04 dezembro 2011

sobre cigarros e álcool











Fumar mata. Sei disso. Sempre que acendo um cigarro, penso: estou morrendo. Mas não estaremos todos morrendo? Mas a diferença está na forma como se morre. Sofrer de um câncer causado por cigarro deve ser um dos piores tipos de sofrimento. Ou ter um infarto. Ou doenças circulatórias. Dia desses fui comprar cigarros e vi, estampada no maço, uma foto de um bebê morto. E dizia: vítima do cigarro. Me assustei. A foto realmente me causou repugnância. E, mesmo assim, acendi o cigarro. E, enquanto eu fumava em uma área aberta de um shopping da cidade onde moro, pessoas me olhavam como se eu estivesse segurando uma bazuca. Ou como se eu estivesse fumando crack. Me senti pelada e criminosa. Não há coisa pior. Como eu posso estar fumando este cigarro sabendo que ele está me fazendo mal? Porque é vício. E todo vício é ruim. Todo vício tira nossa liberdade. A sociedade está armada contra o vício do cigarro. Concordo que campanhas de conscientização sejam feitas. Embora não existam mais tantos fumantes desavisados a respeito do mal que estão fazendo a si mesmos. Mas não fazem mal somente a si mesmos, muitos dizem. Fumantes fazem mal a todos que estão ao seu redor. Além de destruírem seus organismos com as milhares de substâncias tóxicas e cancerígenas, estão, também, impedindo que outros respirem ar puro. Mas que ar puro? Então criaram os fumódromos. E lá estavam os fumantes agrupados fumando e morrendo juntos. Cena mais que perfeita. E agora querem destruir de vez com os fumódromos. Quer fumar, amigo? Vá fumar dentro de seu banheiro sufocado por sua própria fumaça. Deixe a sociedade respirar saudavelmente em paz. Fumante, em nossos dias, é tão mal visto que chega a sentir vergonha por fumar. Então eu penso: preciso parar de fumar. Estou me matando, ficando cinza e meus pulmões devem estar destruídos. Concordo com toda verdade. Mas não suporto cegueira. Dizem que cigarro mata, fazem campanhas e mostram a atriz Luana Piovani, gravidinha e feliz, dizer em revista que largou o cigarro e a maconha (Mas era sua obrigação parar com as drogas, Luana. Seu filho não é obrigado a consumir a mesma droga que você). Acho muito bela esta conscientização. Mas e o álcool? Ninguém fala mais nisso? E os acidentes com vítimas fatais causadas por motoristas embriagados? Elas não entram nas estatísticas das vítimas do consumo excessivo de álcool? E as famílias que sofrem por causa do alcoolismo? O mal estar psicológico dessas pessoas também não entra nas estatísticas? E os cirróticos? E os diabéticos que adquiram essa doença devido ao alto consumo de álcool? E os adolescentes que bebem todos os dias escondidos de seus pais? Tudo isso não entra nas estatísticas? Estamos todos belos e contentes combatendo o cigarro. O governo e a sociedade querem, de vez, acabar com o consumo de cigarros. Façamos isso. Mas antes, mostremos também o mal que a bebida pode causar. Estampem nas garrafas ou latas de bebida fotos dos males que o consumo exagerado deste produto pode causar. Mostrem a verdade que existe por trás de cada gole. Conheço muitas pessoas que bebem. E bebem muito. Não estarão essas pessoas morrendo também? E matando? Por que não aproveitar e acabar com cigarro e álcool de uma só vez? Por que não fazer campanha que mostre os malefícios do consumo do álcool? Resposta simples: Cigarro mata aos poucos. E isso custa caro ao governo. Tratar um doente de câncer ou enfisema é bem mais caro do que enterrar dezenas de vítimas fatais assassinadas por motoristas bêbados. Ou seja, "vamos celebrar a estupidez humana", parar de fumar e encher a cara nos fins de semana. Sem dúvida será bem melhor. Pare de fumar. Afinal de contas, meu caro, fumar cheira muito mal e pode matar você. 







Image by serico

5 comentários:

Vinicius disse...

Letícia, fico contente por novamente lê-la. Gostei muito do seu texto. E concordo contigo. É preciso extirpar da sociedade o vício do álcool e do cigarro. Temos que nos unir nesta luta!

Abraço

Don Mattos disse...

Porra, mendiga, queres acabar com a minha vida????

Acabar com o álcool e com o cigarro de uma só vez????

E eu que achava que tu até tinhas alguma simpatia por mim...

Só me resta ir ali fora acender um cigarro e tomar um trago pra esquecer...

Letícia Palmeira disse...

Caro Mendigo,

Tenho nada contra nada. Isto é apenas um desabafo após um trago.

Fumemos todos.

That's it.

Emissão disse...

Não é pq um problema não é abordado que o outro deve continuar, ou conseguiríamos transformar todas as coisas ao mesmo tempo?

Claro que existe o lado político do que é mais barato... mas....

Marcelo Novaes disse...

Letícia,


Há muitos vícios, querida. Quando vejo João Gordo hoje, escovando os dentes, tomando banhos, sendo vegetariano [sim!], não bebendo mais, nem ingerindo drogas, penso que a sua mulher, a jornalista argentina Viviana Torrico fez um verdadeiro milagre. Mas não só ela. João Gordo já "zoou" seu organismo pra caramba, já está todo zoado, como ele mesmo diz. Já esteve hospitalizado mais de uma vez, por chegar perto da overdose, fez redução de estômago, ficou diabético, etc e tal, o diabo a quatro. Então, além de sua boa mulher, a simpaticíssima Viviana Torrico, temos "a mulher da foice" como outra imagem emblemática para tantas mudanças.


Os vícios são muitos. às vezes, aqueles que acumulam uma série deles, nos exemplificam o que é largar uma dúzia em espaço relativamente curto. Mas, além de amor, há algum "senso de urgência" nesse ato.



Um grande beijo!