01 fevereiro 2016

de goela abaixo







Não venha me falar em carnaval que eu voo pra cima. Com tudo. Feito ninja. Chute na cara e no ar. Pior que Ana Cristina Cesar em poema indireto. Falo sério. Estou má. Perversa de coice a coice. Égua super esperta das margens plácidas de um país remoto que não alegra ninguém. Mas vejo gente feliz e me irrito, digo ao terapeuta. Se estão felizes e não estou, deve haver algo errado comigo. Ou não? Terapeuta não responde pergunta. Só acena. E com a cabeça voltada pro relógio que a hora custa caro. Tô doida. Sai da frente. Como a mulher que fura a fila na hora da eucaristia. Quem já viu? Talvez seja pecado. Pressa de receber Cristo eu nunca vi! Ou talvez tenha visto e tenha deixado passar despercebido. Atravesso a mesma rua diversas vezes para decorar o andar que me deixa diva, fula, alguém. De passo em passo, me aprumo. E conto, nada passional, o segredo do homem que dorme em muitas camas, mas que não tem coragem de amar ninguém. De goela abaixo, lá vem. 







4 comentários:

Erica de Paula disse...

Sou eu, essa aí?
Texto perfeito!

Luis Eme disse...

Não gosto que fiques má, Letícia.

Nunca pensaste marcar férias e zarpar para outros carnavais?

Luiza Maciel Nogueira disse...

O terapeuta as vezes é esse espelho que não queremos ver tão de perto para não se assustar.

Beijos

Liana disse...

👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏