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atrapalhados

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O menino catava os descartáveis no lixo e ouvia, com seu carrinho de puxar tralha, uma música terrível. Ajudei a criança a coletar as garrafas plásticas que eu havia separado e tentei não dar ouvidos ao estrondo e ritmo daquela canção que só gritava sobre bebida, palavrão e pornografia. O menino cantarolava e, vez em quando, batia as garrafas uma na outra na tentativa de reproduzir aquele som. Minha inquietação não me permitiu calar. Chamei o menino e perguntei por que ele tanto gostava daquela música. O menino sequer entendeu minha pergunta. Me olhou como se olha na cara de gente maluca e deixou escapar uma risada. O riso de zombaria me encorajou ao desafio de pedir ao menino para ouvir algumas canções salvas em uma plataforma musical instalada em meu celular. Nem me dei ao medo do menino roubar meu telefone. Eu só queria compartilhar com ele parte do mundo que conheço. A criança aceitou o desafio, mesmo com sua cara de presa que teme predador. Aproximou-se de mim e, então, ...

folclórica

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Ainda me fascinam as histórias que percorriam salas e corredores do Educandário Santo Antônio. Como o prédio pertencia ao aglomerado de construções da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, tudo na escola era antiguidade. Desde o piso, de ladrilho hidráulico, às grandes janelas e portas arredondadas, a atmosfera era por demais barroca para os dias de avenidas e carros. Dentro da escola, o vento trazia ingenuidade na voz das crianças com as quais eu estudava. Recém-chegada de são Paulo, eu pouco entendia do folclore e sotaque dos meninos e meninas que se alegravam quando a merenda era servida: pão francês e mingau para cada aluno. Era um dos lanches mais deliciosos. Durante as aulas de matemática, ainda lembro da professora Lourdes fazendo contas de adição e subtrair com o uso de régua e dominós para facilitar a compreensão de todos. Não havia bullying. Eu, por exemplo, por deixar com que os cabelos caíssem em cachos sobre meus olhos, era chamada de Medusa. Alcunha que não me ...