12 agosto 2013

imã de geladeira









Você precisa saber da piscina
Da margarina, da Carolina, da gasolina
Você precisa saber de mim.

(Caetano)







Dizem que agosto é mês de desgosto, mês do cachorro louco, mês do azar. Mas de qual azar estaremos falando especificamente? Porque, de azar, estamos cheios até o talo. Vivemos em um país chamado Brasil — mulata e funk em noticiário. Para mim, isto já é o necessário. Porém, há mais. Mensalões que deram em nada; político, de cara lavada, ganhando sempre às nossas custas, partido trabalhista que se torna elite (da noite para o dia?), e houve também manifestação que, repare não, mas é fato, deu em nada, além de algumas vidraças quebradas. O gigante enfartou. Mas isto é apenas assunto comum. O que realmente nos incomoda é a ressaca de um sábado em que a gente encheu a cara e perdeu a dignidade, servindo nosso sexo em bandeja de metal falso. Isto nos incomoda. Todo o resto é cisco. O cego prefere o óbvio a enxergar o real obstáculo. O mal verdadeiro é o marido que trai, a mulher que, de moderna, só tem a casca ou o namoro gay liberado que a gente defende, mas, ainda assim, não respeita. Nós adoramos nossos preconceitos. São nossos deuses. Eles nos sustentam. E, desta forma, vamos nos perdendo em nossa crendice de achar que azar é morrer. Eu não sei o que é azar. Sou imatura para tais assuntos. Mas sei o que é uma tendinite no braço esquerdo e uma tipoia que afirma, com muita segurança, que estou começando a chegar ao fim. A gente nasce pavio de queimar e, um dia, chama que cessa. Que triste! Que nada! Levante a face e sorria: você está sendo filmado. O tempo passa e logo será fim de ano e as lojas estarão vendendo, a preço de pele humana, roupa costurada por asiática, embalada em enormes caixas e etiquetada por grandes nomes da moda. É de rir. É de viver a vida. Deixe o azar de lado. Não nos queixemos. Esqueçamos. E hoje ouvi a voz de deus que é a voz do povo. Às seis da manhã, cheirando a aguardente, deus me dizia que anda injuriado com sua família que não o deixa beber até raiar o dia. Deus é quem sabe de tudo. A gente só imagina que sabe. A gente apenas segue o fluxo.