27 julho 2014

fútil beauvoir










A aranha tece puxando o fio da teia
A ciência da abeia, da aranha e a minha
Muita gente desconhece.

(João do Vale)






Abro o e-mail. Caixa de entrada lotada. Espaço para mais nada. Excluo alguns, leio outros. Limpo os spams. Exclusão. Há filtros também. Marquei algumas mensagens com um filtro para que caiam logo na lixeira. Já chega de demonstração de genialidade. Quando quero um gênio, abro um livro. Ou ouço música. Agora estou ouvindo Caetano. Álbum completo. É simples. Você vai ao YouTube e cata uma seleção qualquer e ouve as músicas. Nada mais está complicado. Aliás, está. Eu. Olá. Sou complicada do início ao fim. Mas onde é o fim? Pergunto mais não. Calo de novo. Assisto a programas que falam em alienígenas. Mas será que já não basta o que temos? Será que precisamos nos preocupar com o que há no planeta vizinho? Dormi no ato. Acavalada e coberta. Tão delicada quanto um soco na cara. Acordei. Inverso enunciado. Romântica marionete. Fútil Beauvoir. Estive pensando em pessoas. Não muitas. Conclui que cometo uma gafe imensa. Ao conversar com um amigo, ele bocejou. Diversas vezes. Daí eu lembrei que também bocejo. E no meio do verbo. Má educação da porra. Desculpe o palavrão. Não há coisa pior que demonstração de falta de interesse. O melhor seria fingir. Quer um conselho? Finja. Orgasmo, riso, vontade de abraço e até o escarro. Nós adoramos fingimento. Só não aguentamos a verdade. Vi a verdade. Igual Vovô viu a uva. Verdade egoísta, de calça jeans e barba. Mas é claro que esta é a minha verdade. Todo mundo tem uma verdade. A sua não é a minha. E, se for, um de nós tem problemas. Não gosto de quem concorda muito. É indício de falsidade. Que não é fingimento. É roupa tingida por cor nenhuma. Então, afaste sua falsidade de mim porque dela não preciso não. Preciso de amor. Preciso de grana. Preciso pagar dívidas. E preciso ler alguns livros. Mas não preciso de gente abrindo a boca de sono enquanto verbalizo. Nem ao melhor canalha eu me escandalizo. Mas ergo uma taça e convido ao brinde. Seja um bom canalha comigo que eu serei sempre a mulher que sou. E, depois disto, versam as línguas que a Maria nunca mais bocejou.










2 comentários:

Aline Gouveia disse...

Andamos fingindo e fingimos não perceber que os outros também fingem. Ninguém é o que aparenta ser. E quando é, não queremos saber.
Uma mentira bem contada é melhor que a verdade de sempre.

Ps.: Saudades de te ler, Vizinha.
BeijO

Luis Eme disse...

mas o problema pode ser de "sono" ou de "incapacidade de ouvir o outro", sem ter que ver com as tuas palavras, Letícia.

não me parece que sejas uma "chata" (se aqui não és...). :)