiro as que se moldam aos formatos. São as melhores. São como água. Escrevi algumas histórias. Inventei algumas mentiras, trai muitas vezes e percebo agora: Meu deus, eu mudei. Não sei quando. Não sei como. A que horas ocorreu tal evento? Eu mudei. E não é a mudança de dígitos em um calendário que me diz isto: é o olhar de fruto amadurecido que me fita ao espelho cada vez que penteio meus cabelos. Sou eu quem digo: menina, você é uma mulher. Agora é por sua conta. Então nós todos mudamos. Alguns mudaram de casa, de plano, de amor, de faixa etária, de vida, alguns morreram, outros continuam famintos, e muitos ainda não perceberam suas mudanças. Mas elas acontecem. E, como ouvi certa vez, mudanças ocorrem sem impedimentos. São obrigatórias, subcutâneas, sanguíneas, submarinas e subterrâneas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Ano Que Chega&lt;br /&gt;E adeus ano que atravessamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://slawekgruca.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Slawek Gruca&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5138689647998765746?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5138689647998765746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5138689647998765746&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5138689647998765746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5138689647998765746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/passado-limpo.html' title='passado a limpo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2H4KcNFOjSQ/Tv1cufBhvdI/AAAAAAAABQw/AjGM9lLzMVY/s72-c/Journey_by_Slawekgruca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6506202071086176280</id><published>2011-12-27T16:14:00.000-03:00</published><updated>2011-12-28T02:04:12.786-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>amadores</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JFqc8n1ahwQ/TvoXvf4nLDI/AAAAAAAABQk/KtgBHe0Wj8Q/s1600/secrets____by_livestagefiction-d3bam5n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-JFqc8n1ahwQ/TvoXvf4nLDI/AAAAAAAABQk/KtgBHe0Wj8Q/s640/secrets____by_livestagefiction-d3bam5n.jpg" width="425" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong188493615" name="gsSong188493615" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=18849361&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=18849361&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;span&gt;Drifters by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Patrick+Watson/4964" title="Patrick Watson"&gt;Patrick Watson&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou falar de amor. Em um minuto ou dois. Tudo depende da velocidade do beijo, do medo, da ríspida indiferença em disfarce. Tudo depende da mordida em bela fruta, seus dentes, minha boca, a tensão. Fala-me ao ouvido. Gorjeia o pássaro sombrio homem em minha fala de mulher. Treme ao ouvir meu canto, rasga meu recato, aflora meus espaços e, em breve, tudo mais será nós dois. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;― Como se escreve uma carta de amor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;―&amp;nbsp;Toda carta se inicia pela data.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não gosto de datas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Você não gosta de nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Gosto de falar baixo, gosto de gente perversa e de ver, diluídos ao sol, imensos cubos de gelo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Como quer começar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Que tal dizer um Olá?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Olá? Isso não se diz em carta de amor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― E o que se diz em carta de amor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não sei. Menos olá. E a carta é sua. Escreva. O amor é seu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Vou começar pela data.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Dezembro, mês cara de pau, vem atropelando o tempo...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Muito metafórico isso, não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― É. Meu amor é burro. Ele nunca vai entender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Vai. Tenta de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Dezembro. Sinto vontade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Bom.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Gato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Gato? Quem, neste mundo, gostaria de ser chamado de gato?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Que tal felino? Que tal Meu Querido Thunder Cat?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;(Risada&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-size: large;"&gt;Risada&lt;/span&gt;. Risada)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Escreve. Vou ditar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Dita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Meu bem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Meu bem? Meu amor não é meu bem. Meu amor é outra coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― E o que é então?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Meu amor é tudo (exceto aqueles cartõezinhos com aquele casal de bonecos pelados). Meu amor não é brincadeira. Está mais para bandidagem. Ele me fere, volta, me esnoba, eu entro em revolta, a gente morre de ciúme e briga feio. Um dia a gente ainda cai na cama. Dragão engolindo dragão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Vai. Escreve isso tudo que você me falou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Já era. Não consigo repetir. Perdeu o sentido após ser dito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Você é louca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Sou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― A carta. Escreve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― P. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― P?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― É a inicial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Mas o nome não começa com G?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não. G é coisa do mês passado. Agora é P de pavio, de prego, de palavra. P de pirata. P de pato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Como se pode amar assim tão rápido em tão pouco tempo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Um mês não é pouco tempo. São trinta dias, divididos em horas, minutos, segundos, outras bocas e outros olhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Você é louca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Sou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Então inicia com p (de porra). E o que mais vai escrever?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;(Pausa para o pensamento vagar mais) &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não sei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Já é tarde. Vou embora. Fica aí com essa merda de carta. Você é neurótica e metódica. Era só escrever um poema, uma citação... Qualquer coisa. Já que você ama tanto e todo mundo, não faria diferença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Faria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Faria?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Fica mais um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não posso. Amanhã acordo cedo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Então vai. Mas leva a carta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― O quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Eu já disse tudo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não entendi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Eu te falei que meu amor era burro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corado o rosto de surpresa e, contentes entre dentes, se beijaram no quarto andar. Descobriram que palavra fica em segundo plano. Amor é carta em branco. De toda cor, espécie e tamanho. Acordaram lado a lado no dia seguinte. Cúmplices. Pedintes. Similares medindo pesos e quantidades. Passaram seis meses juntos. Fizeram muitos planos. E depois terminaram o que era romance. Um mudou de prédio para não olhar mais na cara. O outro encontrou amor novo em folha. Hoje mal se esbarram. Mas passaram a trocar cartas. Datadas, cheias de palavras e, de amores,  silenciosamente nostálgicas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://livestagefiction.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Kelsey J. Wilson&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6506202071086176280?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6506202071086176280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6506202071086176280&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6506202071086176280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6506202071086176280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/amadores.html' title='amadores'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JFqc8n1ahwQ/TvoXvf4nLDI/AAAAAAAABQk/KtgBHe0Wj8Q/s72-c/secrets____by_livestagefiction-d3bam5n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7746399833784816230</id><published>2011-12-23T00:07:00.001-03:00</published><updated>2011-12-23T02:36:42.462-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>o diário de anton</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-v69X7fSn2WU/TvPvW60yX7I/AAAAAAAABQM/sRzT_AneDZA/s1600/smoking_for_one_by_alfred24-d4afwp3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://1.bp.blogspot.com/-v69X7fSn2WU/TvPvW60yX7I/AAAAAAAABQM/sRzT_AneDZA/s400/smoking_for_one_by_alfred24-d4afwp3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong2887589865" name="gsSong2887589865" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=28875898&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=28875898&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;span&gt;Try A Little Tenderness by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Otis+Redding/2289" title="Otis Redding"&gt;Otis Redding&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não recebi cartões de Natal. Tampouco presentes. Mas estou feliz. O ano foi bom. Embora eu tenha perdido dois amores, me sinto completa. Um deles morreu de infarto e, o outro, eu mesma matei. Com minhas próprias mãos. Otávio era gentil e leal. Um homem sui generis. Tínhamos um relacionamento perfeito. Ele estava sempre a minha disposição. Costumávamos caminhar todas as manhãs, mesmo antes do café, cheios de fome, nós caminhávamos. E conversávamos a respeito de tudo. Desde assuntos familiares as nossas horas de cama, mesa e montar a fêmea do rebanho. Eu o amava de verdade. Mas ele morreu. Certo dia ele não apareceu para o nosso passeio e liguei para sua casa. Como ele não atendia, decidi passar por lá e ver o que havia de errado. Bati três vezes e ninguém respondeu. Apenas o cachorro latia e grunhia a minha presença.  Uma senhora, vizinha de Otávio, percebeu meu ar de preocupação e chamou seu filho para pular o muro e certificar-se de que Otávio não estava em casa. Mas o carro estava na garagem. Mas a casa estava trancada por dentro. Mas o corpo estava imóvel na cama. Foi então que chamamos o corpo de bombeiros, polícia e, logo, a casa estava cheia de gente estranha que não conhecia Otávio e eu, no canto, calada sem acreditar em nada, ouvia alguém ressoar o laudo: infarto. Chorei. Enterrei meu namorado e parti pra outra. Ou outro. Anton, escrito assim mesmo, era alemão. Homem culto, bonito e cheio de desembaraço. Fui arrebatada por ele desde que o vi pela primeira vez. No enterro de Otávio, ele chorava por seu amigo brasileiro. Senti tanta compaixão por ver aquele homem chorar que me encantei. É bonito ver homem chorar. Meu instinto materno berrava por aquele homem. Meu corpo queimava por ele. Anton veio me dar condolências. Ele sabia de meu relacionamento com Otávio. Aproveitou para me convidar para tomarmos um café (eu estava abatida, segundo Anton). Precisava respirar. Enterramos Otávio e saímos juntos. Bebemos e fumamos. E Anton fumava lindamente. Nunca vi um homem fumar de maneira tão perfeita. A fumaça dançava ao seu redor e ele falava e mais fumaça saia de suas narinas e eu me embriagava com a sua voz e eu o queria tanto. Quatro horas após o enterro de Otávio estávamos, Anton e eu, fazendo amor. O corpo do homem era uma verdadeira escultura. Tão belo vestido. Tão belo despido. Suas costas eram claras, assim como o resto de seu corpo, sua boca avermelhada e sua barba lhe davam ares de deus. Eu estava fazendo amor com deus. Era sempre assim. Anton não caminhava, não estava a minha disposição noite e dia e costumava desaparecer de vez em quando. Descobri que Anton mantinha família na Alemanha e outras mulheres por todas as cidades que havia passado. Descobri tudo lendo seu diário amarrotado de tantas vezes que ele escrevia a respeito de sua vida. Anton havia saído para comprar jornal e fiquei sozinha em seu apartamento. Vi o diário e não hesitei: eu li. A cólera me tomou o corpo inteiro. Ele me citou apenas uma vez em seu diário. Li um trecho em que ele dizia quase sentir amor por mim. Eu chorava ao ler isto. Ele quase me ama? Não consegui parar de ler. Cólera, ódio, desespero. Cai em pranto quando li uma página datada do dia do enterro de Otávio, em fortes palavras escritas por Anton, que sabia que me teria facilmente. Sublinhou-se ao dizer que mulher sem homem é sempre a mais faminta. E falava de outras mulheres. Falava e guardava fotos entre as páginas. Mulheres nuas, mulheres baixas, feias, lindas, velhas, moças. Anton não tinha limites. E, para todas as mulheres, um nome apelativo: Flor, Sueca Curvilínea, Deusa da Argentina e outros nomes. Mas um me fez sofrer profundamente. Havia uma mulher que ele costumava chamar de Amor Meu. Enlouqueci ao ler aquilo. Eram páginas inteiras devotas a esta mulher. Havia citações, poemas, fotos de meu Anton. Cólera, ciúme, eu o mataria. E, enquanto eu me tornava mais furiosa, Anton entrou em seu quarto sorrindo. Veio em minha direção e eu, sentindo-me traída, o apunhalei com uma tesoura. Enfiei a tesoura muitas vezes no corpo de Anton. Ele sangrou muito. Eu chorei. Ainda me deram o direito de ir a seu enterro. E agora estou na prisão. Ainda amo Anton. Mais que antes. E principalmente após ler o seu diário até o fim. Descobri a quem ele se referia quando escrevia Amor Meu. Ele se referia a mim. Havia fotos minhas nas páginas seguintes. Fotos tiradas enquanto eu dormia. Fotos de nossas mãos unidas na cama. E sempre que adormecia ele tirava fotos minhas. E também havia uma lista de planos. Anton iria me dizer de sua vida na Alemanha. De sua família. Ele iria me pedir em casamento e ficaríamos juntos. Eu li tudo após, tranquilamente, ligar para a polícia e dizer de meu crime. Sentei-me na cama e terminei de ler seu diário. Anton estava morto no chão banhado em sangue e eu não mais chorava. Eu sorria enquanto ele sangrava. Afinal de contas, Anton me amava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://alfred24.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;alfred holguin jr&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7746399833784816230?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7746399833784816230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7746399833784816230&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7746399833784816230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7746399833784816230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/o-diario-de-anton.html' title='o diário de anton'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-v69X7fSn2WU/TvPvW60yX7I/AAAAAAAABQM/sRzT_AneDZA/s72-c/smoking_for_one_by_alfred24-d4afwp3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2000987819132714764</id><published>2011-12-21T12:15:00.000-03:00</published><updated>2011-12-21T12:34:47.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>sexo por telefone?</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-P0_vF4OHTRk/TvH2GiZkz7I/AAAAAAAABPo/GmRj8MEVAuI/s1600/Bath_Phone_by_brattkin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="295" src="http://2.bp.blogspot.com/-P0_vF4OHTRk/TvH2GiZkz7I/AAAAAAAABPo/GmRj8MEVAuI/s400/Bath_Phone_by_brattkin.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong3002089035" name="gsSong3002089035" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;     &lt;param name="wmode" value="window" /&gt;     &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;     &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30020890&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;     &lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;     &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;     &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30020890&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;     &lt;span&gt;Só Se For A Dois by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Cazuza/12204" title="Cazuza"&gt;Cazuza&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu nome é Gabriela. E todos me chamam de Gabriela. Eu nunca quis ser chamada de Gabi. Moro sozinha, no centro da cidade, bem pertinho do Mercado Central. Estudo Ciências Sociais, trabalho 8 horas por dia e tenho 28 anos. Posso dizer que sou feliz porque, até hoje, nada de tão grave me ocorreu. Duas ou três mortes na família não são suficientes para fazer de alguém uma pessoa infeliz. Sou feliz. Mas tenho momentos de não estar feliz. Assim como todo mundo. Não pago minhas contas em dia, ligo para meus pais esporadicamente, frequento festas quando tenho vontade e também quando não estou nem aí. Como pode ver sou normal. Ou quase. Porque não faço o que muitos fazem e se dão por satisfeitos. Percebi meu problema há dois dias: NÃO SEI FAZER SEXO PELO TELEFONE. Simplesmente não consigo. Não sei o que tenho de errado. Dei o número do meu telefone para um cara que conheci. Gostei dele e dei meu número. Ele passou a me ligar sempre. Quase todo dia. E, já na segunda ligação, começou a gemer. Pensei que ele estivesse bêbado. Mas não. Ele estava excitado. Como assim excitado? Sem toque, nem nada? Mas ele estava. Ou disse que estava. E começou a gemer e a dizer que me queria ("com a voz terna, cheia de malícia"). Te quero, quero você pra mim, estou tocando você, abre bem as pernas, agora estou chupando você. Meu Deus que perdoe porque não consegui seguir o ritmo. Fiquei deitada em minha cama tentando imaginar aquele cara me beijando, me tocando, me tudo. Tentei me sentir como ele estava se sentindo. O cara estava gemendo e se acabando fazendo coisa que menino de 16 anos faz trancadinho no banheiro pra não morrer de vontade. Fiquei toda torta fingindo estar excitada. Vai, faz assim, me beija, bem molhada. Só de pensar entro em paranoia. Porque o cara estava a mil por hora e eu me senti uma mula cansada de correr. O cara perguntou por que eu ficava em silêncio enquanto ele me dizia todas aquelas coisas. Eu calei ainda mais. "Você é recatada, sabia? Cheia de medo, de frescura, cheia de pudor. Você é frígida!". Gente, isso me feriu. Não muito. Mas feriu. O cara meteu a cara em assunto sagrado: SEXO. Eu gosto de sexo. Faço sexo. Conjugo sexo. Mas não quis me explicar. Afinal de contas, só nos conhecíamos por telefone e eu não sabia bem o que dizer. O cara estava ali, todo se gemendo, dizendo que estava sentindo meu corpo na ponta dos dedos, e eu, nada. Fiquei calada. Por isso o cara deduziu que eu sou frígida. Mas ele sequer me conhecia. Por isso eu preciso dizer que, por telefone, meu caro, só cobrança, só fala de mãe, só conversa de amigo. Marco até encontro, dou vexame dizendo que não estou, dou risada. Mas sexo, trocar saliva por saliva, beijar na ponta da língua, só faço ao vivo. Se amor e sexo estão para as pessoas assim como o piso está para os pés, digo a você que não sou cheia de pudor, nem recatada, nem porra nenhuma dessa sua imaginação fértil de me ver na sua frente sem ao menos saber quem eu sou. Na verdade, meu caro, sou da antiga escola que acredita que "amar de verdade só se for a dois". Sexo por telefone não excita. É saída de emergência para gente que tem medo, que se acha feia, ou vive em segunda pele outro tipo de vida. Eu vivo o dia. E, além do mais, não quero provar meu anti-recato, meu despudor, minha vagina em webcam. Na verdade, meu caro, percebo agora que o frígido aqui é você.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://brattkin.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Sam Brett-Atkin&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2000987819132714764?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2000987819132714764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2000987819132714764&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2000987819132714764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2000987819132714764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/sexo-por-telefone.html' title='sexo por telefone?'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-P0_vF4OHTRk/TvH2GiZkz7I/AAAAAAAABPo/GmRj8MEVAuI/s72-c/Bath_Phone_by_brattkin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7992957836023264189</id><published>2011-12-17T20:28:00.000-03:00</published><updated>2011-12-17T20:36:59.952-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>o reflexo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MULN11ne2Zk/Tu0h_oaYE_I/AAAAAAAABPc/FmxT__wKp0c/s1600/audrey_eye_detail_by_ileana_s-d4ikuk1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-MULN11ne2Zk/Tu0h_oaYE_I/AAAAAAAABPc/FmxT__wKp0c/s400/audrey_eye_detail_by_ileana_s-d4ikuk1.jpg" width="396" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai para encontrar uma amiga.&lt;br /&gt;Volto tarde. Não precisa me esperar. &lt;br /&gt;Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixei o bilhete na porta da geladeira preso por um imã em formato de margarida. Tão bonito. Mas não foi tão simples assim. Para escrever o bilhete precisei de muita coragem, olhei a foto de Marco Antonio muitas vezes e lembrei de suas pernas grossas e de sua boca carnuda. Foi o necessário para que eu inventasse uma mentira e escrevesse o tal bilhete. Me arrumei e sai. Dirigi por 30 minutos até chegar à loja de lingerie. Eu encontraria Marco Antonio e não poderia estar simplesmente vestida. Eu precisava estar linda (muito embora eu nunca tivesse vestido lingerie em minha vida). Tenho apenas calcinhas enormes e sutiãs que seguram meus grandes seios. Nada mais que isso. Não gosto de apelar para artifícios. Mas, por Marco Antonio, faço. Entrei na loja e fui recebida por uma vendedora que esboçava sorriso falso na cara. Olá. Em que posso ajudar? Eu disse apenas que estava olhando.  Percebi, neste instante, o quanto sou recatada. Eu sou uma revolucionária de anáguas. Senti vergonha por estar ali em busca de roupas apelativas que salientassem peito, bunda e quadris. Disse à vendedora que buscava algo diferente. Ela sorriu. Sei exatamente o que procura, ela disse. Despejou, em uma mesa de tampo de vidro, diversas peças com estampa de oncinha, pretas, brancas, corselets, cintas-ligas, sutiãs extravagantes e calcinhas minúsculas. Corei. Eu não vestiria aquilo. Deve ser desconfortável, falei. A vendedora riu. Querida, desconfortável é ver seu homem com outra, não acha? E a vendedora disse isso e ainda sorriu. Eu odiei aquela mulher. Quadrúpede imbecil. Eu já estava pensando em ir embora quando ela me mostrou um tipo de penhoar e um belo conjunto de corpete e calcinha em tons de pérola. Que tal? Gostou? Perguntou a mulher. E eu sorria discreta olhando a peça. Realmente eu havia gostado. Posso provar? Mas é claro. Com a roupa de baixo, salientou. Entre ali naquele provador. Apontou para o canto esquerdo da loja. Tudo era muito exageradamente cor de rosa. Desde o uniforme das vendedoras às cortinas e tapetes do lugar. Senti náuseas. O mundo não é cor de rosa, pensei. Mas era tudo por Marco Antonio. Eu poderia fazer tudo por ele. Entrei no provador e fiquei nua. Só de calcinha. Comecei a provar as peças. Meti a calcinha pelas pernas, enfiei o corpete pelo pescoço e me senti estufada. Algo estava errado. A vendedora vociferou do lado de fora do provador:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;― Querida, quando vestir o corselet me avise para que eu possa ajudá-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Me senti burra. Eu não sabia vestir aquilo. Tirei o corpete e abri a porta do provador para que a vendedora me ajudasse. Sorri de forma tímida, mas não deixei que meu embaraço fosse percebido. Ela sorriu e me ajudou puxando um laço que envolvia todo o corpete. Olhe. Ficou lindo em você. Eu estava pérola. E realmente me senti bonita. A vendedora ainda me bajulou falando de meu corpo. Eu apenas me olhava no espelho. Enquanto a mulher falava, eu me observava atentamente. Soltei os cabelos para me ver melhor. Meus quadris estavam delicadamente pecaminosos e curvilíneos. Minhas coxas me surgiram simétricas e fortes e grossas. Assim como minhas pernas que pareciam mais longas, tão lisas e atrevidas. Minha pele estava macia. Eu me senti carne de ovelha, deliciosa quando se mastiga. Meus seios estavam belos e arredondados. Minha forma estava completa e meu rosto iluminado de mim mesma. Meus cabelos me pareceram mais negros e emolduravam meu rosto corado e secreto. Minha beleza estava ali, em mim. Comprei a lingerie e voltei para casa, rasguei o bilhete e esperei que meu marido chegasse para minha nova estreia. Marco Antonio que se danasse. Ele não merecia a mulher que eu havia me tornado de forma tão veloz após ver meu corpo vestido em tons de pérola. Me esbaldei no corpo de meu marido, enquanto Marco Antonio me esperava em um quarto de motel coberto de mofo e vazio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;span style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://ileana-s.deviantart.com/"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Ileana Hunter&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7992957836023264189?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7992957836023264189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7992957836023264189&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7992957836023264189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7992957836023264189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/o-reflexo.html' title='o reflexo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MULN11ne2Zk/Tu0h_oaYE_I/AAAAAAAABPc/FmxT__wKp0c/s72-c/audrey_eye_detail_by_ileana_s-d4ikuk1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4894078383031636323</id><published>2011-12-16T02:51:00.000-03:00</published><updated>2011-12-16T03:30:56.063-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>solitários</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5_WHcmrX5os/Turki0OlZ2I/AAAAAAAABPQ/607lBDU6L1E/s1600/bench_party_by_invent_a_shell.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="245" src="http://1.bp.blogspot.com/-5_WHcmrX5os/Turki0OlZ2I/AAAAAAAABPQ/607lBDU6L1E/s400/bench_party_by_invent_a_shell.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Solitários quase sempre buscam companhia em bancos vazios, planejam amores nas sufocadas vozes em longos telefonemas fora de alcance e morrem nadando em mares de tantos peixes. Todo solitário é masoquista. Castigam sua dor fazendo reverência a reis depostos, inflam balões para festas que nunca serão convidados e invejam camas onde nunca irão desabar cansados do êxtase que não houve. Solitário é sempre vítima de abandono. Autoflagelado que chora egoísta por uma visita, uma mão que o contorne em traços, um abraço convulso de paixão. Solitário é sempre o cão banido de casa. Um espetáculo de pessoa que desmorona em autopiedade frente ao espelho, chora na quina do quarto e sorri quando amanhece e veste a máscara da espera por outro dia que começa e por alguém que talvez interrompa seu estado mórbido de sofrimento. Todo solitário é mais humano.  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://invent-a-shell.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Antonia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4894078383031636323?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4894078383031636323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4894078383031636323&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4894078383031636323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4894078383031636323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/solitarios.html' title='solitários'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5_WHcmrX5os/Turki0OlZ2I/AAAAAAAABPQ/607lBDU6L1E/s72-c/bench_party_by_invent_a_shell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6581798903306851928</id><published>2011-12-13T23:43:00.001-03:00</published><updated>2011-12-17T20:29:39.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>tarja preta</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-GfDVdnzBOGo/TugI8nJfFiI/AAAAAAAABOk/jZdUu4-OByQ/s1600/A_Very_Good_Kiss_by_reggieisadork.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-GfDVdnzBOGo/TugI8nJfFiI/AAAAAAAABOk/jZdUu4-OByQ/s400/A_Very_Good_Kiss_by_reggieisadork.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que fique claro como o sol refletido em poça d’água: não tenho medo de tanta coisa assim. A não ser de barata, de gente afetada e de homem que me cumprimenta sem saber quem sou. Boa educação não me aquece. E seu corpo também não. Após nos esbaldarmos mendigos morrendo de sede, direi, enfim, o que desejo. Talvez um disco do Paul McCartney. Talvez eu queira terminar de dizer aquela frase. Ou talvez eu me permita ficar calada. Em boca fechada não entra nada. Nem língua, nem mosca, nem sobra de vontade requentada. Não suporto resto. Nem foto recortada que é para doer menos o que tanto ameaça. Já reparou que estamos sempre em temporada de caça? Queremos, caçamos, usamos, partimos e mais egoístas nos tornamos. Sequer respeitamos restos mortais. E ainda reclamamos de tudo dizendo que sofremos, que morremos, que somos vítimas, que poderíamos ser felizes. Mas como ser feliz? Quem nos diz? Como ser algo sem saber que é este o momento, que está acontecendo, que estamos conseguindo? Não há receita. Ou pista.  Não estamos jogando Detetive na mesa da sala de jantar da casa de nossos pais. Coronel Mostarda deixou a biblioteca trancada. Não houve crime. Houve nada. Estamos em nossas próprias casas, valorizando pessoas sem graça, alimentando sonho comido de traça e forjando riso para dizer em voz alta o quanto é satisfatória a vida que levamos. Somos hipócritas? Somos humanos. E conheço gente que evita cocaína, mas se entope de tarja preta. Somos humanos e contraditórios. Loucos pela vitória cultuamos a derrota para que possamos chorar nossos minguados e adoramos fazer sofrer o próximo para que valha a pena nossa esmola. E sobre o que eu falava? Já não lembro. Minha boca fechada se abriu e agora beija a sua que reclama o tempo todo porque você está sempre faminto por excessos e me devora farto de barriga cheia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://reggieisadork.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Reggie Mace&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6581798903306851928?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6581798903306851928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6581798903306851928&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6581798903306851928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6581798903306851928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/tarja-preta.html' title='tarja preta'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-GfDVdnzBOGo/TugI8nJfFiI/AAAAAAAABOk/jZdUu4-OByQ/s72-c/A_Very_Good_Kiss_by_reggieisadork.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-8420010561644160343</id><published>2011-12-12T15:26:00.004-03:00</published><updated>2011-12-16T02:54:43.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>abigail</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TuNrByANN10/TuZGQHk2VCI/AAAAAAAABOQ/aV0KauaAGxs/s1600/Classy_by_kimberliepee.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-TuNrByANN10/TuZGQHk2VCI/AAAAAAAABOQ/aV0KauaAGxs/s400/Classy_by_kimberliepee.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abigail me encontrou nos classificados. Eu já estava cansado de namorar meninas cheias de conversinhas e ideias implicantes de ciúme e asneiras que envolvem relacionamentos românticos. Decidi que teria ao meu lado uma mulher independente, dona de si, que pagasse suas próprias contas e que fizesse sexo oral sem que eu tivesse de implorar. Liguei para o jornal e pedi que colocassem a seguinte nota nos classificados:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Homem. 32 anos. Procuro mulher independente, gostosa, inteligente e boa de cama. Uma mulher que trabalhe por si mesma, que não reclame da barba mal feita, dos respingos de urina ao redor do vaso sanitário e que tenha coragem para viver relação sem cobrança ou discussão. Procuro mulher que esteja pronta para amar a dois.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cara do jornal, do outro lado da linha, disse que minha nota precisaria de alguns cortes. Nada de gostosa. Nada de urina. Nem boa de cama. Paguei mais caro pela nota para que fosse publicada ipsis litteris.&amp;nbsp;Recebi dezenas de telefonemas após a nota ser publicada. Noite e dia. Marquei encontros, tive várias conversas que terminaram somente em sexo comum (cheio de trivialidades e beijo sem gosto de novidade). Mas, enfim, entre todas que me ligaram, surgiu Abigail. Jovem, bonita, cabelo curtinho. Foda à primeira vista. Nos encontramos em um bistrô. Após o café, percebi que, finalmente havia encontrado a mulher certa para os meus fins.&amp;nbsp;Levei Abigail para casa e trepamos de forma excelente. Foram muitos dias de amor e sexo da forma como eu esperava viver. Abigail e eu éramos o par perfeito. Ela trabalhava e eu não precisava lhe comprar presentes para provar o meu amor. Ela não reclamava. Ela sorria muito. Ela não me ligava a cada instante para saber se eu estava pensando nela. Eu a amei. Mas tudo acabou quando, um dia, Abigail chegou em casa bêbada às três da manhã. Eu não suportei vê-la embriagada, semi despida e cheia de riso na boca. Brigamos. Abigail ficou furiosa e partiu no dia seguinte. Senti saudade. Muita falta de Abigail. Um dia a encontrei para uma conversa de acerto de contas e perguntei por que ela havia respondido ao meu anúncio no jornal. Foi então que descobri. Abigail queria o mesmo que eu. Amor sem cobrança, sem drama, sem responsabilidades. Ela me beijou o rosto e foi embora. E eu suspirei profundo, tratei de viver meus dias e nunca mais coloquei anúncio em jornal algum.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://kimberliepee.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;kimberliepee&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-8420010561644160343?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/8420010561644160343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=8420010561644160343&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8420010561644160343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8420010561644160343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/abigail.html' title='abigail'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-TuNrByANN10/TuZGQHk2VCI/AAAAAAAABOQ/aV0KauaAGxs/s72-c/Classy_by_kimberliepee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1740635701334266179</id><published>2011-12-09T17:36:00.001-03:00</published><updated>2011-12-10T00:52:59.409-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>carapaça</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oQ73RifbqK0/TuJx_EYtrVI/AAAAAAAABNw/HVCtgie54ks/s1600/Red_fish_by_casspike.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-oQ73RifbqK0/TuJx_EYtrVI/AAAAAAAABNw/HVCtgie54ks/s400/Red_fish_by_casspike.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-large;"&gt;C&lt;/span&gt;om quantas instituições de caridade devo contribuir para alcançar a cota mínima de boas ações e ter minha vaga garantida no céu? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só hoje recebi três pedidos: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cesta básica para carentes, jantar beneficente e doações para um hospital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neguei tudo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou aprendendo a dizer não a cada dia. É um tipo de exercício dolorido. Porém, necessário. É como fazer dieta. Desejar o alimento, engolir a seco de vontade e caminhar para o lado oposto. Eu, que costumava dar o próprio sangue pelo próximo, agora não dou mais nada. Chega de dar. E, tudo que eu receber, será lucro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Me apego a um de meus personagens favoritos: Rhett Butler, o anti-herói de E o Vento Levou. O homem que bebia e vivia suas jogatinas enquanto a guerra civil desnorteava os Estados Unidos. Um retrato fiel de nossa carapaça humana. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em época de Natal todo mundo se torna fraterno. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É luzinha que pisca, presente para crianças carentes e lágrima de crocodilo pelo sofrimento alheio. O que ocorre com toda a fraternidade durante os outros meses? Será que gente morre de fome e de sede somente em dezembro? Francamente, não quero me importar. Vou encontrar um bom homem de aspecto viril e fazer sexo até que me causem câimbras os movimentos. Ou então, beberei bastante até ficar dormente. E tratarei de me tornar ainda mais humana fingindo compaixão, rindo aos bandos e calejando meu ego enervado de ilusão. Amarga? Talvez. Nem toda palavra é açucarada. Há verdades que não devem sucumbir silenciadas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://casspike.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;casspike&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1740635701334266179?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1740635701334266179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1740635701334266179&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1740635701334266179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1740635701334266179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/carapaca.html' title='carapaça'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-oQ73RifbqK0/TuJx_EYtrVI/AAAAAAAABNw/HVCtgie54ks/s72-c/Red_fish_by_casspike.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4534700639488624553</id><published>2011-12-08T18:39:00.001-03:00</published><updated>2011-12-08T18:44:29.157-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>irônica funerária</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1UeSMfNIr5c/TuEuephDKeI/AAAAAAAABNo/42L4kQ0Fq64/s1600/Tree_by_gzilbalodis.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-1UeSMfNIr5c/TuEuephDKeI/AAAAAAAABNo/42L4kQ0Fq64/s400/Tree_by_gzilbalodis.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: x-large;"&gt;L&lt;/span&gt;ícia de Albuquerque Queiroga gostava muito de limpeza. A mulher estava sempre limpando a casa, espanando móveis, lustrando faqueiros e varrendo a calçada. Era noite e dia varrendo a calçada. De vestido florido e avental cobrindo o corpo, Lícia corria com a vassoura na mão e não deixava uma folha sequer em frente de sua casa. Dizem os vizinhos que ela vivia reclamando das folhas da árvore da casa ao lado. Porque a árvore infestava sua casa de folhas, de sujeira, de imundície. Lícia morreu faz dois meses. Visitei ontem seu túmulo no cemitério da Boa Sentença. E o mais engraçado de tudo é que ela fora enterrada sob um pé de graviola que suja seu jazigo inteiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://gzilbalodis.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;gzilbalodis&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4534700639488624553?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4534700639488624553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4534700639488624553&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4534700639488624553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4534700639488624553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/ironica-funeraria.html' title='irônica funerária'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1UeSMfNIr5c/TuEuephDKeI/AAAAAAAABNo/42L4kQ0Fq64/s72-c/Tree_by_gzilbalodis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5933850268562004719</id><published>2011-12-06T23:07:00.001-03:00</published><updated>2011-12-06T23:23:10.779-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>legítima</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-RqBiJTI1CAI/Tt7KBODQ-nI/AAAAAAAABNY/zXxWPbEajd8/s1600/staying_afloat__painting_final_by_tigress66-d3gt9yq.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="294" src="http://1.bp.blogspot.com/-RqBiJTI1CAI/Tt7KBODQ-nI/AAAAAAAABNY/zXxWPbEajd8/s400/staying_afloat__painting_final_by_tigress66-d3gt9yq.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os casais desesperados da Praça Pedro Américo parecem canibais. Percebo o quanto é flor o amor que sinto e sorrio ao pensar que amo mais que o tinto ardente em gargantas. E ríspido o vinho me amortece porque amar é abismo e, entre meus ofícios, está o maior: amar de sinal aberto e tomar café sem açúcar e amar todos e muitos, um de cada vez. Outrora traí. Meu homem de face escarlate não valia mais que um súbito ataque de euforia. E este me fez nascer de um inferno porque vi demônios e cavalos nas verdes colinas e doente era o amor. Traí e não padeço de arrependimento. Aprendi que todo crime cometido com êxito não traz lástimas e dizer que há perdão é desfazer a perfeita obra que me deixou o amor. E bebi devota de sentidos. Cavalguei e escrevi poemas. Grande amor de fazer tremer o canto da boca, eu o torno legítimo sempre que me largo e descansa minha língua em sua língua e nos devoramos. E os casais ainda se beijam. Em detritos da Praça Pedro Américo mulheres fazem escambo de seus corpos e eu sou a favor do zelo de tais mulheres porque alimentam seus homens e não deixam rastro de fome que os faça fustigar por outras esquinas. Amor é morte ou será que morro de amor e culpo minha própria sede? Afetada, fumo um cigarro. Traída, amo mais e, se me escapa das mãos o amor que tenho, sou voluntária e rastejo sem vergonha ou pudor porque é este o transtorno que causo. Eu amo sádica, intransigente, pornográfica e me rasgo e não me deixe viver doente salivando ao ver os casais da Praça Pedro Américo. Eu sou legítima culpada e dou de ombros aos que fingem não saber nada e aos que bebem em regras quando tudo é libertino. Amor é prova perfeita de diversas mortes quando se movem pele e músculos ao caos do mesmo ritmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://tigress66.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Tigress66&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5933850268562004719?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5933850268562004719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5933850268562004719&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5933850268562004719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5933850268562004719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/legitima.html' title='legítima'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-RqBiJTI1CAI/Tt7KBODQ-nI/AAAAAAAABNY/zXxWPbEajd8/s72-c/staying_afloat__painting_final_by_tigress66-d3gt9yq.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-253365930556183015</id><published>2011-12-04T12:18:00.001-03:00</published><updated>2011-12-06T23:09:34.518-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parafernália'/><title type='text'>sobre cigarros e álcool</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6zUGy5p7LRU/TtuPRHNqVpI/AAAAAAAABM0/0mBLwouUQZ0/s1600/no_smoking_by_salyut1118.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-6zUGy5p7LRU/TtuPRHNqVpI/AAAAAAAABM0/0mBLwouUQZ0/s400/no_smoking_by_salyut1118.jpg" width="218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fumar mata. Sei disso. Sempre que acendo um cigarro, penso: estou morrendo. Mas não estaremos todos morrendo? Mas a diferença está na forma como se morre. Sofrer de um câncer causado por cigarro deve ser um dos piores tipos de sofrimento. Ou ter um infarto. Ou doenças circulatórias. Dia desses fui comprar cigarros e vi, estampada no maço, uma foto de um bebê morto. E dizia: vítima do cigarro. Me assustei. A foto realmente me causou repugnância. E, mesmo assim, acendi o cigarro. E, enquanto eu fumava em uma área aberta de um shopping da cidade onde moro, pessoas me olhavam como se eu estivesse segurando uma bazuca. Ou como se eu estivesse fumando crack. Me senti pelada e criminosa. Não há coisa pior. Como eu posso estar fumando este cigarro sabendo que ele está me fazendo mal? Porque é vício. E todo vício é ruim. Todo vício tira nossa liberdade. A sociedade está armada contra o vício do cigarro. Concordo que campanhas de conscientização sejam feitas. Embora não existam mais tantos fumantes desavisados a respeito do mal que estão fazendo a si mesmos. Mas não fazem mal somente a si mesmos, muitos dizem. Fumantes fazem mal a todos que estão ao seu redor. Além de destruírem seus organismos com as milhares de substâncias tóxicas e cancerígenas, estão, também, impedindo que outros respirem ar puro. Mas que ar puro? Então criaram os fumódromos. E lá estavam os fumantes agrupados fumando e morrendo juntos. Cena mais que perfeita. E agora querem destruir de vez com os fumódromos. Quer fumar, amigo? Vá fumar dentro de seu banheiro sufocado por sua própria fumaça. Deixe a sociedade respirar saudavelmente em paz. Fumante, em nossos dias, é tão mal visto que chega a sentir vergonha por fumar. Então eu penso: preciso parar de fumar. Estou me matando, ficando cinza e meus pulmões devem estar destruídos. Concordo com toda verdade. Mas não suporto cegueira. Dizem que cigarro mata, fazem campanhas e mostram a atriz Luana Piovani, gravidinha e feliz, dizer em revista que largou o cigarro e a maconha (Mas era sua obrigação parar com as drogas, Luana. Seu filho não é obrigado a consumir a mesma droga que você). Acho muito bela esta conscientização. Mas e o álcool? Ninguém fala mais nisso? E os acidentes com vítimas fatais causadas por motoristas embriagados? Elas não entram nas estatísticas das vítimas do consumo excessivo de álcool? E as famílias que sofrem por causa do alcoolismo? O mal estar psicológico dessas pessoas também não entra nas estatísticas? E os cirróticos? E os diabéticos que adquiram essa doença devido ao alto consumo de álcool? E os adolescentes que bebem todos os dias escondidos de seus pais? Tudo isso não entra nas estatísticas? Estamos todos belos e contentes combatendo o cigarro. O governo e a sociedade querem, de vez, acabar com o consumo de cigarros. Façamos isso. Mas antes, mostremos também o mal que a bebida pode causar. Estampem nas garrafas ou latas de bebida fotos dos males que o consumo exagerado deste produto pode causar. Mostrem a verdade que existe por trás de cada gole. Conheço muitas pessoas que bebem. E bebem muito. Não estarão essas pessoas morrendo também? E matando? Por que não aproveitar e acabar com cigarro e álcool de uma só vez? Por que não fazer campanha que mostre os malefícios do consumo do álcool? Resposta simples: Cigarro mata aos poucos. E isso custa caro ao governo. Tratar um doente de câncer ou enfisema é bem mais caro do que enterrar dezenas de vítimas fatais assassinadas por motoristas bêbados. Ou seja, "vamos celebrar a estupidez humana", parar de fumar e encher a cara nos fins de semana. Sem dúvida será bem melhor. Pare de fumar. Afinal de contas, meu caro, fumar cheira muito mal e pode matar você.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://salyut1118.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;serico &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-253365930556183015?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/253365930556183015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=253365930556183015&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/253365930556183015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/253365930556183015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/sobre-cigarros-e-alcool.html' title='sobre cigarros e álcool'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6zUGy5p7LRU/TtuPRHNqVpI/AAAAAAAABM0/0mBLwouUQZ0/s72-c/no_smoking_by_salyut1118.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-8706197702681454770</id><published>2011-12-01T01:01:00.001-03:00</published><updated>2011-12-06T23:28:22.710-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>sob o vadio olhar dos cães</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-E1mnZcWCnOI/Ttb8HLqi9LI/AAAAAAAABIg/khE7G3oz8go/s1600/bar_by_fudratsrule-d3k68q7.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-E1mnZcWCnOI/Ttb8HLqi9LI/AAAAAAAABIg/khE7G3oz8go/s400/bar_by_fudratsrule-d3k68q7.jpg" width="317" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong919620788" name="gsSong919620788" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=9196207&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;!--[if !IE]&gt;--&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=9196207&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;span&gt;As Time Goes By by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Billie+Holiday/1850" title="Billie Holiday"&gt;Billie Holiday&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;!--&lt;![endif]--&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci uma mulher muito bonita. Creio que posso afirmar ter sido uma das mulheres mais belas que já vi. Pernas grossas, cabelos negros, olhos curiosos e cerejas tatuadas em seu pulso esquerdo. Eu estava sentado ao balcão. Ela ia e vinha buscar sua bebida. Sorriso aberto de boca avermelhada de batom. Deixou marca no copo após beber seu uísque. Diversas doses. Dançou como se celebrasse seu corpo e me olhava de um jeito que só mesmo o diabo enfrentaria deus. Eu ruborizei minha cara pela mulher. Eu, um homem já crescido, vencido por beleza sem nome. E ela dançava enguia em minha mira e todos a olhavam. Senti ciúme. Eu, que sequer a conhecia, já sentia ciúme. Um cara se aproximou e tocou o ombro da mulher. Ela me olhou como uma criança que pede permissão para brincar. Assenti com a cabeça e sorri. Ela dançou com o cara. Duas músicas. Enchi meus olhos ao vê-la se equilibrando em salto alto. Eu entregaria tudo por ela. Naquela noite, nesta vida, a todo tempo, tudo. Mais uísque e outra música. Eu já amava a mulher que me olhava serpente ébria dançando por todo o bar. Nos olhávamos com desejo. Era como se nos conhecêssemos. Já éramos cúmplices de um crime sem culpas. Senti que já era hora de fazer algo. Saber seu nome, ouvir sua voz, olhar nos olhos. Talvez tocar de leve o rosto. Talvez beijar-lhe a boca. Levantei e fui ao seu encontro. Ela sorriu enquanto eu caminhava em sua direção. E nos olhamos. Bem de perto. A luz fosca arroxeada do bar iluminou parte de seu rosto. Vi seu olhar. Toquei suas mãos, sua cintura, confrontei a musa eufórica. E veio a súbita vontade do beijo. Profundo do mais viril mistério. Mas hesitei. Ela me olhou compreendida. Sorrimos porque sabíamos do caminho que talvez viesse nos encontrar: paixão, medo, e todas as misérias que sufocam o que havíamos encontrado um no outro, ali, alados, de uísque loucos e embriagados. Me distanciei da mulher, paguei a conta e sai. Não olhei para trás. Estou certo de que ela também não olhou. Mas eu amei veloz a bela mulher por duas horas e alguns minutos. E já era tudo. Sei que outro dia vou dar de cara com mulheres mais belas em outros bares. E ela vai estar com outros caras. Melhor mesmo não termos fincado passo de apaixonados abobalhados desperdiçando o que vivemos. Agora somos eternos pelo adiado evento. Era tarde e as ruas estavam vazias. Voltei para casa inebriado sob o vadio olhar dos cães. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://fudratsrule.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Olivia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-8706197702681454770?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/8706197702681454770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=8706197702681454770&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8706197702681454770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8706197702681454770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/12/sob-o-vadio-olhar-dos-caes.html' title='sob o vadio olhar dos cães'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-E1mnZcWCnOI/Ttb8HLqi9LI/AAAAAAAABIg/khE7G3oz8go/s72-c/bar_by_fudratsrule-d3k68q7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1887660220453868099</id><published>2011-11-29T23:01:00.001-03:00</published><updated>2011-11-30T01:08:53.243-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>anseio filosófico</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-sGP0fzvw9qg/TtWOlmWN7-I/AAAAAAAABIQ/su984wmwNTk/s1600/szine_by_waldekborowski-d34ey46.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-sGP0fzvw9qg/TtWOlmWN7-I/AAAAAAAABIQ/su984wmwNTk/s400/szine_by_waldekborowski-d34ey46.jpg" width="330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria muito ser comum. Comum feito gente que come maçã. Gente que anda a pé, que odeia domingo, que sente depressão, que mata barata, que lê jornal, que assiste televisão, que paga conta, que deixa cair xícara, que ri dos outros, que vai à missa, que sente vergonha, que usa roupa do avesso, que gosta de aniversário de criança, que viaja de mala e cuia, que gosta de laranja, que conversa na calçada, que mal enxerga e, quando vê, quase nada. Gente que compra bicicleta, que faz dieta, que fecha porta e abre janela, que faz comida, que toma café, que fica doente, que acha graça, que não vê tristeza na miséria, que guarda garrafa de vinho e enche de água pra enfeitar geladeira. Eu queria guardar rancor. Queria caminhar pelo centro da cidade, visitar amigo durante o dia, cuspir no chão, brigar no trânsito, achar que poesia é bobagem e, livros, simples pesos de papel. Queria não sentir rubor. Eu só queria seguir a regra. Ser gente feita de perfeita matéria e homem feliz com a vida milimetrado feito régua. E, se possível, saber exatamente o que sou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://waldekborowski.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;WaldekBorowski&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1887660220453868099?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1887660220453868099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1887660220453868099&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1887660220453868099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1887660220453868099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/anseio-filosofico.html' title='anseio filosófico'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-sGP0fzvw9qg/TtWOlmWN7-I/AAAAAAAABIQ/su984wmwNTk/s72-c/szine_by_waldekborowski-d34ey46.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5271766823089305096</id><published>2011-11-26T22:29:00.001-03:00</published><updated>2011-11-27T02:45:02.556-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>acerca de aurélio</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qj8TuljKPVs/TtGTEJYtObI/AAAAAAAABII/wFEBeo0WOAU/s1600/it__s_homemade_by_smartmama-d2uh4t2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-qj8TuljKPVs/TtGTEJYtObI/AAAAAAAABII/wFEBeo0WOAU/s400/it__s_homemade_by_smartmama-d2uh4t2.jpg" width="295" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Homem bom&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Trabalhador&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Lindo de caráter &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Bom de cama &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Só tem um defeito o sacana: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Ele me largou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia em que conheci Aurélio, eu estava dramática de sofrimento. Dizer adeus a Ernesto foi penoso para mim. Se não fosse Aurélio, acho que eu teria morrido, ou ficado magra feito vaca de pele murcha perto da cerca. Aurélio me tirou do sério com sua conversa boa. Muito sacana me alimentando às mentirinhas. Conversa ao pé da orelha. Beijinho na fuça. Foi tiro e queda. Fiquei louca por Aurélio. Costumávamos nos ver todo dia. Às cinco, de olho comprido, com medo de meu marido passar, eu esperava Aurélio. Sempre na esquina para alargar a vista e ver toda a avenida. E vinha Aurélio. Beijava rapidinho. A gente corria pro quartinho da pensão em que ele vivia. Mão aqui, mão em todo lugar, Aurélio mal me deixava respirar. E era veloz quando cobria meu corpo. Nunca foi de se prolongar. Dizia que não gostava de perder tempo. Então era beijo na boca, perna aberta, vontade muita e, de volta pra casa, eu lembrava de tudo que havíamos feito. Como Aurélio era exímio na arte de fazer estrago, eu praticava com meu marido. Eu não queria fazer feio ao homem que me sufocava de tanto amar. E todo dia eu encontrava Aurélio assanhadinha de prática de tão sedenta que me tornei. Eu queria sempre dose ultra daquele homem. E foram muitas doses. Mas o rio começou a secar. Passei dias e mais dias indo à esquina esperar Aurélio que nunca vinha. Aí eu cansei de esperar. Nunca mais fui à esquina. Sofri dramática amiúde. Até o dia em que conheci Edgar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://smartmama.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;smartmama&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5271766823089305096?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5271766823089305096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5271766823089305096&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5271766823089305096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5271766823089305096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/cerca-de-aurelio.html' title='acerca de aurélio'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qj8TuljKPVs/TtGTEJYtObI/AAAAAAAABII/wFEBeo0WOAU/s72-c/it__s_homemade_by_smartmama-d2uh4t2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3339577100921806963</id><published>2011-11-25T12:34:00.000-03:00</published><updated>2011-11-27T02:53:28.926-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>lascívia escaldada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-z8ka5yIXlGo/Ts8aGfWslLI/AAAAAAAABIA/EQSxqF_EcLw/s1600/The_Line_by_theancientofdays%2B%25281%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="160" src="http://3.bp.blogspot.com/-z8ka5yIXlGo/Ts8aGfWslLI/AAAAAAAABIA/EQSxqF_EcLw/s400/The_Line_by_theancientofdays%2B%25281%2529.jpg" width="412" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Sobre o que falávamos?&amp;nbsp;Monogamia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;A regra de dormir lado a lado na mesma cama todo dia? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Poligamia?&amp;nbsp;Ou falávamos da infectocontagiosa mania&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;de amar toda boca que nos sorria?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drummond escreveu o poema quadrilha. Aquele que diz de alguém que ama alguém que ama outro alguém e outro que ama e outro e mais amor e uma que não amava ninguém e outro que viaja e um mais que nunca entrou na história. Fim. Ou começo. Hoje decidi falar de amor (armada até os dentes, com lírios, rosas e estrelas cadentes). Romântico, não? Clichê? Não sei. Sei apenas que amor não é forca ou alavanca de segurança quando o trem emperra. Amor é o que acontece entre dois, se prolifera entre quatro paredes (ou cinco) e se encerra em amizade ou continua em falsidade. Mas existe amor que morre de fome e desiste e decide amar outro amor. "Amor então também acaba?", o Leminski interroga sempre em suas palavras. Amor morre e se transforma em uma pilha de cartas, roupas deixadas para trás, adeus com gosto de cólera e um tal de mudar a mobília de lugar. Eu já amei algumas pessoas. Não muitas. E também já desisti de amar algumas outras. Mas a culpa não foi do mordomo. Não há culpados nem coitados. Talvez eu não saiba amar. Será que amor é dizer "te amo" o tempo todo como se isso fosse encher barriga? Tudo bem. Acredito que sejamos seres em busca de experiências (ratos de laboratório?). Mas muito me surpreende a facilidade com que as pessoas amam hoje em dia. Será a globalização ou a velocidade da internet? Estamos acompanhando cada passo da evolução tecnológica e amor se tornou artigo de troca sem nota fiscal porque é coisa dada de presente. Eu não sei você, mas eu, lascívia escaldada, olho o dente dos cavalos que me são dados. Duvido sempre. E duvido muito de quem ama todo mundo. Há quem viva amando. Mas é tanto amor que não sobra pedaço para viver o dia seguinte. Amo você, Eduardo. Amo você, Amanda. Amo você, Cláudio. Amo você, Fulana Que Mal Conheço. Mas te amo. E isso é tudo. Não, isso não é tudo. Amor não é fim de uma busca. Amor é início. Mesmo que ele acabe um dia, é caça, e precisa ser devorado (mas que seja pedaço por pedaço ― nunca se come o amor todo de uma vez). E não se ama milhares ao mesmo tempo. A não ser que seja amor fraterno e alguém acorde acreditando ser Madre Teresa. Para este tipo de amor há explicação. Mas, para o outro amor, aquele que sofre solidão nas ausências, prepara a mesa, compra presente a sente ciúme, não. Pode-se amar um ou dois ou três. Mas há sempre um número limite porque, um dia chega, e o "amador" passa a ver no outro o que vê no outro e no outro e assim por diante. Tudo começa a ficar confuso e, aquele que diz que tanto ama, acaba amando nada além da mania que se torna vício de dizer que ama tanto. Ou seja, amor é reprisado assunto, é comédia romântica hollywoodiana, é preencher conjunto vazio. Mas ainda é assunto. E ninguém pode amar o mundo todo. Que haja amor. Que seja eterno até que o vinil chegue ao fim. Mas que valha cada centavo de nossa aposta. Porque certos amores, que nem chegam a ser amores, só infestam de pragas nossas crenças. Neste caso, melhor o amor próprio. Melhor a displicência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://theancientofdays.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Chris Hagebak&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3339577100921806963?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3339577100921806963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3339577100921806963&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3339577100921806963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3339577100921806963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/lascivia-escaldada_25.html' title='lascívia escaldada'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-z8ka5yIXlGo/Ts8aGfWslLI/AAAAAAAABIA/EQSxqF_EcLw/s72-c/The_Line_by_theancientofdays%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2354292536963041193</id><published>2011-11-23T02:40:00.001-03:00</published><updated>2011-11-26T22:39:45.906-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>mestiço</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1j6r2P5S-fc/TsyJXFb_-WI/AAAAAAAABHc/nHb1JQ66NHY/s1600/Blind_in_One_Eye_by_f0xyme.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-1j6r2P5S-fc/TsyJXFb_-WI/AAAAAAAABHc/nHb1JQ66NHY/s400/Blind_in_One_Eye_by_f0xyme.jpg" width="310" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceridade te basta? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Ando precisando de uma dose de grosseria, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(com todo o prazer do palavrão).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(&lt;a href="http://luradaquimera.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Eder Asa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A buganvília morreu. Ressecou o tronco, as folhas começaram a desaparecer e acabou. A buganvília morreu. Como não entendo nada de botânica, larguei-me a pesquisar o nome exato da planta. Entre trepadeiras, flores rosadas, roxas e o escambau, encontrei definição de porte científico: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bougainvillea Spectabilis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então a bougainvillea spectabilis morreu. O muro agora está sem proteção. Porque os galhos eram cheios de espinhos e ninguém tentaria invadir a casa tendo tantos espinhos pela frente. E você me liga no meio de minhas abstrações para dizer que está tentando se equilibrar. Que está tentando, com todo esforço, ser feliz não sendo. Porque, segundo você, a felicidade interrompe nosso fluxo de conflitos, nos deixa patéticos, cegos, esquisitos. Você me disse que deseja apenas segurar a onda. Eu ri. Educada por fora, eufórica por dentro, molhada nas bordas. Senti vontade de dizer palavrão. Um palavrão bem grande de porte popular. Você me ligou para dizer que sua vida é pesada em fardo, mas, que você, expert em autodestruição, está sendo sensato e praticando exercícios, sorrindo quando acredita ser preciso e se alimentando de forma saudável. E disse também que muita coisa dói: obrigação, amigos, família, contas a pagar. Muita coisa dói. Eu sei tudo a respeito disso e concordei com a voz forçadamente calma e fisicamente rouca. Aí você veio perguntar se estou bem, me aconselhou a ir devagar, disse coisas harmonicamente combinadas com seu riso de mestiço. Mas a verdade é sempre outra. Você perdeu a direção. E agora me liga dizendo coisas. Coisas que você precisa dizer para si mesmo porque está aflito tentando acreditar em tudo que diz. Então liga (vez ou outra) para me dizer que está errando seus alvos de propósito. Diz que passa o dia tentando se certificar se é mesmo prova de insanidade tudo o que você pensa. Você tem medo de enlouquecer, de se deixar, de saltar sem rede de proteção. Mas o incêndio se alastrou. É isso. Crianças, quando saem para brincar, quase sempre voltam feridas para casa. E você está ferido, sozinho (e ainda diz que sente alívio), fuma seus cigarrinhos, frequenta festinhas e, durante a semana, quando a sede cansa, me liga dizendo que está foda levar adiante. Que mais eu posso dizer senão phoda-se (com ph ácido de raiva). Eu não me importo com a solidão dos outros. A não ser quando ela me atinge. E a sua solidão me aflige porque é detestável ver você caindo em más línguas, irradiando vaidade após sexo de mão única, quando, na verdade, seu caminho é dúbio. Desliguei o telefone com a boca cheia de vontade de dizer a verdade: A buganvília morreu. E meus espinhos ferem tanto quanto os seus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong736965124" name="gsSong736965124" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=7369651&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;!--[if !IE]&gt;--&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=7369651&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;span&gt;Napoleon by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Ani+DiFranco/401464" title="Ani DiFranco"&gt;Ani DiFranco&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;!--&lt;![endif]--&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://f0xyme.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;TESS.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2354292536963041193?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2354292536963041193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2354292536963041193&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2354292536963041193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2354292536963041193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/mestico.html' title='mestiço'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1j6r2P5S-fc/TsyJXFb_-WI/AAAAAAAABHc/nHb1JQ66NHY/s72-c/Blind_in_One_Eye_by_f0xyme.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5012040047499093696</id><published>2011-11-20T16:03:00.001-03:00</published><updated>2011-11-23T03:18:39.486-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parafernália'/><title type='text'>entre jabutis e pererecas</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5s_omJ9cOE8/TslPQ3tlXdI/AAAAAAAABHM/_pa6VGRJowg/s1600/Aesop__s_Hare_and_the_Tortoise_by_LexxieLizzie.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-5s_omJ9cOE8/TslPQ3tlXdI/AAAAAAAABHM/_pa6VGRJowg/s400/Aesop__s_Hare_and_the_Tortoise_by_LexxieLizzie.png" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O aspirante a escritor decide se expor. Cria um blogue e passa a escrever sua ficção (em prosa ou poesia). Recebe meia dúzia de elogios por dia porque seu trabalho é admiravelmente bom. Logo surge o conselho: publique. O blogueiro, aspirante a escritor, percebe que pode publicar. Há editoras que irão aceitar seu trabalho. Ou então, busca, incansavelmente, algum patrocínio para publicar seu primeiro livro. Ou banca a publicação de seu próprio bolso. E consegue. De livro publicado, o blogueiro torna-se escritor. Passa a ser visto de forma diferente: já não é apenas um blogueiro. É alguém que possui prefácio e ficha catalográfica. E, deste ponto em diante, surgem convites para eventos literários (saraus, palestras, chatices e tolices que em nada resultam). Mas é literatura, todos creem. O blogueiro escritor fica de igual para igual sentado à mesa ao lado de escritores de renome (reconhecidos por pares, ímpares, jabutis, pererecas e acadêmicas teses inclinadas à bajulação). Mas o blogueiro escritor percebe que há olhares de fajuta aceitação. Nunca será aceito entre os grandes, médios e pequenos autores que rezam suas barrigas cheias de genialidade e talento. O blogueiro corre contra o tempo e busca portais literários para que seu trabalho cresça e apareça. E chove publicação. Então o blogueiro começa a se sentir profissional. Já não pode mais exibir seu trabalho em um simples blogue perdido entre milhares de outros blogues. Agora é escritor de boca cheia. E precisa ser visto. Então seu blogue torna-se uma vitrine de seu trabalho: fotos em eventos, banners de vários sites voltados à literatura, muitas resenhas críticas a respeito de muitos livros. E assim o blogueiro torna-se, assumidamente, um escritor de peso (talvez pena ─ talvez pesado). Reconhecido e canonizado. Amém. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto não ocorre. É ilusão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicar livros é parte do trabalho de quem escreve. Ter opinião crítica acerca de outros autores é parte do trabalho de quem escreve. Publicar um livro não eleva o escritor. Publicar mais de um livro também não. Ser citado em sites e periódicos literários é apenas reconhecimento ou febre do momento. Perdoem-me aqueles que talvez sintam-se tocados pelo que estou dizendo. Mas ando angustiada com o que vejo ao meu redor. Sempre li e acolhi blogues como se fossem minhas leituras diárias. Eu buscava ficção, novidade, palavras. Buscava poesia. Agora meus blogues favoritos parecem mais propaganda eleitoral. Acesso o blogue e vejo apenas uma enxurrada de links que, pomposamente, publicaram os blogueiros/escritores que eu costumava ler. Fico feliz que tenham sido reconhecidos. Eu os lia com o mesmo respeito e afinco que leio Machado de Assis ou qualquer um de igual tamanho. Eram escritores aqueles blogueiros que eu costumava ler. Mas acontece a fama (esta coisa pequenina que muda algumas vidas e morre seca com o passar dos dias). E o blogueiro torna-se profissional e não pode mais se rebaixar ao nível de publicar sua obra em blogues porque todos negam dizer, mas dizem aos cochichos: blogue não é literatura. Esta teria sido minha resposta a um professor que me ligou para saber mais a respeito da literatura virtual. Sim, ela existe. Foi o que respondi. Mas o meu pensamento era outro. Eu menti porque sinto muito quando vejo autores de blogues agindo da mesma forma elitista que agem muitos membros da academia. Altivos, cheios de grifos e tragicamente esnobes. Afinal de contas, escritor de verdade não perde tempo com blogues. O escritor de verdade escreve livros. E publica crônicas e resenhas em jornais. E recebe prêmios, dorme de bruços, arrota aforismos, autografa aos rabiscos e esquece a arte. Espero que voltemos ao tempo em que escrever era o primordial. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://lexxielizzie.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Alex Clark&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5012040047499093696?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5012040047499093696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5012040047499093696&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5012040047499093696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5012040047499093696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/entre-jabutis-e-pererecas.html' title='entre jabutis e pererecas'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5s_omJ9cOE8/TslPQ3tlXdI/AAAAAAAABHM/_pa6VGRJowg/s72-c/Aesop__s_Hare_and_the_Tortoise_by_LexxieLizzie.png' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1983586021921582054</id><published>2011-11-17T11:27:00.001-03:00</published><updated>2011-11-19T01:00:10.170-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>a náusea</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://youtu.be/-cJauX_q6wI" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-vpEqTH85eHI/TsUbs5iBM9I/AAAAAAAABF8/XSGOLsaKlf0/s400/The_Watcher_by_trulsespedal.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novembro é lindo. Quisera eu ver beleza em cada suspiro imbecil dos indivíduos que tenho por perto e não sou melhor que eles e insisto em repetir ainda como se isso me fizesse melhor. E talvez eu seja. Talvez eu queira ser, mas, o que de fato me aflige é a possibilidade, mesmo que remota, que eu seja tão comum quanto a mulher da padaria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(&lt;a href="http://youtu.be/-cJauX_q6wI"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Aldo Oliveira&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir ao supermercado após o trabalho. Objetivo: comprar vassouras. E tapetes. Leite desnatado e pão integral. Pequena lista. Algumas expectativas. Chegando ao supermercado, vejo muitas pessoas. Então é aqui que elas se escondem. E também em suas casas. Em seus quartos. Em suas vidas. Como formigas atarantadas, pessoas caminham pelos corredores. Entre a sessão de informática e DVDs, um casal discute. Posso ouvi-los. Estão se comparando. Estão se invejando. Querem direitos iguais: se você vai comprar isto, também quero comprar. O casal continua a falar e eu me distraio em busca de minhas vassouras e tapetes. Pergunto a um funcionário do supermercado: Onde posso encontrar vassouras de pêlo? O rapaz aponta na direção dos produtos para casa e jardim. Encontro as vassouras. Preciso, antes de comprá-las, experimentar as cerdas. São boas. Não tão boas quanto às antigas. Coloco as vassouras no carrinho de compras. Estou acompanhada. Duas pessoas me fazem companhia. Mas é como se eu estivesse sozinha. Falam bobagens que me atrevo a ouvir. Uma delas reclama de sua vida entediante. A outra, um homem, finge se preocupar com a política e com sua saúde. Ausculto a conversa. Como se fosse médico. Meu coração está calmo. Nada há de me fazer sair de minhas margens. Sou rio. Caminho mais e encontro tapetes. Certifico-me do preço, penso em um livro específico (tento me lembrar do que disse o autor a respeito disto que estou sentindo). A Náusea, de Jean-Paul Sartre. Li este livro como se engolisse enormes comprimidos contra dor de cabeça. Rabisquei passagens que me chamaram atenção. Rabisquei com um leve tocar de minhas unhas avermelhadas de esmalte. Sartre me abriu os olhos para uma verdade ríspida. Esta é a vida. Sem enfeites. Ausente de cenas comoventes, porque, o homem não mais se comove. E, quando se permite comover, sente-se tolo. Até mesmo o mais estúpido ser, ao sentir-se comovido ou sensibilizado perante o mundo, equilibra-se em seus modos para que outros seres não percebam o quanto pode estar suscetível à vida o estúpido que se deixou sentir. O livro é escrito em tom de diário. Cada dia, novas anotações. Desde futilidades como um encontro em um café a acontecimentos maiores como o achado de uma nova sensação em um narrador que já não acredita mais sentir nada além da náusea, tudo é exposto no livro. Lembro-me de uma passagem em que o narrador descreve sua terrível sensação de sentir-se ridículo e patético ao escrever um aforismo de teor idealista. Como se aquela frase escrita pudesse mudar realmente o caminho de alguém. O narrador corta sua própria crença em si mesmo. Apenas sente que algo mais ocorre dentro de si. Sente-se cansado do cúmulo social que mente bem estar, felicidade, prosperidade. O narrador descobre-se nauseado. E, o ápice de tudo: o narrador percebe que a Náusea não é uma sensação que nasce dos pequenos acontecimentos cotidianos. A náusea está no homem. Melhor dizer: A náusea é o próprio homem. Como a santíssima trindade que a igreja católica apregoa, o pai, o filho e o espírito santo juntos em um único elemento, assim está o homem segundo Sartre: o homem e a náusea ─ um único ser. E, embora o homem não perceba estar lacrado em sua repugnante necessidade de prosseguir mesmo que o sentido tenha se perdido, segundo o livro que passou dias em meu criado-mudo, a náusea, um dia, virá à tona em grandes doses de enjoo e mal estar e o homem irá deparar-se com um mundo comum em que todos não passamos de seres comuns e nada mais é grandiosamente especial. Tudo se repete. Percebi a náusea enquanto comprava vassouras. Isso me ocorre com frequência. Supermercados me aguçam os sentidos e tomo goles de minha consciência e me percebo humana e gentilmente perplexa. Penso em meus sentidos físicos. Minha audição falha mesmo quando preciso ouvir. O tato está mascarado porque nada quero tocar que seja gasto. Meu paladar prefere chicletes a mascar comida e acreditar que a vida seja peça de teatro aos sábados e jantar nipônico aos domingos. Prefiro me conter e comprar tapetes. E plantas. Encontro uma bela, verde e afoita samambaia que parece gritar para sair daquele lugar fechado de ares condicionados. Ergo a planta e a coloco no carrinho de compras. Terminei, pensei. Mas ainda havia o caixa, a fila, a espera. Meus acompanhantes continuam blefando suas verdades em interjeições de surpresa. Opacos. Débeis. Não. São apenas cegos demais para ver que toda necessidade nunca será saciada diante a imensa sede. Permito-me fazer parte da conversa. Concordo com cada tolice dita. É preciso ser formiga também. É preciso contentar-se. É preciso sorrir. Ah, esperança tola de acreditar que estamos todos no mesmo plano. Não estamos. Não me sinto superior ou diferente. Sinto-me apenas delicadamente acesa diante da escuridão que preenche o tempo. A fila caminha, passo pelo caixa, pago o débito. Alguém diz do tráfico de drogas. Alguém diz da inflação. Alguém diz dos bons preços das frutas. Prefiro rir. Um riso escondido retendo a incoerência do que sinto. Enquanto assino meu nome no recibo de compra, uma mensagem chega por telefone: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Falas de amor, e eu ouço tudo e calo&lt;br /&gt;O amor na Humanidade é uma mentira.&lt;br /&gt;E é por isto que na minha lira&lt;br /&gt;De amores fúteis poucas vezes falo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ver mensagem. Leio, concordo, discordo e penso: Amor e supermercado. Amor e tráfico. Amor e artigos para casa. Amor e ar condicionado. Amor e idealismo. Amor e náusea. Supostamente impossíveis tais combinações. Acato o poema escrito em mensagem, largo um sorriso à moça do caixa, arrasto o carrinho de compras pelo estacionamento, coloco as compras no carro, entro, sento, ligo o som e penso: talvez eu seja a pior das formigas. Tenho síndrome de ser traça, libélula, gafanhoto e sofro diabética a ânsia primitiva que devora a humanidade. E, em casa, após as compras, sinto-me, mais que nunca, íntima de minha náusea.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://trulsespedal.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;trulsespedal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1983586021921582054?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1983586021921582054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1983586021921582054&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1983586021921582054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1983586021921582054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/nausea.html' title='a náusea'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vpEqTH85eHI/TsUbs5iBM9I/AAAAAAAABF8/XSGOLsaKlf0/s72-c/The_Watcher_by_trulsespedal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7994500853988160062</id><published>2011-11-15T02:26:00.001-03:00</published><updated>2011-11-15T02:40:53.994-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>areia e tempo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-y5TrbmzAtKo/TsH4oANabsI/AAAAAAAABFk/Tj_2pqu7L0k/s1600/realistic_painting_couple_hug_by_shharc-d3hquir.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="347" src="http://4.bp.blogspot.com/-y5TrbmzAtKo/TsH4oANabsI/AAAAAAAABFk/Tj_2pqu7L0k/s400/realistic_painting_couple_hug_by_shharc-d3hquir.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: x-small;"&gt;Eram felizes juntos. Em uma pequena casa no campo. Não havia cercas ao redor de nada. Tampouco bichinhos ou paisagem bucólica. Era apenas uma casa cercada de areia e tempo. Nunca reclamavam ou brigavam ou discutiam. Não havia motivo. Faziam amor e sentiam-se contentes. Juntos estavam completos. Mas, ao chegar o asfalto e outras casas maiores e mais reluzentes, perceberam que não eram felizes. Sentiram-se incompletos. Ao chegar o asfalto e a cidade cheia de suas novidades, pereceram infelizes e civilizadamente doentes. E tornaram-se, com o passar dos dias, invejosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Augusto chegou às nove. Abri o portão. Eu o recebi timidamente. Não houve abraço. Apenas um sorriso de pertencimento. Percebi que ele havia engordado. Não comentei. Sou elegante e discreta: gato com rato escondido entre os lábios. Augusto entrou em minha casa. Percebi que ele estava sem jeito. Tentei fazer com que se sentisse bem. Livre, talvez. Tomamos café juntos. Sentados à mesa, conversamos amenidades. Ele deve ter notado diferenças em mim. No entanto, também não comentou. Augusto é quieto: leão com a presa entre os dentes. Ele trouxe apenas uma mala com poucas roupas. Eu realmente não esperava que ele passasse mais que o suficiente para termos de nós o que o corpo necessita. Augusto guardou suas coisas em meu guarda-roupa. Arrumei um quarto para que Augusto dormisse sem que as horas o incomodassem. Será que Augusto percebeu o quanto tentei ser gentil? Minha gentileza: lebre fugindo da seca. Chegou a noite e Augusto adormeceu. Encolhia-se de medo como criança sem mãe ou apego. Dormi ao seu lado. Encolhi-me obediente: cubo de gelo que não derrete ao sol. No dia seguinte, Augusto saiu. Augusto saiu por dias seguidos e retornava à noite. Era preciso que ele saísse para que ninguém o visse em minhas salas. Aproveitei o tempo e arrumei a casa. À espera de Augusto, arrumei a morada. E, quando ele voltava, era o soldado derrotado que eu recebia. Eu o acolhi em meus braços, em meus beijos, em meu afeto: serpente protegendo seus genes. Dormimos e acordamos unidos e separados por pensamentos. Percebi outras mudanças em Augusto. Seu corpo não era mais tão preciso quanto em outros tempos nossos. Ele estava cansado, triste, morto de olhar vivo: caçador vítima de seu próprio extermínio. Em nossos corpos, outras marcas. Em nossas bocas, outras falas. O tempo fora imenso entre nós desde nosso último encontro: mutantes silenciados por outros seres. Foram quatro dias de muito tempo. Tomei de Augusto um pouco de seu ar, de suas vidas, de seus azares. Ouvi suas histórias como ouve o sermão a mulher que deseja o perdão. Segui seu sorriso pelos poros de seu rosto inconfundivelmente mudado. Bebi de suas águas, deixei que ele tocasse meus segredos, meus cabelos, meus receios de ser vista: era lebre o gato comovido ao ver a beleza do leão de faro extinto pelo exagerado uso de seus instintos. Augusto partiu em um domingo. Após um beijo, de nosso amor gasto pelo tempo, Augusto partiu para viver seus recreios. Hoje ele é poeta. E eu escrevo em prosa. Não há mais drama em nossa tragédia. E todo verso chega ao fim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Image by &lt;a href="http://shharc.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;raphael perez&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7994500853988160062?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7994500853988160062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7994500853988160062&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7994500853988160062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7994500853988160062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/areia-e-tempo.html' title='areia e tempo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-y5TrbmzAtKo/TsH4oANabsI/AAAAAAAABFk/Tj_2pqu7L0k/s72-c/realistic_painting_couple_hug_by_shharc-d3hquir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4843442112089628616</id><published>2011-11-13T15:55:00.001-03:00</published><updated>2011-11-15T02:41:25.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>alto teor erótico</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-YkOz5jcPuhg/TGhyQexY5nI/AAAAAAAAAaM/rrE5efZ-jq4/s1600/If_I_were_a_fish____by_murkithefrog.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-YkOz5jcPuhg/TGhyQexY5nI/AAAAAAAAAaM/rrE5efZ-jq4/s400/If_I_were_a_fish____by_murkithefrog.jpg" width="397" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" height="40" id="gsSong2938582712" name="gsSong2938582712" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;  &lt;param name="wmode" value="window" /&gt;  &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;  &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=29385827&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;  &lt;!--[if !IE]&gt;--&gt;&lt;object type="application/x-shockwave-flash" data="http://grooveshark.com/songWidget.swf" width="250" height="40"&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;  &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;  &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=29385827&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;  &lt;span&gt;Por que a Gente É Assim? by &lt;a href="http://grooveshark.com/artist/Bar+o+Vermelho/136650" title="Barão Vermelho"&gt;Barão Vermelho&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;&lt;/object&gt;&lt;!--&lt;![endif]--&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu amor achou pouco o que eu havia lhe dado: muita promessa de te amar somente. Então me pediu fotos. Meu rosto? Cabelos cobrindo os olhos? Não, ele respondeu. Quero fotos suas, nua, maliciosa em múltipla pose erótica. Após negar ao pedido uma vez, cedi. Afinal, quem nunca tirou fotos assim, explícitas, que atire a primeira pedra (nossa! quanta pedra!). Take One : sala de estar. Vestida para matar, dou um click. Olho a foto abismada: Eu sou assim? Gostei de mim. Outro click. Desta vez, fiz cara e boca. Mas não estou fazendo o suficiente. Preciso ir mais longe. Visto lingerie pinicante desconfortável que entra na bunda (bunda é uma palavra feia). Preparo a câmera: click – click – click – click – click. Olho as fotos. Morta de vergonha por me ver nua, de bunda pra cima, despudorada. Mas a vergonha desaparece quando percebo: sou gostosa. Quase berro. Agora entendo as falas dos caras quando passo de cabeça baixa pelas construções. Homens nem sempre estão errados. Um risinho me explode de satisfação. Meu coração palpita pedinte: + fotos + fotos + fotos + fotos. Estou muito puritana. Assumo a cara Kátia Flávia impávida Leila Diniz. Take Two: quarto. Cama forrada por colcha de retalhos. Posiciono a câmera. Agora mostro tudo. Pernas abertas e a vagina se expõe (vagina é um termo tão científico). Como devo chamá-la? Penso em mil nomes. Decido esquecer os nomes. Uma sequência de fotos em pose equina. Agora o falsete de menina. Mais cara e muita boca. Sem roupa. Loucura sem plateia. Olho as fotos e já me amo mais. Outras fotos e mais amor. Agora de &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;ɐçǝqɐɔ ɐɹd oxıɐq&lt;/span&gt;. Meu corpo se contorce entre os clicks surdos, mudos, erotizados, pornográficos. Mais fotos, mais fotos, mais fotos. E que se dane o receio. Talvez um vídeo seja melhor. Luz, câmera, ação. Dedos não servem apenas para apontar falhas alheias. Veja o que faço com os meus. Fundo, raso, profundo, afundo, filmando, afoita, liberada, filmando, gostando, amando?, seios, dedos, mãos, eu... orgasmo? Tão rápido? Exterminada de amor, permaneço deitada na cama. A câmera continua filmando. Respiro fundo. Revejo as fotos: uma a uma. Assisto ao vídeo. Esquisito me ver assim (vadia?) pausando para rever o gozo. Então é isto o tal autoconhecimento? Email – Photo – Upload. Meu amor vai saber o quanto posso ser maliciosa, carnuda (babaca?). Envio as fotos. Sem photoshop: no cru. E o vídeo vai em anexo. Tudojunto. No email, uma dedicatória dramatizada romântica, piegas, clichê: uma letra do Cazuza. Coro ao saber que ele me verá tão aberta, tão outra, não eu. Ou eu serei mesmo assim? Outro risinho me assola. Agora ele me tem inteira. Dias passam e, para minha surpresa, outro pedido: quero mais fotos. Tantas e mais explícitas. Pasmei. Como poderei ser mais explícita? Como poderá ser? E a fome terá fim? E o amor segue virtual: sem toque, sem gosto, sem razão, despudoradamente amante ausente em alta resolução. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://murkithefrog.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Sara&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4843442112089628616?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4843442112089628616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4843442112089628616&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4843442112089628616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4843442112089628616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/alto-teor-erotico.html' title='alto teor erótico'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-YkOz5jcPuhg/TGhyQexY5nI/AAAAAAAAAaM/rrE5efZ-jq4/s72-c/If_I_were_a_fish____by_murkithefrog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5673992136355820688</id><published>2011-11-06T23:40:00.000-03:00</published><updated>2011-11-07T02:31:24.004-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>questão de tempo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-U-gkB6AmlAI/TrdDugVqVjI/AAAAAAAABFY/BHAypgmaHUE/s1600/Morning_book_by_somewell.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://2.bp.blogspot.com/-U-gkB6AmlAI/TrdDugVqVjI/AAAAAAAABFY/BHAypgmaHUE/s400/Morning_book_by_somewell.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iríamos jantar. &lt;br /&gt;Marcada hora, iríamos jantar. &lt;br /&gt;Juntos na mesma mesa. &lt;br /&gt;No mesmo plano de olhar. &lt;br /&gt;Mas eu nunca cheguei a encontrá-lo.&lt;br /&gt;Nunca nos vimos.&lt;br /&gt;Nunca me atrevi a dizer o que sentia.&lt;br /&gt;Então nada ocorreu.&lt;br /&gt;Somos ainda dois desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Melhor assim. Dessa dor eu não morro. Talvez o medo me faça sentir arrependimento em um futuro próximo. E eu não vivo de futuro. Vivo o agora. Enquanto lia uma crônica de Clarice Lispector, em que ela menciona Thoreau e fala de forma muito clara que a vida é feita de agoras, pensei no tempo que perco imaginando o dia de amanhã. Dia este que nem nasceu. Sei que é preciso fazer planos. E eu os faço. Rabisco listas de planos que possivelmente irei alcançar. Enumero os planos com a plena sensação de que será fácil realizar tudo. Mas a vida não depende de mim. A vida depende dela mesma. Sei que meu pensamento parece simplista ou acomodado. E talvez o seja. E sei que não se pode pensar assim. Porque, dessa forma, não vivo nada. Vou passar em branco enquanto correm outras pessoas e realizam seus planos. E nem ao menos sei por que estou falando nisso. Aliás, eu sei. Há dois dias um parente meu teve um infarto. Ele, que não tinha maus hábitos, não costumava dormir tarde, beber ou fumar, teve um infarto. Soube que ele estava em casa, sentiu-se mal, a mulher o socorreu e o diagnóstico não mentiu: infarto. Agora ele está fora de perigo. Meu parente irá tomar remédios e fazer dieta. Precisa emagrecer porque estava acima do peso. A vida deu sinal de alerta. Sinal de que as coisas não estavam indo bem e este meu parente recebeu este sinal. Penso nas pessoas que não recebem este alerta. Gente que morre mesmo. Morre de nunca mais poder ver gente novamente. Penso que a vida é um pouco sacana. Ou muito sacana. Não avisa nada e ainda nos leva embora ou muda todo um curso de planos sem ao menos deixar que tomemos precauções. Para alguns, não é a vida que age de forma misteriosa. É deus. Para outros, é tudo ato e consequência. Para outros mais, talvez, seja tudo coisa de marcianos. Eu penso que existe algo maior que controla tudo. Como as formigas que são controladas pelas estações, acredito que também sejamos controlados. Se a minha crença é dizer que deus é quem manda ver em nossas vidas, não importa. O importante é saber que, vivendo ou não de agoras, alguns planos não serão cumpridos, alguns dias nunca chegarão, alguns amores nunca serão vividos e o fim chega. Se há ou não recomeço depois deste fim, eu não sei. Mas é preciso viver. Mesmo que haja atropelos, é preciso viver. Um pouco mais a cada dia, viver sempre. E fazer planos. Muitos. Se iremos ou não realizá-los, é questão de tempo.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image on &lt;a href="http://www.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;deviantart&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5673992136355820688?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5673992136355820688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5673992136355820688&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5673992136355820688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5673992136355820688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/questao-de-tempo.html' title='questão de tempo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-U-gkB6AmlAI/TrdDugVqVjI/AAAAAAAABFY/BHAypgmaHUE/s72-c/Morning_book_by_somewell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2537284828814107787</id><published>2011-11-01T00:32:00.000-03:00</published><updated>2011-11-01T02:53:25.790-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>jornal roubado</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-KdwTTWreUi8/Tq9nZZCOQuI/AAAAAAAABFM/Cf9cwqxBev0/s1600/woman_with_a_bag_2_by_pedraxas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-KdwTTWreUi8/Tq9nZZCOQuI/AAAAAAAABFM/Cf9cwqxBev0/s400/woman_with_a_bag_2_by_pedraxas.jpg" width="291" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object height="40" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt; &lt;param name="wmode" value="window" /&gt; &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt; &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30021361&amp;style=water&amp;p=0" /&gt; &lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30021361&amp;style=water&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: x-small;"&gt;Hoje fui à Pasárgada. Mesmo sem ter amigo algum (que dirá um rei), estive em Pasárgada. Vi o que não se deve ver. Eu não me vendo. Estou sempre de olhos nus. E encontrei coisas indizíveis. Um homem esperando ônibus, uma menina pedalando sua bicicleta e um engraxate. Decidi não falar com ninguém. Eu apenas queria estar em outro lugar. E estive. Vi o mundo comum dos vadios e pessoas que vivem contentes. Vi os loucos e dezenas de carros parados porque não havia pressa. Eu estive em Pasárgada. Fumei, bebi, não fiz amor porque não quis (ah, que bom ter liberdade) e agora estou aqui. De volta a minha casa. De volta ao mundo prático. Outro dia voltarei à Pasárgada. Porque, uma vez estando fora de si, difícil é aceitar a vida como fim. O melhor é viver de descobrimentos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois passos curtos e alastrou-se diante de mim a Avenida Pedro II. Gosto de ruas com seus nomes imponentes. Parecem mais fortes. Caminhei rápido antes de pegar a chuva. Cheguei ao consultório. Abri a porta e me deparei com a longa fila de pessoas que seriam atendidas antes de mim. Nunca me adaptei a médicos por ordem de chegada. Eu gostava da hora marcada, porque, dessa forma, ninguém se perdia. Mas o homem reinventa tudo e retira a ordem das coisas. Por isso me tornei paciente. Não que eu viva em consultórios. Mas, de vez em quando, vou ao médico. A recepcionista me atendeu como se estivesse cansada. A mulher usava camisa azul, uniforme azul, sapato azul e batom vermelho.  Muito gentilmente, assinei meu nome em uma ficha e encontrei um lugar agradável para me sentar. Era preciso, já que a tarde seria longa. Após me sentir confortavelmente sentada, bolsa no colo e pernas cruzadas, dei uma olhada nas pessoas que estavam no consultório. Uma mulher e um velho, outra mulher e uma menina adolescente, um homem e uma mulher calçando tamancos e um representante de medicamentos. Ninguém conversava. Todos olhavam a tevê. Mas era um olhar perdido na cara de todo mundo porque estavam esperando e isto causa ansiedade. Não há tempo para tevê. Colhi uma revista que estava no sofá ao meu lado e passei a folhear. Atriz, modelo, Madonna, atriz, ator, cantora, política e horóscopo. Li. Engraçado é que meu signo diz muito de mim. É uma grande coincidência. Logo eu, que em pouca coisa acredito, tenho um signo que me revela. E o tempo foi passando. Decidi fazer palavras cruzadas. Saquei uma caneta da bolsa e comecei a rabiscar a revista do consultório. Pensei nas mãos que haviam tocado aquela revista. Pensei nos olhos que por ela haviam se largado. Pensei em sexo. Intrusivamente me veio este pensamento. Sexo + sexo + sexo = pernas doídas e dor nas costas e sorriso de fazer gosto brilhando no espelho. Ou nem sempre isso. Muitas vezes o sorriso é fingido, o orgasmo é tímido e o gemido não desemboca em combustão. Rabisco espirais na revista. Largo a revista. Alcanço folhas de jornal. Caderno Literário. Agora sim eu estava em casa. Li crítica, poesia lambuzada de chatice, escritor ralhando sobre si e decidi roubar o caderno literário. Meti na bolsa o jornal. Ninguém viu. E, se viu, que mal tem roubar jornal? Conheço gente que rouba vida, rouba amor, rouba tempo. Eu roubei apenas este jornal. Apenas este caderno de um vasto jornal cheio de notícia de hoje cedo, de morte, de atropelamento, de medo, de gente acontecendo. Apenas um caderno. Sorri por roubar. E logo chegou minha vez de ser atendida (estou correndo contra a narrativa). Entrei no consultório, respondi algumas perguntas, disse sim para ganhar tempo e saí de mãos dadas com a consciência limpa por ter ido ao médico, por ter sido discreta, por ter conseguido a receita para permanecer quieta. Andei pela Avenida Pedro II olhando o sol se pôr. Eu e meu jornal roubado. Mal nenhum. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://pedraxas.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;pedraxas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2537284828814107787?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2537284828814107787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2537284828814107787&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2537284828814107787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2537284828814107787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/11/jornal-roubado.html' title='jornal roubado'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-KdwTTWreUi8/Tq9nZZCOQuI/AAAAAAAABFM/Cf9cwqxBev0/s72-c/woman_with_a_bag_2_by_pedraxas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4687179442185029760</id><published>2011-10-29T16:16:00.000-03:00</published><updated>2011-10-29T16:16:18.404-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parafernália'/><title type='text'>do livro à prática</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MOcPMCGUTfY/TqxPsm3jyOI/AAAAAAAABEU/EGwOybHfTOk/s1600/9495.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-MOcPMCGUTfY/TqxPsm3jyOI/AAAAAAAABEU/EGwOybHfTOk/s400/9495.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje é dia nacional do livro. Acordei cedo, liguei a máquina de lavar, observei a chuva molhar o jardim, alimentei meu cachorro, arrumei algumas roupas, organizei contas pela data marcada nos envelopes, pensei em uma amiga que está passando por problemas financeiros, liguei o som e decidi ouvir Legião Urbana. Recebi alguns e-mails. Não li, sequer, a metade deles. Li apenas um. Li duas vezes e pensei em não responder. Abri a página do Facebook, li algumas mensagens, algumas frases e, foi então que me dei conta: hoje é dia nacional do livro. Pensei em homenagear meus escritores de cabeceira. Mas desisti. É tão clichê homenagear. Prefiro ler. Ou talvez dizer que ando lendo mais do que antes. Estou lendo Bocas do Tempo, de Eduardo Galeano. Estive ontem em uma livraria de João Pessoa e comprei este livro. E também O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse. Optei por ler Eduardo Galeano. Seu livro me chamou atenção pela força das narrativas (embora curtas). Os títulos também me causaram curiosidade. Não há nada de enfeites descolados ou metafóricos. O livro vai direto ao ponto. Narra histórias de diversos personagens de forma simples e lúcida. Há ganchos na narrativa de Eduardo Galeano que pode levar o leitor mais atento a fazer do livro Bocas do Tempo uma resposta para muitas perguntas, e, encontrar, em meio às narrativas, o belo lirismo da poesia. Bocas da Noite é um passeio por várias vidas. Um longo passeio. E o narrador não desperdiça palavras ao contar as histórias. São exatas. Uma leitura perfeita para quem busca, dentro da narrativa curta e rápida, profundidade, verossimilhança, e, não esquecendo o objetivo maior do fazer literário: encontrar a arte em forma de palavra e apreciá-la. Pois, como já cantavam os Smiths na canção Handsome Devil: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Há mais coisas na vida além dos livros, você sabe.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Mas não são muitas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, hoje é dia nacional do livro. E, para este dia, eu me reservo a ler e entender que, não importa a quantidade de livros que se tenha em casa. O que importa é realmente fazer do livro um exercício. Praticar livros assim como se pratica a vida. E não somente conhecer escritores por nomes e citações. Para que possamos homenagear a literatura, precisamos ler, acima de tudo. E precisamos entender que escritor é aquele que nos leva a um domínio mais vasto que é o mundo literário. Mundo bom de se ir e se encontrar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Fonte da Imagem: &lt;a href="http://osilenciodoslivros.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;o silêncio dos livros &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4687179442185029760?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4687179442185029760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4687179442185029760&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4687179442185029760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4687179442185029760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/do-livro-pratica.html' title='do livro à prática'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MOcPMCGUTfY/TqxPsm3jyOI/AAAAAAAABEU/EGwOybHfTOk/s72-c/9495.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3567670080629336590</id><published>2011-10-27T11:32:00.000-03:00</published><updated>2011-10-27T11:35:15.985-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>ideário</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2m-iD9Sg108/Tqlqv-0tSHI/AAAAAAAABEI/4xjVAAfVdNM/s1600/LEColesPhillips.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-2m-iD9Sg108/Tqlqv-0tSHI/AAAAAAAABEI/4xjVAAfVdNM/s400/LEColesPhillips.jpg" width="325" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma um chá que a história é longa. Inicio me deixando pré-datada. Peixes, ascendente sagitário, esquina com General Osório, número quatro. Ah, quantos acontecimentos até chegar aqui. Neste ponto. Será azul a cor do céu que observo? Agora vejo que tudo fora preciso. Emergia de mim uma pretensiosa vontade de mentir para mim mesma. Eu precisava me esconder para não me saber. Estranho esconder-se de si mesmo. É como escrever. Travestir amargura em alegria de forma tão calculada. Eu era trapezista de correr riscos. Vivia de absurdos. Ainda vivo meus excessos e abusos. Não me canso de ser. E meus crimes não são bárbaros. Quase não existem. Ninguém os vê. Eu apenas contava histórias. Eu as vivia. Tão nítida era minha vivência de tudo. Um dia eu sufocava cavalos marinhos. No dia seguinte acordava ansiosa por comprar flores para Mrs. Dalloway porque eu não suportava mais aquela velha borrifada de quinquilharias existenciais. Sofri bugalhos. Tortos, confusos e emancipados. Existencial eu me tornei. Não apenas por estar física e permanentemente agregada ao que sou. São meus sentidos aflorados que me dizem que existo. A despeito dos contrários e dos viadutos que a cidade não ostenta, eu insisto. Viver é isto. Sustentar ideários e palavras é o meu ofício. Eu preciso dizer que insisto. Em voz alta, como um político profetizando em meio à praça, eu insisto. Não despeje teus rabiscos em meus livros. Não deixe tua mão sobre minhas palavras. Não exerça falsa soberania em meu estado de calamidade pública. Não trafegue de contrário a minhas navegações. Não invente de corrigir meus erros. Porque é um imenso novelo que agora se desfaz. A gente vive tentando correr de pressa com a vida e ela age a seus propósitos. Não me esforço em dilatar meus pesares. Sofro meus lutos. Sofro em bruto estado de emergência. E, ao acordar dias depois, ainda sofro. Mas é de uma sábia dor que não me comove e não me faz arrastar correntes. Minha hora é de gramática baseada em exceções. Meus erros são simultâneos aos meus exageros. Não banalizo sentimentos. Fervorosa eu os recebo. E desarmo holocaustos em um sorriso compenetrada de amor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Coles_Phillips"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Coles Phillips&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3567670080629336590?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3567670080629336590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3567670080629336590&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3567670080629336590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3567670080629336590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/ideario.html' title='ideário'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2m-iD9Sg108/Tqlqv-0tSHI/AAAAAAAABEI/4xjVAAfVdNM/s72-c/LEColesPhillips.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-110332965344196062</id><published>2011-10-25T23:14:00.000-03:00</published><updated>2011-10-25T23:15:27.023-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>casa dos trinta</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-buHvnctIQ14/TqdshpitgGI/AAAAAAAABDw/J3pV0a_c6zM/s1600/Brave_Explorers_of_Yesteryear_by_jasinski.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-buHvnctIQ14/TqdshpitgGI/AAAAAAAABDw/J3pV0a_c6zM/s400/Brave_Explorers_of_Yesteryear_by_jasinski.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensou que nunca chegaria a tal ponto? Mas você chegou. Casa dos 30. Dois dígitos agrupados de responsabilidades, Balzac e uma dose de Prozac, talvez.  Eu sempre achei que minha vida aconteceria sempre entre os 15 e 20 anos. Tempo em que meus problemas eram as menores partículas do universo. Namorados, virgindade, sexo e maconha. Sim, eu fumei maconha. Não me reprove ainda porque não estou fazendo apologia às drogas. Estou apenas tirando a venda de alguns olhos. Em meu tempo de adolescência fumar maconha era, ao que vejo dos dias de hoje, um ato de ingenuidade. Meus amigos e eu sentávamos na praia e fumávamos e alguns tocavam violão e outros se apaixonavam. Claro que muitos de nós (meus amigos e eu) passamos por situações que poderiam ter sido evitadas. Lembro de ver a polícia nos revistando, alguns de nós foram reprovados na escola, outros se voltaram para drogas mais pesadas (rumo errado), alguns ficaram neuróticos e outros estão felizes e contentes em suas vidas. Fim da história? Não. A vida continua e estamos envelhecendo. Maconha não faz mais a cabeça. Porque chegou, há tempos, a idade de se preocupar mais com a saúde, pagar contas, trabalhar, criar filhos, ler jornais e acompanhar a política de cada dia e, de vez em quando, beber para selar nosso círculo social. Estive pensando nisso hoje. O dia inteiro. Em meio ao turbilhão de coisas que estou vivendo (problemas pessoais opcionais e obrigatórios e uma dor de dente repentina), passei o dia pensando na famosa ladainha "ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". E descobri que, além de um ótimo compositor, Belchior também é profeta. O vaticínio dele me cabe tão bem que sequer encontro espaço para folgas. Hoje me preocupo com o mundo. Penso nas crianças molestadas, feridas, mortas de fome e de vida. Vejo meu filho crescer e seus hormônios começando a trabalhar. Penso a respeito do que irei dizer quando ele vier me perguntar algo sobre sexo. Será que ele irá me perguntar ou eu terei que entrar no assunto? Penso em meus sobrinhos que estão passando pela adolescência. Olho nos olhos de minha sobrinha e gostaria de poder dizer a ela que tudo isso vai passar. Queria poder dizer a minha sobrinha que essa fase de achar que o mundo gira ao redor de nosso umbigo é passageira. Queria poder dizer a todos os meninos e meninas para se afastarem da maconha, do cigarro, da bebida, das drogas todas e do sexo sem proteção. Queria dizer às meninas que seus corpos não são objetos de prazer e que alguns homens são sacanas e podem machucá-las de verdade. Queria dizer a todos que isso tudo passa e é preciso ter juízo dentro de toda loucura porque a vida não é brincadeira. Gostaria de dizer. De verdade. Eu quero dizer que a rebeldia de agora é ato que logo perde o efeito. E a consequência de todo delito somente nos causará danos. Mas eu não posso falar. Será preciso que eles sofram para realmente aprender a viver? Até que ponto eu posso e devo proteger alguém de suas experiências? Será realmente necessário se ferir enquanto adolescente para entender melhor a idade adulta? Eu ainda não sei. Mas algo me surge agora. Talvez, alguém que esteja na casa dos 50, leia o que escrevi e esteja pensando da mesma forma que eu. Talvez esta pessoa queira me dizer que tudo irá passar. Que é apenas fase. E talvez esteja sentindo o mesmo receio que eu e se perguntando será que devo avisá-la que tudo isso irá passar? E a conclusão é simples: No fim das contas, somos todos iguais. Crianças crescidas vestindo uniforme de pais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by  &lt;a href="http://jasinski.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Aaron Jasinski&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-110332965344196062?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/110332965344196062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=110332965344196062&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/110332965344196062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/110332965344196062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/casa-dos-trinta.html' title='casa dos trinta'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-buHvnctIQ14/TqdshpitgGI/AAAAAAAABDw/J3pV0a_c6zM/s72-c/Brave_Explorers_of_Yesteryear_by_jasinski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-910374531571815444</id><published>2011-10-22T18:19:00.000-03:00</published><updated>2011-10-22T20:23:22.829-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>do sofá ao sol</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mVYcyE31v2E/TqMyg2aZlAI/AAAAAAAABDk/8rGlQTROKFs/s1600/Quiet_Moment_by_lilwasian.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-mVYcyE31v2E/TqMyg2aZlAI/AAAAAAAABDk/8rGlQTROKFs/s400/Quiet_Moment_by_lilwasian.jpg" width="297" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou chorando. Mas é um choro contido. Nada histérico. Estou na sala de minha casa, o sol da tarde ilumina de amarelo o sofá e o piso está limpo. O mensageiro dos ventos sopra o tempo lá fora e as folhas continuam a cair da árvore que há em meu jardim. Árvore esta cujo nome eu não sei. Mas ela é frondosa e bela. Mas não é a respeito de minhas coisinhas que quero falar. Peço perdão aos literatos por meu tom de autoajuda neste escrito, mas eu preciso dizer que há em mim uma necessidade bruta de querer ajudar alguém. E, como não posso ajudar estendendo minha mão, eu estendo minhas palavras. Não é de hoje que pronuncio silenciosamente a palavra frustração. Verbete complicado de se dizer, não? Imagine então vivenciá-lo. São tantos de nós correndo contra a maré, tentando fazer o melhor, escorregando pelos cantos para vencer nesta vida. São tantos. Perdi as contas de quantos amigos já encontrei na total falta de esperança. Como se a vida não tivesse mais sentido ou a tal luz no fim do túnel tivesse, de repente, se apagado. É assim a tal frustração e o que ela nos causa é um rombo tremendo em nosso lado emocional, psicológico, físico e assim por diante. Mas ainda não é este o meu assunto. É algo mais. Estou tentando ir mais longe para alcançar o mais distante de todos os nossos problemas: a grande expectativa. Dickens escreveu um livro intitulado Grandes Esperanças e, talvez, nada tenha a ver com o assunto que tento alcançar. Há livros e mais livros tentando nos ensinar a lidar com nossas perdas e fracassos. E há também livros que tentam nos ajudar a entender que temos limites. Colocando de forma objetiva, perdoe-me a simplicidade do exemplo, digo: nem todos nasceram para chegar em primeiro lugar. Nem todos nascemos para a fama. Nem todos nós teremos o grande amor de nossas vidas (aquele que é tão mencionado em filmes e livros). Nem todas as meninas exibem a mesma perfeição que exibem as modelos de passarela. Nem todos os homens poderão, de forma natural, engravidar suas mulheres. Nem todas as mulheres descobrirão o ponto g (eu mesma não sei do que se trata) e, nem todas as causas serão entendidas (homossexuais serão, por muito tempo ainda, vistos de forma marginal). Nem todas as crianças se tornarão gênios tal qual Steve Jobs. Nem todo amor irá durar mais que o suficiente para causar danos. Muitas pessoas talentosas continuarão anônimas, enquanto outras, de talento algum, continuarão no topo da mídia. E as grandes expectativas que criamos é o que nos destrói. Penso nisso. Não estou dizendo que nascemos para ficarmos contente com o pouco, o mínimo, o nada. Digo apenas que é melhor construir nosso sonho em base forte (nem que seja começar a sonhar pequeno e depois, talvez, se agigantar ao conquistar coisas). É preciso que se saiba que nossa frustração não está apenas em governos, em guerras, na tevê que nos alimenta de futilidades. Nossa frustração está em querer a lua, sem, ao menos, termos conhecido o chão que nos toca os pés. Talvez tudo que eu deixei escapar aqui não faça sentido algum. Você que me lê pode estar tão feliz que mal se dê conta de que, ao seu lado, há alguém que grita urgentemente por ajuda. Sei que o assunto é repetitivo. E, por ser assim, é preciso que se diga sempre que seremos o que o nosso limite nos permite. Não falo de acomodação, repito. Falo de algo mais humano. Sejamos prudentes em nossos sonhos. Odeio parecer otimista ou simplista ao extremo. Ou burra demais a ponto de não conseguir deixar claro o que digo. Serei clara. Seja você e esqueça a casa vizinha, esqueça o orgasmo que você nunca sentiu, esqueça a sensação de ressaca que a frustração deixou em sua boca. Esqueça o topo da montanha. Olhe mais para o chão e, talvez, o céu lhe convide a viver mais pleno e satisfeito por suas vitórias. Precisamos viver o que somos. Apenas o que somos. Assim como o sol que, momentos atrás iluminava a sala, e agora se foi para dar lugar à noite. Apenas como o sol.  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://lilwasian.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Aimee&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-910374531571815444?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/910374531571815444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=910374531571815444&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/910374531571815444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/910374531571815444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/do-sofa-ao-sol.html' title='do sofá ao sol'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-mVYcyE31v2E/TqMyg2aZlAI/AAAAAAAABDk/8rGlQTROKFs/s72-c/Quiet_Moment_by_lilwasian.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6178089719733382289</id><published>2011-10-19T01:55:00.000-03:00</published><updated>2011-10-26T00:02:43.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>nó de pêndulo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dLG5EpWg0-U/Tp5UuiXMG9I/AAAAAAAABDQ/0MSHefKRhIg/s1600/kitchen_by_cyzeal-d47o1yv.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-dLG5EpWg0-U/Tp5UuiXMG9I/AAAAAAAABDQ/0MSHefKRhIg/s400/kitchen_by_cyzeal-d47o1yv.jpg" width="255" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object height="40" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=25274201&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=25274201&amp;style=water&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto algumas pessoas estão na lua plantando seus jardins, outras ainda estão selando seus cavalos. Paradas. Lacradas. Cheias de passado e medo. Modernidade atarantada fincada entre os dedos. Sofreguidão ou desejo? Dúbia minha resposta de anseios. Eu nunca durmo cedo. Sou contra relógios. Trabalho às seis. A 20 quilômetros por hora caminham meus segredos. E entrego minhas senhas: sou narcótica, trotando em fase exótica e excessivamente periódica. A puta mais digna em reunião de pais e mestres. Santa convertida e alérgica a mesmices. Prendada e pronta pro uso via venosa sem anestésico. A tarja cega amarga meu puro nó de pêndulo. E hoje é dia de meu santo. Faço oferenda. Canto minha reza forte e que mal algum me arrebente. Estou sentada para não cair. Preguiçosa vaga minha mente por histórias. Vidente adivinho meu próximo movimento. Esquerda, direita, volver. Hoje recebi um convite importantíssimo. Mas adiei. Que a montanha venha dessa vez. Cansei de empurrar barcos ao mar. Bebi uísque noite passada e nada deu em nada. Sou péssima em matemática. Conta escandalizada de excessos. E vou aprender a falar francês porque acho très chic mandar alguém à la merde sem que pareça vulgar o meu simples português.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://cyzeal.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;sira sandberg&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6178089719733382289?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6178089719733382289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6178089719733382289&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6178089719733382289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6178089719733382289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/no-de-pendulo.html' title='nó de pêndulo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-dLG5EpWg0-U/Tp5UuiXMG9I/AAAAAAAABDQ/0MSHefKRhIg/s72-c/kitchen_by_cyzeal-d47o1yv.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2668851887451187667</id><published>2011-10-12T22:41:00.000-03:00</published><updated>2011-10-12T22:42:41.582-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>a doce cólera de um beijo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yZ-TP5ATPrI/TpZAUVH96bI/AAAAAAAABC4/Sw_LpU_uKxk/s1600/081910_by_taho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-yZ-TP5ATPrI/TpZAUVH96bI/AAAAAAAABC4/Sw_LpU_uKxk/s400/081910_by_taho.jpg" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;A Ediney Santana&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;e ao brilhantismo poético das mulas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo besta tem um palco. Este é o meu. Vesti-me de palhaço perante as multidões e acordo com o gosto hostil de seu beijo de inverno. Hoje nada mais me parece estar em seu lugar. A mesa, o liquidificador, o ventilador e suas pás ― tudo está em descompasso. Ela denunciou suas mudanças e eu, o tolo, não acreditei. Ela denunciou suas verdades e eu apenas disse que nada poderia me ferir. Sinto, nesse momento, uma imensa necessidade de estar só. Decidi que caminharia pela praia. Após me despedir da mulher, hoje cedo, preparei roupa de atleta, entornei suco pela goela e de nada adiantou. Não me dei à caminhada. Minha preguiça é repleta de compromissos. E eu tenho algo a pensar que me ocupa o dia inteiro. Ela precisa existir. É na total ausência de ação que vasto meu pensamento e percebo nuances nunca vistas em meu rosto, meu corpo e na mulher que me assume homem. Ela está assumidamente verdadeira em minha vida. Chego à praia e já é noite. Turistas passeiam. Percebo alguns casais se beijando exageradamente e isto me causa inveja. Conseguem ser felizes de forma simplória. Um beijo e o mundo deles se completa. O meu, não. Busco respostas em cada pensamento meu. Não consigo peneirar minha crise. Ela está aberta ao público. Acontecendo feito espetáculo de circo. Posto meu olhar no bruto espaço da rua. As casas me parecem iguais. E também o asfalto. A calçada traz sempre o mesmo ar exibicionista de aspecto urbano: lixo, gente, fedor de urina nos recantos e rachaduras. Tenho a súbita sensação de estar vivendo a mesma cena de tempos atrás. A solidão é o meu estado e território e faço disso meu estandarte. Caminho um pouco mais e chego a um bar. Tudo funcionando como de costume. Encontro uma mesa que me distancie das pessoas. Sento-me. Preciso estar só para pensar naquela cuja existência me causa um tipo de cólera adocicada que me faz querer sempre estar por perto. Porque ela existe e me corrompe de tal forma que mal posso respirar sem que a imagem daquela mulher me cruze o pensamento. Eu tento investigá-la para, um dia, quem sabe, conseguir entender o que tanto mais ela esconde. Não pode ser simplesmente o fato de sua vida comum de mulher comum. Ela possui mais que isso. Eu a conheço. Eu a vi. E ela recorre a mim em noites como esta. Deverá surgir novamente com seus ares elegantes de inocência. Imatura demais para se ver como é, ela recorre a mim para que eu diga o que vejo. Mas eu não digo. Eu não quero dizer porque, desta forma, estarei também me denunciando. Hoje não deixarei que sua amabilidade me consuma. Sua voz hoje não me fará efeito. Não quero saber de suas dores. Não quero seus anseios. Seus seios podem até me fartar. Mas eu busco mais que sua presença. Serei imbecil por querer daquela mulher sua total essência? Serei tolo ao deixar emergir de mim essa vontade de estar com ela não somente em palavra ou em noites salteadas de um calendário indócil? Eu quero a mulher. Mas ela é um luxo que não posso assumir e não tenho coragem para correr riscos. Eu já envelheci o bastante para saber que ela não estará por mim da mesma forma como sempre estive por ela. Bebo algo alcoolicamente aceitável ao meu paladar. Embriago-me. Sinto ainda o gosto de seu beijo de despedida. Ela sempre vai embora encardida de minhas forças. Eu deixo minhas marcas em seu corpo porque é disto que vivo e nada mais recebo. Eu a amo e não sei dizer. Já tentei diminuir a mulher e fazê-la sentir-se semelhante. Ela me diz que sou rude e sofro de auto piedade. Ela talvez esteja certa. Mas há algo que de mim ela nunca saberá. Porque, quando ela acorda, eu já estou desperto. Eu a observo antes de acordar e sei de seus olhos fechados, enquanto, outros, sequer podem tocá-la. Eu conheço a mulher em segredo e foi preciso que eu saísse de casa e perdesse meu olhar em ruas a enxergar a vastidão desse mundo, do mar e dos casais abraçados nesta praia para saber que não há fuga quando o sentimento é perpétuo e feito em silêncio. Talvez eu não ame aquela cuja existência me perturba. Talvez eu queira mais que amor. E não sou tão forte ao ponto de negar minha presença à mulher. Observo o mar escurecido pela noite e volto para casa a espera de um beijo hostil. Viverei de inverno se esta for a solução para o que sinto. Viverei secreto o pavor de minhas ânsias por sua presença. Debilmente eu aceito seu calendário em cujos dias eu não passo de um número inapropriado.  Volto para casa e a recebo. Em nossa cólera furtiva de todos os sentidos passamos a noite e contamos o tempo esperando que o dia não nos atormente. E, ao amanhecer, outro inverno me assombra. Aceito o fardo. Toda realidade que vivo é indecente.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O remédio será seguir o imundo&lt;br /&gt;Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,&lt;br /&gt;Que as bestas andam juntas mais ousadas,&lt;br /&gt;Do que anda só o engenho mais profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Gregório de Matos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;a href="http://taho.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; taho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2668851887451187667?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2668851887451187667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2668851887451187667&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2668851887451187667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2668851887451187667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/doce-colera-de-um-beijo.html' title='a doce cólera de um beijo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-yZ-TP5ATPrI/TpZAUVH96bI/AAAAAAAABC4/Sw_LpU_uKxk/s72-c/081910_by_taho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5606721085798416999</id><published>2011-10-09T18:55:00.000-03:00</published><updated>2011-10-09T19:19:09.779-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>da fome alimentada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-r_s5u7bTXRQ/TpIWeJRWVOI/AAAAAAAABC0/FQP_hGygbJA/s1600/did_my_mind_play_tricks_on_me_by_Taztooed.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-r_s5u7bTXRQ/TpIWeJRWVOI/AAAAAAAABC0/FQP_hGygbJA/s400/did_my_mind_play_tricks_on_me_by_Taztooed.jpg" width="315" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Há muito mais estrelas que máquinas, burgueses e operários: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Quase que só há estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Murilo Mendes)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Noite de sexta-feira e eu resolvi não sair de casa. É comum receber telefonemas de amigos me convidando para ir a lugares e respirar os mesmos ares que respiro todo fim de semana. Mas resolvi ficar em casa, e, talvez, revisitar algum livro lido em dias passados ou ouvir música na sala. Eu não queria sair para dar de novo com as mesmas conversas que travamos em mesas de bar. Nada acontece de novo. Estamos nos repetindo, nos enganando, querendo o que não é nosso e, todo desejo alimentado em vão, certamente, causa a dor maior. E não foi por medo de sentir fome que resolvi não sair. Foi por sentir que não há necessidade alguma em alimentar esta fome reprisada. Tudo está calmo em mim. Amadureço meus pensamentos, revejo filmes, fumo um cigarro ou outro e vejo a árvore de meu jardim despejar seus frutos. Há tempos para estar exposto. E faço isso constantemente ao escrever. Mas agora alimento apenas uma vontade: deixar-me sentir tranquilidade, paz, a obviedade de todas as coisas mais simples. É preciso sentir-se. Isolar-se. E, se houver necessidade, observar estrelas. Aí está a grande novidade. Observar estrelas da janela. Ninguém mais observa estrelas. Não há tempo. Não há nas estrelas a resposta imediata para nossos anseios. Grande engano. Há respostas. Eu levei tempo para entender minha mansidão e largar meu andar tagarela de atropelos. Hoje estou disposta a entender o que me acalma, o que me faz dormir quase sossegada. Ainda estou em guerra contra meus sentimentos mais alheios. No entanto, estou em paz e alimentados estão meus esfomeados desejos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://taztooed.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Taztooed&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5606721085798416999?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5606721085798416999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5606721085798416999&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5606721085798416999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5606721085798416999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/da-fome-alimentada.html' title='da fome alimentada'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-r_s5u7bTXRQ/TpIWeJRWVOI/AAAAAAAABC0/FQP_hGygbJA/s72-c/did_my_mind_play_tricks_on_me_by_Taztooed.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4440959419308639492</id><published>2011-10-08T00:10:00.000-03:00</published><updated>2011-10-08T00:11:28.600-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>solace verberato</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JM0FouNU4HM/To--cKgpImI/AAAAAAAABCw/k4EfWzZ1Sx4/s1600/red_tulips_by_pygar-d33pcp4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="340" src="http://1.bp.blogspot.com/-JM0FouNU4HM/To--cKgpImI/AAAAAAAABCw/k4EfWzZ1Sx4/s400/red_tulips_by_pygar-d33pcp4.jpg" width="430" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que há de errado na melancolia? Que há de errado no tom das vozes iludidas? Que há de errado no pesar, na perda, no instante da partida? Nada há de errado na tristeza humana. Nada há de errado em sentir-se só o narciso ressecado em meio ao rio. Nada há de errado no vazio que preenche o precipício. Parte de nós o suplício para que nos venha celebrar a face o riso. Nada há de errado ao narciso. Nada há de errado em mim. E se me implica martírio e isolamento meu timbre, por deus, deixa-me sentir. Deixa-me, por deus, meu sentir.  Pois varre da janela o vento da rotina. Que é isto que me queima em febre a carne por tempos amortecida? Que é isto que subtrai de mim sentimentos que eram somente meus? Nunca em vida eu me deixei abater. Era soldado. Era deus. Eu costumava ser de minha propriedade até este momento que previsto crime de mim furtou o olhar, a fala, a palavra que sólida arquejava sensatez e equilíbrio. É quando visto a cama em lençol de seu aroma inebriado que sinto o amor finalmente enlaçando-me com seus artifícios bélicos e eu me distraio de mim. Tenho apenas a febre. A inflamação. A bruta combinação em pele que ouso tocar para depois saber que não há outra identidade senão esta. De amor tenho vivido. De amor serei precisa ao dizer a todos que me deixem viver os dias sem que horas me corrompam. Que se cale a margarida repetida de alegrias. Que se cale o modernista que arquiteta mínimo poema. Que se calem todos. Eu insisto em existir.  E se causa cólera minha palavra em forma de vida, silencie sua voz o prático racional festivo. É de amor que vibra meu timbre. E tudo que é amor me dói em vasto sentido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://pygar.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Pygar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4440959419308639492?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4440959419308639492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4440959419308639492&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4440959419308639492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4440959419308639492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/10/solace-verberato.html' title='solace verberato'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JM0FouNU4HM/To--cKgpImI/AAAAAAAABCw/k4EfWzZ1Sx4/s72-c/red_tulips_by_pygar-d33pcp4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7663667862594861040</id><published>2011-09-25T11:40:00.002-03:00</published><updated>2011-09-25T11:40:39.987-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>mosaico de ocorridos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-h3uKgCmeqbE/Tn88F5bT5jI/AAAAAAAABCk/fQl16XTJC2g/s1600/The_Fruit_Merchants_by_justindmiller.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-h3uKgCmeqbE/Tn88F5bT5jI/AAAAAAAABCk/fQl16XTJC2g/s400/The_Fruit_Merchants_by_justindmiller.jpg" width="297" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia acordou cedo. Café quente com leite e pão com manteiga. Cama feita com zelo. Penteia os cabelos ainda molhados do banho e assiste as primeiras notícias da manhã. A vida funciona mesmo quando muitos dormem. Pássaros no céu e algumas pessoas presentes na rua. Passa o entregador de jornal. Bom dia abissal de riso bem dormido e a hora passa. Lava roupa que o vento seca. Deixa ao sol o tapete empoeirado. Lava o carro o vizinho que também já está acordado. O vendedor de panelas e cadeiras de balanço lança seu grito para acordar os dorminhocos preguiçosos esquecidos das ordens. Uma moça contente vende pano de prato artesanal. Outro dia, moça. Semana que vem, talvez, eu compre um de seus trabalhos. Mosaico de ocorridos é o dia em seu começo. O trabalhador público caminha em direção ao ponto de ônibus e atesta em seu relógio o minuto exato de pegar a condução. A padaria ruge bromato. O homem vende milho cozido a preço de bananas. A condução do trabalhador chega a tempo. O milho cozido gera emprego. Um bêbado acorda esbaforido. Pensava estar dormindo em casa. Mas era na rua que estava o homem. Segue em paz. Salão de beleza abre as portas, meninada já está na escola, alguém chora por amor partido, o padre decora seu sermão e a beata faz bolo de laranja para alegrar a congregação. O dia acordou cedo e brilha intenso o sol. Mas algo falta ao dia que desperta. Pois é da natureza de todo homem sentir falta da matéria embalsamada do dia anterior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://justindmiller.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;justindmiller&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7663667862594861040?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7663667862594861040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7663667862594861040&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7663667862594861040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7663667862594861040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/mosaico-de-ocorridos.html' title='mosaico de ocorridos'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-h3uKgCmeqbE/Tn88F5bT5jI/AAAAAAAABCk/fQl16XTJC2g/s72-c/The_Fruit_Merchants_by_justindmiller.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5283619870536398018</id><published>2011-09-24T15:52:00.001-03:00</published><updated>2011-09-25T03:51:17.692-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>autodesacato</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UkJ75KqMSV4/Tn4mFPmIRRI/AAAAAAAABCg/P3F3VwI3eo4/s1600/5401230118_50cf7708c6_z.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-UkJ75KqMSV4/Tn4mFPmIRRI/AAAAAAAABCg/P3F3VwI3eo4/s400/5401230118_50cf7708c6_z.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje vou falar de amor. Munida estou de proteção e da boa cartilha de palavras comedidas e propensas à falta de pudor. Mas não posso me dar ao trabalho de temperar ventos idos. Prefiro o nó da hora, de estar só em alguma companhia e trair minha vontade olhando fotos que não são minhas. Eu amei. Pretérito e não mendigo por um futuro. O café fora moído em grãos de esquecimento e requentado está o aroma de seu líquido. Preciso ser clara antes que a visibilidade de minhas palavras caia na hermética imperfeição do medo. Nunca em minha vida amei uma criatura de caminhos tão confusos. Aliás, nunca amei. Nunca, criatura. Admito ter sentido rubores em algumas ocasiões. Pronta estava em corpo e maquiagem para alguns outros que me afligiam. Porém, meu estado já havia sido tomado. Soldados e grandes tanques invadiram minhas ruas e havia um ditador de força absurda que tanto me tirou o equilíbrio. Mas de que serve equilíbrio quando a rede protetora há muito despencou? Uma vez em campo minado, preparada &amp;nbsp;eu estava para sua pesada artilharia. E assim ocorreu desde o início. Você me comia e eu comia você com as mãos. As mesmas que redigiram carta, compraram desgraças e perderam sentido e direção. Eu não me importava com mais nada. Era você, eu, janela fechada o dia inteiro e incenso queimando o juízo. E não me importavam passeios, idas e vindas, dia de amanhã e salário. Eu engoli o azar de viver da saliva de um amor. E nada era tranquilo. Deixei a tranquilidade esquecida em minha blindagem aberta, escancarada e rasgada por você. Não sei quantas vezes me despi para que você viesse ao mundo ressurgido em meu ventre. Fiz amor, ou era sexo, ou era pornografia o que ocorria todas as horas de todos os dias? Não me responda em sensatez. Havia também um grande altar de minha alma rezar. Mas o santo calou-se mudo, preso que estava ao mundo e encarcerado por seus milagres todos vãos. Eu fiz o que faria qualquer meretriz ou atriz ou qualquer palavra que o diga. Atraí minha imagem ao autodesacato. E, de sua tirania, todo orgasmo me valia. Eu sangrava estanque querendo sempre você dentro de minha garganta, invertendo pernas, corrompendo meu corpo a todo seu amor. Mas é preciso o fim para que tudo mais se faça em sentido. Você se tornou tirano deposto. Agora fala em deus e vai para cama dizendo amém. Suporto a sede que se encerra. Mas detesto toda atitude de misericórdia e projetos honestos e ruidosamente minúsculos. Prefiro o espelho a me desejar a viver de bom gosto e da boa atitude dos comuns. Por isso não amo mais o homem que agora respira infâncias e recorre a velhas ferrovias para sentir-se completo. Não tivemos filho, nem casa, nem promessa vigiada por papel. Mas tivemos tudo o que tantos buscam: amor, ódio e sorrisos em espasmos de contemplação. E eu amei você, você me amou, o mundo continua girando, amores ocorrem a cada centavo e finda em sarcasmo o que antes era imenso, ingênuo e nosso o aroma dos dias de orgia destilados. E quase nada nos restou. Apenas a parede, o estalido da partida e uma falsa rima que poeta algum desenhou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/claudicelio/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;cláudio rodrigues&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5283619870536398018?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5283619870536398018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5283619870536398018&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5283619870536398018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5283619870536398018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/autodesacato.html' title='autodesacato'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-UkJ75KqMSV4/Tn4mFPmIRRI/AAAAAAAABCg/P3F3VwI3eo4/s72-c/5401230118_50cf7708c6_z.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4500719119961481825</id><published>2011-09-22T23:07:00.002-03:00</published><updated>2011-09-23T01:50:35.962-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>extinto</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-X_CogNiVfNo/TnvpIlCjBzI/AAAAAAAABCM/WmcW8FnWEQU/s1600/howard__s_room_by_Di___Chan.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/-X_CogNiVfNo/TnvpIlCjBzI/AAAAAAAABCM/WmcW8FnWEQU/s400/howard__s_room_by_Di___Chan.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje é meu aniversário. No entanto, não comemoro. Há razões dentro de um homem que o levam mais ao infortúnio do que às parcas celebrações em vida. Entre os presentes, minha família e amigos. Organizaram um almoço a todo meu benefício. Estou sorrindo para um retrato que, assim como outros, não terá mais valor depois de passado o efeito do uísque. Ou talvez tenha. Poderei ver todos que estão ao meu lado nesta altura de meus dias. Meus irmãos (dois — um homem e uma mulher) estão felizes. Aparentam estar. A consciência deles ainda não fora afetada como a minha tem sido desde o dia em que me tornei adulto, adubo de obrigações. Estamos todos conversando, trocando absurdas risadas sobre acontecimentos passados. Minha irmã fala de sua vida e todos riem enquanto malta a cerveja na barriga dos beberrões. Seus filhos já estão crescidos o suficiente para não estarem aqui. Minha irmã, muito solenemente, disse que seus filhos mandaram-me beijos e que precisavam estudar para provas. Eu assenti e recebi os falsos beijos e pensei que, acaso estivesse na idade de meus sobrinhos, eu também não estaria em minha festa de aniversário. Por que alguém perderia tempo (que é precioso e preciso feito cálculo físico) participando de almoço em família onde somente o álcool pode facilitar um pouco mais a vida? Eu não perderia meu tempo comigo mesmo. No estado em que me encontro, naufragado beirando crises, eu não iria querer estar perto de mim. Desce o uísque mais forte agora que me contraio em um abraço solidário entre amigos. Amigos são prósperos inimigos porque adoram assistir nossas quedas. E ainda nos consolam dizendo que a idade matura o que a mente não pôde digerir em tempos de nova idade. Eu queria estar longe daqui. E não há um lugar específico. Poderia ser qualquer lugar que me trouxesse uma sensação que nunca tive de estar vivendo pleno de meus sentidos sem que esta falsa regalia de vida em família me assaltasse. Pessoas acreditam que ser feliz é isto: emprego, carro, contas pagas e uma boa discussão sobre política, economia e futebol. Eu não quero falar sobre felicidade. Meu emprego é uma mancha em minha existência. Todos os dias saio do trabalho mais pesado do que um rinoceronte carregando um búfalo. Entro em meu carro e me dirijo para casa onde encontro esposa e filhos adestrados em frente à tevê. Sou todo sorriso quando volto para casa. Não há mais o que fazer quando tudo mais já está acertado. O destino é eficaz quando o caso é vida de homem comum. Até um mendigo deve viver mais aventuras do que eu. A cada dia um lugar diferente para dormir. E não menciono mulheres. Não as quero. Um dia eu as tive em minhas mãos. Professoras, amigas, namoradas, putas. Todas eram o que eu precisava ter em dado momento. Hoje não largo meu uísque por uma mulher. Não quero seus conflitos aleijados e ultrapassados de mesmices cavalgando em cima de mim. Prefiro a minha mulher que já está castrada como um gato e vive ancorada e dispersa em suas preocupações. O que me dói é a consciência. Me ferem o peso desta mesa farta e meus filhos que ainda não cresceram o suficiente para se sentirem nauseados por todas as horas que permeiam dias corridos. Minha vida é uma baldeação de fatos irrisórios que me determinam cidadão vulgarmente conhecido como João. Este é meu nome. Poderia ser o seu. Poderia ser o de qualquer um. Afinal de contas, não passo de um homem sentado à mesa, tentando forçosamente me embriagar para conseguir digerir tudo isto. E, entre os presentes e passados, um dado estatístico: hoje é meu aniversário e a vida jocosamente me enfarta de cansaço. Outro retrato e a celebração chega ao fim.     &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://di---chan.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;DiChan&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4500719119961481825?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4500719119961481825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4500719119961481825&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4500719119961481825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4500719119961481825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/extinto.html' title='extinto'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-X_CogNiVfNo/TnvpIlCjBzI/AAAAAAAABCM/WmcW8FnWEQU/s72-c/howard__s_room_by_Di___Chan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5844279929813533186</id><published>2011-09-18T23:51:00.000-03:00</published><updated>2011-09-18T23:51:21.537-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>devota feminina</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wjfQgJh1cEg/TnarNF9zfZI/AAAAAAAABB4/87oeo4Dfdvg/s1600/French_Kiss_by_ecrah_angel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="313" src="http://2.bp.blogspot.com/-wjfQgJh1cEg/TnarNF9zfZI/AAAAAAAABB4/87oeo4Dfdvg/s400/French_Kiss_by_ecrah_angel.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele dorme. Após o ato, após trafegarmos por nossas ardentes formas e avenidas, ele adormece à luz do abajur. Capturo o momento tentando observá-lo de forma atenta. Não quero perder o momento de vê-lo entregue a minha cama, ressonando seu cansaço, vibrando em sonhos que jamais irei saber. Penso em acender um cigarro, sentar-me à janela e olhar o homem que dorme. Mas não posso me distanciar desta imagem. Amo a imagem que, à luz do abajur, me parece serena e ausente de conflitos. Observo o rosto. O formato. Sua cabeça descansa no travesseiro e eu me aproximo para sentir de perto todo o detalhe. Para que nada me escape, olho de perto. Nada pode me distrair deste agora. O rosto é retangular de pele alva aos claros dias. Seus olhos, embora cerrados, aparentam a febril leveza com que me adornam. E, mesmo em sua pouca idade, apresentam sulcos ao seu redor. São fundos e peculiarmente adultos em suas pálpebras os olhos. O nariz traz ares de europa ao que vejo. Reto, perfeito, decidido em suas narinas pequeninas de fazê-lo respirar. Nariz de escultura grega, eu diria. Não fossem tão mortas as esculturas eu diria que ele se assemelha a uma delas. Meu Apolo de musa única é o homem que adoro. A boca não é pequena. Por minhas vivências, digo ser esta a boca mais bela já beijada por mim que tantos beijei tempos afora. Os lábios se precipitam avermelhados. São carnudos e desejosos. São grandiosos os lábios do homem que possui o rosto que detenho em pensamentos diários e eróticos. Tanto me afeta este homem como a esbelta cruz da catedral afeta crentes em oração.  Sequer parece humano agora que o vejo como entidade. A luz deixa ainda mais clara a pele e as maçãs do rosto são rosadas como as maçãs do rosto de uma criança em impulsos de vasta saúde. Lembro de seu sorriso quando desperto. É aberto, sereno e secreto a meu ver quando o observo. Uma de suas mãos repousa ao lado de seu rosto. Posso sentir o que há pouco fizeram ao meu corpo suas mãos. Nunca meu corpo fora tão investigado e harmoniosamente ferido de amor. Eu amo este homem de olhos fechados pelo sono que nasce do cansaço dos corpos unidos de horas antes? Decerto que sim. Eu o tenho lavrado em minhas palavras e ninguém neste mundo poderá dele saber como eu sei fazendo deste ser esculpido em minha desperta tentativa de capturá-lo como o fotógrafo captura ventanias a mover árvores na louca tentativa de capturar vida. Apolo me contamina de sono e me esvaio adormecida ao seu lado. Que ele saiba um dia que vaguei horas a verbalizar em mármore ou argila sua fisionomia e fiz deste homem a bela e viva escultura minha. Minha igreja, minha raça, minha devoção em obra prima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://ecrah-angel.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;ecrah-angel&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5844279929813533186?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5844279929813533186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5844279929813533186&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5844279929813533186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5844279929813533186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/devota-feminina.html' title='devota feminina'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wjfQgJh1cEg/TnarNF9zfZI/AAAAAAAABB4/87oeo4Dfdvg/s72-c/French_Kiss_by_ecrah_angel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3380743245781113209</id><published>2011-09-16T21:50:00.000-03:00</published><updated>2011-09-17T13:50:05.011-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>fardo em benefício</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-fhLb06l8IqM/TnPukBJhRUI/AAAAAAAABBw/wTOuF7gOWEU/s1600/Donkey_Skin_by_stuntkid.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-fhLb06l8IqM/TnPukBJhRUI/AAAAAAAABBw/wTOuF7gOWEU/s400/Donkey_Skin_by_stuntkid.jpg" width="278" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alérgica a removedor de pêlos, Catarina arranca um por um com uma pinça dourada herdada de sua avó. Amola a pinça de tempos em tempos para não perder a velharia deixada por um de seus ancestrais. Na verdade, Catarina pouco se importa com sua família. Visita-os apenas por conveniência e, para, em ocasião da morte de alguém, não ser esquecida em testamento. Ela faz o bem ao próximo. Mas sempre busca o próprio benefício. Ri de quem se diz bondoso sem intenção de beneficiar a si mesmo. Todos nós buscamos salvar nossa própria pele. E hoje é dia de atrair mais salvação. Arruma-se com cuidado. Catarina escolhe suas roupas de acordo com suas intenções. Hoje pretendo demonstrar que sou boa moça, respeito os mais velhos, durmo cedo e rezo ajoelhada pedindo por todos. Catarina é uma grande mulher revestida de mentira e vaidade. Mas isto não a fere. Não mais. Antes do incidente, Catarina costumava ser uma menina brilhante. Diziam seus familiares que Catarina seria uma boa esposa, prendada, ou talvez estudasse e talvez se tornasse um grande orgulho para seus pais. Ela mesma sabia disso. Sentia que havia nascido para carregar o fardo de ser mulher honrada. Ajudava sua mãe em casa, ensinava matemática ao irmão mais novo, dava o corpo ao seu padrinho, deixava que seus tios e tias lhe molestassem o juízo com suas conversas baseadas na bíblia e, ainda, corria a socorrer quem quer que fosse. Uma verdadeira santa era a menina. Mas o que teria acontecido para que tal divindade humana fosse corrompida?  Poucos sabem e pousos hão de saber. Catarina apenas diz que, por graça divina, um dia, fora dormir cega e acordou de olhos abertos e viu o mundo como qualquer um precisa ver. Catarina arranca os pêlos com uma pinça, lava o rosto, veste suas roupas e vai à casa de seus pais fingindo nada entender. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;a href="http://stuntkid.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; stuntkid&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3380743245781113209?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3380743245781113209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3380743245781113209&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3380743245781113209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3380743245781113209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/fardo-em-beneficio.html' title='fardo em benefício'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-fhLb06l8IqM/TnPukBJhRUI/AAAAAAAABBw/wTOuF7gOWEU/s72-c/Donkey_Skin_by_stuntkid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5986938080592970815</id><published>2011-09-08T12:52:00.002-03:00</published><updated>2011-09-08T12:52:44.816-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>ao rebanho dos bandeirantes</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yFKndGWaUJQ/TGN_0OYMG9I/AAAAAAAAAZw/FoEYbIEbZek/s1600/Untitled_by_blind_awakening.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-yFKndGWaUJQ/TGN_0OYMG9I/AAAAAAAAAZw/FoEYbIEbZek/s400/Untitled_by_blind_awakening.jpg" width="310" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Augusto resolveu se mudar. Comprou barco, muitas varas de pescar, diversos anzóis, iscas para todos os apetites e trilhou seu novo caminho. Mas, por ironia de todo milagre, Augusto se viu iludido e, um belo dia, acordou e nada havia para pescar. É preciso que se saiba: deserto nunca será mar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Hospedada em um prédio no Recreio, bairro gentil da cidade do Rio de Janeiro, penso em pessoas que não estão aqui e acredito que não estejam em lugar algum. Penso nas pessoas que apenas ocupam espaço físico e se portam caladas e tristes e iludidas vivendo de ontem e meses a vir. Não sei fazer planos a longo prazo. Acho que este é um de meus maiores defeitos. Eu não sei contar com rebanhos senão me forem dados os carneiros. Eu rimo demais. Talvez eu seja o tipo de pessoa que combina cinto com sapato. Tudo na mesma cor. Eu vou sabendo de mim aos poucos. Ontem, antes de dormir, ouvi o arrastar de mobília dos vizinhos do andar de cima e pensei: é como adiantar futuro. Porque posso ouvir os passos destes vizinhos sem que me seja cobrado grande esforço. Talvez um breve esticar de pescoço e nada mais. Já os vizinhos de baixo eu os considero como se fossem o passado. Não os escuto. Mas, se me ataca a curiosidade, para ouvir seus ruídos é preciso que eu fique em total silêncio, me deite no chão, cole bem os ouvidos no piso e, só assim, talvez eu os escute. Mas, como tentei elaborar em minhas divagações, vizinhos de baixo são o passado em minha insone percepção. Eles representam minhas atitudes gastas, meus atropelos e beijos em tempos outros. Não tenho medo do passado. Ele existe em meu olhar e em quase todas as orações que verbalizo. E penso: rebanhos passados não alimentam pastores. Perdoa-me se falo bobagem nesta breve narrativa.  Acredito que todos nós temos o direito de fazer serenata para surdo ouvir e eu faço. E todo canto meu será canto do mundo. Estou a serviço de tudo. Seja passado, presente ou futuro. O medo não mais estanca o vinho de minhas taças. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://www.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;deviantART&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5986938080592970815?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5986938080592970815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5986938080592970815&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5986938080592970815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5986938080592970815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/ao-rebanho-dos-bandeirantes.html' title='ao rebanho dos bandeirantes'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-yFKndGWaUJQ/TGN_0OYMG9I/AAAAAAAAAZw/FoEYbIEbZek/s72-c/Untitled_by_blind_awakening.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2269371107397577604</id><published>2011-09-05T00:51:00.000-03:00</published><updated>2011-09-05T00:54:30.269-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>hemisférios</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SlTQ6iziz4I/AAAAAAAAGDg/j75TouF10r0/s1600-h/Wanderlust_by_flamenquera.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="315" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356135561044348802" src="http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SlTQ6iziz4I/AAAAAAAAGDg/j75TouF10r0/s400/Wanderlust_by_flamenquera.jpg" style="display: block; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center;" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto é meu. Meu porque escrevo e porque sigo as opiniões contrárias. O contrário é sempre o imaginário de meus trajetos. Não sei meu nome — ando de costas para o tempo e não uso resina. Não faço parte de relíquias. Não as tenho. Acordo com um pontapé do sol — mesquinho ou misericordioso — tentando enganar meu mau gosto e vivo feliz em minha fase lunar de não querer ser cartão-postal. Não sou. Não sofro recaídas. Não bebo das águas tônicas desses rios sem profundezas. Sou contrária. Uma mala sem cadeados e, revolta, guardo palavras soltas em minha boca. Falo como quero. Não tenho aquele comportamento primário de sentar ao chegar. Sopro e derrubo portas. Catástrofe prevista ou dedicatória em foto de artista. Sempre entro de mãos vazias — vagas, finas e minhas. Sou toda pronomes. Fui, em antigos dias, arremessada pelo vento que não anda por minha casa. Falo o que me faz bem. Ódio me faz bem. Incerteza transparente me alimenta. Anjos em miniatura e desfaleço limpa após ser desejada por mim mesma. Quero a mim mesma. Desejo dos velhos que esquecem remédios e sou branca. Irmã mais nova das idades. Sou o que venho a dizer e digo. Em todas as letras que me suportam. Grande ou pequenina, pobre ou injustiçada, recolhida e linfática, desfaleço na cama e durmo sem pena. Sem pena e sem roupas. Leio por distração e repito milagres. Sou satélite de céu único e aplauso em cena aberta. Sou o que quero ser. E meu texto é meu e olha para você que olha para mim e vê o quanto sou selvagem. Grave estoque de bondade. Sou pele e músculo com tendências hermafroditas. Sou rebelião fora e dentro e amo com pesar os textos que flagram meu pensamento. Texto que não pensa em meu revestir — pouca trégua para minhas lutas. Sou luta e criatura que vence a madrugada. Morro de dia e, à noite, vivo a continuar. Se há estrelas, admiro. Se elas somem, eu as crio. Não sei o motivo. Ando culpando até a ausência do sol. Essa nossa mania, nossa plangente busca por culpados, carrascos, sentimentos odiosos. Estou me libertando disso ou estarei me entregado ainda mais ao interrogatório? Porque se há um culpado, sou eu. Permanecem a lentidão e as fracas certezas. Culpada por viver tudo e digo mais: que me venha a gota d'água. Que me venha a dose exagerada dos excessos. Porque estou aberta e pertenço a todos os hemisférios. E vivo imensa à apoteose dos acontecimentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://flamenquera.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Daniela Calumba&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2269371107397577604?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2269371107397577604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2269371107397577604&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2269371107397577604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2269371107397577604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/09/hemisferios.html' title='hemisférios'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SlTQ6iziz4I/AAAAAAAAGDg/j75TouF10r0/s72-c/Wanderlust_by_flamenquera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2303294963690598014</id><published>2011-08-30T03:00:00.000-03:00</published><updated>2011-08-30T03:24:53.807-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>epígrafe ao sol</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CnqapBWushs/Tlx7dlEqhGI/AAAAAAAABBc/HQpFwGmNPa4/s1600/In_a_Blue_Hat_by_behind2blueeyes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-CnqapBWushs/Tlx7dlEqhGI/AAAAAAAABBc/HQpFwGmNPa4/s400/In_a_Blue_Hat_by_behind2blueeyes.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Usada&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Cartucho de arma automática&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Mas o crime maior teria sido&lt;br /&gt;Se eu me deixasse ser recarregada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem fez sol e decidi caminhar. Sair de casa, da casca, da gaveta com cheiro de roupa mofada. Dei cara às ruas. Trafegavam senhoras duas mulheres vestidas de forma adequada. Não as conheço e não as cumprimentei. Penso: conhecerão as mulheres o peso da indiferença? Porque eu realmente me importei com elas. Mas passei. Como passa o ferro em roupa amassada. Deslizei pela avenida porque apenas me importava o caminhar e não o que me assaltava a atenção naquele instante. Casas e carros quebravam a metafísica de meus sentidos. Tudo era físico, táctil, verdadeiramente prático. Não há poesia quando as ruas nos são conhecidas. Ou haverá. Andei mais adiante e este camuflado pleonasmo pesa no sangue ao escrever. Um motoqueiro rasgou o asfalto ao cair. Acudam o homem, alguém gritou. Mas ele mesmo disse que não precisava de ajuda. Levantou-se e, sorridente como o palhaço após graça que não faz rir, saiu ronronando em seu veículo. Moto é feito gato atrás do mato esperando o rato para deglutir. Deixei fluir meu pensamento e segui. Ainda pensando no homem caído lembrei-me de meus pecados. Faz tempo que não rezo. Fico tímida diante de deus. Vai que ele realmente existe: é flagrante no ato. Por isso não rezo. Prefiro pecar sem desculpas. Caminhando observei janelas de todo formato. Redondas, ovais, curvas, quadradas. Eu gosto de ver o que escondem as janelas: gente comendo, assistindo tevê, mãe dando banho em filho e amor. Há um tipo de amor autêntico dentro destes esconderijos. O amor que não se estampa. É vívido. Está no prato comido e na água que desce pelo corpo. Este amor não é visível a olho nu. É preciso estar cego para ver. Deixei o amor passar. Atravessei a rua correndo feito menina buscando sonho. Um grupo de gente passa ao lado e homem assobia um gostosa fora do ritmo. Quando eles irão parar com isto? Homens não mudam, zero novidade, algumas obras nunca chegam ao fim e, de meia em meia hora, o 203 passa por aqui. Digo que não espero ônibus. Não espero nada. Mas esta mentira é lavada. Há sempre uma espera na culatra. Desvio de uma bicicleta, dois cães passeiam como se fossem amigos, o sorveteiro anuncia novo sabor e a padaria exala minha vontade. O pão da tarde será servido. Chego à padaria distinta, de chapéu e sapatilhas. Cumprimento as senhoras que encontrei minutos atrás, sento-me ao balcão, peço café e pão, e, por mais estúpidas que tenham sido a caminhada e minhas observações, estou completa. Por um momento estou sendo quem sou. Mulher de faca e queijo na mão. Sinto a felicidade de quem aos poucos perde o medo de tocar com os pés o chão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;object height="40" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=27260062&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=27260062&amp;style=water&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://behind2blueeyes.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Lexi&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2303294963690598014?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2303294963690598014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2303294963690598014&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2303294963690598014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2303294963690598014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/epigrafe-ao-sol.html' title='epígrafe ao sol'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CnqapBWushs/Tlx7dlEqhGI/AAAAAAAABBc/HQpFwGmNPa4/s72-c/In_a_Blue_Hat_by_behind2blueeyes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5158059263530329654</id><published>2011-08-23T15:18:00.001-03:00</published><updated>2011-08-25T22:08:18.391-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>coito interrompido</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;a href="http://youtu.be/p4sIUtBv7fY"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://youtu.be/p4sIUtBv7fY"&gt;&lt;span id="goog_1717617665"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-s5w4hWKF-Kw/TlPrdthzuVI/AAAAAAAABBQ/3euZaHmq9Vc/s400/warning__coffe__s_getting_cold__by_uht+%25281%2529.jpg" width="396" /&gt;&lt;span id="goog_1717617666"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;não é o meu país&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;é uma sombra que pende&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;concreta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;do meu nariz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;em linha reta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;não é minha cidade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;é um sistema que invento&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;me transforma&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;e que acrescento&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;à minha idade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;nem é o nosso amor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;é a memória que suja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;a história&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;que enferruja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;o que passou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;não é você&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;nem sou mais eu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;adeus meu bem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(adeus adeus)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(&lt;a href="http://youtu.be/p4sIUtBv7fY"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Torquato Neto&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número que você ligou encontra-se desligado ou fora da área de serviço. Deus é bom. Assim não caio na cilada de acreditar em abracadabra. Mas parece um imã. Há um magnetismo em tudo que causa perigo.  O telefone está em minhas mãos. O número não sai da cabeça. Vou tentar de novo. Coragem, digo pensando, porque não há pecado algum em ligar. Não quero telefonar para pedir nada. Só quero saber se está tudo bem. Simples. Mas por que sinto vontade de querer saber se está tudo bem? De que me vale? Espanto pensamento racional autoajuda. Tenho coisas a fazer e não vou perder tempo. Preciso trabalhar e há tempos prometi visitar aquele amigo que agora não me faz diferença alguma. Porque nada faz diferença. Só a ligação e a vontade esquelética de perguntar coisa que não faz sentido é que faz diferença. Ligo de novo. Caixa postal? É um complô. Ou motim. Talvez seja deus finalmente me ajudando. Mas eu não quero acreditar em deus. Não agora. Preciso me concentrar. Decoro palavras. Expressões fabricadas para não aparentar o que realmente quero. Mais uma vez. As teclas são tão miúdas para tanta vontade. Um avião passa rasante e faz barulho. Decido não ligar. Deixa o avião passar. E também o ônibus. Deixe que tudo passe. Vou tomar um café antes de ligar de novo. Preciso deixar bem clara minha intenção. Não quero saber de sua vida inteira. Farei apenas uma pergunta como se faz com gente amiga. Uma pergunta despreocupada. Largada. Não posso me perder no flagra da vontade que não passa. Mas você sabe: acaso estivesse aqui (de novo) nada seria como antes. Mudei. Você, provavelmente, também mudou. O gosto deve ser outro. O olhar, o modo de tocar as mãos, e, talvez, nem seja mais o que eu queria que fosse. E nada mais vai bater. Nem conversa, nem beijo, nem malabarismo.  Nada será igual. Mas ainda quero ligar. Ouvir a voz distante, perceber um tom estranho quando atender ou talvez um sinal de surpresa. Talvez uma prova de que ainda há sentido. Mas não posso me enganar. O café desceu correndo com pressa porque tenho vontade de fazer logo isso. Ligar de vez e dizer somente o necessário. Como se faz em ônibus: fale somente o necessário. E, sendo desta forma tão econômica, não haverá nada demais. Apenas dois amigos conversando, trocando palavras de bom trato e a sede será camuflada por uma simples preocupação. Decorei o que vou dizer: Olá. Tudo bem? Ou devo dizer um cantante como vai você? Vergonha na cara brota incisiva. Não posso mais esperar por este momento que já morre adiado. Estou por um fio de meu maior ato suicida. Dizer amor ao escuro é uma sensação terrível. E não há mais amor. Vou dizer exatamente isto. Quer saber? Estou ligando para dizer que não ligo. Era apenas uma vontade incômoda de saber se você está bem. Mas, na verdade, não me importo. E escuta bem porque não vou me gastar à vida inteira aqui, ao telefone. Ligo somente para dizer que, embora você pense que ainda sinto algo, não sinto. Esta é a verdade. Eu comando minhas vontades e saiba que controlo o que sinto e já não sinto nada. Que fique claro. Só liguei para dizer que, embora ainda me doa passar dia solitário, lembrar de você de segundo a segundo, procurar você em outras pessoas, saber que sua boca fala outra língua, assim como todo o resto de seu corpo, não me importo mais. A dor se tornou tão comum que passou a ser discreta. Vou ligar e você terá de aguentar minha verdade. Que morra, que se dane, que se acabe. Que me importa saber se você está bem? Ligo. Número por número. Decisão tomada, mãos apoiando o rosto, ônibus que passa e, de novo, a mensagem que salva: O número que você ligou encontra-se desligado ou fora da área de serviço. Coito interrompido. Bruta sensação de trem não partido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;came&lt;span id="goog_1717617667"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1717617668"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://draft.blogger.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5158059263530329654?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5158059263530329654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5158059263530329654&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5158059263530329654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5158059263530329654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/coito-interrompido.html' title='coito interrompido'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-s5w4hWKF-Kw/TlPrdthzuVI/AAAAAAAABBQ/3euZaHmq9Vc/s72-c/warning__coffe__s_getting_cold__by_uht+%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6917078480209181760</id><published>2011-08-21T22:02:00.000-03:00</published><updated>2011-08-21T22:03:47.896-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>o disciplinado aborígene</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-c5B2DtQ1PzA/TlGon3uQF5I/AAAAAAAABBM/lMspHdyMqjQ/s1600/93b86363c32797d18671f9c393c79bb4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-c5B2DtQ1PzA/TlGon3uQF5I/AAAAAAAABBM/lMspHdyMqjQ/s400/93b86363c32797d18671f9c393c79bb4.jpg" width="268" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem de férias vai ao supermercado e, despreocupado por não ter afazeres, vaga em busca de cerveja para beber sem anseio, receio, sem maiores razões. E, para sua grande surpresa, encontrou, dentre os vários tipos de bebida vendidos em tal estabelecimento, uma de suas marcas favoritas de uísque americano. O homem não pensou duas vezes. Comprou a bebida, voltou para casa, buscou um copo e o preencheu com o líquido destilado. Seus planos estavam concretos: passaria suas férias a beber, receber amigos, sairia a passeio em sua bicicleta e assim tudo mais estaria completo. O homem e suas garrafas de uísque. Mas a cortina desta narrativa tende a romper-se e desmascara o que não era apenas um homem a beber uísque sentado em sua poltrona a observar pássaros da janela de seu apartamento. Trata-se de um ser solitário, que, por muitas vezes, arrisca sua vida tombando ébrio em corpos de mulheres que poderiam deixá-lo ou amá-lo ou ainda trazer o risco ao homem de ser traído. E isto ele não suportaria. O homem sentia-se contraído feto como se a vida ainda não tivesse dado início aos atos e saía em busca de sua forma primitiva de liberdade fazendo longos passeios em sua bicicleta. Era então que encontrava o ar puro em campos, observava javalis e admirava a natureza ausente da notória crueldade que vigia a vida urbana. Bêbado, ereto e ciclista. E retornava para casa sedento de algo mais e lidava com seus instintos se deixando esvair sozinho em orgasmos tão ocos quanto um copo vazio. Mas deixemos a narrativa estática sem detalhes que humanizem a simples figura de um homem que saiu de casa, comprou uísque, bebeu por dias, trilhou estradas, distraiu-se, e, por fim, percebeu que sua barba havia tomado conta de seu rosto fazendo o parecer um obstinado e disciplinado aborígene. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://carts.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;carts&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6917078480209181760?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6917078480209181760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6917078480209181760&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6917078480209181760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6917078480209181760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/o-disciplinado-aborigene.html' title='o disciplinado aborígene'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-c5B2DtQ1PzA/TlGon3uQF5I/AAAAAAAABBM/lMspHdyMqjQ/s72-c/93b86363c32797d18671f9c393c79bb4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7736336680433426978</id><published>2011-08-20T15:47:00.001-03:00</published><updated>2011-08-21T22:04:15.660-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parafernália'/><title type='text'>novela no ar</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-htc-uHUG5CU/Tk__LLOpMfI/AAAAAAAABBI/6ayaUnAlAI8/s1600/she__s_more_of_a_magazine_girl_by_Elisa_Marisa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-htc-uHUG5CU/Tk__LLOpMfI/AAAAAAAABBI/6ayaUnAlAI8/s400/she__s_more_of_a_magazine_girl_by_Elisa_Marisa.jpg" width="265" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dona do mercadinho é crente fervorosa e adoradora de deus. Diz que novela é coisa do diabo, perniciosa, imoral. Mas não desgruda os olhos da tevê. Presumo, então, que o diabo está em alta. Ou sempre esteve. Não irei pesquisar na Bíblia. Tampouco preciso ler livros antigos ou livros que retratem o caráter psicológico do indivíduo para dizer que o famigerado diabo é quem dita as regras. É nítido. Adoramos assistir aos espetáculos que mais criticamos.  Não assisto a novelas. Não por me considerar superior e dizer que novelas são produzidas para prender a população a um tipo de cegueira generalizada em que o cidadão não faz nada (não lava pratos, não cuida dos filhos, não pensa a respeito de questões sociais e não cuida de seu próprio umbigo).  Jamais diria isso. O povo precisa de recreação em canal aberto. Por isso, as novelas. Mas já não existe futebol? Lembro-me bem: Sempre diziam que o povo precisava de algo para sorrir. O povo precisa de um motivo para continuar acreditando. Eu sempre ouvi isso em tempos de Copa do Mundo. Nunca entendi esta afirmação. Em minha opinião, futebol era apenas um jogo, assim como tantos outros. Mas, por questões culturais, percebi que o Brasil respira futebol. E novelas. Ontem (19 de agosto de 2011) presenciei uma das noites mais silenciosas desde a morte de Lady Diana. Ao menos aqui, na cidade onde moro. Nenhuma voz a raios de quilômetros. Novela no ar, meus amigos. Todos estavam vidrados na tela que o diabo, segundo a dona do mercadinho, tomou para si. E as grandes questões eram: Quem matou, quem traiu, quem roubou e quem irá se dar bem? Mas como você pode saber disso senão assiste a novelas? Simples. Eu tenho acesso à internet. E, em meio a discussões diversas, a novela das oito se tornou o grande assunto. Me senti como se sente um pato em banheira vazia. Solitária. Mas será que tenho problemas? Não entrarei neste assunto porque não quero falar de mim. Deixemos o meu umbigo quieto. Nossa sociedade brasileira, que vive ao nó dos padrões e bons costumes, adora uma sacanagem. Novela é sacanagem. Ficção baseada em fatos que ocorrem em muitas vidas. Senão em todas. Eu senti necessidade de saber do que se tratava todo aquele frenesi. Muita gente em silêncio é sinal de fumaça. É preciso dar atenção. Então eu soube que se tratava de assassinato, boas lições de moral (como um homem promíscuo que descobre ter câncer nas partes baixas e passa por uma séria análise de sua vida e suas atitudes, mulher traidora jogada na sarjeta e os bons sempre vencem). Breve resumo.  E não quero nem saber o que o Senhor Gilberto Braga estava praticando. Deus me livre e guarde. Muitas pessoas adiaram suas baladas, mulheres economizaram suas maquiagens, senhoras respeitáveis esboçaram seus 'aqui se faz, aqui se paga' e outra novela termina. O Brasil pode sorrir porque a Rede Globo fez o povo feliz mais uma vez. Novela imita a vida? Acho que não. No passo em que estamos, novela é a própria vida. Há mortos, feridos, gente que beija na boca, meninas bonitas sensuais &lt;i&gt;suffragettes&lt;/i&gt; e muito sexo que é pra dar água na boca e sonhar depois. Livro é chato, dizem muitas línguas. Ler pra quê? Novela é bom porque a história vem fácil. Então, na soma do que fora dito, não era somente a parte empobrecida da população que assistia ao último capítulo de mais uma vontade não vivida. Ricos de toda elite também deram boas risadas na noite de ontem. E o melhor de tudo: há reprise. Hoje terá silêncio de novo.  E, em breve, Christiane Torloni e Lília Cabral estarão na casa de vocês. E O Astro reprisado dirá da sorte. E a pergunta permanece: Quem estará enganando quem? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://elisa-marisa.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Elisa Phillips&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7736336680433426978?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7736336680433426978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7736336680433426978&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7736336680433426978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7736336680433426978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/novela-no-ar.html' title='novela no ar'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-htc-uHUG5CU/Tk__LLOpMfI/AAAAAAAABBI/6ayaUnAlAI8/s72-c/she__s_more_of_a_magazine_girl_by_Elisa_Marisa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-672765057559727764</id><published>2011-08-16T02:23:00.004-03:00</published><updated>2011-08-21T22:04:06.796-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>ao silêncio alinhavado dos dias</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HiWtBrJlsg8/Tkn9w0YtsfI/AAAAAAAABBE/5oRA5E1i9vM/s1600/august-macke-woman-embroidering-in-an-armchair-portrait-of-the-artist-s-wife.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-HiWtBrJlsg8/Tkn9w0YtsfI/AAAAAAAABBE/5oRA5E1i9vM/s400/august-macke-woman-embroidering-in-an-armchair-portrait-of-the-artist-s-wife.jpg" width="321" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;― Costure os botões de minha camisa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;― Costuro. Que mais posso fazer senão costurar seus botões?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pergunta sem resposta. Leonora esperou que Augusto respondesse. Mas nada saiu de sua boca. Ele deu as costas em um gesto semelhante à indiferença com a qual são tratados os mendigos em porta de igreja. Como se nada mais existisse. Leonora permaneceu na sala. Lançou um breve olhar pela janela, respirou fundo e sentou-se na poltrona de estampa florida exibindo seu ato de resignação. Em suas mãos, a camisa de Augusto. Em seu pensamento, vastas questões que a fariam pregar aqueles botões e distrair-se. Percebeu que todos os botões precisam ser costurados novamente. Augusto não poderia usar aquela camisa com tantos botões soltos. A mulher inspecionou o relógio para certificar-se do tempo que levaria para costurar tudo. Ao lado da poltrona, no chão, sua caixa de material para costura. Agulhas, alfinetes, linhas de cores variadas, dedais e poeira. Há tempos não costuro nada, pensou. Com agulha e linha prontas para o trabalho Leonora passou a costurar. Começou no colarinho da camisa. Lembrou-se da primeira vez que vira Augusto. Ele costumava sorrir. Lembrou-se de seus dentes e da cor de seus lábios. Lembrou-se da primeira vez em que Augusto lhe dirigira a palavra. Era outono e folhas tombavam das árvores. Era outono e Augusto desabou em mim. Era amor como se vê em telas de pintura. As mesmas que Leonora vira quando esteve na exposição itinerante que visitou sua cidade. Todos os quadros eram belos. Pensava mais a cada golpe da agulha em casas de botões antigos. Lembrou-se de quando era jovem e impecável. De suas pernas cheias de vida prontas para correr o mundo acaso Augusto quisesse. Lembrou-se das mãos unidas em festas durante a dança que tanto agradavam aos dois. Leonora pensava de forma tão veloz que suas mãos corriam no tecido da camisa como se tivessem pressa de concluir o desígnio exigido pelo homem. Ele me encantou sem que precisasse exibir riquezas. Augusto não possuía nada além de sua pequena casa e alguns livros antigos. Sempre trabalhou como professor. Eu lembro como se fosse ontem. Leonora pensava em voz alta. Augusto ensinava tão bem quanto relinchava sobre o corpo de Leonora na pequena cama onde dormiam. Augusto sempre teve talento. Suspirou Leonora. Gesto que fez com que trespassasse o dedo indicador com a agulha. Uma gota de sangue brotou de Leonora. Sangue que a fez lembrar-se do filho que perdera. Augusto não sofreu. Ele aceitou. Leonora passou dias sem comer e noites sem conseguir dormir.  Filho gerado em tão pobre leito. Eu me lembro de Augusto ter dito: "Melhor assim. Não temos condição para filho algum". Alguns parentes a visitaram enquanto esteve acamada. Era inverno e o tempo esfriou a simples casa que habitavam. Tudo se tornou gélido. Até mesmo o alimento recém-preparado não causava mais calor. Tudo era frio. Tornaram-se distantes. Leonora não mais obedecia a Augusto. Augusto não mais olhava Leonora. Eles habitavam uma arena ausente de sentimentos. Foi então que surgiram homens na vida da mulher e mulheres na vida do homem. E fingiam não saber. Fingiam não querer saber. A cidade inteira sabia dos passeios de Augusto e das visitas que Leonora recebia. Ela não amava ninguém. Augusto sequer perguntava a respeito de seus dias. Eram estranhos em pequena moradia, comendo juntos a letargia diária e a estranheza do tempo. As lembranças faziam com que Leonora costurasse com força cada botão como se fosse uma forma de consertar a vida passada à bruta cegueira de aceitar aquilo que não mais era amor. E quando havia sido? Costurava a perguntar e, quanto mais tentava entender, sentia raiva por ter sido conivente ao perder a juventude ao lado de Augusto que se tornou murcho com o passar das estações. Quando nos perdemos? Perguntava a mulher. Quando passamos a aceitar nossa mentira como se fosse verdade? Por que não o deixei partir? Costurava ferozmente como quem sente pressa de chegar ao ponto final. Costurava os botões e cogitava a respeito do tempo passado e, por fim, Leonora terminou seu trabalho. Botões presos que não mais se perderiam. Respirou forte como quem se vinga por ainda poder fazer algo pelo homem que, ao seu lado, deixou-se envelhecer sem perceber que poderiam ter escolhido a liberdade. Quarenta anos vividos ao lado de Augusto. E logo mais ele chegaria e sentariam à mesa, comeriam fartos o jantar feito por Leonora, e, mais tarde, dormiriam juntos na cama que os aprisionou ao silêncio alinhavado dos dias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/August_Macke"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;August Macke&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-672765057559727764?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/672765057559727764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=672765057559727764&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/672765057559727764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/672765057559727764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/ao-silencio-alinhavado-dos-dias.html' title='ao silêncio alinhavado dos dias'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HiWtBrJlsg8/Tkn9w0YtsfI/AAAAAAAABBE/5oRA5E1i9vM/s72-c/august-macke-woman-embroidering-in-an-armchair-portrait-of-the-artist-s-wife.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7244643653844162120</id><published>2011-08-12T19:54:00.003-03:00</published><updated>2011-08-12T20:05:07.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>afeto minguante</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BaaEO_5hZDQ/TkWthmqw57I/AAAAAAAABBA/VpmFLHl83s0/s1600/Mooncatcher_by_pesare.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-BaaEO_5hZDQ/TkWthmqw57I/AAAAAAAABBA/VpmFLHl83s0/s400/Mooncatcher_by_pesare.jpg" width="235" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pra quem não sabe amar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Fica esperando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Alguém que caiba no seu sonho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Como varizes que vão aumentando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Como insetos em volta da lâmpada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Cazuza)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, depois que nos falamos, senti que não poderia dormir sem dizer que entendo sua dor. Falar de amor e insônia e ainda dar conselhos: meu regime lunar. E tudo me parece tão conversa de comadre. Mas preciso dizer que conheço a dor que machuca sem descanso. Parece até martelo em prego torto. Ficamos tão concentrados naquilo que nos fere que o mundo parece diluir por falta de sentido. E a gente fica naquela de olhar foto, reler rabisco escrito em guardanapo e lembrar das horas de um tempo que insiste. Perfeito seria sofrer um surto de amnésia. Porque esta dor chega a ser prepotente. Uma dor de nariz em pé. Uma mágoa que é nódoa e demora a largar de nós. Parece até que a dor nos faz ficar viciados em sofrer mais. É como se não houvesse saída. Daí partimos para o desespero: telefonemas no meio da noite, andar pelas ruas sentindo peso nas costas, não conseguir sorrir e, televisão, nem pensar. Tudo parece nos assombrar. Dor dilacera o ser. E amor completa. Há quem discorde. O amor que se perde é o amor exato para nossos dias? É uma pergunta que precisa de resposta. O que amamos? O outro ou a sensação de estar com o outro? O que nos faz felizes? A pessoa ou a sensação de possuir a pessoa? O que nos completa? O que realmente queremos? Já faz tempo que aprendi algo e, embora não consiga colocar em prática, não paro de repetir aqui, dentro de mim: A dor é necessária. Porém, isto não faz dela um acessório permanente em nossas vidas. É aprendizagem para outros voos. Ou quedas. E, se este amor partido não é recíproco, que não seja de forma alguma. Ninguém precisa viver de retalhos. Você não precisa viver de lua minguante quando há outras luas pelo mundo. Então está doendo? Mas é claro que dói. Somos humanos e não conseguimos ainda entender nossos complicados mecanismos de funcionamento. E, por sermos todo sentimento, não sabemos coordenar isto. Não sabemos racionalizar, fazer soma exata e calcular resultados. Mas eu preciso que me escute com atenção: Você vai chorar por dias. Noites inteiras. Talvez emagreça e queira, por desespero, de volta o amor que é minguante. Mas há um segredo nítido: Tudo irá passar. Quando você menos esperar, pronto, passou. E, muito provavelmente, virão outros amores, outras histórias e outro riso. É fato. O futuro vai trazer tudo. Mas não se comprometa em esperar na porta de casa. O futuro não é imediato. É tartaruga. Mas ele virá. E pode ser que venha no próximo mês, amanhã, ou depois que você chorar tanto até explodir rindo de sua própria cara. Porque a dor também perde o sentido. O mundo continua e você também. E o dia ensina em clara sinfonia: Há lutos necessários e despedidas que não podemos adiar. Perder não é sinônimo de desperdício. É caminho aberto para outro estágio, outro cenário, outra véspera de nova fome que alimento algum irá saciar. Afinal de contas, somos incuráveis. Viciados na arte de amar minguantes mesmo que luas inteiras de amor por nós se declarem. Mas há cura para todo mal. Amor acontece. De repente. Demorado. E quase sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;a href="http://pesare.deviantart.com/"&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;pesare&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7244643653844162120?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7244643653844162120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7244643653844162120&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7244643653844162120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7244643653844162120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/afeto-minguante.html' title='afeto minguante'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-BaaEO_5hZDQ/TkWthmqw57I/AAAAAAAABBA/VpmFLHl83s0/s72-c/Mooncatcher_by_pesare.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1260141863801712057</id><published>2011-08-11T22:17:00.003-03:00</published><updated>2011-08-12T19:59:17.840-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>a métrica do tempo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DNme656poLs/TkR-DN-MvDI/AAAAAAAABA8/iMqFFYPfLtQ/s1600/making_cookies_painting_by_KittyNamedAlly.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-DNme656poLs/TkR-DN-MvDI/AAAAAAAABA8/iMqFFYPfLtQ/s400/making_cookies_painting_by_KittyNamedAlly.jpg" width="310" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo está na cozinha berrando ao apito da panela de pressão. No fogão branco sem ferrugem, no retrato de estática paixão, no lençol comprado ontem, na padaria cujas portas lacram a fome ao fim do dia e no travesseiro abandonado às seis da manhã. O tempo está correndo no relógio da sala, no sino da catedral, no remendo de um pneu furado, na copa da árvore que esconde o sol com peneiras, no discreto silêncio das abelhas e na elegância dos mendigos que dormem ao longo do caminho das palmeiras. O tempo está contra o vento, na demora do ônibus, na escada rolante de um shopping repleto de gente, no imã de geladeira que elabora obrigação, na inveja, no corrupto momento do sono, na distância entre cidades, na política, na fraude, no palhaço que sorri em solidão, no diabético vício das línguas, no flácido receio após o beijo, no corte do lírio para presente e no milagre exigido em altar. O tempo está sob os sapatos, na poeira da rua limpa no capacho, na droga que não cura, no resultado de um exame e na incompreensível ilusão de quem sonha. Nas roupas estendidas, em malas feitas, em livros lidos pela metade, no quarto do filho, no quarto dos pais, na luminária de criado mudo, na obrigatória xícara de café ao falar de eventos, no tiro certeiro e na corda que arrebenta o barco e o liberta da âncora em dado momento. Em tudo está o tempo.  No aviso de proibição, no sinal vermelho, na fama, na desculpa, na ausência e na gana de comer o que ainda ferve e queima a garganta do impaciente. O tempo não estanca e, irônico, paira sobre telhados fazendo de envelhecido o que sempre fora jovem à ilusória estética do espelho.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://kittynamedally.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Ally Stermer&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1260141863801712057?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1260141863801712057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1260141863801712057&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1260141863801712057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1260141863801712057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/metrica-do-tempo.html' title='a métrica do tempo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DNme656poLs/TkR-DN-MvDI/AAAAAAAABA8/iMqFFYPfLtQ/s72-c/making_cookies_painting_by_KittyNamedAlly.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5957365910106612982</id><published>2011-08-07T23:54:00.003-03:00</published><updated>2011-08-07T23:55:41.789-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>palavra de conserva</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8a4VHjUM_Js/Tj9N9pvf3rI/AAAAAAAABAw/WBgrHvm2REo/s1600/Thinking____by_amoxes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-8a4VHjUM_Js/Tj9N9pvf3rI/AAAAAAAABAw/WBgrHvm2REo/s400/Thinking____by_amoxes.jpg" width="306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A busca pela palavra exata pode dar com os burros n’água. Exaustiva eu penso. A sensação é simples: uma sinfonia não muito organizada de todos os dias que vivi. E ainda vivo. Para a sorte de deus, ainda estou aqui, entre os viventes. Surge outro pensamento. Ecoa minha sede feito planador sobre a folha estacionada em mesa de carvalho. Agrupados estão o papel e o lápis. Como se fossem amantes eles me olham desejosos. Todos à espera. O relógio balbucia tempo, ganhos, perdas, necessidades. O homem que amola tesouras não veio. Choveu muito nos últimos dias e o homem que amola tesouras não veio. Pego o lápis. Como se diz em minha terra: "Um lápis comum para escrever". Grafite e borracha. Quero tudo manuscrito. Rufem os tambores porque estou a ponto de escrever uma carta. Inicio com o nome a que se destina. Penso que dizer o nome já é dizer tudo. Não escrevo mais a carta. No jornal falam de um sujeito perverso que arruinou crianças. Sinto falta de um tempo inocente que nunca iremos viver. Sempre alguém sentirá mais dor, comerá menos, sorrirá mais. Sinto falta do momento seguinte, da tocha nas mãos do atleta, do refrigerante sem pressa e do café exageradamente adoçado. Sinto falta de tantos atos. O papel ainda em branco sobre a mesa de carvalho e o dia é claro feito sorriso de dentista. O mundo está sério com suas apoteosas deslumbrantes. E o homem que amola tesouras não virá hoje. O que incide agora é a brutal ausência de rotina. Penso em ir à padaria, ouvir música, falar com estranhos. Penso em sexo, oração, viver muito, viver pouco. Viver em tom agudo e ser gigante em terra de formigas. Ou o contrário de tudo isto. Preciso organizar meu tempo livre. Ou aprisionar de vez meu tempo livre. Estou em busca de um sentimento platônico. Que seja charlatão. Em minha igreja todos os santos fazem milagres. E surge a primeira sílaba. Sem Sucesso. Nasce falha como bebês que não nascem. Rabisco rigorosamente o risco. É quase fatal escrever. Um crime de mão cheia. Ajusto o foco da lente. Multifocal é minha cegueira. Necessário é dizer. Dizer escrevendo como crianças ensaiando jogral. Uma sílaba adequada me traduz. O silêncio é a própria voz. Agonia sem pressa e o amolador de tesouras não traz o homem. Escrevo com tamanha força e meu excesso rasga a folha de papel sobre a mesa de carvalho. Escrevo à trágica. Medo de ser falho o ato escrito feito orgasmo fingido. Denso suicídio de não ser compreendido. O escrito sente medo de ser visto. Revisto a palavra como quem a vê pela primeira vez. Singela gritante na folha em branco. Uma palavra sozinha. Assim como uma mulher esperando um táxi. De bolsa em mãos. De garganta seca a palavra nasce. Um javali de imenso tamanho em zona de caça. Leio em voz alta: (...). A palavra diz nada. Apago com força o que havia escrito e o atrito da borracha contra o papel causa um enorme furo. Elevo a folha à altura dos olhos e, para a surpresa deste vulgar absurdo, eu vejo apenas o mundo, um jogo de cadeiras, plantas displicentes a favor do vento e nuvens cortando o céu cor de fim de tarde. Guardo o papel ciclope entre outros vários papéis e penso: chegou o tempo de começar outra vez. Outra folha, outra palavra, e constato: toda zona é cega. Será sempre segredo esta palavra lida, rasgada, fugidia. A fula da vida nunca se deixará ver. E platônica a palavra me vem turva de amor e plena em seu distanciamento. Toda palavra é arbítrio declarando emancipação.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://amoxes.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;amoxes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5957365910106612982?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5957365910106612982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5957365910106612982&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5957365910106612982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5957365910106612982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/palavra-de-conserva.html' title='palavra de conserva'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8a4VHjUM_Js/Tj9N9pvf3rI/AAAAAAAABAw/WBgrHvm2REo/s72-c/Thinking____by_amoxes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4789412150308911415</id><published>2011-08-06T10:09:00.002-03:00</published><updated>2011-08-06T10:10:16.930-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artesã de ilusórios'/><title type='text'>duque de caxias, 402, centro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SRNaIEsRSEI/AAAAAAAAEds/Wz8Yf5pmaf0/s1600-h/graceful_mess_by_Thalweg.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="400" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265651484071118914" src="http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SRNaIEsRSEI/AAAAAAAAEds/Wz8Yf5pmaf0/s400/graceful_mess_by_Thalweg.jpg" style="display: block; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center;" width="307" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto tem gente que pensa em aparelhos telefônicos, penso em minhas sombrinhas que são modernas bailarinas e tomam Prozac. Minha preguiça acordou de mau humor e me mandou pastar. E já estou pastando nos verdes campos olhando o tempo e pensando em minhas sombrinhas. Ativamente passiva. Desnorteada não. Apenas pensativa. Já pela manhã, bem cedinho mesmo, pastei entre minhas plantas e vi dois pássaros no fio de alta tensão. Pensei de novo nas tais sombrinhas e, desta vez, meu pensamento efusivo colorido me trouxe a sensação de que ando cortando linhas da versão atemporal das coisas. Sinto muito, Tempo, mas a solidão invade o excesso de ser natureza e ainda sair para comprar pão. Vida simples? Não diria isso. Diria apenas que simplicidade é um trajeto curto através da cidade e ainda um disco antigo. E inventei de limpar armários. Os tais armários embutidos que parecem aprisionar nosso corpo à nossa casa e às memórias e já esqueci as sombrinhas. Embutida em meu apartamento na longa rua que segue em direção ao grande centro, decidi arrumar coisas. Porque elas precisam de mim ou eu preciso delas. Posso ser negligente, mas nunca com as minhas posses. E segui limpando cada canto escondido e as traças, que são tropas de elegantes soldados que não portam armas, tão singelas e tão ingênuas larvas, fugiram de mim e de minha incansável vontade de ficar só. Enfrentei as tropas. Flanela na mão e litro de querosene. Dizem que elas morrem assim. Uma tristeza tipicamente humana me veio à boca, mas eram as traças ou eu e minhas coisinhas. Lembrei logo daquele dito sobre ovos e omelete. É triste, mas devo ser firme. Limpar armários exige de  mim uma firmeza intermitente. Aí me deparo com minhas histórias. Gosto de sofrer. Caixas cheias de coisas que não uso. Minha existência me trouxe tudo em demasia. Roupas, viagens, perfumes, fotografias e tudo o que me prende ainda aos embutidos. E agora me perco em fotografias. Pedindo perdão, dia de missa, batizado de sobrinhos, festas em que fiquei tão alta e minha embriaguez era um alarde. Alguém sempre me trazia pra casa e acabava embutido também. E outras fotografias. Liquidações, sorrisos, primeiros tempos, lógica em dia de domingo. E minha vida me encheu os olhos. Até então estava calma e até poderia deixar em paz as traças. Mas depois de rever minhas glórias, decidi acabar com todas. Uma a uma. Decerto que vivi e vivo meio engasgada, levando tapa na cara ou enchendo o embutido de remendos, mas sou feliz que nem reparo. Chega um dia em que a gente sente que é feliz ou abrasivo ou um candelabro antigo e de certo valor e é um tal de amor reflexivo que tudo recebe sentido. Até fotografias. E pensar que tudo começou em sombrinhas, traças e termina o dia e eu aqui, contando em pares, meus afetos e prefácios.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://thalweg.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Thalweg&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4789412150308911415?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4789412150308911415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4789412150308911415&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4789412150308911415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4789412150308911415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/duque-de-caxias-402-centro.html' title='duque de caxias, 402, centro'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SRNaIEsRSEI/AAAAAAAAEds/Wz8Yf5pmaf0/s72-c/graceful_mess_by_Thalweg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-2237479251106504235</id><published>2011-08-03T11:32:00.003-03:00</published><updated>2011-08-03T13:52:52.437-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>amor de entusiasta</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SoYjQDHilgI/AAAAAAAAGMU/H1gdW6pzxoE/s1600-h/Anna_with_rose_by_Lady_Poltergeist.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="400" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370018364307707394" src="http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SoYjQDHilgI/AAAAAAAAGMU/H1gdW6pzxoE/s400/Anna_with_rose_by_Lady_Poltergeist.jpg" style="display: block; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center;" width="291" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Escrevo poema feito estouro de manada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Meus poemas falam de amor e mais nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gargalhadas entusiastas e eu no meio, querendo ser vergonha, querendo esmola e brota de minha cara amarela de mestiça esbranquiçada a tríplica sorte dos mendigos. Porque poderíamos morrer, de imediato, de asma, de querências. Mas não morremos. E somos felizes. Do contrário, acredite, já teríamos partido. E partir não tem graça. O bom é ficar. Fincar os pés e as memórias e enfrentar o tempo que é injusto, mas é pleno e já dizia que é infinito. Então nós temos tempo. Não este tempo quadrado do relógio. Falo do tempo do beijo, tempo das passeatas estudantis e da fumacinha engraçada que nos fazia rir. E você não riu. Problema seu porque eu me diverti e nem disse adeus e de que me adianta dizer adeus se ainda estou aqui, dentro da casa, aninhada em seus caminhos, parte da linha que envolve seus botões? E sou desarticulada e falo um monte de palavra e vou dar com a fé barata de quem rasteja. E você me deixou e não ouvi lamento. Lembro que voltou e eu achei bonita a vingança. Vamos abrir mão das mesmices. Vingança é a melhor coisa que existe e não o amor como dizia o poeta compositor. Melhor coisa é tripudiar, esticar meu corpo sobre o seu, deixar você comandar e fingir que sou a isca, quando, na verdade, você é a vítima. E ajo meu amor e arco a flecha em outra direção. E serei bem sincera. Vou amar você até morrer histérica tateando por sexo e faminta por sua confusão. E dizem que todos os homens são iguais. Duvido. Tenho o meu comigo. Longe de mim, mas dentro. Pontilhado desenho cubista que se arrisca a me abandonar. Deixa não, amor da minha vida. Segue comigo que eu sigo o sentido da malícia de meu riso de agora. Sou toda amor e desatino. Vivo às margens da antítese. E o amor existe distraído e cresce à voz dos sentidos. Um gigante estrondo de notas musicais. Amor que nasce, cresce, adormece, acorda e retorna e eu larguei a mania de acenar no cais. Hoje digo adeus ao telefone. Me consome, mas faço como de costume. Se há fogo, eu desmantelo tudo e deixo queimar. E a vingança de hoje é ver você me mastigar. Lento e belo caramujo perdido em algas de outro mar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://lady-poltergeist.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Karolina&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-2237479251106504235?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/2237479251106504235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=2237479251106504235&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2237479251106504235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/2237479251106504235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/08/amor-de-entusiasta.html' title='amor de entusiasta'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NfOGXiny63E/SoYjQDHilgI/AAAAAAAAGMU/H1gdW6pzxoE/s72-c/Anna_with_rose_by_Lady_Poltergeist.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3467350184896684400</id><published>2011-07-31T23:10:00.001-03:00</published><updated>2011-07-31T23:11:32.915-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>rascunho diminuto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BCFXnkZXJbQ/TjYKtbXYomI/AAAAAAAABAo/GQdhuq8hSCA/s1600/Mercury_by_MaxHierro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="361" src="http://1.bp.blogspot.com/-BCFXnkZXJbQ/TjYKtbXYomI/AAAAAAAABAo/GQdhuq8hSCA/s400/Mercury_by_MaxHierro.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Luta em tréguas &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O passado está na sala. No roupeiro. Nos pijamas. Nos quartéis de coisas guardadas para que a vida não seja tímida em acontecimentos. Trava luta imensa com o presente o passado descontente porque agora é luto. Uma criança talvez dissesse: O passado passou. Mas, na voz de um adulto, adulador de momentos, passado é aprendizagem. Mas a verdade é feto indecente. O que era tanto em significado, agora é pote de&amp;nbsp;geleia, memória cega, cúmulo de amnésias, montante de nada que restou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Peixes de aquário&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhando peixes no aquário. São dois. Percebo seus olhos colados no vidro. Nadam entediados. Valsam aquáticos em uma prisão com vista para um teto branco. Alimento os peixes. Um punhado de grãos minúsculos em uma de minhas mãos. Os peixes se unem para receber alimento. Sorrindo eu os sirvo o que pode ser sua única fonte de prazer. Comem apressados. Ou será apenas minha forma de ver? Peixes não têm pressa. A não ser quando fogem de seu predador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Diário acostumado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trafegam voluntárias a menina e sua amiga pela rua de casa. De mãos dadas seguem como imãs magnetizadas. Bem intencionadas criaturas dobram esquinas, brincam de amarelinha em calçadas e somem de repente como se fossem nada. Dias depois: Jornal Alardeia Falta. O mundo só percebe acontecimentos quando já não há mais volta. O tempo é cúmplice de todo crime.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Cidadania&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agrade à família. Mas antes agrade ao vizinho e ao vizinho de seu vizinho. Ande em linha reta e não seja tagarela. Nunca fale de boca cheia. Não reclame. Não ame à luz do dia. Não seja louco. Não afronte a vontade dos outros. Faça sua vida de acordo com a regra distinta de ser feliz à custa da vaga cama de seus pais.  Seja estátua. Figura de porta-retrato. Silenciosa repetição de fatos. Nunca olhe para trás. Agrade. Não seja aquele que você é no escuro combate das vontades. Viva como rege o mandamento. Espere do trigo a dose contada. Não queira o excesso. Não sonhe em voz alta. Faça parte do círculo. Não seja vício. Seja apenas cíclico, peste em bandos, sujeito datado de fim desde o início.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://maxhierro.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;MaxHierro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3467350184896684400?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3467350184896684400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3467350184896684400&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3467350184896684400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3467350184896684400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/rascunho-diminuto.html' title='rascunho diminuto'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-BCFXnkZXJbQ/TjYKtbXYomI/AAAAAAAABAo/GQdhuq8hSCA/s72-c/Mercury_by_MaxHierro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7378811565650506004</id><published>2011-07-28T12:37:00.010-03:00</published><updated>2011-07-30T02:01:54.291-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sinfônica adulterada'/><title type='text'>sinfônica adulterada</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=538&amp;amp;idProduto=556"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=538&amp;amp;idProduto=556"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-TCO70I2h8vg/TjGAH8Tf-WI/AAAAAAAABAk/pCRJGYJ82xQ/s320/Capa_Sinf%25C3%25B4nica+Adulterada_Imagem.jpg" width="244" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu decidi que seria escritora. Bendita hora. Me caiu como uma luva. Mesmo que eu sempre me sinta imatura com relação ao meu trabalho, continuo acreditando que seja este o caminho certo. E, dia dessas, eu estava lendo um trecho da Clarice Lispector, e foi direto em minha opinião no que diz respeito a escrever, ser escritor e fazer disto um ofício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Ainda continuo um pouco sem jeito na minha nova função daquilo que não se pode chamar propriamente crônica. E, além de ser neófita no assunto, também sou em matéria de escrever para ganhar dinheiro. Já trabalhei na imprensa como profissional, sem assinar. Assinando, porém, fico automaticamente mais pessoal. E sinto-me um pouco como se estivesse vendendo minha alma. Falei nisso com um amigo que me respondeu: mas escrever é um pouco vender a alma. É verdade. Mesmo quando não é por dinheiro, a gente se expõe muito. Embora uma amiga médica tenha discordado: argumentou que na sua profissão dá a sua alma toda, e, no entanto cobra dinheiro porque também precisa viver. Vendo, pois, para vocês com o maior prazer uma certa parte de minha alma ― a parte de conversa de sábado."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;(Clarice Lispector)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Sinfônica Adulterada é o segundo livro que torno público. Agradeço aos meus amigos escritores e leitores por me incentivarem a continuar.&amp;nbsp;Em especial, um grande agradecimento a Zélia Palmeira pela organização do material publicado, a Jana Lauxen que me encaminhou à editora, à Multifoco pelo incentivo cultural e editorial, a Manoela Boianovsky pela ilustração da capa e a Assionara Souza que redigiu o prefácio. E a todos mais que, mesmo não sendo citados aqui, deixo minha gratidão. Vocês sabem que andam sempre comigo neste caminho literário e tortuosamente perfeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, quem quiser adquirir o livro, clique&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=538&amp;amp;idProduto=556"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Um abraço para todos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7378811565650506004?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7378811565650506004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7378811565650506004&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7378811565650506004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7378811565650506004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/sinfonica-adulterada.html' title='sinfônica adulterada'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-TCO70I2h8vg/TjGAH8Tf-WI/AAAAAAAABAk/pCRJGYJ82xQ/s72-c/Capa_Sinf%25C3%25B4nica+Adulterada_Imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-9059235351512865835</id><published>2011-07-26T20:12:00.009-03:00</published><updated>2011-07-27T02:17:17.673-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>deliberada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BVF1UdoeS40/Ti9Ii4G2xzI/AAAAAAAABAI/t7JLoJlJq-s/s1600/carla_by_akumu_kurai-d3vh84h.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-BVF1UdoeS40/Ti9Ii4G2xzI/AAAAAAAABAI/t7JLoJlJq-s/s400/carla_by_akumu_kurai-d3vh84h.jpg" width="278" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ambulâncias em romaria, crianças sequestradas, assaltos à luz do dia. E você não precisa sair de casa para ver o grande evento. Ligue a TV e saiba: seu mundo é abelha pequena fornicando por mel. Há sempre mais a saber. E o telefone não para de tocar. Desde ontem. É um alerta de que o mundo existe. Meus olhos caçam borboletas enquanto, sem culpas adicionais, fumo um cigarro. Autodestrutiva é a mãe. Busco isolamento. Uma fita isolante que me proteja. Mas, se busco isolamento, por que tenho telefone, e-mail, caixa de correio? Se busco solidão, por que esse homem está deitado em minha cama? Sou mesmo paradoxal. Admito que não gosto muito desta palavra. Não gosto de coisas que caem em todas as bocas. Não gosto de homens usados demais. São calejados e cheios de manias. Sou autoritária e quero destruir meu homem com minhas próprias mãos. Faço estreia em tudo que amo. Ele me interroga a respeito da frieza do instante após termos praticado sexo. E diz que sou fria porque, ao invés de citar fazer amor, uso o verbo praticar. Explico que é prática tudo que nos guia cegos à perfeição. Ele sorri. E ainda afirma que paixão é necessidade. Concordo resiliente. Digo que paixão não surge apenas por contato romântico de suas mãos enfiadas em meu corpo. Você pode se apaixonar por uma causa, por um livro, por algo que não seja objeto único. O mundo pode ser sua grande paixão. E o estado apaixonado não é calculado em relógio. Pode durar anos. Ou pode morrer agora. É uma pilha de nervos que se esgota. Nós sabemos. E não falemos de amor. Deixemos o sentimento acontecer sem dissecá-lo. E bobagem é falar da mulher moderna. Não há tal espécie. O que existe agora é uma mulher que passa por processos de forma mais agressiva. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Ainda somos biológicas. A diferença está em nosso estado bélico. Mulheres não querem mais pedras no caminho. E, acaso elas surjam, nós as chutamos. E com raiva. E toda esta violência não passa de proteção. Medo de se ferir. Mulheres são como eu. Buscam isolamento embora carreguem o velho sonho que ainda não desbotou. Casa, comida e alguém que esteja sempre por perto. Estarei mentindo? Converso muito com uma amiga a respeito disto. Minha amiga ri muito ao telefone. Mas é um riso dolorido. Há dores quando ela ri. Eu não sei bem quais são. Não acredito que sejam dores amuadas de quem perde alguém que costumava mandar flores. Não posso acreditar que tudo seja apenas uma questão de sentir-se só. A história não pode ser tão simples. Então converso e não questiono. Deixo minha amiga esguichar suas risadas. Todo riso alargado demais traz algo de doloroso. Como se fosse uma dor anunciada. Uma dor ao contrário. Falo muito ao telefone e tento não julgar ninguém. Todo julgamento me denuncia. Quem sou eu para dar conselhos? Meu único desejo é seguir e aprender que toda soma não será eficaz. Aprender que não sou superior a você que me olha meigo de satisfação por me tocar. Eu não me tornei gato escaldado. Digo em voz alta. Ele sorri. Diz que sou ingênua. E, para mim, não há insulto maior. Ingenuidade é indecente. Corta a carne em filetes e por isso nos perdemos. Não sou ingênua. Ele se envolve em mim preparando seu acúmulo de vontade. Deixo-me servir. Nunca seremos um. Nunca seremos pertences de devolução perdidos em guarda-volumes. Minha paixão o envolve e praticamos o ato novamente. Às quatro deliberados. Abelhas ou não, estamos fornicando em nossas próprias flores. Tão libertos quanto aprisionados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://akumu-kurai.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Akumu-Kurai&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-9059235351512865835?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/9059235351512865835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=9059235351512865835&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/9059235351512865835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/9059235351512865835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/deliberada.html' title='deliberada'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BVF1UdoeS40/Ti9Ii4G2xzI/AAAAAAAABAI/t7JLoJlJq-s/s72-c/carla_by_akumu_kurai-d3vh84h.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5111439230768263409</id><published>2011-07-19T23:12:00.008-03:00</published><updated>2011-07-27T21:56:52.235-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>sísmicos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-t7kDjk5pmUI/TiY5bmxFW-I/AAAAAAAABAE/J78ZbO5MRvI/s1600/sudoku_train_guy_by_seanmetcalf.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="323" src="http://3.bp.blogspot.com/-t7kDjk5pmUI/TiY5bmxFW-I/AAAAAAAABAE/J78ZbO5MRvI/s400/sudoku_train_guy_by_seanmetcalf.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que nos vale a insensata tristeza das miúdas horas? Ela, a vida, zomba de nós e, atroz, anda a nos envergonhar. E todos os dias carregamos do passado essa bruta ferrugem destilada. E nos matamos — ora por tudo, ora por nada. São terríveis e assombrosas as marcas que deixas quando entorpeces as veias e respiras devagar o ar que eliminas quando não queres mais desejar. É o trajeto curto do beijo da garota e do menino no beco, alheios, violentos em inocência, perversos em pura ingenuidade, rompendo a pele que as vestes protegem e assumem a humana voz de cada espécie. E olha o carro comendo a rua, a ave que adestra o canto em comunhão aos olhos de deus. Ah, terra glorificada que me aborrece ao sair de casa e me fere os olhos quando enxergo a palidez de tudo que é triste. Mas há alegria no extremo e aqui estou portando a iniquidade de meu falar breve e do medo que me faz delirar. Veloz delírio de amedrontar palavras tal como se fosse trem quando se aproxima e não é ilusão. É realidade. O trem quando adentra a cidade vem com força e arranca a poeira das eternas dúvidas do ser. A cidade hermética, o homem duvidoso e estalido de um vidro que se parte ao tocar de mãos. Somos de toda forma tão sensíveis e nem ao menos sabemos. Não entendemos. Não nos enxergamos. A mão apóia o queixo que, por ventura, possa vir ao chão. E a morte é o contrário de tudo. Fina roupa do avesso, feito moça sem jeito, feito o mar que dignifica a imensidão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://seanmetcalf.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;seanmetcalf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5111439230768263409?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5111439230768263409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5111439230768263409&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5111439230768263409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5111439230768263409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/sismicos.html' title='sísmicos'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-t7kDjk5pmUI/TiY5bmxFW-I/AAAAAAAABAE/J78ZbO5MRvI/s72-c/sudoku_train_guy_by_seanmetcalf.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4611896365609695656</id><published>2011-07-17T14:55:00.007-03:00</published><updated>2011-07-26T20:14:10.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>bagagem de mão</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Jikk4XyPJB4/TiObea7r2VI/AAAAAAAAA_o/-Tad_pq6le8/s1600/Dreaming_Girl_Edit_Version_by_bluewingnara.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-Jikk4XyPJB4/TiObea7r2VI/AAAAAAAAA_o/-Tad_pq6le8/s400/Dreaming_Girl_Edit_Version_by_bluewingnara.jpg" width="373" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou novamente no aeroporto. Observo minha bagagem. O cadeado da mala é dourado. Assim como sol de hoje que se esconde da chuva. Espero que não ocorram tantas turbulências como em minha última viagem. Turbulências me fazem tocar o chão e o contato com a realidade é olhar-se no espelho: sem truque ─ sem maquiagem. Enfrento uma fila. Pessoas não muito diferentes de mim também aguardam sua vez. Estamos todos esperançosos porque viajar é mudar. E mudança é não deixar estagnar a água, o tempo. Há receio. Sempre haverá. Não quero me desperdiçar tentando não sentir medo. E chega minha vez de apresentar documentos. No balcão sou interrogada: grávida? objetos cortantes? Sou cautelosa em minhas respostas e sorridente ao dizer não. Deixo o balcão e procuro algum rosto conhecido. Todos os rostos esboçam a mesma expressão. Ansiedade, felicidade, sede? Que poço será este que tanto cavamos? E que busca é esta? Não quero questionar. No saguão encontro uma livraria. Preciso de um livro para ler durante a viagem. Eu poderia ter trazido qualquer livro. Eu tenho muitos livros. Mas eu preciso de palavras novas. De nova história. Escolho a leitura, pago o preço e sigo ao café. Expresso. Sentada observo as mulheres que se encarregam da limpeza. Elas usam botas. Parecem soldados. Estão lutando. Assim como nós que estamos sempre mudando. Ou permanecendo. Mudar é prova de caminhar. Permanecer é questão de acreditar ainda. Estou sorrindo com os olhos. Penso ao engolir a última gota de café. Pensar é uma forma de vida ainda não aceita porque pensar é enfrentar o alvo, munir-se para uma guerra e não permitir-se à resignação. Uma voz anuncia a hora da partida. Há sempre uma hora de partida, de chegada, de despedida. Me dirijo ao portão de embarque. Sempre sou a última a chegar. Deixo que todos passem em minha frente porque, desta forma, me sinto mais livre. Estou familiarizada com o detector de metal. Conheço as palavras das pessoas que fiscalizam nossas vidas a raios-X. Não tenho munição bélica. Minhas armas ficaram no passado e, leve, passo pela máquina de revistar gente. Faltam cinco minutos para a decolagem. Alguém diz para eu me apressar, alguém anuncia meu nome em alto-falante. Sou eu, penso. E estou sorrindo. Embarco. Finalmente o passo. Conheço este futuro que agora desejo. Eu já o quis. Eu já vivi o suficiente para sabê-lo. Por sorte sentarei à janela. Poderei ver o céu mudar quando cruzarmos meus limites. Estou calma após a decolagem. E a viagem não começa agora. Ela fora iniciada desde o dia em que planejei tudo. Deixo um mundo para trás e tenho um mundo pela frente. Acima das nuvens o sol brilha em cor de cadeado. Uma turbulência me faz tocar a realidade. Não foi tão ruim me olhar nos olhos. Agora abro o livro e inicio o capítulo. Sozinha não me sinto. Trago, em bagagem de mão, meus amores, meus desperdícios, meus indícios de estar viva alimentando vontades. E nunca será tarde. Viajarei de novo acaso o plano se desgaste. Qualquer um, estando vivo e pleno de suas faculdades, tem o direito de permitir-se. Eu me permito. Se um dia retorno? Claro que sim. Toda partida eterniza algo. E se parto é para sempre permanecer dentro de mim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://bluewingnara.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;bluewingnara&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4611896365609695656?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4611896365609695656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4611896365609695656&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4611896365609695656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4611896365609695656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/bagagem-de-mao.html' title='bagagem de mão'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Jikk4XyPJB4/TiObea7r2VI/AAAAAAAAA_o/-Tad_pq6le8/s72-c/Dreaming_Girl_Edit_Version_by_bluewingnara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-842675104872294664</id><published>2011-07-12T13:23:00.009-03:00</published><updated>2011-07-19T23:15:05.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>revelia</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zbW2-ychFMA/S1EqXkI8B5I/AAAAAAAAAHE/GWssitJT_d0/s1600-h/red_pearls_by_Adnil.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="400" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427165610284681106" src="http://2.bp.blogspot.com/_zbW2-ychFMA/S1EqXkI8B5I/AAAAAAAAAHE/GWssitJT_d0/s400/red_pearls_by_Adnil.jpg" style="display: block; height: 400px; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center; width: 299px;" width="299" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;Um poema por dia. Calendário gregoriano sutil egípcio.&lt;br /&gt;Vapor das ferrovias e cria da fértil imaginação fugidia.&lt;br /&gt;Dama da noite por dias&lt;br /&gt;Jasmim roubado,&lt;br /&gt;Violado — violada,&lt;br /&gt;Por ágil e evolutiva invenção feminina.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha revelia é azul, púrpura em diversos trajes colorida. De fina estampa estendida em toda esquina e vendida por ninharias e tanto me contentaria em ser contraste entre musas e ave-marias. Há muito venho errante, rosa vermelha embebida em champagne, e anuncio culpa aos gratos erros que me levam pelas mãos que não me temo por ser predador e, sendo mulher de minhas paisagens, de boca aberta cheia de palavras, vivo de falar mal em revoltas gargalhadas. Choro por nada, por violento apego, e não me eximo do desterro que ao mundo é trajeto e breve será destino. Desgarrada de meu bando, caço aos nortes e aos mares de todo o canto, meu nome, meu ego, minha desvirtuada e traiçoeira matéria, que sou feita, que sou pele, que sou muda, que sou cega, que me nomeio Panaceia e sigo outras manadas a violar estradas em próspera e desvairada epopeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://adnil.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Adnil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-842675104872294664?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/842675104872294664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=842675104872294664&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/842675104872294664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/842675104872294664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/um-poema-por-dia.html' title='revelia'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zbW2-ychFMA/S1EqXkI8B5I/AAAAAAAAAHE/GWssitJT_d0/s72-c/red_pearls_by_Adnil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3980496859793296797</id><published>2011-07-09T23:54:00.013-03:00</published><updated>2011-11-15T21:08:36.531-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>ipsis literis</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-sBDzfjtrKKk/TjCq-w-JeaI/AAAAAAAABAc/zP7SoTVn11I/s1600/streaming_through_the_surface_by_milosmilos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-sBDzfjtrKKk/TjCq-w-JeaI/AAAAAAAABAc/zP7SoTVn11I/s400/streaming_through_the_surface_by_milosmilos.jpg" width="277" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object height="40" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;        &lt;param name="wmode" value="window" /&gt;        &lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;        &lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=2464630&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;        &lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=2464630&amp;style=water&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Augusto morreu. E do pior tipo de morte. Tornou-se comum. Agora ele não passa de um cidadão que, muito provavelmente, sentirá tédio, apatia, talvez venha a sofrer de depressão, terá filhos e engordará feito um rinoceronte sedento observando as águas da savana. Mas é o destino.&amp;nbsp;Ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não penso mais no assunto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Desejo sorte ao falecido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu continuo aqui. Leonora intacta. Ou não estarei intacta? Talvez me falte muita coisa. Tenho compaixão de todos que se sentem completos. Porque se cansam da busca. Acomodam-se e sentem-se felizes de forma simplória. Como formigas economizando para o inverno. E logo morrem. Assim como Augusto. Que Deus o tenha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Mas, antes do desfecho de toda a história de amor e ovos mexidos, deixe-me contar alguns detalhes.&amp;nbsp;Nunca acreditei em encontro marcado. Alma gêmea, em minha opinião, é definição para bebês nascidos da mesma gestação, univitelinos ou siameses. Minha história com Augusto sempre fora diferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos vimos, nos falamos, nos amamos e comemos o pão que o diabo amassou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se alguém espera do amor simplicidade, ame seus familiares. Ame seus pais. Ame seus irmãos. Entre um homem e uma mulher é preciso que haja raiva, paixão, necessidade. E não falo da necessidade como se fosse uma simples troca de declarações padronizadas. Falo da fome que faz roncar a barriga, salivar a boca quando desejamos o prato. Falo da necessidade viciosa de ter aquela substância em nosso corpo. Não irei mais explicar. Está dito o tipo de amor que me unia a Augusto. Eu precisava dele em todos os vãos de meu corpo. Em todos os poros. Eu poderia respirar Augusto e nada mais ter por dias. Éramos amantes completos. Entre nós havia muito sexo. E não falo de sexo comum. Era mais uma troca de fluidos. Eu me doava a Augusto em sangue. E ele tinha manias que haviam se tornado nossas. Não direi mais nada a respeito disto. Mas, caso a curiosidade aqueça a vontade de ir mais adiante, aconselho: para saber de Augusto e Leonora observe animais e sinta seus instintos mais primitivos. Aconselho também que inspecione células através de um microscópio. Veja como elas se unem, se reproduzem, se coagulam, se engolem. Veja como se unem de forma a se tornarem uma só. Veja como morrem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia um silêncio entre nós. Havia também um sentimento necessário para que a paixão não adoecesse de velhice. Nós competíamos. O tempo todo. Medíamos forças. Augusto gostava de me reduzir, para, logo depois, catar meus cacos. Eu sempre calei porque a fêmea obedece ao macho. Mas Augusto não entendia e eu não sabia explicar minhas posições. Então, ao invés de gastar palavras, eu andava nua pela casa e Augusto me devorava como se fosse um leão. Não havia tempo ruim. Mas há algo que precisa ser dito. Amor, por mais forte que seja, torna-se um cobrador infame. Então começamos a cobrar um do outro. Cobranças miúdas que sequer me darei ao desperdício de dizê-las. E, através destas cobranças, houve um tempo em que enlouqueci. Tornei-me neurótica. Mas era a necessidade me fazendo salivar. Augusto não entendia. Ele me queria e também queria o universo inteiro. Admito ter sido tola. Eu não poderia ter cobrado algo que eu mesma nunca fui capaz de dar. Fui egoísta. Talvez tenha sido minha forma de encontrar uma saída. Porque havíamos nos desgastado. Estávamos esgotados. Era tanto amor e eram tantos desejos ilimitados que o corpo não aguentou e a mente passou a rejeitar o que sentíamos como se fossemos intrusos, um na vida do outro. Daí o amor se transforma e chega ao fim. Daí começa uma nova busca por outro amor que não faça cobranças, que seja novo, radiante, controlado, embora exploda em paixão.&amp;nbsp;Mas eis o nosso engano. Amor nunca será seguro ou satisfeito por todo. E, terminada a paixão, voltaremos à televisão e aos dias de obrigações eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso que se entenda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há busca por amor. Porque ele é a própria busca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não entrarei em questões psicológicas. Tampouco falarei de magia. Mas isto talvez seja importante. Soube que Augusto me enfeitiçava. E era sempre. Nunca acreditei nisto e nunca irei acreditar. Mas ele acreditou e fez. Como acreditar em tamanha tolice se eu estava ali, ao lado dele? Senão ao lado dele, eu estava sempre ao alcance das mãos. Mas há crenças e há quem as respeite. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora penso em Augusto como quem relembra um antepassado. As imagens fogem. Memórias se apagam. A vida vai se montando como um novo retrato de outra paisagem. Outras árvores nascem e casas são removidas do cenário. Minha atitude é outra e lembro-me da Leonora que um dia fui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Arrependimento nunca haverá.&amp;nbsp;Talvez, no futuro, por questão de moral e respeito, eu chegue a dizer que nunca conheci tal homem. Nunca em minha vida. Eu desconhecerei Augusto por completo. Nada falarei. Calo.&amp;nbsp;E agora estou bem. Não há mais saudade. Nem raiva. Nem nada. Tudo está em formação como acontece às partículas que formam a água.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://milosmilos.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Milos Milosevic&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3980496859793296797?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3980496859793296797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3980496859793296797&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3980496859793296797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3980496859793296797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/ipsis-literis.html' title='ipsis literis'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-sBDzfjtrKKk/TjCq-w-JeaI/AAAAAAAABAc/zP7SoTVn11I/s72-c/streaming_through_the_surface_by_milosmilos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5032307720909769091</id><published>2011-07-07T00:50:00.002-03:00</published><updated>2011-07-07T11:33:00.699-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>da flor o segredo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-LmPLlWDRzhE/ThUpog-5kaI/AAAAAAAAA9I/aPmpE9nSLHU/s1600/A_flower_by_Conscy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-LmPLlWDRzhE/ThUpog-5kaI/AAAAAAAAA9I/aPmpE9nSLHU/s400/A_flower_by_Conscy.jpg" width="360" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida de Morgana tem moldura, estatura e janela com vista para o céu. O mundo nunca fora raquítico. É extraordinário instrumento em suas mãos de hábil leitura e introspecção. Mulher de reter paixões, de contar dias de sol, de respirar surpreendente o que da chuva se esvai quando o solo é fértil. Morgana é vontade, cautela e todo privilégio. Musa criada em fronteiras, arrebentou o mundo porque nascera grande, frondosa e delicada em rústica aparência. Por muitos sempre é vista e a poucos se faz saber a silenciosa abelha que contempla o próprio mel. Morgana aprendeu a reconhecer a lágrima pelo gosto, o mal pelo oposto, o amor pelo tato em divina oração. Lábios acostumados de riso, mulher de olhar vespertino, dama ao som de oboés, faz trabalhos de casa, aninha seus filhos, limpa o chão, assopra a invejosa&amp;nbsp;poeira&amp;nbsp;que se aninha em vãos e escreve poesia em rima e desnorteia palavras para elaborar razão. Ela alimenta seus animais e dança lúcida ao som da imprecisa necessidade de ser. Morgana sabe o risco da vida, das&amp;nbsp;efêmeras&amp;nbsp;idas, conhece da flor o segredo, do pasto o cordeiro, do livro o belo soneto e fala alto aos meus ouvidos sempre que eu escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://conscy.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Conscy&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5032307720909769091?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5032307720909769091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5032307720909769091&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5032307720909769091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5032307720909769091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/da-flor-o-segredo.html' title='da flor o segredo'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-LmPLlWDRzhE/ThUpog-5kaI/AAAAAAAAA9I/aPmpE9nSLHU/s72-c/A_flower_by_Conscy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-8864672379124994459</id><published>2011-07-03T22:28:00.003-03:00</published><updated>2011-07-07T00:53:13.150-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>amor de cartesianos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Qa8qdchc8No/ThEWal6hXSI/AAAAAAAAA9A/EXYlMgBZ_ek/s1600/comeandkissme_by_andrahilde-d3firmd.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="290" src="http://4.bp.blogspot.com/-Qa8qdchc8No/ThEWal6hXSI/AAAAAAAAA9A/EXYlMgBZ_ek/s400/comeandkissme_by_andrahilde-d3firmd.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontro marcado. Relógio esganiçado que não passa hora. Mas chega o tempo. Visto o que é roupa e tudo provoco. Caminho entre ruas e vejo você ensaiando movimentos. Engraçado como somos parecidos quando sentimos medo. Sentamos lado a lado. Bar de gente contente. Alguém canta baixinho música que não me importa. Porque você importa mais que o mundo. E começa a competição de oratória. Uma pergunta, uma resposta, um sorriso e fecha os olhos a ave de rapina a reconhecer a presa. Olhos analisam o que não é visível. Afã de belo antigo ao salto libertino e não há rede de proteção. Táticos animais farejam o óbvio. Bebida, comida, a mesa farta de coisinhas que não queremos. Há casais deliberando afeto e nós olhamos os casais e a inveja faz a alma desejar infernos de aprisionar o mesmo. Você fala muito. Ouço por educação de meu instinto. Paciente a fêmea aplaude o grande símio. O tato aumenta o que é urgente. Estamos a segundos de uma colisão. Medo, boca seca, garganta emperra fala e sua boca me toma em um beijo e a palavra é muda e não há pensamento e as mãos se encontram e seguimos o ritual de comer inteiros. Respiro após o primeiro contágio. Você sorri como quem vence. Eu finjo timidez e adoro deixar que você pense. Obediente nossa raça segue o risco do maior perigo existente. E nos apaixonamos e que nada seja para sempre. A eternidade gasta o plano. Que seja veloz em paixão todo momento. Dia seguinte recebo flores, deixo recado e preparamos o próximo ataque. Decora-me nunca. Esqueça a tabuada das regras, das medidas que engolem espantos, do engano de esperar doses de igual tamanho. A pressa escalda os gatos que engordam de curiosidade. Prefiro que sejamos lentos bordando o amor que nos devora intactos. E, dia após dia, seremos sempre este confronto em proporções de novidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://andrahilde.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Hilde&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-8864672379124994459?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/8864672379124994459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=8864672379124994459&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8864672379124994459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8864672379124994459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/amor-de-cartesianos.html' title='amor de cartesianos'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Qa8qdchc8No/ThEWal6hXSI/AAAAAAAAA9A/EXYlMgBZ_ek/s72-c/comeandkissme_by_andrahilde-d3firmd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3455067035963078871</id><published>2011-07-01T16:32:00.005-03:00</published><updated>2011-07-02T19:36:50.661-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário bordô'/><title type='text'>encerrada a temporada de caça</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kAgPWcrM3OI/Tg4c9X1uTBI/AAAAAAAAA88/RN2vwV9VFzk/s1600/5d2c21421a156f64.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="308" src="http://4.bp.blogspot.com/-kAgPWcrM3OI/Tg4c9X1uTBI/AAAAAAAAA88/RN2vwV9VFzk/s400/5d2c21421a156f64.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;object height="40" width="250"&gt;&lt;param name="movie" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="window" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=349826&amp;style=water&amp;p=0" /&gt;&lt;embed src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="250" height="40" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=349826&amp;style=water&amp;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje acordei mais clichê que os programas da GNT. Rimou. Fiquei de ligar para um amigo para tomarmos um café. Não liguei e tomo café sozinha. Que meu amigo me entenda que não foi por mal a ausência. Eu passei da hora. Mas ainda não é tarde. Tenho andado tão existencialista que busco sentido até para o formato da pia do banheiro. Para tudo há um sentido. E, em minha busca interminável por todos os sentidos de todas as coisas que me cercam, descobri que deixei, por muito tempo, o meu sentido para trás. Mas veja só a vida cômica nos cegando. Me larguei. E este é o pior esquecimento. Porque, se não me percebo, como posso viver? A resposta é simples: Não se vive. Uma vez alguém tendo esquecido de si mesmo a vida torna-se uma mentira. E isto me surgiu como uma epifania ao assistir a um filme noite passada. Pequena Miss Sunshine. Trata-se da história de uma família que só percebe seus grandes conflitos quando, em viagem, passam muito tempo dentro de uma Kombi e começam a se enxergar mais. É o enfrentamento que nos torna mais humanos. Logo associei a história a tudo que vivo. É preciso estar no sufoco para que se perceba? Não sei se isto se aplica a todos. Mas, definitivamente, se aplica a mim. Nunca me permiti assumir meus erros e defeitos. E não sei se por questão de ingenuidade me deixei fora de mim mesma como se fosse um balão flutuante fora de contato com o mundo. Proteção que de nada serve. Quanto maior a fuga, maior o sofrimento. Mas isto é pecado nos dias de hoje. Ninguém pode sofrer porque não pega bem, entende? E ninguém tem paciência para as lamúrias do próximo. E nada pior do que ver um amigo, ou amiga, ou seja lá o que for, passando por uma tempestade. Porque nós fomos criados para aceitarmos somente as coisas que estão em seu devido lugar. Aquilo que sai do formato ou despenca da prateleira é algo que nos incomoda, que não nos serve. É feio. Algo a ser deixado. E não importa seu tipo de dor. Ela sempre terá de ser escondida e você precisa aprender a lidar com isso de forma adulta. Mas o que é adulto? E como lidar com algo que você ainda não conhece? Conflitos são partículas que surgem de acontecimentos ou experiências que habitam nossos esconderijos e sequer nos damos conta da existência deles. Então criamos uma imagem nossa que possa agradar ao mundo. Sofrer em público é crime. Então é melhor não sofrer? Por que, se posso dar importância às minhas alegrias, também não posso tentar observar cautelosamente aquilo que me faz sofrer e, com bastante cuidado, enxergar tudo e solucionar o problema? Se não enfrento o que me dói, o que mais serei senão apenas um desfile de sorrisos. Penso nisto e tudo mais ganha sentido. Meu conflito é verdadeiro, autêntico e agora é reconhecido e, por ser assim, posso tratar o problema de olhos bem abertos. Como remédio eficaz na cura de uma doença. Não quero mais me esconder de mim mesma. Não quero ter de pedir licença para dar minha opinião. E há uma verdade: Só fazem conosco aquilo que permitimos. Não há culpados ou pesos a serem somados. Há apenas a aceitação do que fora vivido, a convicção de que a mudança nos transforma e, embora nos tornemos calejados e medrosos tentando nos proteger de todos os tiros, algo sempre virá a nos acertar de novo. No entanto, após aceitação do problema e das falhas que o fizeram crescer dentro de nós, após aprendermos mais a respeito de quem somos, o tiro que irá nos acertar não causará o mesmo efeito. Será outra situação. Será outro dia. Outra vida. E muitos que me leem dirão: Mas do que ela está falando? Ou talvez digam que o mundo é mais que isso. Ou talvez não digam. Ou talvez. Mas uma coisa é certa dentro de mim: Aceito o que sinto como prova maior de estar crescendo. Encerrada a temporada de caça sigo mais inteira do que antes. Porque somos feitos de matéria física, de operações matemáticas, carências, reis na barriga e sempre a covardia de um não enfrentamento é o que nos destrói. Auto-ajuda? Talvez. Aprendi que a vida é experiência e não somente um desfilar de vitórias. O nó fora atado. Muito bem montado. Mas a sensação de desfazê-lo é que gera dentro de nós o gosto de uma conquista. Pois, finalmente, há honestidade e força para seguir adiante. E o sorriso após o tombo é sempre o mais autêntico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://sam-halfshark.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Samantha Nagel&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3455067035963078871?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3455067035963078871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3455067035963078871&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3455067035963078871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3455067035963078871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/07/encerrada-temporada-de-caca.html' title='encerrada a temporada de caça'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-kAgPWcrM3OI/Tg4c9X1uTBI/AAAAAAAAA88/RN2vwV9VFzk/s72-c/5d2c21421a156f64.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4243514438607521241</id><published>2011-06-29T21:49:00.002-03:00</published><updated>2011-06-29T22:05:43.997-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>trapezistas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-CHLqHEb653M/TgvGuzmp-XI/AAAAAAAAA84/w-l-Rn39Yx8/s1600/0855c67f572c463d.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-CHLqHEb653M/TgvGuzmp-XI/AAAAAAAAA84/w-l-Rn39Yx8/s400/0855c67f572c463d.jpg" width="360" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pássaros alinhados em fios de alta tensão. São trapezistas. Malabaristas. Belos artistas. E tão serenos. E como caçoam de nós humanos que mal andamos de tão pesados que estamos cheios de nós mesmos. Um dos pássaros caça com os olhos sua presa e voa em adágios o pássaro liberto. Asas tão abertas quanto as asas das naves que criamos e caem em oceanos e levam tantos de nós. Pássaros não morrem artificiais. Outro se ergue e declina em voo rasante e toca o chão e volta ao céu sem que nada o faça olhar para trás. Nós humanos andamos ciclopes e enxergamos apenas um caminho quando tudo deveria ser amplo. Sofremos tanto e mal sabemos o motivo. Eram cinco pássaros alinhados em fios de eletricidade. A matemática que calcula nosso tempo não é usada por estes seres livres que não sentem pena porque não há motivos para compaixão entre eles. Não sofrem os pássaros alinhados nos fios de alta tensão. Mas sofrem os homens que andam em círculos com o pé no chão freando toda bruta essência e vivendo como se o dia de hoje fosse apenas o limo da estação. O tempo é mais espaço onde voam pássaros e não matemática de subtração. E mais pássaros voam. Quando voaremos nós?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://deeterhi.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;deeterhi&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4243514438607521241?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4243514438607521241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4243514438607521241&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4243514438607521241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4243514438607521241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/trapezistas.html' title='trapezistas'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-CHLqHEb653M/TgvGuzmp-XI/AAAAAAAAA84/w-l-Rn39Yx8/s72-c/0855c67f572c463d.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5426609837336369774</id><published>2011-06-28T18:34:00.009-03:00</published><updated>2011-06-29T21:50:21.563-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>ao belo e sublime</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Dm1gznSYDuQ/TgpKEG8cNnI/AAAAAAAAA8o/3-V-1nnQ6cM/s1600/the_duel_by_jasinski-d2zvm28.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-Dm1gznSYDuQ/TgpKEG8cNnI/AAAAAAAAA8o/3-V-1nnQ6cM/s400/the_duel_by_jasinski-d2zvm28.png" width="301" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;u&gt;moralista&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de amor que você precisa. E seus pensamentos possantes egoístas também não lhe servem de alimento. Sempre a busca fere como farpado arame corta o vento a soprar indagações. E não há pecado algum no egoísmo. É patrimônio nosso. E duvide daquele que muito compartilha. Há sempre maldade em doações. Não é disto que você precisa. E toda necessidade é uma dose imoral de vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;u&gt;mundo homem&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá. Certifique-se na gramática. Nem todos os substantivos mudam de gênero. O mundo é homem e eu mulher não posso dar-me ao benefício de pernas abertas e muito riso porque de mim pensarão asneiras. Machismo contraído de senzalas, uma praga, infesta todas as bocas enquanto a minha fala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;u&gt;lipoaspirados&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de amigos toma café, na beira da esquina, em lugar de requinte. Falam abobalhados de suas vidas, seus amores, mostram cor de unhas, fotos, seus temores diminutos propícios de quem não pensa. Pensar é absoluto. É mundo. É gameta. E falam os jovens de suas conclusões a respeito de tudo. Mas esquecidos estão seus receios dentro de suas gavetas. Há mais felicidade nos silenciosos do que nas bocas que vivem a exibir os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://jasinski.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Jasinski&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5426609837336369774?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5426609837336369774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5426609837336369774&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5426609837336369774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5426609837336369774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/ao-belo-e-sublime.html' title='ao belo e sublime'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Dm1gznSYDuQ/TgpKEG8cNnI/AAAAAAAAA8o/3-V-1nnQ6cM/s72-c/the_duel_by_jasinski-d2zvm28.png' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4331037460527477321</id><published>2011-06-25T00:34:00.009-03:00</published><updated>2011-06-28T18:37:39.694-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>adversa aos classificados</title><content type='html'>&lt;a href="http://youtu.be/vxyPT8QaBAk"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://youtu.be/vxyPT8QaBAk"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-2Y3sUp5e5uM/TgVVaXe9eZI/AAAAAAAAA8c/RKcLqpsx5YE/s400/Wild_Swans_by_Vegetachik7.jpg" width="321" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Procura-se com urgência alguém que saiba amar e consertar encanamento. E que use chapéu. É preferencial que use chapéu, jeans e camisas que combinem com as minhas. Fator primordial. Não sou muito exigente. Porém, deixo claro em anúncio, que procuro alguém decente. Alguém que traga flores. Sem flor eu não passo. Sem agrado me distraio. Aceito vagabundo, caso seja esta minha única opção. E que seja atento o vadio ao meu silêncio, ao meu espasmo de orgasmo violento e que seja cordial, sem exagero clichê, e me diga amo você duas vezes por dia. Nada além da conta. Enfatizo que busco alguém que, por questão de conveniência, saiba ganhar ninharia para encher a geladeira e conheça o labor da cozinha. Eu adoraria comer especiarias feitas por suas mãos. E que leia Dostoiévski e muita filosofia. Exijo viver de amor, literatura e discussão. Plena da vida. Um belo par de luvas seríamos. Ratifico: Busco vagabundo ou qualquer outro. E que tenha bicicleta. Talvez acrobata, mas nada atleta. Não quero competição. Há muitas ruas em meu mundo e seria bom andarmos juntos a sentir o vento no rosto e engolir das horas o que não se vê. E, depois de todo passeio, cairíamos na cama e dormiríamos ou nos engoliríamos ou sei lá o quê. Deixo este item a critério de quem lê. Em caixa alta, procura-se vagabundo. Ou que nem seja vagabundo. Aceito trabalhador. E que nem use chapéu. Melhor que eu diga precisa-se de alguém que saiba viver. Ou que nem saiba. E nem é preciso que traga flores. E que nem ame. Ou que nem exista. E já não exijo nada. Que eu viva sedenta esperando que toque a campainha, que o carteiro traga correspondência, que a máquina enxágue bem as roupas, que venha data de aniversário, que venha solidão, que me venha deus em oração e que eu receba somente o cobertor adequado para o frio. Que eu seja abençoada como aqueles que são precários e quase nada possuem na vida. Que eu seja a incompleta cena do capítulo seguinte. Que eu seja, antes de qualquer outro triunfo, humana acima de tudo, mulher em estado bruto e que eu viva à maestria de um trem que não se resume ao trilhar da estação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://vegetachik7.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Holly&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4331037460527477321?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4331037460527477321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4331037460527477321&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4331037460527477321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4331037460527477321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/adversa-aos-classificados.html' title='adversa aos classificados'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2Y3sUp5e5uM/TgVVaXe9eZI/AAAAAAAAA8c/RKcLqpsx5YE/s72-c/Wild_Swans_by_Vegetachik7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-3640230753519953743</id><published>2011-06-22T15:48:00.005-03:00</published><updated>2011-06-28T18:37:11.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>pluviométricos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4DLdBGDJnUM/TgI1r6JJpxI/AAAAAAAAA8Q/ZHCv07kFUpY/s1600/pride_and_prejudice_3_by_sonny123.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-4DLdBGDJnUM/TgI1r6JJpxI/AAAAAAAAA8Q/ZHCv07kFUpY/s400/pride_and_prejudice_3_by_sonny123.jpg" width="271" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;canto de afeto&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem percebi o amor. Sentimento que se ergue diante de todas as coisas e nos transforma em tolos papéis vulgares. Era cama e descobri, no compasso de um timbre, uma felicidade que anseia o infinito. Sempre me disseram do amor como açoite que fere e nos envolve em vaidade. Mas não fora esta a sensação que me acometeu em descobertas. Recebi algo puro em castidade. Estava completa minha esfera de flor. O amor estava nos olhos e na voz de ontem que me disse de forma suave: Mãe, cante uma música para eu dormir. E nunca meu canto fora tão completo. Nunca fora tão vasta minha lágrima de afeto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;casa de sol e pedra&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu sonho é bem simples se comparado à vastidão do mundo. Queria apenas encontrá-la, sentar-me ao seu lado e tocar suas mãos. Queria apenas ouvir seu riso irônico e talvez ela me contasse de Túlio que habita seus poemas. Talvez ela me permitisse saber de seu segredo. Ela fumaria seus cigarros, falaria mística de suas vidas e eu apenas ouviria atenta cada parte de um novelo que leio todo dia. Queria poder encontrá-la e dizer de meu entendimento. Talvez a poesia me surgisse. Meu sonho é mais simples que a vastidão do mundo. Encontrar Hilda Hilst em sua casa de sol e pedra e seríamos duas a contar histórias. Mas Hilda é partida e eu ainda fabrico vida e recordo meus sonhos pela manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;desatentos&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda vejo gente se enganando, caçando lebre de vulgar tamanho, engolindo vento, mordendo a língua e morrendo de fome. Quando irá o tempo saciar a vontade dos desatentos que incorporam ansiedades? Quando nos calaremos à fortuna de nossa felicidade? Onde mais nos habitamos senão dentro de nós mesmos? A luz do dia responde minha queixa quando passa pela rua um menino de pouca idade buscando pedras para munir seu estilingue e com ele derrubar pássaros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://sonny123.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;sonny&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-3640230753519953743?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/3640230753519953743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=3640230753519953743&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3640230753519953743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/3640230753519953743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/pluviometricos.html' title='pluviométricos'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4DLdBGDJnUM/TgI1r6JJpxI/AAAAAAAAA8Q/ZHCv07kFUpY/s72-c/pride_and_prejudice_3_by_sonny123.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-8281592095569002371</id><published>2011-06-20T15:39:00.001-03:00</published><updated>2011-06-20T15:47:34.528-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>herança contraída</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TJMflvAwxiU/Tf-TQIPjzWI/AAAAAAAAA7g/YEE822SnWfQ/s1600/Girl_in_the_window_by_petercmatthews.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-TJMflvAwxiU/Tf-TQIPjzWI/AAAAAAAAA7g/YEE822SnWfQ/s400/Girl_in_the_window_by_petercmatthews.jpg" width="385" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade estava escondida sob os olhos de Ester que observava sua mãe deixar a casa todos os dias para doar-se à caridade. Ester sabia dos motivos que levavam a mulher a cumprir tamanha penitência. Eram duas criaturas arrastando o mesmo segredo silenciado pela culpa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando seu marido adoecera, a mulher o abandonou em uma clínica de repouso. Dizia sempre aos parentes que não possuía mais forças para cuidar de seu marido e, com a ajuda de alguns familiares, conseguira o suficiente para jogar o homem em uma vala de esquecimento. Quanto mais distante de suas vistas, mas poderia viver a mulher sua vida. E viver era sempre violar condutas. Sem que outros mais soubessem, ela se vestia cafetina durante as noites e recebia homens em sua casa.  Ester, ainda miúda para entender as necessidades que levavam sua mãe à libertinagem, apenas observava do vão da porta de seu quarto o que fazia a mulher na ausência de seu pai. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua mãe era uma bela mulher em dada época. Alta, convincente, alva e avermelhada de querências. Não posso viver sozinha, dizia a mulher no dia seguinte às orgias. Ela falava com Ester como se esta a interrogasse. Mas a filha nada dizia. Apenas calava e juntas saboreavam o café da manhã. Quando um de seus parentes a visitava, a mulher se transmutava em viuvez. Embora o marido ainda não estivesse morto, ela representava bem o papel de uma dor não sentida. Mas ela ria de todos em sua vitória por ter conseguido tirar o verme de sua casa. Que ele morresse. Ela não o queria. Nunca o quis. Casou-se apenas para fazer reverência à sociedade. Engravidou por descuido de ingenuidade. Casou-se por medo de morrer sozinha. Mas, quando percebeu sua força e destreza para lidar com o mundo, a mulher rezava para que o marido morresse e fosse de uma vez por todas liberta de sua obrigação. Criava Ester aos solavancos. Não se preocupava com filha que crescia esquecida de qualquer cuidado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;História já vista não fosse tão bela em maldade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher não acreditava em nada mais a não ser em si mesma e seus prazeres e assim cresceu Ester que se tornara exímia na arte de observar sua mãe de forma que conseguia saber exatamente o que pensava a mulher. E quando ocorreu a desejada morte de seu marido, tempos após seu confinamento, a mulher chorou amargamente durante o funeral para que todos soubessem de sua dor. Ester sabia que havia um riso dentro do ensaiado sofrimento de sua criadora. Ester enxergava o que mais lhe doía. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após o funeral, mais bebidas, mais homens e mais doses de celebração de uma liberdade já pungida como coisa gasta. Ester odiava o que celebrava a mãe e sofria a perda de seu pai. Mas era em silêncio. E se armava de ódio como se arma o tempo em vistas de uma tempestade. A mãe não percebia que a filha estava se tornando a criatura que um dia iria derrotá-la e fazê-la cativa de seus pecados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias após a morte do homem, surge à porta um dos irmãos de seu marido. E veio então a soma de toda a desgraça que ela buscou evitar ao deixar o pai de Ester morrer apaixonado em solidão. Havia um testamento. Havia assinaturas. Documento reconhecido em cartório e datado anos após o nascimento de sua filha. Foi então que a mulher soube que o marido a conhecia mais do que ela poderia conceber. Ele sempre soube que ficaria doente. Temia morrer e não confiava à esposa os bens que acumulara em segredo. O homem nunca havia declarado sua fortuna àquela mulher que sempre julgou falsa e traidora de seu amor. Ele considerava apenas sua filha e para ela deixou tudo que possuía. Casas, terrenos, rebanhos. A fortuna que escondera por anos agora estava declarada. Ester era a única beneficiária. Havia também uma carta culposa a respeito da esposa e assinada por testemunhas. A mulher o traia desde os primeiros instantes de vida a dois. A mulher sentiu-se ultrajada e posta sob juízo por um crime que tinha por direito de cometer. A indiferença voltou-se contra a mulher que desdenhou de seu marido, de sua filha, de um mundo inteiro de benefícios.  Jurou ódio ao homem morto e à filha fez promessas de obediência. Mas não era preciso. Ester, crescida a jovem e adulta, tornou-se gigante diante da mãe e passou a comandar àquela a quem culpava pela morte de seu pai. E, por ordens de sua filha, a mulher tornou-se peregrina de asilos e confortava doentes e os aninhava nos braços e doava palavras e lágrimas de sofrimento ao contentamento de Ester que obrigava sua mãe a vestir-se modesta e fulana em troca de comida e um teto para se recolher. E as duas viviam juntas. Ester não suportava viver com sua mãe, mas deixou que ela permanecesse em sua grande casa de muitas escadas herdada de seu pai.  E à noite Ester obrigava a mulher a assistir o que ela fora vítima por tantos anos. Homens recebiam de Ester o que seu pai nunca recebera de sua mãe. O afeto negado fez de Ester a justa vingança por herança contraída. E ela não descansaria até ver no rosto de sua mãe o mesmo espanto que a torturou desde seus tempos de menina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://petercmatthews.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Peter Matthews&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-8281592095569002371?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/8281592095569002371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=8281592095569002371&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8281592095569002371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8281592095569002371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/heranca-contraida.html' title='herança contraída'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TJMflvAwxiU/Tf-TQIPjzWI/AAAAAAAAA7g/YEE822SnWfQ/s72-c/Girl_in_the_window_by_petercmatthews.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-9024299330899476872</id><published>2011-06-16T18:24:00.005-03:00</published><updated>2011-06-20T15:48:30.944-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>permissiva</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-BJFAM-XAMMc/TfpyaIOFNAI/AAAAAAAAA7M/33pHPlM0lHE/s1600/Girl_with_the_Paintbrushes_by_dearestapathy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-BJFAM-XAMMc/TfpyaIOFNAI/AAAAAAAAA7M/33pHPlM0lHE/s400/Girl_with_the_Paintbrushes_by_dearestapathy.jpg" width="311" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O amor que não se sente capaz de um sacrifício não é amor; será, quando muito, desejo grosseiro, expressão bestial dos instintos, incontinência desvairada dos sentidos, que morre com o objetivar-se, sem lograr atingir aquela altura onde a vida se torna um enlevo, um doce arrebatamento, a transfiguração estética da realidade."&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Anayde Beiriz)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu amo você porque assim eu o quis. Construí, de fronteiriças artimanhas, nossa história começada em datada hora e terminada nunca. Imenso adorno para meu corpo é o que sinto e demanda solidão o amor para que este possa existir. Não sou peixe furtado de mar algum. Não houve maior arrebatamento do que aquele momento em que vi, de olhar inédito, o meu amor que era homem e tão ingênuo por acreditar estar conquistando territórios com suas guerras de inefável aspecto infantil. Homem criança que acolhi em meu ventre negando minha presença a outros seres que nunca me causaram estrondo ao ressoarem em meu ouvido palavras de não sentir. Eu não os desejava viver. E o avistei diferente de todos porque era minha vontade enxergá-lo e possuir a alma desassossegada deste pastor que condena rebanhos e nunca sabe de si. Se você pudesse, por um breve minuto, enxergar-lhe a imagem sua como eu a vejo, saberia de meu canto, da razão pela qual o amo, criatura de centelha incendiada, eu o escolhi. E não me vulgarize a existência dizendo de amor como quem declara rimas matemáticas. Sua poesia me absorveu a palavra. Porém, não foram seus versos que me fizeram o calvário de amar desenfreada e escandalosa. Fui tomada por sua imagem, seus gestos, seus olhos dignos de compaixão e sua brutalidade mesquinha ao negar-me a posição de mulher. Amo intensa a meu próprio gosto. De erótica necessidade envergonhei meu nome, meu rosto e adulterei meu caminho porque era esta a minha escolha. Disto sempre me alimento. Se amor é mesmo algo que nos destrói a estrutura, desejei que fosse você o feitor desta maldade. Mas que fique tão claro quanto em asfalto o risco de giz. Eu amo você porque assim eu o quis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://dearestapathy.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;dearestapathy&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-9024299330899476872?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/9024299330899476872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=9024299330899476872&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/9024299330899476872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/9024299330899476872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/permissiva.html' title='permissiva'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-BJFAM-XAMMc/TfpyaIOFNAI/AAAAAAAAA7M/33pHPlM0lHE/s72-c/Girl_with_the_Paintbrushes_by_dearestapathy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7612563137181589757</id><published>2011-06-14T00:57:00.006-03:00</published><updated>2011-06-17T01:15:58.300-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>adoráveis filhos de eva</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8b8JLS-mHgg/TfbbtFh5pcI/AAAAAAAAA7E/HH-e6CgQEWk/s1600/Muse_by_NomeEdonna.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="276" src="http://2.bp.blogspot.com/-8b8JLS-mHgg/TfbbtFh5pcI/AAAAAAAAA7E/HH-e6CgQEWk/s400/Muse_by_NomeEdonna.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7:03 da manhã. O telefone declama humanidade. Alô. Bom dia. Aqui é Malvina da Instituição de Apoio aos Portadores de Câncer. Onomatopeia declarativa de fim de linha. Instituições de caridade sempre me causam medo, estranhamento, assombro. Penso sempre que estou sendo enganada. Não me dói desligar o telefone. E a dor do outro não me apraz sentimento de ternura. Não sou mineiro. Tampouco solidária no câncer. Calço os pés e revejo afazeres do dia. Sexo ao amanhecer, beijo de bom trabalho e larga-me para que eu possa ser sozinha. Não gosto de companhia. Não gosto de ninguém. Muito me causa ojeriza estar sendo observada, estudada, revisada feito tabela química. Não sou quimera alucinada. Sou mulher e gosto de meus recantos anônimos de solidão. Gosto de estar só. Passeio pelas ruas e vejo pessoas que acreditam no futuro. A Avenida Pedro II está cheia delas. Pessoas que fazem curso de informática, que fazem dança de salão, que acreditam na loteria. Pessoas que desejam terminarem o dia tão mal preenchidas quanto se sentiam ao saírem de suas camas. Passam por mim e eu passo por elas e caminho meu rumo de aprumo para viver ainda o que acredito ser vida. Não há nada mais degradante do que enxergar as pessoas. Tanto me cansam seus ares de felicidade. Dizem o nome de deus, dizem que estão sempre ajudando o outro, mas nada fazem. São todas hipócritas cheias de mentiras. Idiossincráticas flores mal nascidas. Bem melhor ser como sou. Egoísta, maldosa e realista. Bem melhor afagar o demônio a fazer de deus um servo de ponta de língua. Sinto-me bonita. Mas estou subnutrida. Hoje busco mais existência. Tenho encontro marcado com um homem. Sigo desígnios de telenovelas e traio o marido. O alto prédio me encara. Estou serenamente inadequada e vou ter com aquele que de nada serve a não ser arrancar sangue de minha veia doméstica e honrada. E o homem está bonito. Me recebe de forma como nunca seria recebida por outro ser e me sufoca as ancas com sua petulância de erotismo. Nos despimos, nos devoramos e nos degradamos adoráveis filhos de eva. Declaro todos os meus pecados, tudo que vivo maquiada em silencioso drama, e nua bebo do vinho da boca de um homem que ao fim do sexo sempre me será estranho. Volto para casa e ainda encontro pessoas. As mesmas que acreditam em seus sonhos, que viajam de férias e exibem fotos de alguns momentos de serenidade. Um estampado velho é este mundo de gente que de nada reclama. Caminho rente e satisfeita de orgias. Mas sei que não será assim pela manhã. Acordarei como se nunca tivesse vivido e sentirei ainda a fome dos subversivos. E voltarei a me deitar com aquele cuja face não me alegra um vintém de minha estirpe. Em minha casa tomo banho e me entrego ao sacrifício e sento à mesa com o marido que, amavelmente, me pergunta a respeito de meu dia. Franzindo o cenho abocanho o pão divino e sonorizo talentosa minha orgânica onomatopeia do riso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://nomeedonna.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;NomeEdonna&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7612563137181589757?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7612563137181589757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7612563137181589757&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7612563137181589757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7612563137181589757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/adoraveis-filhos-de-eva.html' title='adoráveis filhos de eva'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8b8JLS-mHgg/TfbbtFh5pcI/AAAAAAAAA7E/HH-e6CgQEWk/s72-c/Muse_by_NomeEdonna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-6012622952711684912</id><published>2011-06-12T23:32:00.004-03:00</published><updated>2011-06-14T00:58:00.610-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>inventei de amar você</title><content type='html'>&lt;a href="http://youtu.be/qgmXi_Ou0Ss"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://youtu.be/qgmXi_Ou0Ss"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-jOUOqAtbqOs/TfV2GrKtMdI/AAAAAAAAA7A/fFiyZCGTNbE/s640/59b29a0692712b99e6562af0ed540366-d32wdkj.jpg" width="356" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inventei de amar você. Tateando entre ladrilhos, fazendo agrado ao inimigo e querendo me sufocar. Uma serra sofrendo de tão cega cortando tronco de baobá. E me acostumei a sua antipatia porque amantes nem sempre recebem as boas-vindas em elogios escritos em bilhetinhos ou presente que demonstre o exagero de amar. A vida engana ou nos enganamos e isto não é pergunta que se faça. É coisa que digo toda hora para ver se acredito em algo mais. Hoje estou romântica e arrastei a cama e a coloquei bem embaixo da janela. Deito e vejo estrelas e penso a respeito de coisas exclusivamente minhas. Horas pensativas em que me perco. E, se de tanto pensar, eu de repente me encontre de verdade? Será estranho saber de mim através do que espelho. Prefiro que os outros me saibam. Não suporto flashback de filme americano. E as estrelas estão por toda parte. Deixo que Adriana Calcanhotto cante e me espreguiço na cama e, lá fora, buzinas, ambulâncias e a cidade em urgência. Quem me dera eu pudesse levantar desta cama e agir como agem todas as pessoas e me esbaldar em falsa alegria. Devo estar doente de vontade própria. Só faço o que eu quero. Por isso prefiro ficar aqui. Meu quarto, um incenso, e o tic-tac do relógio ainda consegue ser mais alto que o som que vem da voz da Adriana. Me levanto e troco a música e é um esforço enorme sair da cama e pisar no chão. Cada passo é uma eternidade. E ouço mais música. De todo tipo, de toda cara. Traça cuidando do andor. O quarto quase às escuras e eu brinco com as mãos e faço aquela coisa de imitar imagens. Um avião com as mãos e a luminária é o spotlight e eu sou um coração feito de mãos. Veja só que mediocridade. O mundo imenso e eu aqui, figurante de uma solidão egoísta e vasta. Eu estendo a mão e pego o livro que não largo há dias. Leio poesia e tudo que leio é uma forma de auto-comoção. E há um texto de amor. E não sei por que quando se fica romântica como estou a gente perde o pedigree. E volto no tempo e fecho o livro. Você me desnuda e eu finjo que acredito que a sabedoria que você suporta é sua e de mais ninguém. Eu finjo porque quero agradar. E sabe aquela hora em que você comprou vinho e ficou feito idiota me procurando? Eu estava procurando taças. Só bebo vinho em taça. Mas acabei não comprando e acabei tomando vinho em um copo sem graça. Amor tem disso. A gente perde a identidade. E eu bebi que nem lembro e falei aquelas verdades que amargam o beijo. Eu caí no sono e você também dormiu. E não sei ao certo se você dormiu ou fugiu ou ficou me olhando. E ainda comi de um tacho de coisas que não gosto só para fazer o que achei que seria certo. E inventei de amar mais e, em silêncio, eu observava seus intervalos de fim de orgasmo e chama que acende cigarro. E me senti um poço de ingenuidade. Não consigo ser como dizem ser as outras pessoas que agem racionalizando tudo. Por mim, é verdade, não me importo muito com resultados. É o momento que importa e todo o resto. Você, eu e mais nada. E relembro a história toda como se pudesse trazer tudo de volta. Como quem comete crime e se arrepende afogado em culpa e quer de novo a vida inocente. É assim que me vem agora todo o tempo que houve um dia. A vida continua lá fora, outra música me amplifica, fumo dois cigarros e caminho ao banheiro e meu rosto é de sorriso. E ninguém nos sequestra a sensação de era uma vez, de chegar atrasado, de comprar ingresso ao término do espetáculo. Me pergunto por que a gente é assim tão vergonhosamente imbecil. Por que a gente transforma tudo em fim? Por que você sempre me esquece no dia seguinte? Por que você não me procura quando sabe que preciso viver um pouco mais de você dentro de mim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://pascalcampion.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Pascal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-6012622952711684912?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/6012622952711684912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=6012622952711684912&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6012622952711684912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/6012622952711684912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/inventei-de-amar-voce.html' title='inventei de amar você'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jOUOqAtbqOs/TfV2GrKtMdI/AAAAAAAAA7A/fFiyZCGTNbE/s72-c/59b29a0692712b99e6562af0ed540366-d32wdkj.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7414666924522614219</id><published>2011-06-10T04:08:00.008-03:00</published><updated>2011-06-12T23:33:41.353-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>insólito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-7MMUNKS2VDA/TfHF-QcKL2I/AAAAAAAAA6g/2_tSkvXICj0/s1600/take_me_by_icynra.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-7MMUNKS2VDA/TfHF-QcKL2I/AAAAAAAAA6g/2_tSkvXICj0/s400/take_me_by_icynra.jpg" width="263" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a fazer lista. Coisas para levar durante a viagem. Abre guarda-roupa. Tanta coisa. Muita vontade em copo vazio. Escolhe peças, uma a uma, decretando para si em qual ocasião usaria aquele par de luvas, as calças largas, outras justas, montantes de vestidos, pretos, chamativos, discretos, decotados, em todas as letras do alfabeto estampados. Sorria ao dobrar e organizar, por tons, suas roupas em sua imensa mala de viagem. Azul turquesa para que todo mundo veja. Escolheu lenços, echarpes, badulaques para enfeitar-se e meditava a respeito de lugares. Agora os sapatos. Diversos tipos. Quadrados, redondos, sapatilhas, altos, quebra galhos e pontiagudos saltos para trottoir. Depois a maquiagem. Pó de arroz, base, provocações, algo que esconda rugas, algo que aumente os cílios, algo que grite &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #073763; font-size: large;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://youtu.be/L3Rr-976y5g"&gt;EU CONSIGO&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;, algo mais que fale por mim. E jóias saltavam pelas galerias de sua imaginação furtiva pela excitação de ir a algum lugar com sua bagagem entupida de roupas e certezas. Tudo pronto. Mala sobre a cama. Táxi a espera no portão. Mas para onde devo ir? Percebeu que, ao arrumar a mala, tudo mais se concretizou. Fazer planos era o seu contentamento. Tudo mais era secundário. E desfez a mala, e despachou o táxi, e dormiu pelada descoberta de ilusão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://icynra.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;icynra&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7414666924522614219?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7414666924522614219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7414666924522614219&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7414666924522614219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7414666924522614219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/insolito.html' title='insólito'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-7MMUNKS2VDA/TfHF-QcKL2I/AAAAAAAAA6g/2_tSkvXICj0/s72-c/take_me_by_icynra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4025812185051624752</id><published>2011-06-08T22:56:00.002-03:00</published><updated>2011-06-08T22:56:20.625-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>bíblico</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-pbl2OKIex8E/TfAmvrYBwAI/AAAAAAAAA6Y/sVv459nPZqw/s1600/7fadae4b6331492bf9308b1c3db95d23.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://2.bp.blogspot.com/-pbl2OKIex8E/TfAmvrYBwAI/AAAAAAAAA6Y/sVv459nPZqw/s400/7fadae4b6331492bf9308b1c3db95d23.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pastor cuidava de suas ovelhas como quem cuida dos próprios filhos. Mandou fazer enorme cercado e, noite e dia, protegia as ovelhinhas dos olhares curiosos de quem vinha. Sentia orgulho de sua criação de ovelhas e ninguém no mundo poderia tê-las, comê-las ou de suas peles fazer cobertor. Era sempre a mesma agonia manter as criaturinhas no cercado, quietas, engordadas, solitárias em comunhão. O homem enchia os olhos de ver o que possuía em sua pobre lida de criador. Mas a fula vida passa e deixa rastro de deserto. Algumas ovelhas morreram meninas, outras fugiram sem direção e as que restaram não derramaram lágrima quando morreu o pastor. E desperta a história seu realismo. De nada vale esconder-se do risco. Aquele que economiza agasalho é o primeiro a morrer de frio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://gabriele-art.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Gabriele-Art&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4025812185051624752?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4025812185051624752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4025812185051624752&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4025812185051624752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4025812185051624752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/biblico_08.html' title='bíblico'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-pbl2OKIex8E/TfAmvrYBwAI/AAAAAAAAA6Y/sVv459nPZqw/s72-c/7fadae4b6331492bf9308b1c3db95d23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7925897972859585022</id><published>2011-06-06T23:58:00.006-03:00</published><updated>2011-06-08T23:00:04.040-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>mutante</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-LHliDj4_iSk/Te2Q1HD1i4I/AAAAAAAAA6U/WAYQwTB4oMg/s1600/a0402ddbf7cf06a91fa5ec3a82632346.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-LHliDj4_iSk/Te2Q1HD1i4I/AAAAAAAAA6U/WAYQwTB4oMg/s400/a0402ddbf7cf06a91fa5ec3a82632346.jpg" width="267" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo você como quem enxerga miragem caminhando árabe sem que perceba meu olhar. Minha alma, dúbia controvérsia, silencia em ardores de outros lírios e tanto deseja do amor o altar. Estou coberta de minúcias, meticulosa digna de inveja, ando ocupada demais tentando não sentir nada. E este orgulho miserável, excelente cão de raça, não me permite falar a verdade. Em conversas públicas perco-me a dizer que amor é trabalho, depilação desnecessária, gastos e poemas ultrapassados. Bilac de mau gosto desce rude em minha garganta. Meu riso se envaidece quando digo que amor é perda dos sentidos, falha grossa de caráter e traição de cunho etílico. E digo que não tenho tempo para isto. Que a estação me basta, que sentir me castra e nada mais quero comover. Mas acontece que amor não é feito de tempo. É mutante sentimento místico, sem escrúpulos, deus de mito, a revolta de todo ser. E desconserto meu teatro quando solitária me entrego às mãos e me acaricio como se fosse você a fazer mercado em meu corpo recatado de modernidade e figurado em liberdade ilusória. E clara é a tristeza polida de minha sensatez. Sozinha eu te quero aos berros. Carente eu te quero em doses. Esquecida eu te quero a morte, de minuto a minuto, com todo o afeto ao teu desgosto.     &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://michaelshapcott.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;MichaelShapcott&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7925897972859585022?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7925897972859585022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7925897972859585022&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7925897972859585022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7925897972859585022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/mutante.html' title='mutante'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-LHliDj4_iSk/Te2Q1HD1i4I/AAAAAAAAA6U/WAYQwTB4oMg/s72-c/a0402ddbf7cf06a91fa5ec3a82632346.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-8483875758635994153</id><published>2011-06-03T00:35:00.005-03:00</published><updated>2011-06-17T00:19:08.334-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parafernália'/><title type='text'>jukebox</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qZOEtt90FIU/Tegg-nXbwgI/AAAAAAAAA6M/nA1cub90i8U/s1600/57463.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-qZOEtt90FIU/Tegg-nXbwgI/AAAAAAAAA6M/nA1cub90i8U/s400/57463.jpg" width="361" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Há muitas formas de dizer a verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Talvez a mais persuasiva seja a que tem a aparência de mentira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(José Américo de Almeida)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo, logo insisto. Ou será o contrário? Muitos pensamentos passam por mim quando leio livros ou textos avulsos ou blogues escritos pelos mais variados tipos de escritores. Mas quem escreve blogue é escritor? Bastando-me da simples definição de que escritor é aquele que escreve, afirmo que sim. Independente do gênero literário. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que vejo quando leio textos em sites voltados à produção literária é um tipo de caos organizado em que muitos escrevem, poucos conseguem continuar escrevendo e muitos fazem de seus sites verdadeiras competições para ver quem escreve mais. Li em algum lugar (não me recordo o autor da seguinte assertiva) que, na pressa de publicar algo e demonstrar que realmente tem habilidades dignas de um Dostoiévski, o escritor de um blogue lança diversos tipos de publicações (poemas, crônicas, contos, ensaios, letras de música entre outros) e logo se torna uma jukebox ― termo que me veio enquanto lia A Bagaceira, de José Américo de Almeida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O escritor jukebox tende a escrever vários tipos de composições textuais: desde poesia a narrativas longas, narrativas curtas, romances, cartas, ensaios ou resenhas. Este tipo de escritor é aquele que toca o trombone e ainda consegue, milagrosamente, pilotar um avião. Tudo ao mesmo tempo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto é humanamente impossível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caso o seu objetivo seja o aperfeiçoamento em um tipo de gênero textual, é preciso foco para seguir escrevendo e não cair no abismo de falar a respeito de tudo e não conseguir dar um nó no cadarço. Há quem acredite em inclinação ou dom para se tornar escritor. Há quem acredite em exercício e prática. Eu prefiro acreditar que existam os dois. Talento e Prática. Você, como escritor, possui as ferramentas para escrever sua obra, porém, é preciso, antes de qualquer outro impulso, praticar e aperfeiçoar seu trabalho para, com a sorte que poucos alcançam, encontrar uma voz que seja original ou, ao menos, a sua voz (e não o ressoar de algum outro autor que já passou ou ainda está em alta na literatura de cada dia). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dos escritores que leio e acolho como favoritos, observo em suas obras a busca por uma identidade literária que o faz singular entre tantos outros. Cortázar é um de meus escritores de cabeceira. Li alguns de seus livros e não acredito que ele tenha atirado em todas as direções para, finalmente, escrever sua obra. Cito também Virginia Woolf como uma escritora que se manteve em terra firme e construiu sua vasta narrativa baseada no fluxo de consciência. Nunca li um poema escrito por Virginia Woolf e não anseio por isto. Sua obra é completa e uma das mais respeitadas quando o assunto é Literatura Inglesa. Admiro também a obra de Sylvia Plath. Nitidamente confessional e autobiográfica, ela trava em seus poemas, eternos conflitos da mulher que vivia cercada por filhos, marido omisso e a memória de um pai alcoólatra. Nunca li um romance escrito por Sylvia e isto não a torna menor que outros escritores. Ela é poetisa. Ou poeta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, assumidamente escritora em fase de aprendizagem, me sinto pressionada quando muitos me dizem para seguir outros passos. Escreva poesia. Escreva textos cômicos. Escreva mais conflitos. No meio deste tiroteio de conselhos, observo algo escrito por mim, analiso, penso mil vezes, reescrevo, rasgo tudo ou publico. Acredito que o fato de um escritor não enveredar por todos os tipos de composições literárias não o faz estacionado no trabalho que tenta fazer contínuo. Admito que em minha pequena obra, ainda imatura em fase de crescimentos, há falhas, há acertos, mas, a despeito de tudo isso, há um caminho escolhido e por ele traçarei minhas histórias. Mas de algo tenho certeza. Eu não sou uma jukebox. E não pretendo ser. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image on Google&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-8483875758635994153?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/8483875758635994153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=8483875758635994153&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8483875758635994153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/8483875758635994153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/jukebox_03.html' title='jukebox'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qZOEtt90FIU/Tegg-nXbwgI/AAAAAAAAA6M/nA1cub90i8U/s72-c/57463.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7315767199496696858</id><published>2011-06-02T11:32:00.005-03:00</published><updated>2011-06-08T23:03:19.881-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>humanístico</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zbW2-ychFMA/S48LXSMOL0I/AAAAAAAAAJM/TjcPS1SqUp8/s1600-h/Autumn_walk_by_Dreamnr9.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444582969162215234" src="http://1.bp.blogspot.com/_zbW2-ychFMA/S48LXSMOL0I/AAAAAAAAAJM/TjcPS1SqUp8/s400/Autumn_walk_by_Dreamnr9.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 302px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flores de toda idade é a infância e não há, em tão breve mundo, alguém que não se lembre ou se apegue e não queira novamente o vento de uma tarde que o tempo esconde. Pois a memória traz inquieta aos olhos que enxergam o passado de forma a fazer saudade de nós. Minha mãe a lavar roupas, tão atarefada franzindo o cenho e quase se esquecendo de ser bonita enquanto olhava distraída a brancura das vestes de suas crias. Varais atravessavam sua imagem e era de um olhar perdido que ela se portava e carros passavam em todas as avenidas e nós brincávamos no quintal de casa e as roupas cheiravam a sabão em pedra e minha mãe parecia máquina de afazeres enquanto manisfetava notícias nosso antigo rádio de pilha. E eu, desbravador de meu jardim, brincava com formigas. Procurava nomes, as humanizava, as colocava no caminho das hortaliças e fazia, das tais pequenas criaturas, inseparáveis amigas e, quando uma delas se desfazia em minhas mãos, de tão sensível corpo minhas meninas, eu chorava desconsolado e minha mãe deixava seu sono aberto de esquecer o dia e corria a me acudir. Aninhava seu menino em seu colo, em seu terno amor sem outro que a faça esquecida e eu me sentia salvo de minhas dores infantis. Por que chora? E eu que tinha meu enorme mundo em casa, protegido nos braços maternos, hoje sou filho da pressa, das vertigens, do calor e do asfalto que me enterra e vivo de minha tragédia. Alimento-me de trabalho, tenho filhos, mulher que de mim se distancia e, em passos falsos, piso em formigas que antes eram amigas e me faço de tolo sorrindo mesmo certo de que o mundo não saberá de minhas horas vazias de comer passado e entornar a vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://dreamnr9.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Piotr Olech&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-7315767199496696858?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/7315767199496696858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=7315767199496696858&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7315767199496696858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/7315767199496696858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/06/humanistico.html' title='humanístico'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zbW2-ychFMA/S48LXSMOL0I/AAAAAAAAAJM/TjcPS1SqUp8/s72-c/Autumn_walk_by_Dreamnr9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-1270952735418887305</id><published>2011-05-31T22:50:00.004-03:00</published><updated>2011-06-02T11:36:14.843-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>contrabandeados</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1FwA-odiKGE/TeWZyh1Xh5I/AAAAAAAAA5o/DA7qEChERRA/s1600/Lift_Where_You_Stand_by_jasinski.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-1FwA-odiKGE/TeWZyh1Xh5I/AAAAAAAAA5o/DA7qEChERRA/s400/Lift_Where_You_Stand_by_jasinski.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hormonais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Solange começou cedo a viver seus vícios. Ainda menina já treinava maternidade cuidando de suas sobrinhas.  Um pouco mais adiante, Solange adquiriu sabedoria para entender o funcionamento de seu corpo e, intensa, Solange atendia rapazes em romaria para lhe comerem o ventre famintos em hormônios. E o tempo alongou-se e Solange descobriu licores, rumores e arrependimentos. Casou-se cedo com o filho do dono da loja de autopeças. Solange descobriu a cozinha e carregava sempre a grande barriga de acumular crianças. Seus filhos cresceram ao choro de Solange e ao silêncio de seu marido que, por ironia do destino, descobriu que também poderia romper outras meninas que, tal feito Solange, sonhavam com a liberdade de suas meninices. Solange hoje é viúva, tem netos batizados, reside à Rua Rodrigues de Aquino e, hora ou outra, ainda sente o gosto de licor entre seus lábios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ao vigor da lei&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que o homem era muito generoso. Assim como todos os homens generosos são. E era muito organizado, sentia prazer ao estar limpo, sincronizado, sempre em tempo mediante suas obrigações. Sua mulher o servia, sua família o amava, tudo mais era glória em seu destino e nunca o generoso havia sofrido. Sempre impecável em seus trajes, viveu, trabalhou, ajudou parentes, comemorou seus planos benditos, pagou dívidas de amigos, e, no dia de seu enterro, algo saiu de trilho. Generoso fora enterrado com seu terno amassado, descalço e sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Urbanismos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cidade cresceu e tomou formas de gente grande. Carnuda e arrogante com seus gigantes prédios fenomenais. Carros nas ruas, pessoas nas calçadas, menino fazendo trapézio ao estampido de balas, mulheres fazem as unhas, homens leem jornais, casais retratam figuras, outros vendem enxovais, e, no meio de tudo, do ruído de todo infernal, há sempre alguém que sonha ser feliz, timidamente, ao abrir e fechar do sinal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Image by &lt;a href="http://jasinski.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Aaron Jasinski&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-1270952735418887305?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/1270952735418887305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=1270952735418887305&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1270952735418887305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/1270952735418887305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/05/contrabandeados.html' title='contrabandeados'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1FwA-odiKGE/TeWZyh1Xh5I/AAAAAAAAA5o/DA7qEChERRA/s72-c/Lift_Where_You_Stand_by_jasinski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-5611840238050593787</id><published>2011-05-30T16:23:00.003-03:00</published><updated>2011-06-02T11:36:46.625-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>tântricos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wpT5vy1VKI4/TePsRjcz2xI/AAAAAAAAA5k/R6g68wFJ_Dc/s1600/Spring_by_manasrah.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-wpT5vy1VKI4/TePsRjcz2xI/AAAAAAAAA5k/R6g68wFJ_Dc/s400/Spring_by_manasrah.jpg" width="282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomando distância para um salto maior. Mancando assim ninguém consegue sair do lugar. O orgulho impede o fluxo do beijo. E todos querem amar. Mas ninguém quer sair para comprar pão. E reclamamos quando chove e quando faz sol. Não há meio termo. É um desequilíbrio permanente. O cachorro sujou novamente o assoalho e isto é verdadeiro. Cogito demais quando leio e sinto fome de algo que não posso comer. Por que se interroga tanto? Há simplicidade em todas as coisas. Você é irritante em suas decisões pré-datadas e suas verdades simplórias. Tantos planos organizados e seus calendários me trazem a sensação de que tudo está em dia. Você nunca permite que o drama sustente minhas tragédias. E decide ir ao médico ou fazer coisas palpáveis. Tudo em seu indevido lugar. Você diz que precisa sair. Brusca eu me despeço. Mas, antes de ir, por favor, limpe o assoalho. Estou muito compenetrada lendo o jornal. Não me perturbe. Comprarei uma enorme placa e deixarei sempre ao meu lado: homens trabalhando. Só assim, talvez, você não me venha com suas roupas semi-abertas e suas vontades fora de hora. Há hora para ter vontade? Decerto que não. Mas não faça de mim aquela que sempre agrada. Digo isso ao perceber que dois sapos marcham nupciais, lado a lado, em busca da poça d’água. Parou de chover e tantos sofrem. Pense mais alto e logo nada mais perturbará. Você quer que eu pense alto ou demonstre meus pensamentos com alguns gestos ensaiados? É preciso esquecer um pouco de nós mesmos. Pense nos direitos dos outros, nos velhos, nos homossexuais, nos usuários de drogas ilícitas. Pense nas criancinhas. Você é sorrateiro em golpes baixos. Sempre consegue me fazer sentir um pouco de compaixão. Você se distancia com seu caminhar de gato manso e busca, incessantemente, salvar Sodoma do desespero. Comprei algo para você. Retorna com as mãos abertas e me oferece um livro de grande calibre. Você disse que gostava desta autora. Digo que sim. E você retribui minha assertiva com seu otimismo de quem acredita em feriados. Poderíamos viajar. O que acha de pegarmos de novo a estrada e irmos àquela praia? Poderíamos ficar no mesmo hotel. Você disse que havia gostado. Deixo que o ar escape de minha boca antes que eu seja tola demais para ser exata. Eu disse que havia gostado e isso não quer dizer que farei reprise. Há diferenças. Eu gosto das coisas de forma instantânea. Meu gostar é Polaroid. E, da mesma forma que gosto e aprecio, eu esqueço. Você ri de mim e diz que sou mentirosa e tento me enganar. Você diz que me privo de pensamentos comuns por ter medo de enfrentar o fato de ser tão simples quanto um caracol escondido em arbustos. Gosta de dizer que sempre me observa dormir e ainda enfatiza que meu sono é tranquilo como o sono dos felizes. Você me faz enfrentar a pior das sensações. Você diz que sou aquela que quer amar, que sempre troca a roupa de cama, que sente inveja de outros que caminham mais rápido e ainda se alegra ao dizer que minha carapuça apenas inflama um tanto mais meu ato de defesa. Te olho nos olhos porque é hora de uma verdade. Após desvendado o segredo, não há mais nada a fazer. Se você me desnuda arrancando de mim meus defeitos, chegamos ao fim. Eu não quero me enxergar. Nada quero saber de mim. Por isso me esquivo. Por isso falo tanto em realidades. Faço tudo isso para evitar que você me diga coisas que já sei. É por isso que permito que você esteja ao meu lado. Eu me escondo em você e em suas trivialidades. Faço de você o paradoxo do que não preciso ser. Porque somos iguais, entende? E me avaliar com tanta eficácia é o seu ato de vitória. Entenda sempre o quanto me é necessária a fuga. Você sorri, me beija o rosto e sai. Diz que eu deveria sorrir mais, que meu sorriso é bonito e que tenho tudo nas mãos. E eu acabo sorrindo sem que você perceba. Você é como uma criança que conserta brinquedos e me cria perfeita. Ouço o motor do carro, imagino seu olhar de fortaleza pensando em mim enquanto planeja o dia. Você irá comprar pão e tudo mais que preenche a vida. Cheia de contradições, permito que meu sorriso me ironize. Você é sensato e belo demais. Eu poderia fazer surpresa, um jantar à luz de velas, fazer sala e dizer que te amo até o fim. Mas não posso decepcioná-lo. Você me ama exatamente porque não trago sossego. São minhas falhas que o fazem existir. É a minha fome excessiva e minha indiferença que faz com que você permaneça forte. Você me ama porque sou pequena, arrogante e brutalmente indefesa. E você gosta de ter o controle. Adora me ver errada ou caminhando pela casa como quem não tem direção. Eu realizo suas vontades. Se eu te dissesse que sou simples, que organizo suas roupas, que marco teu passo acaso você esqueça algo, acredite, não estaríamos juntos. Vivemos de medir forças e ainda estou sorrindo ao imaginar você escolhendo frutas no supermercado. É sempre zero dividido por dois. Ou maçã partida à metade. E hoje não choverá como ontem, nem anteontem, nem dia algum. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://yaldiz.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;yaldIz&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-5611840238050593787?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/5611840238050593787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=5611840238050593787&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5611840238050593787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/5611840238050593787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/05/tantricos.html' title='tântricos'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wpT5vy1VKI4/TePsRjcz2xI/AAAAAAAAA5k/R6g68wFJ_Dc/s72-c/Spring_by_manasrah.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-4475686057417093889</id><published>2011-05-27T05:34:00.004-03:00</published><updated>2011-05-27T20:06:39.018-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>rosário dos delírios</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5cHNus8qgLU/TeAuDPNoL3I/AAAAAAAAA5g/qT3FScqS-Gs/s1600/d114fd5b9ba6d7c8.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://1.bp.blogspot.com/-5cHNus8qgLU/TeAuDPNoL3I/AAAAAAAAA5g/qT3FScqS-Gs/s640/d114fd5b9ba6d7c8.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mãos repousam no colo de meu corpo que não se move. É tarde e o tempo verbaliza o sossego de todas as coisas vivas. O mundo, em aparente estado de luto, adormece indisponível. Cama imensa de me recolher os seios, o ventre, meus desejos e em breve recolherá minha voz. Meus olhos, rosário dos delírios, em retiro, recordam indiferenças. É preciso orar. Antes de qualquer outra fuga, antes que as horas se adiantem absurdas em diárias leituras de horóscopo, antes das obrigações que rompem os dias em surtos despertos de angústia, é preciso orar. Meu réquiem diante vida. Pois todas as noites de estrelas escurecidas eu parto distraída, subtraída dos cenários, anônima anoitecida, casta em substantiva túnica adversa aos sentidos. A modernidade, espetacular em suas desmemórias, anuncia em graves tons de comando que não há vagas para o furtivo lamentar de minha dor humana. Não pode haver dor quando tudo mais é disperso, loquaz, atributos de liquidação. Há planos de viagens, remédios diversos e geométricos sorrisos forçando revoltas em marés. Tudo no mundo é máquina. Sentimentos como este, que cessa água de enamorar gargantas, não é digno de ser dito. É infortúnio e maldição de cume lírico. Em suplicantes centelhas de lágrimas concluo, perante os modernos que vagueiam curiosos por seus futuros, que ainda semeia campos em pés descalços a camponesa que sou. Sofro, em belo cântico solitária, a perda de meu ar romântico. E o corpo se aninha ao frio a contragosto. Deito-me coagulada de lembranças em minhas sequiosas tramas de uma saudade morta e lacrada aos lábios de um tempo anterior. Meu cais partiu contrário aos navios e sou intrusa em casas, em olhares, em palavras e silencio ao desamor. Unidas minhas mãos religiosas clamam por misericórdia e rogo, missionária infame, que o presente me distraia e que de mim nada faça relembrar aquele cuja vaidade se alimenta de meu suplício. Se há o deus e, se este me ouve, suplico que me liberte desta licorosa vergonha de amar abandonada aquele cujo riso zomba de meu temor. Cura de mim a fome não saciada de imagens embaçadas de um passado nascido e malogrado ao ressoar das paixões. Que o deus me ajude, rogo definitiva. Livra-me do sofrimento desapontado, pois que tudo mais é graça e não há vagas para o meu querer demasiado passional de toda arte. Amiúde, mendigo ao deus em sigilo, meu rosto noturno coagido, e peço que esta dor se esvaia pelos caibros e telhados e pelas perversas flores que me lembram efêmeras que o tempo é veloz e tudo mais será esquecimento. Unidas mãos em piedosa sangria, rogo ao deus que eu consiga banir de meus dias as memórias de meu belo e deleitoso discípulo que tanto acariciava minha face com sua fina plumagem em tantas noites já vividas. Que eu o esqueça e que apodreçam suas penas ao desgosto onde nada mais é nascido e tudo mais é morto e violentamente esquecido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by &lt;a href="http://spivakart.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;spivakart&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-4475686057417093889?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/4475686057417093889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=4475686057417093889&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4475686057417093889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/4475686057417093889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/05/rosario-dos-delirios.html' title='rosário dos delírios'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5cHNus8qgLU/TeAuDPNoL3I/AAAAAAAAA5g/qT3FScqS-Gs/s72-c/d114fd5b9ba6d7c8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-880256223405143494</id><published>2011-05-25T02:05:00.009-03:00</published><updated>2011-05-25T10:12:06.819-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>menarca</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-T_KMHbnE3i0/TdyNkJiWMvI/AAAAAAAAA5Q/Jb_etqZIh3A/s1600/Teacher_by_Sno2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-T_KMHbnE3i0/TdyNkJiWMvI/AAAAAAAAA5Q/Jb_etqZIh3A/s400/Teacher_by_Sno2.jpg" width="252" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sexta. Duas em ponto. Antes alarde do que muda. Saio para procurar emprego. Com pasta e currículo em mãos, sinto-me emblemática O anúncio mencionava currículo? Não importa. É sempre bom exibir nosso pedigree. Mas, que fique bem claro: para conseguir seu emprego, vista-se de acordo. Mas de acordo com o quê? Se eu for me levar pelo calor, saio pelada. Ou então, visto mini roupa que diz tudo e enche as caras de preconceito ou tesão. Enfim, preferi me vestir como de costume: Neutra feito guarda-chuva de carola. Quase sem cor. Maquiagem nenhuma. Otimismo saltando por toda parte. Minha única preocupação era o tal currículo. Não dormi desde que li o anúncio. Passei a manhã inteira imprimindo isto: 154 páginas de experiência. Acredito que a vaga será minha. Com este histórico não há como eu não ser escolhida. Negrito nas partes mais importantes. Enfatizo tudo em negrito. E segue o tempo ao meu destino. Prédio alto, homens trabalhando na esquina e gente comendo milho cozido em enormes panelas cheias de água impura. Ninguém mais se respeita. Água suja causa doença. Diversas. A vaga de emprego é algo ligado a telemarketing. Para impressionar, fiz exercícios de voz. Agudo, meio tom, respira pelo diafragma e vai: o mundo é seu. Chego ao escritório. Um homem de meia idade me atende: Pois não? Digo a que vim. Mostro o jornal. Sem pedir licença (não tenho paciência para sala de espera) sentei-me frente ao homem que me olhava indiferente. Apenas erguia uma de suas sobrancelhas como se estivesse em dúvida. Eu também tenho dúvidas, pensei. Será que chove hoje? Devo acreditar em tudo que vejo pela TV? E são realmente certeiros aqueles testes de gravidez vendidos em farmácia? Soube de uma amiga que fez o teste e o resultado foi positivo e ela passou dois meses comprando roupas de bebê e não era bem isso. A sirene não soou. Senti pena porque ela queria tanto um filho. Eu ainda aconselhei que ela buscasse um advogado e processasse o laboratório. Mas ela já havia perdido o ânimo e, querendo ou não, quase todo esforço só nos leva ao cansaço. Ela desistiu de ter um filho e eu não dou mais conselhos. Este é o meu currículo. Entrego minha vida nas mãos de um desconhecido. Nasci em fevereiro, parei de chupar chupeta aos 7, estudei em escola de freiras e aprendi a andar de bicicleta aos 9. Tanto tombo. Quase quebrei a cara aos 10. Primeira visita ao ginecologista foi aos 11. Foi terrível. Minha mãe me acompanhou. Ginecologistas são sempre tão frios. Ainda lembro o semblante do médico: é um cisto. Não me importei. Cisto e cisco ― tudo some com o tempo. E cursei inglês em beijo de língua. Esta parte toda em negrito. Algo de rubor invadiu o rosto do senhor que nada falava. E eu fui ditando. Fase fálica, menarca, namoro no portão, viagem às Cataratas, curso de primeiros socorros, vontade louca de ser aeromoça, festas de aniversário, fase imbecil de achar que o mundo era minha redoma, porres em tempos de escola, visitas de família e, aos 15, perda da auto-estima. Aos 17, primeiro emprego: secretária em escritório de engenharia. Fui demitida porque faltei três dias seguidos. Tem esse detalhe: eu falto. Bate uma revolta e eu não apareço. Que fique claro. Somos humanos e temos falhas e precisamos de folga. Saiba o senhor que eu falto. Hora ou outra, não dou as caras. Mas, quando venho, trabalho o dia inteiro. E sem pausa para refeição. Cito mais currículo. 18 anos, universidade. Aos 20 nada de importante me aconteceu. A vida parou nesse tempo. Há momentos de recolhimento e até os acontecimentos se esquecem de nós. Concorda? O homem nada falou. Julguei que, pelo silêncio, estava certo meu novo emprego. Pois, quem cala, consente.  O silêncio é a maior prova de que a verdade floresce aos borbotões. Continuo leitura exaustiva de minhas qualificações: Aos 22 tentei o cristianismo, depois budismo, depois escapismo, e veio, então, ioga, um amor ou dois, curso de acupuntura, dança de salão e equitação. Veja que grifei, &lt;a href="http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/04/esferografica.html"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #cfe2f3; color: black;"&gt;à esferográfica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, minha fértil imaginação. Sou dada a momentos de dispersão e anômalos pensamentos rimados e intrusivos. E faço questão de deixar isso por escrito. Eu me defendo como posso. Enquanto falo mais a respeito de meus conhecimentos gerais, o homem olha seu relógio. O tempo é finito e corre mais veloz que lixo em córrego durante as cheias. O homem levanta de sua cadeira e, obviamente, a vaga já havia sido preenchida por outra pessoa. Sinto-me tão resignada quanto o pipoqueiro que chega após encerramento de quermesse. Então percebo que é um aviso. Chegar por último me fez rever minha vida inteira. E eu, que não sabia de mim, agora me conheço. Atravesso a rua certa de que fiz o que pude e ainda celebro mais um ensinamento. Algo mais para preencher meu currículo imenso. E a vida transita mesmo em face do sinal vermelho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Image by&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt; &lt;a href="http://sno2.deviantart.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #0b5394;"&gt;Sno2&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8881950554020255253-880256223405143494?l=leticiapalmeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/feeds/880256223405143494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8881950554020255253&amp;postID=880256223405143494&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/880256223405143494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8881950554020255253/posts/default/880256223405143494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leticiapalmeira.blogspot.com/2011/05/menarca.html' title='menarca'/><author><name>Letícia Palmeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09947208501888637095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-_DYAZe_gW_s/TthyTPIgZsI/AAAAAAAABKw/HDUjdznIGR4/s220/328806_279243228776567_100000726774298_901214_1926334991_o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-T_KMHbnE3i0/TdyNkJiWMvI/AAAAAAAAA5Q/Jb_etqZIh3A/s72-c/Teacher_by_Sno2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8881950554020255253.post-7197573638292495065</id><published>2011-05-21T16:19:00.001-03:00</published><updated>2011-05-22T02:36:28.769-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>modernistas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Hb2RAds8nQ8/TdgP99acT5I/AAAAAAAAA4s/glNuxIIewow/s1600/hi_by_MisOtrasCosas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="376" src="http://1.bp.blogspot.com/-Hb2RAds8nQ8/TdgP99acT5I/AAAAAAAAA4s/glNuxIIewow/s400/hi_by_MisOtrasCosas.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mariana vai ao shopping. Um ratinho vasculhando restos na bagaceira após feira pública. Ela olha as vitrines coloridas, confere a maqu
