05 setembro 2013

democrática espalhafatosa









Como você está? O espelho parece gritar: “Você está ótima, mosca morta. Pare de se lamentar”. Ponto final? Nunca! Porque a gente adora dramatizar. A gente adora um probleminha para escoar junto com o pó de café no começo do dia. Problema é preciso para dar corda a este nó que é vida. Eu busco conflitos como a criança que caça borboletas no jardim. Uma porcaria esta comparação. Prefiro esquecer que a fiz senão somo tudo e acabo louca. E eu deveria estar preocupada com tudo que é real: contas, lucros e dividendos. Eu deveria jogar mais Banco Imobiliário. Mas estou preguiçosa e acompanho somente o tempo: chuva e sol sobre terrenos que entopem vias de acesso aos carros que passam. Decidi largar o vício de observar tudo de perto. Não uso mais lupas de elefantes e neste meu estado quase cego, me sinto melhor assim. Não me arrisco a tatear por cômodos que não pretendo habitar. Por um tempo me dei folga dos labirintos que crio porque minha casa (que é alma) é ampla o bastante para que eu me perca. Eu não dou conta de mim. Papo brabo? Muito. Mas juro que estou tentando não dificultar palavras. Já era o tempo de enfeitar meus campos. Hoje sou o soldado tácito que não se camufla para qualquer luta. Eu estou praticando escolher meus caminhos. Se foi minha terapeuta quem me aconselhou a fazer isso? Não mesmo. Abandonei a terapeuta desde o dia em que ela me chamou de mulher formidável. Nada contra. Mas formidável, em minha opinião, é diploma de filho que segue rastro de família. Eu não sou formidável. E também não sou fórmica. Prefiro Frida que enfrenta o batente a Dorothy espalhafatosa que acredita em mágico decadente.  Então é muito claro: não sou formidável (isto é fardo), depressão ainda está na moda e amor é química e pura política. (Visto que) eu amo de forma democrática tudo que ladra, tudo que cora, e adoro o homem que me dilui em afetos e muita conversa jogada fora.

Parafraseando:

Fale merda
Mas fale de mim, meu amor.

E a respeito de minha terapeuta, creio que ela esteja bem, ganhando dinheiro e tratando de outras mulheres que, como eu, buscam cisco nos olhos que não têm. E ainda penso na Estátua da Liberdade. Sempre lá, parada, coitada, fincada. Estátuas não chegam a lugar algum.