27 junho 2014

reflexivo









Dia desses (acho que foi ontem) li um artigo de opinião que falava a respeito de mulheres que se dizem independentes e que, por tal razão, assustam homens que não gostam de sua independência. O artigo falava de mulheres modernas e muito competitivas, que saem com suas amigas e trabalham muito e reclamam dos homens que fogem delas porque elas são fortes demais para serem levadas em um relacionamento. Ao terminar de ler, não pude deixar de pensar: Onde está esta mulher horrível? Onde vivem tais mulheres tão poderosas que mal conseguem dar um jeito em suas vidas amorosas? Mas daí outra coisa me incomodou: Vida Amorosa. Será que isto é tão relevante assim? Já saindo do tema abordado no artigo, fico a pensar em vida amorosa, que é um mito que seguimos desde que começamos a ler conto de fadas. As meninas, claro. Meninos costumavam jogar futebol de botão, em meu tempo. O termo Vida Amorosa parece clichê e é. Pessoas, não importam se homens ou mulheres, estão sempre em busca de alguém que complete suas vidas. Alguém que dê sentido aos dias. Alguém que, de alguma forma, os faça saber que existem. Pessoas querem ser amadas e não se importam muito em dar amor. Outro clichê, né? Muito. Eu sempre tive receio de falar de amor em público porque talvez eu seja uma mulher que cresceu lendo livros mais existencialistas que românticos à la Sabrina. E não sou feminista. Sou conservadora, segundo me disse um amigo. Mas isto é outro assunto.

Vida amorosa ganhou, nos últimos tempos, este tom de importância como se fosse algo sem o qual não se pode viver. Vida é vida. Tendo ou não alguém ao seu lado, você terá que viver. Você terá que trabalhar e cumprir suas obrigações e continuar. E ser quem você é (com ou sem chapinha — com ou sem barba). Amar vai além da busca por alguém que "caiba nos seus sonhos" de se preencher porque se sente como uma fronha de um travesseiro esquecido. Mas quem sou eu para falar de amor? Eu me pergunto isto. E nem sei por que estou falando neste assunto. Há tantas coisas mais importantes. Mas amor é importante. Afeto é importante. Porém, não está no topo da cadeia alimentar. A gente deixa de se cuidar, de estar bem consigo, de se preencher com mais conhecimento e experiências, para se preocupar apenas se fulano ou fulana irá telefonar após uma noite de beijo na boca.

Estar só não é o fim do mundo. É apenas o começo. Ou uma fase. Mirem-se no exemplo das crianças que começam a andar sozinhas para, somente depois, aprenderem a andar de mãos dadas.

Eu creio que é isto. Não adianta estar com alguém apenas por estar e ainda sentir-se capenga por não conseguir amor suficiente para preencher um sonho. Vida amorosa deveria ser mais uma partilha e não uma guerra de fazer feliz alguém que talvez esteja ali apenas por ter medo de morrer sozinho. Sim, isto pode soar frio. Mas nem tudo queima, baby. O amor é lindo. Apaixonar-se é perfeito. Mas não ocorre com tanta frequência como se mostra em filmes porque talvez estejamos muito preocupados em encontrar alguém que caia de amores por nós. E quase nunca o contrário. Então, antes ou depois da independência das mulheres ou dos homens, há sim uma solidão imensa dentro de todos. Estando ou não em boa companhia. E isto vai além de uma vida a dois. O homem (generalizo) precisa antes estar só. E, somente após isto, após engolir poeira de solidão, possa, talvez, aprender a amar outra pessoa por completo. Sem esperas ou muletas. Amar é verbo que se conjuga no plural. Reflexivo. E se o amor não der certo, como diz o poema, outro amor virá. Ou talvez não. Mas algo virá. E sua vida ainda será vida, mesmo que você passe tempos solitários. Vida amorosa, acima de tudo, é estar bem consigo mesmo nesta bagunça imensa na qual vivemos.










4 comentários:

Germano Viana Xavier disse...

Uma crônica-crônica. Relíquia no meio de tantas crônicas-poesia que você escreve.

Letícia Palmeira disse...

Mudar é preciso.

Luis Eme disse...

à medida que o tempo passa, cada vez estou menos "especialista" em amor, pelo menos do amor entre duas pessoas, Letícia. :)

e nem quero falar do amor-paixão, é uma daquelas coisas que podem fazer doer a sério.

acho que há demasiados "mitos" à volta de toda esta coisa, como o da tal mulher moderna, mandona etc.

o que devia ser moderno era estarmos no mesmo plano, sem ter de existir alguém que é a "cabeça de casal", sermos iguais sem perder as nossas diferenças. :)

Letícia Palmeira disse...

Concordo com você, Luis.