06 julho 2014

sexo, amor e beijo na boca









Domingo é dia de churrasco, passeios e cerveja. Ou talvez seja um dia propício para ir à igreja. Ou, quem sabe, seja um bom dia para se esticar na cama e dormir sem as barreiras e obstáculos da semana.

Não irei citar o número imenso de outras coisas que pessoas passam em dias quaisquer. Há quem esteja sofrendo enquanto outros estão sorrindo. Eu quero apenas falar deste domingo.

Dia claro, de sol frio e chuva que vai e vem. Acordei e arrumei a cama. Li, certa vez, que arrumar a cama ao acordar faz bem. Não sei por que acredito em tanta idiotice. Tenho um forte senso para ser idiota. E sou. Com toda pompa e glória. E no superlativo.

Decidi que meu domingo seria de leitura e música (como coisa que a gente decide algo — porque, amigo, vem a vida e muda tudo — de repente). Mas consegui. Voltei a um livro que parei de ler há tempos.

25 MULHERES QUE ESTÃO FAZENDO A NOVA LITERATURA (Do Brasil, viu? País da copa das copas).

O livro é bom. É uma forma de encontrar o que se escreve por aí, que não seja clássico, pedante ou (enfim).

Começo a leitura. Primeira narrativa: homem, sexo e beijo na boca. Segunda narrativa: sexo, amor e beijo na boca. Terceira narrativa: Bebida, sexo e beijo na boca. Talvez não nesta ordem. Mas eram estes os temas das três narrativas que li. Decidi ir ao prefácio e saber se havia alguma explicação acerca daquilo.

O autor do prefácio deixou claro que mulheres ainda são levadas a escrever a respeito de um universo de romantismo movido por sentimentos. Explica ainda que na literatura são os homens que tomam o ofício de escrever a respeito de outras coisas. Mulheres, por questão de adquirem leitores, são levadas a falar de forma passional, narrando suas vidas ou experiências de amores.

Cruzes.

Concordei com a voz do prefácio. O mundo é macho mesmo. A gente, mulher, fica meio torta quando assume um papel menos "feminino" dentro da arte de escrever. A mulher que assume este risco precisa ter sangue frio para receber conselhos, tais como:

— Por que você não escreve contos eróticos?

Ou,

— Por que você não faz poesia?

Como se fosse coisa de mulher escrever conto erótico ou escrever poesia que ressalte um FALO ou o típico amor romântico. Sempre digo, quando ouço certos conselhos, que escrevo o que consigo. Eu não me arrebento toda para escrever algo que irá agradar. Se isto acontecer, que seja. Caso não aconteça, fazer o quê? Nem todo circo tem bons palhaços.

Era domingo, então. E eu estava lendo este livro que mencionei e que me fez pensar na literatura que é feita. Literatura feminina, com capa bonitinha e beijo na boca no fim da cena. Não sei se tenho jeito para isto. Sei apenas que leio autoras que vão além. Eu leio mulheres que falam da vida de um cachorro, de um homem bêbado, de uma barata e de ondas que trazem o vento. E leio homens que escrevem a respeito de sexo, amor e beijo na boca.

Essa coisa de literatura de calcinha ou cueca não deveria existir.

Não mais.

Deveria ser arte. Escrever pela arte. Por um amor que não é passional, mas sim, cúmplice. Por uma necessidade venosa de escrever e escrever sempre. De criar e contar histórias.

É isto. Nem sei se cheguei a concluir o que pensei antes de começar a escrever. Lembrei. Eu pensava a respeito da busca por assuntos que agradem o leitor. E concluo dizendo que isto é coisa de revista, que faz o editorial de acordo com as tendências da semana. Ou do mês. Autores apenas criam. Escrevem. Talvez busquem, vez ou outra, falar de assuntos que sejam pertinentes ao tempo em que vivem.

Sim. Isto é certo.

Mas, catar leitor falando de sexo, amor e beijo na boca, como se isto fosse prova de ser feminina, admito: sou assexuada. Nem homem, nem mulher. Escrevo o que digo. Se pareço passional (e sou), não peço desculpas. Apenas sigo escrevendo e carregando este rótulo de blogueira, autora e algo que ainda não sei denominar.

E domingo é dia de qualquer coisa. Dia de vida. De pura liberdade de escolha. Já chega deste caminhar por um trilho só.









3 comentários:

Luis Eme disse...

eu que também escrevo, não sinto isso, pelo menos em Portugal.

a única diferença que existe entre o homem e a mulher que escrevem, talvez seja a sensibilidade, que será mais notória na caracterização das personagens. por norma as personagens escritas por mulheres contam muito mais da sua vida, são menos misteriosas que as de autores masculinos.

mas é uma coisa muito leve, que nem todos os leitores registam.

essa moda feminina "sexual" da literatura não teve muito sucesso por aqui, pelo menos por enquanto, Letícia. :)

como vês é muito diferente a literatura em Portugal e no Brasil, até por movimentar muito menos leitores.

o Brasil é um mundo...

Aline Gouveia disse...

Pois é, Vizinha. Seus textos nunca (ou quase)são o que parecem. hahhahahaha
Mas, tenho percebido isso, ao longo desse pouquíssimo tempo em que escrevo, mas nesses muito anos de leitura, que essa coisa de conta erótico, literatura de mulherzinha etc, etc... tem se alastrado. Pessoas me perguntam quando escreverei meu romance, como se isso fosse uma regra para escritoras iniciantes ou não. Enfim. Amei o texto. E quero seguir meu próprio caminho. Erótico ou não. (risos)
Continuarei escrevendo o que sinto. E fico feliz em ver que você tem feito o mesmo. (Tenho aprendido te lendo.)

Enfim. Amei o texto.
BeijO

Germano Viana Xavier disse...

Sempre um belíssimo texto.