29 novembro 2016

o agudo do isolamento








Bom dia! Cigarro aceso e xícara de café. Tudo faz mal. Inclusive, não fazer nada. Então, façamos! Vamos jogar a culpa no outro? Já decidi. Eu vou bancar existencialismo quando, para ser sincera, sou mais prática que um carteiro, pulando casas para adiantar o trabalho dos Correios. Estive ocupada organizando uma antologia de contos escritos por mulheres paraibanas. O título da obra é Ventre Urbano. Saboreio o resultado de dois meses de trabalho, de correria, de catar espaço na grande galeria de eventos. Tudo acontece a seu tempo. Logo, eu me aconteço. Este é o meu tempo. Perdoe meu silêncio. O agudo do isolamento. Mas confirmo que, cara a cara, converso mais que velha solitária ao rever amigos. Ou velho. Solitários não tem gênero. O que lhes coloca em uma só categoria é a solidão, seja por escolha, seja por falta dela. Não me compadeço dos solitários.

São felizardos.

Até certo ponto.

Tudo tem limite.

O mundo continua me roubando horas. Culpa minha porque permito. Eu poderia ficar inerte e deixar a vida acontecer sem que minhas mãos tratem de moldar a argila que nos fragmenta. Porém, sou intrometida. Estou metida em tudo até o pescoço. Falo, exagero, calo, subtraio, exijo, disfarço. Sigo sedenta por água que falta. Mas se está em falta, entenda, eu não deveria ficar sedenta. Deveria, de verdade, tratar das coisas que posso. Tirar poeira dos retratos, escrever histórias, amenizar meus dramas e congelar amores até que eu esteja pronta para vivê-los. Mas quer saber? Eu vivo tudo. Minha alma racional faz planos que curto, engulo e solto. Sempre a favor do vento.








Aos interessados na antologia Ventre Urbano, cliquem na capa!
Em breve, publicarei algo sobre a antologia.





2 comentários:

Luis Eme disse...

A espaços vi-me ao espelho. :)

(E mais um livro que não vou ler e ter...)

Letícia Palmeira disse...

Irá ler, Luís.