28 janeiro 2015

vitalícia









Chorando por amor? Faça não. Chore pela conta de luz, que veio estourada de consumo algum. Ou chore pelas criancinhas. Mas cada um tem seus motivos. Cada um chora pelo que lhe dói. Cada um é um sujeito egoísta, que lambe as mãos dos que lhe podem trazer benefício. Votei errado e agora pago. Quanto? Tudo. É um assalto. Lágrima seca no canto dos olhos. Na tevê, big brother não faz efeito. Mas há quem acredite que a tenda do circo é verdadeira, e não mero artifício para imbecilizar sentidos. Não assisto. Do controle remoto, faço uso vitalício. Pulo canais em busca de algo que afague. Alma cansada e mente irada. Padeço de raiva. Minha ira, esta que explode, é benevolente. Cura até dor de dente. Acredite. De ambíguo, estou até o talo de minha paciência. Leio tudo e ainda duvido. Ou creio. Use o verbo que quiser. Vejo pessoas cultas, muito mais que extraordinárias, citarem ancestrais em seus círculos. Pessoas que adoram o passado, mas que enchem de produtos dietéticos suas geladeiras. Barroco, Rococó — Espie só como esta técnica lhe cai bem. Romantismo que não liberta. Ostracismo que causa inveja. Esta é a dieta. Falam em bibliotecas para escolas, mas veja bem para quem escrevem. Concursos, críticos, anarquistas conversadores do século retrasado. De All Star e jeans rasgados eles marcham. E em mim ainda habitam sorridentes as duas velhinhas fofoqueiras que falam mal de todos mesmo que estejam de joelhos dentro da santa igreja. 










2 comentários:

Luis Eme disse...

o mundo é isso, Leticia.

muito isso. :)

Paula Barros disse...

O ser humano. É assim. Somos assim. Incoerência.