07 abril 2014

euforia











De segunda a sexta nós acumulamos nossa sede para viver no fim de semana. Já reparou? A gente vai alimentando o que sente (se é que sente), esperando que tudo venha para nossas mãos. É um tal de deixar agenda em dia, pessoas em dia, tudo em dia. Até depilação. E é claro: a gente também corta o que não nos serve mais. A gente não quer café de ontem. Então, a gente dispensa. E a gente se engana ao pensar que nós não seremos dispensados. Também é largado o jogo que se torna decorado. Entende? O mundo é vasto e há novidade sempre. "E a gente não quer só comida". A gente quer comida, conversa, bom trato e amor de sobra. Mulheres maquiadas e homens em forma. Sempre que eu saio por aí, vejo esta cena que me faz lembrar festinhas dos anos 80. Todo mundo esperando a hora da dança. Naquele tempo era romântico. Hoje em dia, é escracho. Porque não é só dança. É beijo na boca de estranhos, sexo sem vênus e muita grana gasta para, quando chegarmos em casa, aguentar o vazio da bebedeira. Ressaca pior não há. Ou talvez haja. Mas eu não quero falar a respeito. Saí ontem e conheci alguém que, por via das regras, fingirei não conhecer da próxima vez que nos esbarrarmos. Conhece esta história? Tão comum quanto um mais um. Na verdade, velha e boa, a gente não passa de um bando de pessoas egoístas, chatas, medrosas e vaidosas, que morrem por doses pequenas de afeto e sexo que nem sempre é bom. Te digo que sexo só é bom seguido de conversa. Ou silêncio. Ou porta fechada na cara. Assim como cavalgar, que só traz prazer em belo cenário. Enfim. Não estou muito para escrever. Mas ainda há algo que preciso dizer: O problema não é o palheiro. Mas a agulha que gasta sua linha fazendo costuras em farrapos imensos.









4 comentários:

Luis Eme disse...

tudo muda...

as pessoas vão querendo coisas diferentes, de geração em geração, até chegarem ao ponto em que não sabem o que querem...

acho que hoje é tudo excessivo, e isso é mau para coisas simples como o gostar, o ter prazer (mesmo prazer).

Bruno Oliveira disse...

Eh, realmente, a vida parece ser bem mais vivida quando fora da rotina... A semana nem sempre demanda esperança, é martírio, obrigação; o fim de semana sim é orgástico, porque é no fim que tudo deixa de ser prático. Sempre achei o fim mais atraente que o começo, pois o fim, pra mim, é bem mais verdadeiro.

Aline Gouveia disse...

Gosto quando um texto me faz refletir. Fico remoendo tudo que li, e a cada frase mastigada é uma coisa nova a afirmar, ou refazer ou reinventar em nossa vida.
"A gente não quer café de ontem. Então, a gente dispensa. E a gente se engana ao pensar que nós não seremos dispensados."
Vivemos como se não ligássemos, mas nos esquecemos que os outros talvez, não liguem também.

Eu, como sempre, adoro te ler. É melhor que terapeuta.

Love u, Vizinha.

Germano Xavier disse...

Já reparei.